sexta-feira, 18 de setembro de 2026

TEATRO DE REVISTA - Como o gênero teatral marcou uma época antes mesmo do advento da elevisão e repressão da ditadura?

Quando falamos em estilos teatrais, principalmente quando o contexto está ligado na pesquisa e na tragetoria do teatro brasileiro, não podemos deixar passar despercebido o Teatro de revista. Este que é um género teatral popularesco importante q na história das artes cênicas , tanto no Brasil como em Portugal, até meados do século XX, periodo em que o mesmo alcançou o seu auge.

É importante salientar que o genero teatral em dastaque, não surge no século XX. Na segunda metade do século XVIII, na França, o teatro de revista surge  com a  função de protesto, assim como acontecerá mais adiante no Brasil e em Portugal. O genero se caracteriza, pelo frequente apelo à sensualidade e pela sátira  social e política. Tendo suas esquetes, compostas por musicais e dança.

Ao buscar uma forma brasileira de traduzir nossa cultura, alegria e toda mistura a partir dos anos 1920 o Teatro de revista se “encontrou”, o teatro se tornou então responsável pela divulgação da música da época já que o rádio só se popularizou tempos depois. Essas músicas eram mostradas por atores que cantavam, o que atraia o público aos teatros em busca de novidades. Nesse momento surge a Revista Carnavalesca, uma invenção totalmente brasileira. Esse tipo de revista estreava sempre antes do carnaval, tinha sempre um final feliz, que era pra mostrar a alegria carnavalesca e o lançamento da marchinha daquele ano.

Uma das vertentes do teatro de revista no Brasil, foi sem dúvida o Teatro rebolado, esse gênero evoluiu para o uso cada vez maior da nudez e da música, em detrimento de textos ou mesmo um enredo, a partir do final da década de 1940. 

O teatro de revista tinha na vedete a base de sua execução, uma vez que ela é a principal artista feminina, que aparecia em trajes chamativos, nos espetáculos derivados do cabaré. Ela tinha o objetivo de entreter e cativar o público, tendo que por obrigação do seu oficio saber cantar, dançar e atuarno palco, tanto que as Artistas  talentosas eram consideradas super vedetes. 

Mara Rubia

O gênero tearal revelou e consagrou grandes estrelas: vedetes como Virgínia Lane, Mara Rúbia e Eloína; cômicos famosos como Oscarito, Grande Otelo e a uma das mais famosas desse segmento, a íconica Dercy Gonçalves. A produção desses espetáculos, tinha o empresário Walter Pinto como um dos maiores fomentadores do estilo.

Esse teatro vai entrar em declinio com o rigido controle da ditadura militar, devido a forte repressão ao genero e tambem com a forte concorrencia imposta pelo crescimento da televisão na década de 1960. Contudo, o genero fez jus ao que fora pensado em sua essencia, que era satirizar, refletir a hipocrisia gerada por uma sociedade falso moralista que insistia em negar a diversidade da cultura além dos moldes autoritarios de uma época.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Cinco filmes para conhecer o cinema potiguar.



Cena do filme  Sideral - Carlos Segundo

Produções feitas no Rio Grande do Norte percorrem ficção científica, documentários e diferentes paisagens do estado.

O Rio Grande do Norte também tem uma história para contar nas telas. Longe dos grandes centros de produção audiovisual do país, cineastas potiguares vêm construindo, ao longo das últimas décadas, filmes que passam por diferentes gêneros e encontram no estado não apenas um cenário, mas parte importante de suas narrativas. Entre ficções, documentários e obras que misturam realidade e imaginação, o cinema potiguar já levou histórias do sertão, do litoral e da Grande Natal para festivais brasileiros e internacionais. 

Algumas dessas produções também podem ser encontradas em plataformas digitais e acervos na internet. Para quem quer conhecer melhor o audiovisual produzido no estado, cinco filmes ajudam a percorrer diferentes momentos dessa história.

