segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A DOR E A ARTE DE FRIDA KAHLO


"Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade".
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Frida nasceu em 1907, no dia 6 de julho na casa de seus pais. Sua vida foi marcada por tragédias e transformada em arte de uma maneira extraordinária. Logo no início de sua jornada, aos 6 anos, contraiu poliomelite, o que a deixou com uma lesão no pé direito. Devido à isso, passou a usar calças compridas e saias cada vez mais exóticas, sua marca registrada. Porém, não conseguiu esconder o fato e acabou sendo apelidada de "Frida perna de pau". No ano de 1922, começa a frequentar aulas de desenho e modelagem, na qual permanece por 3 anos. Com 18 anos, aprende uma técnica de gravura com Fernando Fernandes. A pintura, ao contrário de muitos artistas, não fez parte da vida dela desde cedo. O interesse veio depois, apesar de ter em casa uma presença muito forte, já que o pai adorava pintar.
Ainda com 18 anos, Frida passou por um dos momentos mais difíceis de sua existência. O bonde no qual viajava chocou-se com um trem, e o pára-choque de um dos veículos perfurou-lhe as costas e saiu por sua vagina. Por isso, ela sofreu uma grave hemorragia e acabou muitos meses no hospital entre a vida e a morte, precisou de várias operações cirurgicas para reconstruir o corpo perfurado. Tal acidente a fez usar muitos coletes ortopédicos, e foi nesse momento trágico que ela encontrou uma saída na arte. Ainda imobilizada na cama, começou a pintar com a caixa de tintas de seu pai, e um cavalete adaptado à cama. Pintou algumas de suas mais famosas obras, como "A coluna partida".
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(Esta é uma das obras mais emocionantes da artista. Um auto retrato da época em que estava se recuperando do acidente com o Bonde. No auto-retrato, Frida está com a cabeça erguida em sinal de determinação e coragem diante do sofrimento da tragédia. Sua expressão facial é de melancolia, e dos olhos caem lágrimas. O corpo coberto por espinhos simboliza o martírio comparado ao de São Sebastião. Seu corpo está rasgado ao meio, suportado por uma coluna jônica, e também ela está partida em vários sítios, simbolizando sua coluna fraturada. o capitel da coluna eleva seu queixo, revelando um rosto capaz de suportar toda sua dor física. O colete de aço aperta seu peito e sua coluna, estendendo-se até a longa saia branca, sinal de que ela acredita na própria recuperação. A paisagem do deserto ao fundo significa o prolongamento de seu sofrimento).

Em 1928, três anos após o acidente, Frida estava prestes a mudar o capítulo de sua vida, quando entrou para o Partido Comunista Mexicano. Lá, conheceu o Muralista Diego Rivera, com quem se casaria um ano mais tarde. O casamento fora cheio de altos e baixos. Tanto Kahlo quanto Rivera possuíam muitas amantes. Frida era bissexual e Diego só aceitava as amantes femininas dela. Já ele, vivia com muitas mulheres, o que trouxe muita dor para Frida, que o amava profundamente. Certa vez, encontrou seu marido na cama com a irmã mais nova, e descobriu que eles tinham um caso a muitos anos, além de 6 filhos. Enfurecida, separou-se de Diego e nunca mais perdoou a irmã. Cortou seus cabelos longos na frente do espelho e teve alguns relacionamentos com outros homens e mulheres, mas volta para o ex marido tempos depois. OS dois acabam tendo um segundo casamento mais tumultuado que o primeiro, e moram em casas separadas, lado a lado, ligadas por uma ponte. Ambos continuaram seus casos extra-conjugais, e ela passou a viver uma vida triste, entre brigas com amantes de Rivera, tentativas de suicidio e impossibilidade de dar um filho ao marido. Ela engravidou muitas vezes, mas abortava devido ao acidente, que deixou sequelas para o resto de sua vida. Apesar da trajetória de doenças e acidente, Frida declarou uma vez que a traição de Diego foi a pior de todas as dores que lhe aconteceram.
Em 13 de julho de 1964, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito constatou embolia pulmonar, devido a uma forte pneumonia, mas a possibilidade de overdose de remédios também não fora descartada, sendo a mesma, acidental ou não. A hipótese de suicídio é sustentada pela última frase que escreveu em seu diário: "Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar". Também há quem diga que ela poderia ter sido envenenada por alguma amante de seu marido.
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sabrinanascimento
Artigo da autoria de Sabrina Nascimento.
Antiga..
Saiba como fazer parte da obvious.

