terça-feira, 15 de setembro de 2026

ROMANTISMO VS REALISMO: Como diferenciar os dois estilos, sem copmplicação.

É coerente afirmar que realismo foi um movimento artístico e cultural que eclode no século XIX abordando temas sociais com uma visão objetiva e crítica, vindo a contrapor-se ao romantismo, uma linguagem mais voltada ao subjetivismo. O realismo se manifestou na literatura e nas artes plásticas, destacando questões sociais como miséria e exploração, tal movimento tambem é marcado, justamente por atribuir clareza em sua linguagem e embargada pela análise psicológica dos personagens.

A liberdade guiando o povo – Eugène Delacroix
O cenário da tela se passa nas ruas de Paris, com as torres da catedral de Notre-Dame visíveis ao fundo na fumaça da batalha. A figura central é de ma mulher que representa a Liberdade e também a pátria francesa, conhecida como Mariane. Ela segura a bandeira tricolor da França em uma mão e um mosquete com baioneta na outra, caminhando sobre os corpos de pessoas derrotadas. A multidão ao redor mostra diferentes grupos sociais unidos na luta, como trabalhadores, jovens e burgueses.

Seguindo essa tonante, logo notamos que o Romantismo e o Realismo, descaram-se como dois dos maiores movimentos literarios e artisticos do século XIX, sendo que ambos têm suas peculiaridades, divergencias que fazem com que seja possivel, identificar ambas as estéticas. Com foco na idealização e emoção, O Romantismo obtem seu dominio na primeira parte do século, enquanto que na segunda metade, o Realismo surge criando um choque de criticidade e objetividade.


O 3 de Maio de 1808 em Madri - Francisco de Goya 
A obra mostra o fuzilamento de civis espanhóis pelas tropas de Napoleão, rompendo com a idealização da guerra.

O Romantismo  na perspectiva artistica, inicia-se na Europa no final do século XVIII e atinge o seu auge entre aproximadamente 1800 e 1850. Sua caracteristicas principais enfatizam-se  na emoção e individualismo,  na glorificação do passado e da natureza, tendendo ao contexto medieval ao classico. Podemos informar que o Romantismo reage à revolução industrial e às ideias iluministas. Incorpora-se nas artes visuais fortemente influenciando o conservadorismo, o liberalismo, o socialismo, o liberalismo e o nacionalismo. 

O Andarilho sobre o Mar de Neblina - Caspar David Friedrich 
Retrata um homem de costas contemplando uma paisagem montanhosa encoberta por nevoeiros, simbolizando a solidão humana diante da imensidão da natureza. 

O Romantismo tem como suas mais destacadas caracteristicas: O subjetivismo, que focava nos sentimentos íntimos, na melancolia e na visão interior do artista. Na exaltação da natureza, nas paisagens grandiosas que refletem o estado de espírito humano, na ruptura com o clássico que rejeita as regras acadêmicas, simetricas e de equilíbrio do Neoclassicismo, e por fim na liberdade criativa que enfatiza na individualidade e na figura do artista como um gênio criativo.

Enquanto o Romantismo vê um mundo poético e utópico, o Realismo, por sua vez se mostra como uma tendência estética bem mais clara a cerca da vida real. O estilo surge na Europa durante a segunda metade do século XIX, complementando assim a linha tenua entre a subjetvidade explicita dos artistas romanticos e a clareza da realidade objetiva proposta pelo novo estilo até então. 

Os Quebradores de Pedra - Gustave Coubert.
A obra de Coubert é uma crítica à sociedade de sua época, destacando as injustiças e a pobreza que existiam. A pintura é uma representação realista da vida dos trabalhadores e dos pobres, mostrando o seu trabalho árduo e a sua condição precária. A obra é uma denúncia da sociedade burguesa e um apelo à mudança social. 

O sucessivo crescimento industrial e científico das sociedades, acaba desencadeando as caracteristicas principais do realismo, uma vez que, numa sociedade moldada pelo desenvolvimento da industria, logo as fabricas crescerão e a força do trabalho tornase-a forte num contexto cotidiano. Isso fará o realismo adotar temas ligados as ações de trabalhadores, como inspirações temáticas do estilo.

Angelus - Jean-François Millet

Esta obra representa com profunda sensibilidade a vida simples e o trabalho árduo dos camponeses. Em Angelus, Millet captura um casal interrompendo suas tarefas agrícolas para fazer uma oração ao anoitecer, transmitindo um sentido de humildade e devoção. A pintura destaca o compromisso do artista com o realismo, ao retratar a dignidade da vida rural em detalhes autênticos e comoventes.