Com apenas 15 minutos, “Sideral” é uma das produções potiguares que ganharam projeção internacional nos últimos anos. Dirigido por Carlos Segundo, o curta acompanha uma família que vive próxima ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, enquanto o Brasil se prepara para enviar o primeiro foguete tripulado ao espaço. 

A ficção científica se mistura ao cotidiano de uma mãe que se vê diante da possibilidade de mudar completamente a própria vida. Enquanto o país olha para o céu em busca de um futuro distante, a personagem também passa a imaginar um novo caminho para si. 

Filmado em Natal e no entorno da capital, “Sideral” utiliza paisagens potiguares para construir uma história que ultrapassa a questão espacial.O curta fala sobre sonhos, escolhas e desigualdade a partir de uma situação extraordinária. 

A produção foi selecionada para importantes festivais e representou o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de 2022 na categoria de melhor curta-metragem em live action. Atualmente, “Sideral” pode ser encontrado no Globoplay. 

“Fendas” Também dirigido por Carlos Segundo, leva o cinema potiguar para um território mais experimental. O longa acompanha Catarina, uma pesquisadora de física quântica que investiga uma relação entre luz e som e acaba descobrindo.

Filmado no RN, "Fendas" mistura ficção científica e desigualdade e chegou a representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar uma frequência capaz de alterar sua percepção do tempo.

A história utiliza conceitos científicos para construir uma narrativa sobre memória, percepção e realidade. O resultado é um filme que se distancia das estruturas mais tradicionais e aposta em uma experiência visual e sonora. Com cerca de 80 minutos, “Fendas” foi exibido em festivais e recebeu reconhecimento no circuito independente. O filme também passou pela Mostra de Cinema de Gostoso, um dos principais eventos dedicados ao audiovisual no Rio Grande do Norte. 

Capa  do filme  Boi de Prata (1981)

Para voltar ainda mais no tempo, “Boi de Prata” é um dos títulos fundamentais do cinema produzido no estado. Dirigido por Augusto Ribeiro Jr., o filme foi lançado em 1981 e teve como cenário o sertão potiguar.

A história acompanha Elói Dantas, um fazendeiro interessado em ampliar seu patrimônio por meio da exploração de minérios. No caminho, ele entra em conflito com Antônio Vaqueiro, dono de um pequeno sítio que se torna alvo de seus interesses. O filme combina elementos do drama rural com questões relacionadas à terra, à exploração econômica e às relações de poder. 

A produção também tem importância histórica por reunir profissionais que posteriormente teriam carreiras de destaque no cinema brasileiro, como o diretor de fotografia Walter Carvalho. Décadas depois de seu lançamento, “Boi de Prata” permanece como uma referência para quem pesquisa a história do audiovisual potiguar e a tentativa de produzir cinema fora do eixo Rio-São Paulo.

“Sêo Inácio (ou O Cinema do Imaginário)” “Sêo Inácio (ou O Cinema do Imaginário)”. Dirigido por Hélio Ronyvon, o documentário apresenta a história de Inácio Magalhães de Sena, um cinéfilo potiguar que dedicou boa parte da vida a assistir a filmes. a produção transforma a relação do personagem com a sétima arte em uma reflexão sobre memória e passagem do tempo. 

Mais do que contar a história de um espectador, o filme registra uma forma particular de viver o cinema. como um pequeno retrato da cultura cinematográfica do estado e de personagens que, mesmo longe dos holofotes, ajudam a construir a memória audiovisual potiguar.

“A Parteira” é um documentário dirigido por Catarina Doolan. O filme acompanha Donana, parteira que atuou durante décadas em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. Conhecimentos acumulados ao longo da vida, revela uma tradição transmitida entre gerações. O documentário transforma a experiência pessoal de Donana em registro de uma prática que faz parte da história de muitas comunidades brasileiras. O filme recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem na Mostra de Cinema de Gostoso de 2019. 

O cinema potiguar não segue uma única fórmula. Há espaço para ficção científica, experimentação entre outros modelos de atuação. O próprio cinema é o assunto, com pouco mais de dez minutos. A produção funciona, a cultura e a memória também.

