terça-feira, 3 de novembro de 2026

ODISSEIA DE ÍCARO - Um filme gravado em Lajes dirigido pelo saudoso Geraldo Cavalcanti

Cena do filme experimental A Odisseia de ìcaro (2013) - Direção Geraldo Cavalcanti

À exatos 13 anos, mais precisamente em 2013. Fui convidado especial a compor o elenco de "A Odisseia de Ícaro", um filme produzido pelo projeto "Nós na Tela" que consistia na criação de gênerod de curtas (se ficção ou docudrama) nos quais o enredo era totalmente definido de forma coletiva, durante a realização das oficinas de direção, edição, câmera, fotografia, roteiro e direção de arte. O projeto em destaque que por sua vez tinha a coordenação e direção geral do saudoso cineasta potiguar Geraldo Cavalcante, que por sua vez era roteirista de seus filmes, que coordenou o Núcleo de Pesquisas Audiovisuais - IFCE/Quixadá, a Escola de Cinema do Sertão e o Festival de Cinema Sertão e Diversidade. Geraldo iniciou sua trajetoria artistica e formativa no grupo de teatro Boitatá. Carlos Tourinho foi uma das fontes de onde absorveu conhecimento, experiência, e aprimorou o seu estilo criativo de fazer cinema.

Geraldo Cavalcanti dirigindo uma cena durante o dia.

Geraldo tem em seu repertorio, filmes como  “A casa do doido Alexandre”, “The End”  e as “Almas Santas da Barragem”. Sem a menor sombra de dúvida, ter conhecido esse artista me trouxe boas referencias e tambem uma contrubuição certeira na arte de contar historias através do cinema independente. O projeto Nós na tela tinha em sua equipe Geraldo Cavalcanti (direção e roteiro), Guaraci gabriel (direção de arte), Silbeni Batista (preparação de elenco), Nilson Eloy (som direto), Ranieri Fernandes (ator e produtor) e Suerda Morais (edição).

No tocante a minha participação no filme, foi fundamental pra perceber que enquanto ator, eu poderia render, sendo dirigido numa linguagem que até então, eu somente experimentava como diretor e editor. O cinema me proporcionou obeservar o ator como um estudioso, pesquisador e questionador da existencia do personagem. Pois o processo de decorar o texto e ir além dessa ação apenas literal, me posicionou num lugar de compreensão do que se tem escrito naquele roteiro. O ator necessita então de ver o texto não como uma diretriz cenica apenas, mas tambem como algo que se move e expressa algo organico em sua existencia. 

Em cena com os atores Raniere Fernandes e Joalison.

Uma das coisas que mais me encantou na mensagem do filme "Odisseia de Ícaro" foi a forma verde de mostrar o Nordeste Brasileiro. Ao contrario de muitos artistas que retratam nossa região de forma que sugere uma distancia da globalização mundial. O personagem ao qual pude interpretar vive num interior do Nordeste brasileiro, mas tem total conhecimento de Teatro, tem uma linguagem coloquial e também se insere no contexto social como sujeito crítico e informado para sua "realidade". Ou seja, esta obra, sem duvida traz inúmeras mensagens subliminares que busca no receptor um pouco de informação e conhecimento de mundo para assim ver as riquezas poéticas contidas no seu material.

Em suma, vale salientar que, o filme A Odisseia de ìcaro, sem dúvidas, trouxe para o municipio potiguar no qual sou natural, Lajes/RN a possibilidade de criar obras artisticas de qualidade. Mesmo que tenha a contribuição de artistas experientes tal qual Geraldo Cavalcanti e Guaraci Gabriel. 