Nessa ocasião, os artistas perceberam que com a natureza "dominada", era necessario haver maior objetividade e realismo também nas expressões artísticas, vindo então a rejeição das represetações  subjetivas e ilusórias. É o caso de "Moças peneirando trigo", de Gustave Coubert, que reflete uma cena de jovens moças realizando o trabalho braçal. Assim, o foco de representação muda de algo utópico para algo concreto.

Moças peneirando trigo - Gustave Coubert
O Realismo se caracteriza pelo retrato fiel da realidade crua, mostrando as coisas exatamente como elas são. Destaca-se pela representação de temas cotidianos, que focam na vida de pessoas comuns, trabalhadores e classes operárias, em vez de heróis, deuses ou figuras mitológicas. A crítica social, busca promover um caráter de denúncia contra as desigualdades, a pobreza e as injustiças geradas pela industrialização, e não poderia faltar a intensa oposição ao Romantismo, que reflete a rejeição total aos exageros emocionais, à fantasia e à fuga da realidade típicos do período romântico. 

Os Respigadores - Jean- François Millet

Uma das obras mais icônicas do realismo, representa trabalhadoras colhendo grãos, enfatizando o esforço das pessoas comuns.

Sabendo as diferenças entre o Romantismo e Realismo, é possivel compreender melhor os estilos artisticos, uma vez que embora parecidos, eles seguem tonantes diferentes e propostas de contemplação e simbolismos divergentes, que criam um embate acerca do olhar sobre a vida em periodos distintos na historia da arte ociedental.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A exposição Degas/Borges chega ao Recife após temporada no MASP



A exposição Degas/Borges chega ao Recife após temporada no MASP, reunindo obras de Edgar Degas, pertencentes ao acervo do museu, em diálogo com fotografias em grande escala da artista brasileira Sofia Borges e uma expografia inspirada nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi. A mostra aproxima escultura e fotografia, explorando corpo, movimento, luz e representação. Em cartaz na Pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand, de 25 de setembro de 2026 a 10 de janeiro de 2027, a exposição tem como destaque a célebre Bailarina de catorze anos e propõe novas formas de olhar para a obra de Degas.

Esta mostra reúne o conjunto completo de 76 obras de Edgar Degas (1834-1917) do acervo do MASP, exibido ao público pela última vez há 14 anos. Os trabalhos do artista foram adquiridos na década de 1950, no contexto das excepcionais aquisições promovidas por Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor fundador do museu, cujo foco estava na arte europeia.

A obra de Degas sempre se manteve em um lugar de ambiguidade, entre a tradição e a modernidade. Seu caráter inovador para a época fica claro nos trabalhos aqui expostos, especialmente na Bailarina de catorze anos (1880), situada na primeira sala da mostra. Com a escultura, Degas não pretendia representar uma bela jovem, mas, sim, uma adolescente trabalhando arduamente para se tornar uma bailarina da Opéra de Paris. Foi durante uma de suas frequentes visitas à Opéra que o artista conheceu Marie van Goethem, a estudante de balé retratada em sua obra mais famosa. Pouco se sabe sobre a vida dela, apenas que ingressou no balé da Opéra de Paris aos 13 anos e era filha de uma lavadeira e de um alfaiate em constante estresse financeiro. As bailarinas geralmente vinham de famílias de operários e trabalhadores que buscavam mobilidade social ou estabilidade financeira por meio da dança. Sabe-se que uma de suas irmãs foi presa por roubar um cliente no célebre cabaré Chat Noir, localizado no bairro boêmio de Montmartre, em Paris. Depois desse episódio, Marie começou a faltar a várias aulas e acabou sendo dispensada da Opéra. Provavelmente como sua irmã, ela foi forçada à prostituição por sua mãe. Essas são algumas das narrativas que muitas vezes são deixadas de lado quando se observa esse que é um dos trabalhos mais emblemáticos do artista, da história da escultura, e da coleção do museu.