Em comum, os filmes têm a presença do Rio Grande do Norte como parte da narrativa, seja por meio das paisagens, dos personagens ou das histórias que dificilmente poderiam ser contadas da mesma maneira em outro lugar. Esse movimento ganhou força com a criação de iniciativas volta “Sideral”, de Carlos Segundo, é um dos curtas potiguares que ganharam destaque das à produção, preservação e circulação do audiovisual local. 

A Cinemateca Potiguar, projeto ligado ao Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), mantém ações de preservação e difusão de filmes e outros materiais audiovisuais. A Mostra de Cinema de Gostoso, realizada no litoral potiguar, também se tornou espaço importante para a exibição e discussão de obras produzidas no estado.

Nos últimos anos, novos realizadores passaram a ocupar esse circuito com curtas e longas que apresentam diferentes olhares sobre o cotidiano potiguar. São histórias que vão do sertão ao litoral, da ficção científica às tradições populares, e que ajudam a construir uma memória audiovisual do estado. Para o público, conhecer essas produções é também uma maneira de enxergar o Rio Grande do Norte por outros ângulos. Nas telas, lugares conhecidos podem ganhar novos significados, enquanto histórias aparentemente pequenas passam a fazer parte de uma narrativa maior sobre a cultura potiguar. 


Materia orignal disponivel em:

https://ocorreiodehoje.com.br/filmes-para-conhecer-o-cinema-potiguar/


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A PINTURA NOS VASOS GREGOS: Uma reflexão sobre essa arte expressiva na linha do tempo.

Assim como em outras civilizações, a pintura apareceu na Grécia como um elemento de decoração da arquitetura. As paredes das construções eram, muitas vezes, ostentadas por vários painéis pintados que apareciam até nas métopas dos templos, no lugar das esculturas.

A arte na cerâmica proporcionou uma forma de realização da pintura grega. Os vasos gregos não eram conhecidos apenas pelo equilíbrio e forma, eles também são conhecidos pela harmonia entre o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação.

Eles serviam para os rituais religiosos e para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Os vasos tornaram-se objetos artísticos a partir da hora em que passaram a revelar uma forma equilibrada e um trabalho de pintura harmonioso.

Na maior parte das vezes, as pinturas dos vasos buscavam representar pessoas em suas atividades diárias e, principalmente, cenas da mitologia grega.

Nos exemplos em destaque, temos a presença de harpias pintadas nos quadros gregos. são criaturas mitológicas, frequentemente representadas como aves de rapina com rosto de mulher e seios.

Outro exemplo frequente nos quadros gregos era A Hidra de Lerna, que segundo a mitologia, era  é um monstro assustador de muitas cabeças que matou um dos heróis mais famosos da Grécia. Consistia numa serpente com várias cabeças com o poder de regeneração e veneno mortal, a Hidra era um dos monstros mais temíveis da mitologia grega.

Para dar início ao processo, o artista pintava, em negro, a silhueta das figuras. Dando continuidade, ele gravava o contorno e as marcas interiores dos corpos com um instrumento pontiagudo. Esse objeto era útil no momento de retirar a tinta preta, deixando linhas nítidas.

Exéquias foi o maior pintor de figuras negras. Em destaque“Aquiles e Ajax jogando” foi uma de suas pinturas mais famosas.

Além do trabalho detalhista nos mantos e nos escudos dos heróis, o artista fez coincidir, nessa pintura, a curvatura do vaso com a inclinação das costas dos dois personagens; tudo isso feito de maneira harmoniosa.

Outro aspecto a ser observado é que as lanças desempenham também uma função plástica: o modo como elas estão dispostas, leva o observador a dirigir sua visão para as alças da ânfora e, dessas, para os escudos colocados atrás das figuras. 

Desse modo pode-se notar que a junção de todos esses elementos cria um todo organizado, além de fazer com que a beleza do vaso seja resultado da integração entre esses detalhes.







terça-feira, 15 de setembro de 2026

ROMANTISMO VS REALISMO: Como diferenciar os dois estilos, sem copmplicação.