O filme Odisseia de ìcaro pode ser assitido na Youtube no seguinte link: 

ODISSEIA DE ÍCARO (FILME COMPLETO - 2013)





Fontes:

https://reporterceara.com.br/2021/06/17/dia-do-cinema-amigos-realizam-ato-em-memoria-de-geraldo-cavalcanti-e-em-defesa-do-cinema-brasileiro/

https://tribunadonorte.com.br/viver/na-estrada-por-uma-boa-historia/

TEATRO KATHAKALI - O teatro clássico índiano e sua delicadeza


Ao pesquisar estilos teatrais, encontrei um artigo cientifico que aborda de forma clara, o contexto atribuido ao teatro Kathakali. O texto, escrito por  Almir Ribeiro, que é diretor teatral, pedagogo, Mestre em Artes Visuais pela UFRJ e tambem doutorando em Artes Cênicas pela USP com o projeto Edward Gordon Craig: a Supermarionete e a pedagogia da Morte do ator. Almir tambem é  autor do livro Kathakali: uma introdução ao Teatro e ao sagrado da Índia. 

Kathakali, teatro sagrado do Malabar- Teatro mínimo (Brasil/India). 
Dir. Kottakkal Nanda Kumaran - FIT BH (1997) - Foto: Guto Muniz

O artigo em destaque afirma que o Kathakali é um estilo masculino de Teatro-dança clássico originário na antiga região do Malabar, no extremo sudoeste da Índia. Tambem diz de forma clara que  sua forma final supõe-se ter sido atingida ao final do século XVII. Entretano, suas raízes culturais encontradam-se em rituais dramatizados cujas primeiras documentações remontam a quase dois mil anos. 

O pesquisador, tras  tambem questões acerca de sua revitalização ocorrida nas primeiras décadas do século XX, que reencontrou seu vigor com a criação, em 1920, no vilarejo de Cheruthuruthy, da primeira escola governamental para o ensino 86 das artes, a Kerala Kalamandalam. 

A Kalamandalam é a principal escola de Kathakali do país e foi fundada por um dos mais famosos poetas do sul da Índia, Vallathol Narayana Menon, com o objetivo de resgatar as artes cênicas de Kerala. Kalamandalam significa “Academia de artes” e seu prestígio estabeleceu ao longo dos anos um padrão de excelência para todos os atores de Kathakali.

Sobre o espaço cenico, o texto expõe a firmativa de que o palco está parcialmente oculto por uma cortina suspensa por dois ajudantes. Já em relação a composição cenica, sabe-se que o ator está atrás da cortina, pois se pode ver o alto de sua enorme coroa que se move lentamente. Os gritos do personagem e o barulho dos guizos atados em suas pernas somam-se ao estrondo dos tambores que tocam em ritmo vigoroso. Subitamente, as mãos do ator surgem agarrando a parte de cima da cortina. Ele a balança para um lado e para o outro, sem, no entanto, mostrar sua figura. Suas mãos liberam a cortina e ele volta a dançar, oculto ainda da audiência ansiosa. Novos gritos, e os tambores retomam sua força. Outra vez ele segura a cortina e a agita. De repente, com um gesto inesperado e brusco revela sua face amedrontadora. Em sua maquiagem, o vermelho predomina e seus olhos contornados de negro, parecem querer saltar das órbitas enquanto fitam o público. De sua boca emergem enormes e grotescos caninos. O aspecto demoníaco é do vilão Dushássana, que no épico Mahabharata é inimigo dos heróis Pandavas.

O artigo conta que na Índia, acredita-se que todo palco seja um local sagrado escolhido pelos deuses, onde a eterna luta entre o bem e o mal deve se repetir para sempre. O Kathakali, sendo uma arte essencialmente hindu, é conduzido como um ritual e tudo que é relacionado a ele é investido de algum significado religioso. 

O artigo tambem conta que o ator em cena tem consciência do simbolismo da performance enquanto cerimônia propiciatória – normalmente em homenagem ao deus patrono do templo onde ocorre a performance – e da centralidade de sua atuação no contexto da oferenda. Sua aparição em cena, representativa de figuras mitológicas e divinas, encarna ideias e valores culturais que funcionam como eixos ao redor do qual orbitam as vidas da grande maioria da população da Índia e da audiência ali presente, em particular. Nas formas clássicas de teatro da Índia, o ator é invariavelmente um dançarino. 

Normalmente os aprendizes de Kathakali iniciam seu aprendizado muito cedo, entre os oito e doze anos de idade, dentro de uma tradição familiar. 