A exposição é acompanhada por fotografias das esculturas — a Bailarina de catorze anos e outros bronzes —, em grandes dimensões, feitas especialmente para a mostra por Sofia Borges. A artista trabalhou ao longo de 2020 realizando incontáveis fotografias dos Degas do MASP, no acervo e na reserva técnica. Com sua câmera, ela reinterpreta e concebe novas imagens para esculturas que são verdadeiros clássicos no acervo do museu. Nesta operação, as extraordinárias fotografias de Borges revelam, transformam e atualizam as obras de Degas de forma inovadora e radical. As imagens de Borges são exibidas nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi e em painéis, na galeria do primeiro andar do museu, em diálogo próximo com as esculturas. A instalação com cavaletes e vitrines, numa sala pintada em dégradé e com um “fundo infinito” na cor preta, oferece uma experiência verdadeiramente imersiva para se ver e rever Degas. Duas outras fotografias de Borges são expostas na frente e no verso de um cavalete (numa montagem nova para o icônico dispositivo do museu), no local onde usualmente é exposta a Bailarina de catorze anos, no segundo andar, espaço para a coleção do museu.

A mostra Degas se insere na programação de um ano dedicado inteiramente às Histórias da dança no MASP.

CURADORIA Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Fernando Oliva, curador, MASP.


 


DISPONIVEL EM:
https://masp.org.br/exposicoes/degas

sábado, 12 de setembro de 2026

CIA TEATRAL ALEGRIA ALEGRIA: Mais de quatro decadas trazendo cultura e resistencia para a arte potiguar.

  Por : Fábio Fernandes

Pra quem estuda teatro no Rio Grande do Norte, não tem como passar despercebido a existência artística desse coletivo teatral que desde 1983 leva a arte para as camadas populares, facilitando o acesso à cultura, feita por pessoas comprometidas com a existência desse fenômeno artístico e cultural chamado teatro.

As Aventuras de Pedro Malazartes - Festival Agosto de Teatro - 2009

Dona de uma trajetória marcada pela força do teatro de rua com mais de 42 anos de história, a Cia Alegria Alegria conquistou reconhecimento não apenas em festivais nacionais, mas também em palcos internacionais como Portugal e  Chile nos anos 80, levando a arte potiguar a diferentes culturas e inspirando gerações de artistas e espectadores, que tiveram o privilegio de assistir e contemplar alguns de seus tão especiais espetáculos.

O Auto do Caldeirão

É notório compreender que a Cia teatral Alegria Alegria desenvolve junto à comunidade aspectos da cultura popular, levando Teatro às ruas das cidades potiguares e por muitas vezes do país. A Cia deu início as suas atividades a partir de uma pesquisa sobre o Palhaço Popular do Nordeste, logo, o coletivo promoveu a expansão dessa pesquisa ao interior do Rio Grande do Norte com Espetáculos de Rua. 

As aventuras de Pedro Malazartes - Festival Agosto de Teatro. 2009

Certa vez Grimário Farias, um dos fundadores do grupo, afirmou a folha digital "A Nova Democracia" o seguinte reciocinio: "Saindo das amarras da ditadura, o espaço rua veio naturalmente como o anseio de uma liberdade sonhada. Um voo rumo ao infinito, a vontade de mudar as coisas, de chegar perto do povo falando não somente da nossa felicidade de estar ali, mas, alertando para a possibilidade de mudança, de uma sociedade melhor "

O ator Grimario Farias como Padre Cicero em O Auto do Caldeirão

O reconhecimento do grupo veio após a montagem do primeiro espetáculo pelo título de "As Aventuras de Pedro Malazartes" de autoria de Racine Santos, autor natalense, sendo adaptado de folhetos de cordel. O texto conta a hilariante aventura de um anti-herói, sendo mudado durante os anos em que foi representado graças a participação do povo. Essa peça  proporcionou ao grupo mais de 2.200 apresentações, e deflagrou no estado a criação de vários outros grupos.

Apresentação na feira livre de Lajes-RN 2010

Certa vez o ator e um dos fundadores do grupo Alex Ivanovich contou para o Tribuna do Norte que no Alegria Alegria além dele, tinha "Júnior Santos, João Maria Pinheiro, Beto Vieira, Grimário, Dimas Marques e Galvão Filho. As primeiras músicas  foram feitas por Galvão. João Marcelino idealizou os primeiros figurinos e adereços, depois veio a Kátia Dantas pra completar o coletivo. O grupo chegou a ter uma sede no Beco da Lama, perto de onde hoje tem o Bardalos bar. Tinha escritório, uma oficina, sala de figurinos, uma cozinha, quarto de hóspedes com beliches e ares-condicionados e, no quintal, onde tinha uma porta para rua, no qual montaram um bar que funcionava nos finais de semana". O mesmo ainda afirmou que o grupo sobrevivia de espetáculos vendidos. A rua era uma vitrine, pois era daí que vinham os convites para viajar.