É coerente afirmar que realismo foi um movimento artístico e cultural que eclode no século XIX abordando temas sociais com uma visão objetiva e crítica, vindo a contrapor-se ao romantismo, uma linguagem mais voltada ao subjetivismo. O realismo se manifestou na literatura e nas artes plásticas, destacando questões sociais como miséria e exploração, tal movimento tambem é marcado, justamente por atribuir clareza em sua linguagem e embargada pela análise psicológica dos personagens.

A liberdade guiando o povo – Eugène Delacroix
O cenário da tela se passa nas ruas de Paris, com as torres da catedral de Notre-Dame visíveis ao fundo na fumaça da batalha. A figura central é de ma mulher que representa a Liberdade e também a pátria francesa, conhecida como Mariane. Ela segura a bandeira tricolor da França em uma mão e um mosquete com baioneta na outra, caminhando sobre os corpos de pessoas derrotadas. A multidão ao redor mostra diferentes grupos sociais unidos na luta, como trabalhadores, jovens e burgueses.

Seguindo essa tonante, logo notamos que o Romantismo e o Realismo, descaram-se como dois dos maiores movimentos literarios e artisticos do século XIX, sendo que ambos têm suas peculiaridades, divergencias que fazem com que seja possivel, identificar ambas as estéticas. Com foco na idealização e emoção, O Romantismo obtem seu dominio na primeira parte do século, enquanto que na segunda metade, o Realismo surge criando um choque de criticidade e objetividade.


O 3 de Maio de 1808 em Madri - Francisco de Goya 
A obra mostra o fuzilamento de civis espanhóis pelas tropas de Napoleão, rompendo com a idealização da guerra.

O Romantismo  na perspectiva artistica, inicia-se na Europa no final do século XVIII e atinge o seu auge entre aproximadamente 1800 e 1850. Sua caracteristicas principais enfatizam-se  na emoção e individualismo,  na glorificação do passado e da natureza, partindo do contexto medieval ao classico. Pode-se tambem afirmar que o Romantismo reage à revolução industrial e às ideias iluministas. Incorpora-se nas artes visuais fortemente influenciando o conservadorismo, o socialismo, o liberalismo e o nacionalismo. 

O Andarilho sobre o Mar de Neblina - Caspar David Friedrich 
Retrata um homem de costas contemplando uma paisagem montanhosa encoberta por nevoeiros, simbolizando a solidão humana diante da imensidão da natureza. 

O Romantismo tem como suas mais destacadas caracteristicas: O subjetivismo, que focava nos sentimentos íntimos, na melancolia e na visão interior do artista. Na exaltação da natureza, nas paisagens grandiosas que refletem o estado de espírito humano, na ruptura com o clássico que rejeita as regras acadêmicas, simetricas e de equilíbrio do Neoclassicismo, e por fim na liberdade criativa que enfatiza na individualidade e na figura do artista como um gênio criativo.

Enquanto o Romantismo vê um mundo poético e utópico, o Realismo, por sua vez se mostra como uma tendência estética bem mais clara a cerca da vida real. O estilo surge na Europa durante a segunda metade do século XIX, complementando assim a linha tenua entre a subjetvidade explicita dos artistas romanticos e a clareza da realidade objetiva proposta pelo novo estilo até então. 

Os Quebradores de Pedra - Gustave Coubert.
A obra de Coubert é uma crítica à sociedade de sua época, destacando as injustiças e a pobreza que existiam. A pintura é uma representação realista da vida dos trabalhadores e dos pobres, mostrando o seu trabalho árduo e a sua condição precária. A obra é uma denúncia da sociedade burguesa e um apelo à mudança social. 

O sucessivo crescimento industrial e científico das sociedades, acaba desencadeando as caracteristicas principais do realismo, uma vez que, numa sociedade moldada pelo desenvolvimento da industria, logo as fabricas crescerão e a força do trabalho tornase-a forte num contexto cotidiano. Isso fará o realismo adotar temas ligados as ações de trabalhadores, como inspirações temáticas do estilo.