O teatro Kathakali possui em sua dinâmica cultural procedimentos os quais permitem que sua performance sofra uma questionável “redução” para fins comerciais, em seu próprio local de origem.

O artigo cientifico fecha o seu raciocinio afirmando que o Kathakali enfrenta contemporaneamente alguns desafios a seu desenvolvimento e manutenção, naturais a esse tipo de tradição artística. É um surpreendente paradoxo como uma arte clássica, rigidamente elaborada como o Kathakali e que se utiliza de uma linguagem gestual hermética para comunicar seus textos, possa ser ao mesmo tempo (e ainda hoje) tão popular, principalmente nos pequenos vilarejos de Kerala. No entanto, no início desse século XXI, uma parcela de nova geração de indianos identifica esses aspectos culturais como representativos de uma Índia arcaica e atrasada para os padrões ocidentais, cada vez mais vigentes neste mundo globalizado. 


LEIA O ARTIGO NA INTEGRA:

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Video Arte - Tarsila do Amaral

Um breve retrospecto da arte de Társila do Amaral está numa video aula disponivel no meu canal no You Tube.

FABIO FERNANDES ARTE DOCENCIA.



ARTE PRÉ COLOMBIANA: A importancia da arte e cultura dos povos amerindios.

Quando estudamos historia da arte nos livros didaticos, o destaque sempre se encontra na arte ocidental e seus movimentos culturais no decorrer do tempo, porém, não devemos deixar de estudar a desenvoltura da arte no continente sulamericano como parte componente da história da arte mundial. Sabendo disso, temos que levar em conta a arte dos povos pré-colombianos, período da história das Américas e ao conjunto de povos indígenas que habitavam o continente antes da chegada de Cristóvão Colombo em 1492. Nesse perído, muitos avanços cientificos e culturais foram desenvolvidos como o calendario e o sistema de escrita, tambem foi o período de destaque das sociedades Incas, Maias e astecas.

Pra começo de conversa, os Maias, Incas e Astecas se consolidaram como as três  civilizações mais importantes do período historico.  Foram elas, as responsáveis por dar à arte pré-colombiana seus formatos característicos e o caráter influenciador até hoje presente em símbolos históricos distribuídos pelos museus e construções destes países. Esse formato cultural, se espalhou pela região mesoamericana (México, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, Panamá e Honduras), além do Peru, Equador, Bolívia, Chile, Argentina e Colômbia.

Podemos entender a arte pré-colombiana como o conjunto de manifestações artísticas produzidas pelos povos originários das Américas antes da chegada dos europeus. Ela é reforçada justamente  pelo forte simbolismo, pela ligação com a espiritualidade e uso de materiais naturais, além de se revelar por meio de sociedades complexas, com identidade cultural própria e domínio técnico altamente sofisticado.

Pedra do Sol, ou calendário asteca

A arte pré-colombiana asteca é conhecida pelas obras feitas em ilhas artificiais e por suas representações plásticas baseadas na iconografia, sempre com motivos relacionados à guerra, vinda daí a criação de esculturas macabras, como as estátuas de crânios humanos. Trabalhos manuais com pedras preciosas, tecidos coloridos, pinturas em muros e miniaturas também são exemplos de cultura asteca.

 A pintura asteca foi produzida em tecidos, peles de animais, papéis feitos de cascas de plantas (amate), nas paredes, em cerâmicas e pedras.
A arte asteca se caracteriza pelo uso das cores fortes e pela constante retratação de cenas e situações do cotidiano das pessoas, os artistas dessa civilização costumavam fazer as pinturas nas paredes de pirâmides, templos e nos túmulos. 

Pirâmide asteca do México. Pirâmide mesoamericana. 
Chichen Itza, Península de Yucatán. Pirâmide escalonada.

Além da pintura e escultura, o  povo Asteca também é conhecido por construir pirâmides e templos. Esses monumentos arquitetonicos encantam muitas pessoas até os dias atuais, pela sua complexidade e grandiosidade monumental.

Visão panorâmica de Machu Picchu, sítio arqueológico que conserva a maior parte da arquitetura inca.