"O Auto do Caldeirão". Festival Agosto de Teatro (2009)
Com: Ijailson Moreira, Melk Freitas, Grimário Farias, Filé, Nilton Mendes, Gorette Barbosa, Fafá Fialho, Eliene Albuquerque, Estefanie Vasconcelos, Rosenildo Melo e Fábio Fernandes

Com o passar do tempo, o grupo foi revezando suas componentes, porém, não deixando se perder a essência original. Um dos espetáculos recentes dessa trajetória, foi o Auto do Caldeirão, texto de Oswald Barroso. A peça contava de forma dramática a historia do paraibano José Lourenço, um beato muito correto em sua jornada, que em 1894, foi até o Juazeiro, onde, soube de um padre que fazia milagres. Na cidade, ganhou fama de radical, praticante e defensor da autoflagelação. Ele Conhece o padre Cícero e, com o tempo, torna-se homem de sua confiança e um dos líderes de sua congregação. Mesmo assim convivia às turras com a polícia e era tido como inimigo de Floro Bartolomeu, que via nele um perigo por causa de seu fanatismo.

O Auto do Caldeirão foi um dos espetáculos que mais marcou a trajetória da Cia potiguar, pois trazia a tona uma história tensa e cheia de reviravoltas cênicas. Com musica e drama em seu corpo cênico.

Logo após, o grupo montou Lampião vai ao Inferno buscar Maria Bonita, com direção de Makarios Maia. Tendo sua estreia em Campina Grande-PB em 2010 no projeto Arius de Teatro de Rua, também sendo apresentada no palco do Teatro Alberto Maranhão.

Lampião Vai ao Ceu Buscar Maria Bonita (2010)

Para dar continuidade aos trabalhos, o Alegria- Alegria sempre busca fazer novas leituras, oficinas e ensaios abertos como era feito no canto do mangue por um determinado período.

Assim, podemos notar a importância desse grupo, como o maior expoente do teatro de rua do Rio Grande do Norte. Sendo respeitado em sua longa trajetória, como uma verdadeira escola de teatro. Não é a toa que ele vai ser citado em livro com maestria, participar de festivais junto a grupos como o Imbuaça e o Tá na Rua. Que esse legado perdure, que a arte continue e o teatro resista ao tempo, se renovando cada vez mais.

Finalizo esse texto citando uma frase do Auto do Caldeirão:

"Morreu, morreu o boi mansinho

O Boi do laço de fita

Mas todo boi de brinquedo

Comentam que ressuscita" 


Vida longa ao Alegria Alegria!

Evoé!

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

AS FAMILIAS FABULARES - (Peça Teatral infantil - texto na integra)

Peça infantil em um ato escrita e desenvolvida pelo teatrólogo Fábio Fernandes. O texto origina-se em 2015 em meio a uma pesquisa acerca dos recursos hidricos, com um coletivo de crianças da escola Eloy de Souza. O texto atualizado se encontra na integra para quem se interessar em montar na escola ou em grupos de teatro voltados para o publico infanto-juvenil.

 Ilustração IA

SINOPSE: Baseada na fábula A cigarra e a Formiga, “As Famílias Fabulares” conta uma divertida história entre as famílias Cigarra e a Formiga, que discutem à relação de consumo consciente da água.

 

PERSONAGENS

SR. CIGARRÃO - (Músico, que só vive tocando seu violão)

MÃE CIGARRA - ( Esposa der Cigarrão )

CIGARRETE  - (Filha de Cigarrão)

CIGARRINHA - (Filha de Cigarrão)

SR. FORMIGONNE - (Chefe da família, vive do trabalho e de juntar alimentos.)

FORMIGÃO – (Primo de Formigonne)

DONA FORMIGA – (Dona da casa dos Formiga)

FORMIGUINHA – (Filha estudiosa dos Formiga)

FORMIGA FOFA – (Filha gulosa dos Formiga)

NARRADOR – (Contador da historia)

 

ATO UNICO 

 

NARRADOR – Vou contar para vocês uma história interessante, que fala de uma família de grandeza importante.

 

É a luta pela vida do trabalho e do lazer, é a mistura com risadas da labuta e do prazer.