Angelus - Jean-François Millet

Esta obra representa com profunda sensibilidade a vida simples e o trabalho árduo dos camponeses. Em Angelus, Millet captura um casal interrompendo suas tarefas agrícolas para fazer uma oração ao anoitecer, transmitindo um sentido de humildade e devoção. A pintura destaca o compromisso do artista com o realismo, ao retratar a dignidade da vida rural em detalhes autênticos e comoventes.

Nessa ocasião, os artistas perceberam que com a natureza "dominada", era necessario haver maior objetividade e realismo também nas expressões artísticas, vindo então a rejeição das represetações  subjetivas e ilusórias. É o caso de "Moças peneirando trigo", de Gustave Coubert, que reflete uma cena de jovens moças realizando o trabalho braçal. Assim, o foco de representação muda de algo utópico para algo concreto.

Moças peneirando trigo - Gustave Coubert
O Realismo se caracteriza pelo retrato fiel da realidade crua, mostrando as coisas exatamente como elas são. Destaca-se pela representação de temas cotidianos, que focam na vida de pessoas comuns, trabalhadores e classes operárias, em vez de heróis, deuses ou figuras mitológicas. A crítica social, busca promover um caráter de denúncia contra as desigualdades, a pobreza e as injustiças geradas pela industrialização, e não poderia faltar a intensa oposição ao Romantismo, que reflete a rejeição total aos exageros emocionais, à fantasia e à fuga da realidade típicos do período romântico. 

Os Respigadores - Jean- François Millet

Uma das obras mais icônicas do realismo, representa trabalhadoras colhendo grãos, enfatizando o esforço das pessoas comuns.

Sabendo as diferenças entre o Romantismo e Realismo, é possivel compreender melhor os estilos artisticos, uma vez que embora parecidos, eles seguem tonantes diferentes e propostas de contemplação e simbolismos divergentes, que criam um embate acerca do olhar sobre a vida em periodos distintos na historia da arte ociedental.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A exposição Degas/Borges chega ao Recife após temporada no MASP



A exposição Degas/Borges chega ao Recife após temporada no MASP, reunindo obras de Edgar Degas, pertencentes ao acervo do museu, em diálogo com fotografias em grande escala da artista brasileira Sofia Borges e uma expografia inspirada nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi. A mostra aproxima escultura e fotografia, explorando corpo, movimento, luz e representação. Em cartaz na Pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand, de 25 de setembro de 2026 a 10 de janeiro de 2027, a exposição tem como destaque a célebre Bailarina de catorze anos e propõe novas formas de olhar para a obra de Degas.

Esta mostra reúne o conjunto completo de 76 obras de Edgar Degas (1834-1917) do acervo do MASP, exibido ao público pela última vez há 14 anos. Os trabalhos do artista foram adquiridos na década de 1950, no contexto das excepcionais aquisições promovidas por Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor fundador do museu, cujo foco estava na arte europeia.

A obra de Degas sempre se manteve em um lugar de ambiguidade, entre a tradição e a modernidade. Seu caráter inovador para a época fica claro nos trabalhos aqui expostos, especialmente na Bailarina de catorze anos (1880), situada na primeira sala da mostra. Com a escultura, Degas não pretendia representar uma bela jovem, mas, sim, uma adolescente trabalhando arduamente para se tornar uma bailarina da Opéra de Paris. Foi durante uma de suas frequentes visitas à Opéra que o artista conheceu Marie van Goethem, a estudante de balé retratada em sua obra mais famosa. Pouco se sabe sobre a vida dela, apenas que ingressou no balé da Opéra de Paris aos 13 anos e era filha de uma lavadeira e de um alfaiate em constante estresse financeiro. As bailarinas geralmente vinham de famílias de operários e trabalhadores que buscavam mobilidade social ou estabilidade financeira por meio da dança. Sabe-se que uma de suas irmãs foi presa por roubar um cliente no célebre cabaré Chat Noir, localizado no bairro boêmio de Montmartre, em Paris. Depois desse episódio, Marie começou a faltar a várias aulas e acabou sendo dispensada da Opéra. Provavelmente como sua irmã, ela foi forçada à prostituição por sua mãe. Essas são algumas das narrativas que muitas vezes são deixadas de lado quando se observa esse que é um dos trabalhos mais emblemáticos do artista, da história da escultura, e da coleção do museu.