As Ilustrações de Sebastião Peixoto – Para Degustar aos Pedaços


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De um mundo parcialmente obscurecido e de uma mente luminosa surgem fantasias de negrume, seres perdidos na sua própria narrativa, envoltos em cenários improváveis. O derrame do universo de Sebastião Peixoto resulta em fantasias de amputação, de claustrofobia intelectual, tortura, dor, prazer, humor e mistério.
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peixoto sebastiao
Goya, gravura n36, Desastre de la Guerra

O universo visual de Sebastião Peixoto não cabe no compasso referencial do leviano e mergulha ora num caos profano do senso comum, ora num rasganço da consciência do banal, sangrando intempestivos pesadelos da auto-crítica e nevoeiros de ilusão.
São embarcações à deriva num mar de amputações e segredos decapitados por desvendar. Os limites da encenação raramente acabam no abismo entre o real e a fantasia. O observador é sugado para o espaço tridimensional da acção, do paradoxo estática-dinâmica, e tende a investigar, a percorrer os pântanos lamacentos do mistério, instigado pela desprevenida curiosidade, por aquilo que fica por compreender. É a necessidade de justificar essa sensação de incompreensão, de completar o puzzle da existência fantasiosa subtil e provocadoramente disposta em paralelepípedos “pixelados”, desejosos por prender a alma do visitante para sempre, que agarra o observador, o participante. A ansiedade remete ao analgésico que se encontra na insatisfatória e quase sempre improvável resolução do enigma, na contemplação das sombras e dos olhares vazios de banalidade e preenchidos pela solidão, pela perda, pela apatia, morte, loucura, e o sofrimento. O amor que arrancou o coração, este que agora divaga dilacerado por entre os cadáveres do desgosto.
É peremptório especular sobre a sombra projectada sobre o corpo da Kitty, agora fisicamente distante do seu lacinho vermelho, após o enforcamento seguido de decapitação, reflexo evidente do clímax de saturação mediática e mercantil que tal criatura instiga. A sua decapitação renova e/ou alivia o fastio ornamental e estético de uma juventude acrítica e lavada, e revela a urgência da sua patente efemerização. É um literal “Goodbye Kitty”. Milu expressa a sua angústia com a pata enquanto tenta compreender o significado do sangue que escorre da cabeça isolada pela sagacidade da lâmina que a separou do corpo de seu dono Tintin.
peixoto sebastiao
Rei Édipo

peixoto sebastiao
Goodbye Kitty

A indiferença em relação à morte e à violência surge numa reinterpretação contemporânea da gravura nº 36 do “Desastre de la Guerra” de Francisco de Goya. A revolta contra o sistema capitalista, com o Tio Patinhas na figura de Madoff, é subjectivada em “Por qué?”, gravura nº 32 do mesmo autor. Esta Maria persiste na oração. A putrefacção das mãos assinala o vão esforço de salvar uma humanidade tão corroída como a sua imagem despida nesta divina ilustração. Podemos acompanhar o eternizado sofrimento reflectido nos quadros a óleo (óleo já usado, do de garagem, normalmente utilizado nos carros) dos reféns das guerras do petróleo. Óleo que escorre na tela, óleo que escorre até parar e atingir o negrume máximo do sofrimento causado pelos nossos excessos, pelas nossas dependências.
peixoto sebastiao
João Pé de Feijão