 

Certa vez seu Formigonne pela estrada caminhava tão cansado do trabalho, “foi num foi” ele parava.

 

SR. FORMIGONNE

Ai, ai, ai... Que vida essa?

Só sei trabalhar e juntar alimento.

Já passei por tanto canto.

Tenho bom conhecimento.

 

Minha vida é o trabalho,

Da fartura a privação,

Se não saio pra comer

Fico sem comer na mão.

 

NARRADOR

Certo dia pela mata,

Um encontro aconteceu,

Formigonne caminhava,

Ele então reconheceu.

Um músico bem esperto

Metido a boêmio cantador.

Era o Senhor Cigarrão

Tocando seu violão,

Com jeito de aboiador.

 

TODOS – (CANTANDO) Nessa longa estrada da Vida, Vou correndo e não posso paraaaaaaar...

 

SR. CIGARRÃO

Olha só seu Formigonne,

Que só vive pro trabalho,

Não sabe o que é cultura,

Troca alho por bugalho.

 

SR. FORMIGONNE

É você seu Cigarrão,

Um tremendo fanfarrão,

Vive pra cima e pra baixo

Tocando seu violão.

 

SR. CIGARRÃO

Pois é seu Formigonne,

Não me custa te falar.

Vivo de cantarolar

sem ter com que me preocupar.

 

SR. FORMIGONNE

Muito bem seu fanfarrão.

Pois estamos na fartura.

Se avexe a juntar comida

Antes dessa noite escura,

Pois você tem que saber

Que a vida é colorida,

Mas nem sempre é assim

Que essa banda vai tocar,

Com fome tu vai ficar

Se comida te faltar.

 

SR. CIGARRÃO – (cantarolando)

Pois não “tô” nem preocupado.

Quero mesmo é ser artista,

Pra ser capa de jornais

E de famosas revistas.

 

NARRADOR

Cigarrão foi logo embora,

E deixou o seu recado,

Não queria trabalhar,

Já havia anunciado.

De repente Formigão

Foi ao seu primo encontrar,

Disse que era preciso

Àgua economizar.

 

FORMIGÃO

Oh primo meu, Formigonne,

Que prazer te encontrar!

Eu preciso urgentemente

Poder te comunicar.

 

Que os Cigarras não entendem

Que estão danificando

Uma parte do planeta,

Com a água se acabando.

 

SR. FORMIGONNE

Como então posso falar

Pra essa família maluca,

Pra água economizar

E meter na sua cuca?

Pois um bando de teimoso

É que eles todos são,

Desperdiçam a comida

De toda população.

 

FORMIGÃO

Formigonne primo meu,

Quero muito te falar

Que a água do planeta

Já está perto de faltar,

Temos que urgentemente

Nosso planeta salvar.

 

NARRADOR

Formiguinha estudiosa

Entra chamando atenção,

E concorda com o primo

Cheio de educação.

 

FORMIGUINHA

É verdade primo meu,

Temos logo que alertar

Para essa cigarreada

Que a água vai se acabar.

E se eles não entendem

Nada podemos fazer,

Mas vamos de qualquer modo

Tentar compreender,

Pois família tão maluca

Não se tem como aprender.

 

NARRADOR

Dona Formiga orgulhosa

Entra chamando atenção.

Encantada com a filha

Que aprendeu bem a lição.

 

DONA FORMIGA

Muito bem minha querida

Isso que é educação,

Uma formiga consciente

Da ecologia de montão,

Todos temos que saber

Qual a nossa obrigação.

 

NARRADOR

A família orgulhosa

Pela sua consciência,

Desperta logo uma intriga

Numa grande penitencia.

É a filha Formiga Fofa

Ciumenta e gulosa,

Acha que toda a família

A despreza e esnoba.

 

FORMIGA FOFA – (furiosa)

Como pode uma coisa dessas,

Encher a bola de Formiguinha?

Só porque eu sou gulosa

Sou sempre a coitadinha,

Qualquer dia vou sair

De vez desse formigueiro

Pra pegar o “mêi” do mundo

E ganhar muito dinheiro.

 

DONA FORMIGA

Ô Fofinha minha querida

Não precisa se afobar,

Estamos falando muito

Da água que vai faltar,

E dizer para as Cigarras

Que elas vão mendigar.