A exposição é acompanhada por fotografias das esculturas — a Bailarina de catorze anos e outros bronzes —, em grandes dimensões, feitas especialmente para a mostra por Sofia Borges. A artista trabalhou ao longo de 2020 realizando incontáveis fotografias dos Degas do MASP, no acervo e na reserva técnica. Com sua câmera, ela reinterpreta e concebe novas imagens para esculturas que são verdadeiros clássicos no acervo do museu. Nesta operação, as extraordinárias fotografias de Borges revelam, transformam e atualizam as obras de Degas de forma inovadora e radical. As imagens de Borges são exibidas nos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi e em painéis, na galeria do primeiro andar do museu, em diálogo próximo com as esculturas. A instalação com cavaletes e vitrines, numa sala pintada em dégradé e com um “fundo infinito” na cor preta, oferece uma experiência verdadeiramente imersiva para se ver e rever Degas. Duas outras fotografias de Borges são expostas na frente e no verso de um cavalete (numa montagem nova para o icônico dispositivo do museu), no local onde usualmente é exposta a Bailarina de catorze anos, no segundo andar, espaço para a coleção do museu.

A mostra Degas se insere na programação de um ano dedicado inteiramente às Histórias da dança no MASP.

CURADORIA Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Fernando Oliva, curador, MASP.


 


DISPONIVEL EM:
https://masp.org.br/exposicoes/degas

sábado, 12 de setembro de 2026

CIA TEATRAL ALEGRIA ALEGRIA: Mais de quatro decadas trazendo cultura e resistencia para a arte potiguar.

  Por : Fábio Fernandes

Pra quem estuda teatro no Rio Grande do Norte, não tem como passar despercebido a existência artística desse coletivo teatral que desde 1983 leva a arte para as camadas populares, facilitando o acesso à cultura, feita por pessoas comprometidas com a existência desse fenômeno artístico e cultural chamado teatro.

As Aventuras de Pedro Malazartes - Festival Agosto de Teatro - 2009

Dona de uma trajetória marcada pela força do teatro de rua com mais de 42 anos de história, a Cia Alegria Alegria conquistou reconhecimento não apenas em festivais nacionais, mas também em palcos internacionais como Portugal e  Chile nos anos 80, levando a arte potiguar a diferentes culturas e inspirando gerações de artistas e espectadores, que tiveram o privilegio de assistir e contemplar alguns de seus tão especiais espetáculos.

O Auto do Caldeirão

É notório compreender que a Cia teatral Alegria Alegria desenvolve junto à comunidade aspectos da cultura popular, levando Teatro às ruas das cidades potiguares e por muitas vezes do país. A Cia deu início as suas atividades a partir de uma pesquisa sobre o Palhaço Popular do Nordeste, logo, o coletivo promoveu a expansão dessa pesquisa ao interior do Rio Grande do Norte com Espetáculos de Rua. 

As aventuras de Pedro Malazartes - Festival Agosto de Teatro. 2009

Certa vez Grimário Farias, um dos fundadores do grupo, afirmou a folha digital "A Nova Democracia" o seguinte reciocinio: "Saindo das amarras da ditadura, o espaço rua veio naturalmente como o anseio de uma liberdade sonhada. Um voo rumo ao infinito, a vontade de mudar as coisas, de chegar perto do povo falando não somente da nossa felicidade de estar ali, mas, alertando para a possibilidade de mudança, de uma sociedade melhor "

O ator Grimario Farias como Padre Cicero em O Auto do Caldeirão

O reconhecimento do grupo veio após a montagem do primeiro espetáculo pelo título de "As Aventuras de Pedro Malazartes" de autoria de Racine Santos, autor natalense, sendo adaptado de folhetos de cordel. O texto conta a hilariante aventura de um anti-herói, sendo mudado durante os anos em que foi representado graças a participação do povo. Essa peça  proporcionou ao grupo mais de 2.200 apresentações, e deflagrou no estado a criação de vários outros grupos.