Os povos incas têm sua arte pré-colombiana baseada em projetos arquitetônicos funcionais e cheios de simplicidade, com especial atenção aos poucos objetos decorativos; somente ouro e prata em portas, muros e adornos litúrgicos. As plantas de suas construções são em formato xadrez ou oval, sendo as obras feitas por meio do encaixe de pedras. Os trabalhos em cerâmica incas também levam linhas geométricas e muita cor.

As esculturas dos Incas são caracterizadas pelos vasos de cerâmicas decorados, além de estatuetas que trazem aspectos caracteristicos da civilização.

Os temas religiosos são o foco dos Incas e tendo um destaque nos mantos pintados com muitas cores e figuras geométricas. 

Nos edificios maias, os artistas locais fizeram relevos para decorar o ambiente. 
O luxo é uma das principais características dessa arquitetura. 

A arte maia por sua vez, é marcada pelas pinturas com cores fortes, uma vez que eles tinham um sistema de escrita, muitas pinturas têm texto explicativo. Essas pinturas retratam deuses, mitos, cenas agrícolas e figuras importantes. Em termos de arquitetura, destacam-se na construção de templos e pirâmides, pois ela apresenta um elevado grau de sofisticação, visto que a época em que foi produzida. 


Na escultura, podemos destacar vasos decorativos de cerâmica, ídolos e máscaras funerárias.

Podemos concluir que muito além de objetos decorativos, essas produções dos povos pré-colombianos tinham funções ritualisticas, simbólicas e sociais. A arte sempre estave diretamente ligada ao sagrado, à natureza e ao poder, sendo parte essencial da vida cotidiana dessas civilizações, contribuindo assim, para memória da riqueza cultural de nossos povos.


DISPONIVEL EM:

https://jornalismosp.espm.edu.br/movimentos-artisticos-arte-pre-colombiana/

https://www.todamateria.com.br/arte-asteca/


quarta-feira, 28 de outubro de 2026

ROCK PROGRESSIVO. A era dos sintetizadores.

A música é uma linguagem artistica ampla que permite inumeras formas de contemplação sonora, variando os estilos e os inumeros timbres disponiveis em suas infinitas notas musicais. Entre os mais variados segmentos musicais, destaco aqui O Rock progressivo, um amplo gênero de rock que se desenvolveu no Reino Unido e tambem nos Estados Unidos em meados da decada de 1960, vindo a consolodar-se no ápice da música no início da década de 1970.

Pink Floyd: sabidamente a mais popular banda do estilo, conhecida e venerada inclusive fora dos territórios progressivos. 

De inicio o segmento era conhecido como  "pop progressivo", o estilo era uma consequência de bandas psicodélicas, ou seja: Uma estética visual, musical e comportamental — popularizado na contracultura dos anos 1960 e 1970, que se destaca pelas cores vibrantes, formas fluidas, padrões geométricos complexos e distorções que imitam ou remetem à experiência alterada da mente. Esse segmento  contribuiu para abandonar as tradições pop padrão em favor de instrumentação e técnicas de composição mais frequentemente associadas ao jazz, folk, ou até mesmo a música classica. 

Elementos adicionais contribuíram para seu rótulo de "progressivo": as letras eram mais poéticas, a tecnologia era aproveitada para novos sons, como no caso da utilização dos sintetizadores, que  na década de 1970 transformaram a produção musical de forma ampla, passando de equipamentos gigantescos e experimentais de laboratório para instrumentos portáteis de palco e estúdio, um grande exemplo é o "Minimoog", Criado por Robert Moog em 1970, ele foi o sintetizador monofônico mais influente da história, tornando a síntese analógica portátil e acessível.  

Robert Moog é um dos nomes mais influentes da música eletrônica, mais conhecida por ser pioneira em sintetizadores analógicos que transformaram o som moderno.

É necessario afirmar que a música nos anos 70 se aproximava da condição de "arte" e o estúdio, mais do que o palco, a musica de fato tornou-se o foco da atividade musical , que muitas vezes envolvia cria-la para ouvir em vez de dançar. A contemplação auditiva ganhava uma maior evidencia em relação à simplesmente utiliza-la como um estimulo dançante.