 

FORMIGA FOFA

Nada disso minha mãe,

Eu ouvi bem a história,

Vi vocês elogiando

Minha irmã estudiosa,

Só porque eu sou gordinha

E um pouco preguiçosa.

 

SR. FORMIGONNE

Nada disso minha filha,

Mas foi bom você falar,

Eu já vi de muitas vezes

Água você derramar,

Pra lavar o seu cabelo

Sem nem economizar.

 

FORMIGUINHA

Isso mesmo papaizinho,

O senhor que tem razão,

Essa gasta a água toda,

Sabonete e sabão.

A passar o dia todo

Vendo a televisão.

 

NARRADOR

Dessa vez aconteceu

Um babado diferente,

Criou uma confusão

Nenhum pouco inteligente,

As formigas começaram

A brigar intensamente.

Nisso, a Mãe Cigarra apareceu,

Ignorou aquela cena,

Já ligou numa torneira

E começou um dilema.

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando)

Lavar roupa todo dia, que agonia... (2x)

 

CIGARRETE

Já chega minha mãe,

Essa música é de abusar,

Vira o dia com a noite

Somente a cantarolar.

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando) Lavar roupa todo dia, que agonia... (2x)

 

CIGARRETE – (irritado)

Já chega pelo amor de deus!

Não tem uma canção mais chata

Pra senhora aqui cantar?

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando)

Como criança em seus braços,

Eu me sinto um rei de sangue azul
Gosto quando encosta em meu nariz e faz: Bilu bilu bilu bilu.

 

CIGARRETE

Ta bom mãe,

Se é pra brincar,

Vamos brincar direito,

A senhora já canta ruim,

Ainda mais “sofrencia”,

Isso ninguém aguenta.

O que pode ser pior que isso?

 

FORMIGAS – (cantando) A muriçoca, çoca, çoca, çoca, çoca,çoca... (2X)

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

NARRADOR

Nessa hora tão sublime

Cigarrão apareceu,

E pra amenizar a barra

Ele então compreendeu,

Que pra tudo ficar bem

Tinha que desabafar,

E falou do bom conselho

Que Formigonne foi lhe dar.

 

SR. CIGARRÃO

Atenção família linda,

Hoje venho vos contar,

Que os Formigas bem certinhos

Vieram me aconselhar,

Para procurar comida

E pra deixar de cantar.

 

CIGARRETE

Ah papai, mas também dera,

Ter que ouvir mamãe cantar,

Só dentro de uma caverna.

Ela abusa todo mundo,

Nem é bom se comentar,

Repete mais de mil vezes,

Desafina sem parar.

 

SR. CIGARRÃO

Filha minha não seja chata,

Deixe sua mãe cantar,

Não tire o seu prazer

Pra ela não se incomodar,

Ficar triste com remorso

Sem poder se expressar.

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando) Como pode um peixe vivo viver fora d’água fria?

Como pode um peixe vivo viver fora d’água fria?

 

FORMIGAS- (cantando) Como poderei viver? Como poderei viver?

Com as cigarras, com as cigarras, com as cigarras gastando águia? (2x)

 

CIGARRETE

Ai meus ouvidos!

Assim não pode ser,

Vou lavar a minha moto

Para eu poder viver,

Pilotando o ano inteiro

Sem ter que ouvir mamãe,

Cantando e desafinando

Destruindo o alvorecer.

 

NARRADOR – Nisso, Cigarrão falou:

 

SR CIGARRÃO

Não ligue pra ela meu amor,

Ela não sabe o que diz,

Quando souber

O valor de uma mãe

Ela vai ser mais feliz.

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

NARRADOR

Na casa de Formigonne

Todo mundo se acalmava,

Fizeram todas as pazes,

Pois o amor se encontrava.

E ali logo do lado

Os Cigarras continuavam

com a sua melodia

e a desperdiçar água.

Formigão se enfureceu:

 

FORMIGÃO

Companheiro cigarreiro,

Não se incomode eu falar,

Mas a água que tu gastas

Amanhã pode faltar.

 

SR CIGARRÃO

Companheiro Formigão

Não seja inconveniente,

Se importe com sua vida

Seja um pouco inteligente,

A água quem paga sou eu

Não seja tão penitente.

 

FORMIGA FOFA

Ah primo Formigão

Larga a mão de ser chato,

Deixe os vizinhos livres

Pra pagarem o seu pato,

Se a água lá faltar

A gente vai ajudar.

 

FORMIGUINHA

Nada disso irmã Fofa,

Eles lá que se previnam.