Apresentação na feira livre de Lajes-RN 2010

Certa vez o ator e um dos fundadores do grupo Alex Ivanovich contou para o Tribuna do Norte que no Alegria Alegria além dele, tinha "Júnior Santos, João Maria Pinheiro, Beto Vieira, Grimário, Dimas Marques e Galvão Filho. As primeiras músicas  foram feitas por Galvão. João Marcelino idealizou os primeiros figurinos e adereços, depois veio a Kátia Dantas pra completar o coletivo. O grupo chegou a ter uma sede no Beco da Lama, perto de onde hoje tem o Bardalos bar. Tinha escritório, uma oficina, sala de figurinos, uma cozinha, quarto de hóspedes com beliches e ares-condicionados e, no quintal, onde tinha uma porta para rua, no qual montaram um bar que funcionava nos finais de semana". O mesmo ainda afirmou que o grupo sobrevivia de espetáculos vendidos. A rua era uma vitrine, pois era daí que vinham os convites para viajar.

"O Auto do Caldeirão". Festival Agosto de Teatro (2009)
Com: Ijailson Moreira, Melk Freitas, Grimário Farias, Filé, Nilton Mendes, Gorette Barbosa, Fafá Fialho, Eliene Albuquerque, Estefanie Vasconcelos, Rosenildo Melo e Fábio Fernandes

Com o passar do tempo, o grupo foi revezando suas componentes, porém, não deixando se perder a essência original. Um dos espetáculos recentes dessa trajetória, foi o Auto do Caldeirão, texto de Oswald Barroso. A peça contava de forma dramática a historia do paraibano José Lourenço, um beato muito correto em sua jornada, que em 1894, foi até o Juazeiro, onde, soube de um padre que fazia milagres. Na cidade, ganhou fama de radical, praticante e defensor da autoflagelação. Ele Conhece o padre Cícero e, com o tempo, torna-se homem de sua confiança e um dos líderes de sua congregação. Mesmo assim convivia às turras com a polícia e era tido como inimigo de Floro Bartolomeu, que via nele um perigo por causa de seu fanatismo.

O Auto do Caldeirão foi um dos espetáculos que mais marcou a trajetória da Cia potiguar, pois trazia a tona uma história tensa e cheia de reviravoltas cênicas. Com musica e drama em seu corpo cênico.

Logo após, o grupo montou Lampião vai ao Inferno buscar Maria Bonita, com direção de Makarios Maia. Tendo sua estreia em Campina Grande-PB em 2010 no projeto Arius de Teatro de Rua, também sendo apresentada no palco do Teatro Alberto Maranhão.

Lampião Vai ao Ceu Buscar Maria Bonita (2010)

Para dar continuidade aos trabalhos, o Alegria- Alegria sempre busca fazer novas leituras, oficinas e ensaios abertos como era feito no canto do mangue por um determinado período.

Assim, podemos notar a importância desse grupo, como o maior expoente do teatro de rua do Rio Grande do Norte. Sendo respeitado em sua longa trajetória, como uma verdadeira escola de teatro. Não é a toa que ele vai ser citado em livro com maestria, participar de festivais junto a grupos como o Imbuaça e o Tá na Rua. Que esse legado perdure, que a arte continue e o teatro resista ao tempo, se renovando cada vez mais.

Finalizo esse texto citando uma frase do Auto do Caldeirão:

"Morreu, morreu o boi mansinho

O Boi do laço de fita

Mas todo boi de brinquedo

Comentam que ressuscita" 


Vida longa ao Alegria Alegria!

Evoé!