O MARICAL
Arte em evidência!
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
O REALISMO DE GUSTAVE COURBET
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
O FILME CENTENARIO "O GAROTO" MOSTRA A VERDADEIRA ESSENCIA DE Charles Chaplin.
Com pouco mais de cem anos, "O Garoto", primeiro longa-metragem de Charles Chaplin, deixa claro que no cinema desse diretor o que vem primeiro é o personagem –Carlitos. O tipo mais marcante da história do cinema, com seu corpo coberto de paradoxos. Já nos trajes convivem o gentleman e o vagabundo, o nobre e o pária, reverberando em seu comportamento como se ali se concentrassem os equívocos todos da humanidade.
A tais e tantos equívocos Carlitos responde com um altivo –e não raro sarcástico– espírito de resistência e algum sentimentalismo. Permanece indiferente ao juízo da sociedade. É vagabundo e orgulhoso.
O certo é que tudo está em seu corpo, o que explica por que Chaplin passou momentos de tanta angústia quando começou a primeira exibição pública de "O Garoto". Eram as cenas iniciais. Solenes, como ele mesmo definiu. Frouxas, digo eu.
Uma jovem mãe, sem dinheiro ou opções, deixa o seu bebê no interior de um automóvel. O carro é roubado por um par de malfeitores. Ao se depararem com a criança que chora no banco de trás, a tiram de lá e a põem ao lado de uma lata de lixo.
Toda essa parte expositiva sugeria um melodrama -o gênero era ainda mais central no cinema há cem anos do que é hoje. E onde estava Carlitos nisso tudo? Estava nos bastidores, suando frio, esperando pela reação da plateia. Logo, porém, ele surge. E basta o seu andar para suscitar os primeiros risos.
Carlitos apanha o bebê e o leva à sua pobre casa. Não sabe o que fazer com uma criança que chora. Improvisa, transforma um bule em mamadeira. Corta o assento de uma cadeira, fazendo um círculo onde possa sentar a criança para que ela faça suas necessidades.
A plateia veio abaixo. Ali estava Carlitos. Estaria ao longo do filme. Desafiando a lei e a ordem com altivez para guardar o menino das garras do poder "bem-intencionado", sempre disposto a fechar a criança num orfanato ou pior.
Até esse momento, o espectador já está ao par das outras virtudes de Carlitos –o corpo tão ágil quanto o espírito, a combatividade, mas também certa alegria de existir, mesmo quando o mundo inteiro é adverso a ele.
Do começo ao fim, Chaplin se manterá fiel ao seu personagem. É sempre ele o centro das atenções da câmera, é em função dele que tudo mais existe e se move. O que é certo, porque o humor vem todo dele. É o inverso de um Buster Keaton, que dava vida a todos os elementos ao seu redor e só então inseria o seu tipo –ele existia então em função do mundo ao redor. Chaplin faz o mundo existir em função dele.
Ou quase todo o mundo, porque agora estamos em um longa e, afinal, existe uma mãe na história. Ela ressurgirá, claro, agora transformada em grande -e rica- estrela do teatro.
Entramos na segunda parte da história, onde Chaplin mistura habilmente o melodrama (é sempre no final que devemos nos comover, não no começo –lei do gênero), sem evitar o que hoje podemos ver como seu ponto fraco, o sentimentalismo à comédia.
E entramos também na história pessoal de Chaplin, cujo filho do casamento com Mildred Harris morreu três dias após o nascimento, segundo alguns. O comediante sentia o casamento como equívoco que deu lugar a um uma crise criativa sem precedentes na sua vida.
Um dia, para desanuviar, foi a um espetáculo de "music hall" em que topou com um menino de quatro anos que o encantou pelo talento e beleza. Era Jackie Coogan, que quase de imediato inspirou nele a ideia central do filme, a da criança que o vagabundo adota relutantemente no início, mas que amará com intensidade a seguir.
Jackie Coogan tinha a vantagem adicional de ser filho do ator Jack Coogan, amigo de Chaplin que esteve livre na maior parte do tempo das filmagens, podendo dessa maneira assessorar o filho nos momentos em que ele empacava (nas cenas mais simples, segundo o diretor). De passagem, Coogan, o pai, fez uma ponta como o batedor de carteira, na cena em que Carlitos e o menino dormem em um albergue.
Talvez não se deva esquecer também da mãe, Edna Purviance. Parceira de Chaplin em mais de 30 filmes, o caso amoroso entre eles havia terminado há anos. De certa forma, Mildred Harris entrou na história para curar as dores de amor do cineasta. Mas Purviance e Chaplin continuaram parceiros na tela por um bom tempo.
Momento especial para Chaplin, o lançamento de "O Garoto", em 16 de janeiro de 1921. Para chegar ali suou bastante. Foram nove meses de filmagem e uma montanha de negativo gasto, na proporção de 53 rolos usados para cada um usado na montagem. No meio, o divórcio.
Já então ungido como o único gênio a praticar essa arte ínfima, o cinema, Chaplin comprovou no longa a genialidade que já tinha demonstrado nos filmes de um ou dois rolos. Talvez hoje ninguém mais acredite, como no passado, que Charlie Chaplin era o único gênio de uma arte ínfima, o cinema. Mas de seu gênio ninguém, até hoje, pode duvidar.