Desperdiçam toda hora

Nem se quer se justificam,

Vão ficar no prejuízo sem água

Pra beber, tomar banho, lavar a casa...

E sua louça nem é bom ninguém falar.

Aí então eu quero ver

A razão do seu cantar.

 

FORMIGA FOFA

Minha irmã não sei por que

Tanto ódio no coração,

E não sei porque mamãe

Tem orgulho de você;

Chata, insolente e besta

Não posso compreender...

 

DONA FORMIGA

Nisso você tem razão,

Não entendo como tens

Ódio nesse coração,

Vamos economizar,

É a nossa obrigação.

 

NARRADOR

O tempo logo passou

E a crise apareceu,

Lá na casa dos Cigarras

Todo mundo lá sofreu.

 

SR. CIGARRÃO

Ai que dó no coração!

Não tem água pra beber

Nem pra outra obrigação.

 

CIGARRETE

Ai que tédio

Não tem água na mangueira

Acabou antes de ontem

E vai até sexta feira.

Minha moto fica suja

E não tem como lavar,

Como vou sair no mundo

Sem ter água pra tomar?

 

CIGARRINHA

Ai família que chatice,

Não tem água no chuveiro,

Como lavar os cabelos,

Se tá seco o poço inteiro?

 

SR. CIGARRÃO –

Meu amor, minha querida,

Me responda de uma vez.

O que vamos fazer

Sem água por aqui?

 

MÃE CIGARRA e CIGARRAS(cantarolando)

AH EU JÁ NÃO SEI O QUE FAZER...

A ÁGUA ACABOU, VAMOS FAZER O QUE? (2x)

AGORA É FALAR COM AS FORMIGAS

SERÁ QUE ELES VÃO AJUDAR?

ELES TENTARAM NOS AVISAR...

E O QUE A GENTE FEZ? SÓ IGNORAR.

AQUI NÃO TEM ÁGUA

AQUI NÃO TEM ÁGUA

AGORA FICOU TODO MUNDO SEM ÁGUA... POR ISSO:

VAM, VAM, VAM, VAM...

VAMOS FALAR COM AS FORMIGAS.

 

CIGARRAS – Toc,Toc,Toc

 

FORMIGAS – Quem é? Quem é?

 

CIGARRAS – Toc,Toc,Toc

 

FORMIGAS – Quem é? Quem é?

 

CIGARRAS

Abra a porta logo

Que a gente quer entrar,

Aqui são os cigarras,

Queremos água tomar.

 

FORMIGAS

A gente não vai ajudar,

quem mandou água gastar?

 

FORMIGA FOFA

Paaaaara tudo!

Como pode uma coisa dessas,

o que custa ajudar nossos vizinhos?

 

FORMIGUINHA

Tudo que eles querem

É beber de nossa água,

Mas a gente avisou

Que eles iriam ficar sem nada

Se não economizassem.

 

FORMIGONNE

Isso mesmo,

Pra que serviu tanta cantoria?

Agora quero saber

Como vão cantar

Fedendo a gambá?!

 

CIGARRÃO

Pois é seu Formigonne,

bem que vocês avisaram,

agora estamos sujos

e sem água pra beber.

Só queremos um pouquinho

pra gente sobreviver.

 

FORMIGAS – Na-na-ni-na-não!

 

FORMIGA FOFA

Paaaaara tudo!

Como pode uma coisa dessas?

Vamos ser menos egoístas,

Hoje são eles que precisam da gente, Amanhã pode ser a gente que precise deles.

 

FORMIGUINHA

Tudo bem, você nos convenceu irmã fofa, Nós vamos ajudar a cigarreada,

Mas com uma condição.

Nunca mais perturbem nosso juízo

Com essa cantoria desafinada.

 

FORMIGONNE

Isso mesmo,

A gente agradece.

 

NARRADOR

E assim tudo acabou,

E a paz enfim chegou.

As famílias se uniram

Numa grande mansidão,

Conviveram muito bem

Com amor e união.

Os cigarras nunca mais

Perturbaram seus vizinhos formigueiros. E viveram em harmonia

Todo dia o ano inteiro.

 

TODOS

E como em toda fábula

É preciso aprender,

A lição de cada dia

Pra melhor sobreviver.

Essa água que tu bebes

Um dia irá faltar...

Como todo boa formiga:

TEMOS QUE ECONOMIZAR!