No Brasil, ‘Casa de Rock’ foi o grande disco da banda Casa das Máquinas . Lançado em 1976, 'Casa de Rock', terceiro registro da Casa das Máquinas, é uma aula do autêntico rock n' roll psicodélico.

Mas o que de fato essa vertente musical vislumbrava, já que era musica assim como qualquer outra linguagem sonora? Para entender essa questão, devemos comsiderar que o estilo musical em destaque buscava uma fusão da música pop e do rock com outros gêneros de harmonia mais complexa. Na sua essência, o som progressivo extrapolava o formato canção em músicas com longuíssimos trechos instrumentais, muitas vezes compondo os chamados “álbuns conceituais", discos que contavam uma história ou possuíam alguma ligação temática entre suas faixas. Assim como a guitarra elétrica se tornou marca registrada do rock n' roll, o teclado se tornou parte inerente do estilo, alcançando ou até mesmo superando sua condição de principal instrumento.

Entre as principais bandas que aderiram ao Rock Progressivo e Psicodélico: Bandas como Pink Floyd, Emerson, Lake & Palmer e Genesis (Tony Banks) usavam Minimoog, ARP e Mellotron para criar texturas épicas. 

No Brasil temos alguns nomes como : 

O TERÇO: conhecido pelo clássico álbum Snegs (1974), que mistura progressivo, hard rock, folk e baião. 

Bacamarte: Banda carioca formada em 1974, famosa internacionalmente pelo álbum Depois do Fim (1983), comparado a grandes nomes do prog sinfônico mundial.

Casa das Máquinas: Consolidada no rock nacional, marcou a história do progressivo com o icônico disco Lar de Maravilhas (1975). 

TERRENO BALDIO, : Fortemente influenciada por bandas europeias como Gentle Giant, lançou um álbum homônimo clássico em 1975 com teclados marcantes e vocais elaborados.

Através do álbum As Crianças da Nova Floresta, o Recordando o Vale das Maçãs estabeleceu-se como um dos principais nomes da música na virada da década de 70 e para os 80, com canções que remetiam para as origens do rock progressivo, mas sem exagerar em técnica ou virtuosismo, apenas empregando letras sensacionais em arranjos belíssimos e encantandoramente trabalhados.

OS MUTANTES: Embora associados ao psicodelismo da Tropicália, álbuns como Tudo Feito pelo Sol (1974) trouxeram uma sonoridade tipicamente progressiva de altíssimo nível. 

Assim como essas bandas influenciaram uma geração na decada de 1970, o rock progressivo trouxe uma nova dinamica na contemplação da música como produto artistico que resignifica a forma de ouvir musica. E sem dúvidas, esse foi um movimento impar na musica no Brasil e no mundo. 



terça-feira, 27 de outubro de 2026

WAGNER DE OLIVEIRA: As mulheres e suas poéticas visuais.

Por: Fábio Fernandes.


A arte potiguar tem se mostrado relevante no cenario cultural brasileiro, e aos poucos se enxerta em espaços visiveis para uma maior contemplação. Sempre me pego falando da arte norte-rio-grandense, e acredito na contribuição dessa importante representação. O artista Wagner Di Oliveira é um forte expoente desse movimento, uma vez que seu trabalho, destaca uma linguagem bem peculiar no que transita em popular e erudito.

Mulheres na feira livre debulham o feijão verde.
O nobre artista plástico nasceu em Assu, no isolamento do seu quarto e teve o primeiro contato com o mundo das artes, recortando figuras de histórias em quadrinhos. Essa que era uma das suas paixões junto aos jogos de videogame. Wagner é um artista  autodidata, o que de fato ajuda a moldar sua personalidade artistica. Na infância identificava-se por desenhar cavalos em movimento. Wagner também teve a interferencia artistica do pai em sua formação, pois o senhor 
Wanderlson Inácio de Oliveira, apelidado Barrinha, era pintor e tambem um músico apaixonado pelo seu oficio. Isso tudo é um fator crucial para a desenvoltura artistica do pintor assuense.