Texto original disponivel em:
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/centenario-o-garoto-prova-que-carlitos-e-estrela-de-chaplin-1.3033703
terça-feira, 6 de outubro de 2026
EDGAR DEGAS: O artista que pincelava o processo do balé além do glamour dos palcos.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
ARTE EFEMERA - Esculturas de Gelo no Castelo de Matsumoto em Nagano
A arte pode se mostrar de diversas formas, uma delas é conhecida como efemera, ou seja, aquela manifestação artística criada para durar um curto período de tempo, valorizando a transitoriedade, o momento presente e a experiência em vez de buscar a eternidade ou em se conceber como um objeto duradouro. Anualmente, um belo festival de esculturas de gelo é realizado na área do Castelo de Matsumoto , na província de Nagano, no Japão, atraindo um grande público para vislumbrar o evento. O festival conta com a presença de escultores não somente do Japão, mas de outros países.
Os artistas, que participam de uma competição, trazem suas ferramentas e começam a esculpir no final da tarde do dia anterior ao evento, momento o qual é possível apreciar o processo de trabalho dos escultores, que se esforçam durante toda a noite, com as artes finalizadas na manhã do dia seguinte. Esse é um exemplo claro de arte efemera. Em outra oportunidade, trarei mais exemplos desse tipo de linguagem artistica.
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Cia GIRA DANÇA: Um lugar onde a inclusão se estende além da arte.
Foto por Brunno Martins/ Giradança
Quando falamos em dança, o que vem em nossa mente, é um corpo em movimento, seguindo uma compasso sistematicamente coreografado. Ligamos a dança a corpos padronizados, ditos "perfeitos" que se expressam artisticamente. Porém, essa visão de uma arte feita para suprir necessidades de certos padrões, que limitam o seu fazer pra alguns, não tem continuidade, quando a Companhia Giradança entra em cena.
A Giradança se destaca como uma renomada companhia de dança contemporânea natalense, referencia na arte cênica potiguar. O seu diferencial está na inclusão. O que a torna mais especial, não só no estado do Rio Grande do Norte, mas em outras partes do Brasil e tambem internacionalmente, tudo isso devido a sua proposta de dança inclusiva, que integra bailarinos com e sem deficiência.
A Giradança foi criada em 2005 pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais, o trabalho artístico do grupo é focado nas possibilidaes de o corpo se mostrar como ferramenta de experiências, que rompem preconceitos e que expandem os limites tradicionais da dança contemporânea. Isso torna a proposta da companhia, um divisor de águas dentro do panorama artistico. Uma vez que se põe em debate, as possibilidades criativas de corpos considerados limitados.
A Cia potiguar tem como Proposta Artística: Investigar a diversidade dos corpos em cena, ressignificando as limitações físicas e transformando-as em potência estética e linguagem coreográfica própria.
A Cia de dança contemporanea já se apresentou em mais de 15 estados brasileiros e em países como a Alemanha. O valor simbolico do Giradança é tão grande, que o coletivo foi condecorado com a prestigiada honraria da Ordem do Mérito Cultural, que por sua vez é a mais alta honraria pública da cultura brasileira, concedida pelo Ministerio da Cultura (MinC) a pessoas, coletivos e instituições que se destacam por relevantes contribuições à cultura do país.
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
MISSÃO ARTISTICA FRANCESA NO BRASIL
A Missão Artística Francesa foi um grupo de artistas, arquitetos e artífices franceses que desbarcou no Rio de Janeiro em março de 1816, cujo o objetivo principal era institucionalizar o ensino oficial das artes plásticas no Brasil e modernizar a cultura da nova sede da corte portuguesa. Amparado pelo governo de Dom João VI, o movimento rompeu com a forte tradição barroca colonial e introduziu o estilo Neoclássico no país, estabelecendo as bases do ensino acadêmico superior de artes.
A vinda do grupo está diretamente ligada à transferência da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808. Com a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido em 1815, havia uma necessidade premente de modernização urbana e cultural da capital. Ao mesmo tempo, com a queda definitiva de Napoleão Bonaparte em 1815, muitos artistas franceses de prestígio que eram associados ao antigo regime napoleônico viram-se sem espaço político e desempregados na Europa, encontrando no projeto ultramarino uma oportunidade de recomeço.
O grupo foi organizado e liderado por Joachim Lebreton, um importante intelectual e administrador cultural francês. Entre os membros mais destacados estavam:
Jean-Baptiste Debret (Pintor): Tornou-se um dos nomes mais célebres da Missão. Suas aquarelas e gravuras foram fundamentais para documentar minuciosamente o cotidiano, a sociedade, a corte e os horrores da escravidão no Brasil do século XIX.
Nicolas-Antoine Taunay (Pintor): Esse artistas dedicou-se principalmente a retratar as paisagens naturais e as riquezas do Rio de Janeiro. Ao contrario de Debret, que visava mais uma representação etnocentrica e de comportamento dos sujeitos.
Grandjean de Montigny (Arquiteto): Introduziu as linhas simétricas, colunas e frontões da arquitetura neoclássica no país, projetando edifícios emblemáticos na capital fluminense
Grandjean de Montigny
Auguste-Marie Taunay (Escultor): Este foi um dos artistas responsáveis por disseminar as técnicas de escultura clássica europeia.
Meses após a chegada, um decreto de Dom João VI instituiu a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Após anos de intrigas políticas, escassez de recursos e resistência de artistas locais adeptos do barroco, a instituição foi finalmente inaugurada em 1826 como a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA).
Desse modo, compreendemos que a Missão Artistica Francesa deixou um valioso acervo iconográfico, etnográfico e histórico sobre a formação da sociedade brasileira, além de consolidar o modelo acadêmico de arte que dominaria o cenário nacional durante todo o século XIX.