peixoto sebastiao
Goya, gravura n32, Por quê

Os pés cortados pelo tornozelo repousavam ensanguentados no centro do hall e uma luz ténue incidia melancolicamente sobre eles. Uma mobília absolutamente negra cercava o quadro medieval onde uma cama, de um vermelho-sangue invulgarmente intenso e luxuriante, deixava adivinhar um diabo, cuja cauda preta abanava suavemente numa lentidão intemporal. Dois momentos da infância do ilustrador que afectam a sua obra, um onírico e outro real. Momentos agora regurgitados pelas mãos, com um certo prazer e humor, cáustico e corrosivo. Imagens originárias do complexo imaginário-real que tem vindo a desenvolver, como analgésico para a dor, em Brufen 600. As influências recaem na literatura, na música, no cinema, na pintura, em nomes como Edgar Allan Poe, Edward Gorey e Thomas Bernhard, entre muitos outros.
Mas como pairam estas criancinhas em ténues cores neste ambiente de encantamento escurecido? Fácil, Sebastião Peixoto é pintor e ilustrador e trabalha também em ilustração para livros infantis. A Ritalinaé uma criança, hiperactiva e narcoléptica. Ritalina é também um espaço dedicado à ilustração infantil, mostruário destes trabalhos, onde a fantasia e a inquietação e o sonho compulsivo se preservam num universo mais doce, em devaneios enigmáticos de algodão-doce, onde retratos de contos pasmam por entre portas entreabertas. Alguns destes trabalhos foram já publicados.
Os esboços revelam a dinâmica, a estrutura e os entretantos. São momentos de fuga, momentos aleatórios de objectivos por cumprir, ou não-objectivos cumpridos. São esboços desprendidos da magia de um momento, materialização do pensamento, linhas soltas que se cumprem entre acções aleatórias, propositadas, em guardanapos de papel. Doodle and Sketch acontece antes do Valdispert fazer o seu efeito placebo. Acontece entre os 4 e os 10 comprimidos, numa noite que se revela impotente ao sono.
As ilustrações de Sebastião Peixoto são invólucros de mundos profundos e profanos que nos levam por inúmeras possibilidades. Com a astúcia necessária, conseguimos porventura de lá sair, inteiros. São ilustrações para degustar, lentamente, aos pedaços.
peixoto sebastiao
Decapitintin

peixoto sebastiao
After Rodin

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migueloliveira
Sobre o autor: miguel oliveira; possui o cérebro na ponta dos dedos. Pinta palavras em ecrãs de computador com aquilo que sintetiza do mundo e diz possuir um rádio no lugar da cabeça. Saiba como fazer parte da obvious.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2010/08/as_ilustracoes_de_sebastiao_peixoto_para_degustar.html#ixzz2IcspDLV3

ERA UMA VEZ... CONTOS DE FADA VERSÃO BEBÊ


Confira o ensaio fotográfico inspirado nos contos de fada e protagonizado por uma linda bebê.
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As fotos que ilustram este post já circularam várias vezes nas redes sociais e muita gente se encantou com essa fofíssima bebê chamada Miss Madie. Ela é a estrela de uma série de fotografias de autoria de Wendi Riggens e protagoniza cenas inspiradas nos mais famosos e conhecidos contos de fadas, como "Alice no País das Maravilhas", "Branca de Neve" e "Chapeuzinho Vermelho". 
A bebê, na época com nove meses de idade, representa as doces personagens com figurinos e cenários impecavelmente produzidos. O nome do ensaio não poderia ser mais adequado: "Once Upon a Time". Ingresse você também neste mundo de fantasias através dos ótimos cliques de Wendi Riggens e a doçura de Miss Maddie.
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katiakeiko
Artigo da autoria de Kátia Keiko.
Eu tentei ser normal. Mas não gostei.
Saiba como fazer parte da obvious.