Em 2017, Wagner expôs no museu do Louvre, em Paris. Em comemoração aos 22 anos de fundação, a Divine Academie Française des Arts Lettres et Culture convidou o artista potiguar para expor na Expo Carrousel Du Louvre. Wagner, que já foi indicado ao Troféu Cultura, também será laureado com medalha de condecoração e ocupará a cadeira de membro honorífico da Divine Academie.

Agora, peço licença a vocês leitores, para que eu venha expressar minha leitura acerca dos trabalhos de Wagner, destacando a temática "mulher" em algums de suas telas. Essa que sem dúvida, é sua especialidade.



Na tela em destaque, o artista centraliza a mulher como o ponto chave da obra, ela equilibra a tela oferecendo às crianças o alimento que energiza os corpos. Elementos da fauna local suregem em planos de fundo para enriquecer ainda mais a composição. O rosto da mulher sereno cria uma relação direta com as esculturas egipcias, pois a rigidez da face do personagem lembra muito os desenhos que seguiam a Lei da Frontalidade. Já os cabelos, me lembram vagamente as cobras que compõem a cabeça da Medusa da mitologia grega.

A figura feminina equilibra-se com oa felinos sobre o corpo volumoso. Vejo a convivencia afetiva felina para suprir uma possivel solidão.
As mulheres na feira livre propõem sem dúvida uma linha tenue entre a sensualidade feminina e o oficio comercial dos feirantes populares.
As frutuas se destacam poéticamente junto as mulheres que usam peças de roupas que flertam com a tropicalidade visual da cena.

Os corpos que dançam sugerindo o movimento, a alegria e comemoração profana em meio as curvas do ser feminino.
A feira livre sem dúvidas, é um lugar de vivencia e experimentação da obra do artista assuense. As ações cotidianas reverberam a sobrevivencia diaria em meio à corpos voluptusos.
Ao notar os elementos dessa imagem, me remeto diretamente à infancia, quando usavamos galões de aluminio para buscar água nos reservatorios. Não há como de desvincular da cultura cotidiana de sobrevivencia em meio às diversidades de uma era que finalizava uma geração do século XX.


Essa obra, complementa outros quadros do artista, com as atividades cotidianas presentes no interior nordestino dos anos 80 e 90. Lavadeiras com trouxas de roupas nas cabeças incitam a reflexão dessas mulheres de fibra.

Uma ação comum, sugere a manutenção da vaidade, a constante beleza feminina e uma peça de roupa que poetiza a obra e a cena representada.

A policromia e o movimento estão presentes nessa tela. Dois elementos comumente usados na fotografia integram a poética da cena.

A relação entre os corpos numa perspectiva que vai além da reprodução sexual, mostra a relação humana e afetiva numa abertura poética de reflexão e analise. Vejo um naturalismo da linha tenue entre a vegetação acima e a cama, que tende à atividade íntima que envolve contato físico, estimulação e troca de afetos ou prazer entre uma ou mais pessoas.
 A obra remete-se ao naturalismo, comumente estudado no renascimento cultural da idade moderna. Certamente ligada a lascivia, que representa o despudor, a volúpia e a busca desregrada por estímulos ou prazeres dos sentidos. Aplicando-se fervorosamente a atitudes, gestos ou olhares com forte apelo erótico. 


A música está presente nessa tela, sem dúvida uma citação objetiva ao pai do artista, músico que vivencia a musica nas vertentes do samba. Uma mescla de linguagens atisticas na mesma tela.


Por fim, a poesia do corpo feminino, a percepção do surgimento da Vênos no rio Açu. O corpo negro, poétizado e construido pelos raios do sol causticante da terra dos poetas. 

Isso é apenas um pouco da arte de Wagner De Oliveira, um artista que sem dúvidas, tem a originalidade na sua obra e a espontaneidade de um artista contemporâneo que não tem medo de ousar e inovar na sua identidade visual. Isso é o que torna sua obra unica e expressiva não somente em Assu-RN, mas em diversas partes do mundo.

 

FONTE

https://sinsprn.org.br/de-assu-para-o-mundo-conheca-a-obra-de-wagner-di-oliveira/