quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O REALISMO DE GUSTAVE COURBET

 

Gustave Courbet - The Desperate Man, 1843.

Ao estudarmos o Realismo na trajetoria das artes plasticas, não tem como passar despercebido pela contribuição grandiosa de Gustave Courbet. Artista que constantemente viveu desafiando críticas severas na França, pois era modelo indiscutível de uma nova geração de pintores. Mas quem foi esse artista que revolucionou todo um estilo de retratar a realidade em telas de pintura? Qual a significancia de Courbet para a historia da arte ocidental? Podemos começar pelo fato de saber quem é esse ícone da arte.

Gustave Courbet, foi um pintor francês e era líder do movimento realista. Aos 14 anos de idade, o jovem iniciou suas aulas de pintura, foi aí que o mesmo demontsrou um certo talento para o oficio. Por um bom tempo frequentou o Collège Royal e a faculdade de belas artes de Besançon, dirigindo-se no ano de 1841 à Paris, no intuito de estudar direito. 

Gustave Courbet - Mulheres tomando banho, 1853.
Esta pintura foi o escândalo do Salão de 1853. Os espectadores esperavam que as mulheres nuas fossem deusas mitológicas ou figuras alegóricas. Ao mesmo tempo, Courbet parece retratar uma mulher nua comum. Ele também viola a cânone das proporções do nu feminino — os nus acadêmicos eram esbeltos, com pele de porcelana. Um crítico reclamou que Courbet havia retratado uma mulher de 45 anos prestes a se lavar pela primeira vez na esperança de aliviar suas varizes. Outra a chamou de rinoceronte. Uma lição: nus femininas não devem ser realistas!

Moças às margens do Sena - Courbet -1856

Esta pintura também foi considerada escandalosa no Salão. O título era ofensivo porque estas não são "damas", mas sim moças da classe trabalhadora de vida fácil. Mulheres dormindo, parcialmente nuas, sugerem uma disponibilidade sexual passiva — uma espécie de abandono sexual na grama. Essas mulheres não são belas, mas a feiura personifica o Realismo, uma das experiências mais comuns da vida. Além disso, essas mulheres parecem estar em poses espontâneas — uma composição típica de um realista.

Mulheres peneirando trigo - 1854-1855

Com pouco tempo, Courbet desistiu da carreira de advocacia, passando a se dedicar completamente à pintura. Conta-se que ele evitava  visitar estúdios de pintores acadêmicos, pois preferia passar mais  tempo no Louvre, estudando trabalhos ja conceituados, aprendendo cada vez mais da arte da pintura, ao copiar telas de Caravaggio, Velazquez e Rubens.

Ao viajar para à Holanda, Courbet teve contato  com as obras de Rembrandt e Hals, isso ajudou a convernce-lo de que o "pintor deveria retratar apenas a vida ao seu redor". Com esse proposito, daria-se inicio a um novo meio de ver a arte como mecanismo de revelar a realidade. Courbet admirava Gericault e Delacroix, dois mestres do romantismo e seus contemporâneos.

Encontro ou Bonjour Monsieur Courbet, 1854.

Gustave Courbet  é geralmente considerado o pai do Realismo Europeu. Ele próprio utilizou o termo "Realismo" para definir seus objetivos e defender uma causa realista. Quando suas pinturas foram rejeitadas para uma exposição internacional em Paris, em 1855, ele criou seu próprio espaço expositivo em frente ao pavilhão oficial, chamando-o de "Pavilhão do Realismo". Seu credo pode ser resumido em sua declaração: “Mostre-me um anjo e eu o pintarei”; ou seja, os realistas são específicos apenas no visíveis, no reais. 

Os Quebradores de Pedra. Gustave Coubert. 1849 
Este tema é inédito na história da arte; além disso, esta grande pintura monumentaliza os trabalhadores comuns, retratando-os quase em tamanho natural. Eles vestem roupas esfarrapadas e tamancos surrados. Seus rostos são obscuros, o que elimina a possibilidade de sentimentalismo e sugere a desumanização desse tipo de trabalho. São camponeses anônimos sem-terra em uma estrada árida e monótona. Além disso, a implicação é que o menino está destinado a uma vida de trabalho árduo e pobre, como seu colega de trabalho muito mais velho. 

Tipicamente, ele pintava paisagens e cenas de gênero retratando a classe trabalhadora. Como explica Gardner, "Pessoas comuns, do tipo que Courbet nos mostra em sua obra, eram consideradas pelo público restrito para a representação artística e eram associadas, na mente da classe média, à perigosidade e classe trabalhadora recém-definida, que encontravam defensores eloquentes em homens como Marx, Engels, Proudhon, Balzac, Flaubert, Zola e Dickens". Esse realismo era radical; Essa reflexão da idealização foi perturbadora, levando os críticos a afirmar que ele pintava "feiura deliberada". Sobretudo, uma realidade que transpassava a poética e utópica visão romantica do mundo.


Fontes:
https://arteref.com/artes-tradicionais/courbet-o-artista-lider-do-movimento-realista/

https://www-bluffton-edu.translate.goog/courses/humanities/art/19c/real/courbet.html?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge

 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

O FILME CENTENARIO "O GAROTO" MOSTRA A VERDADEIRA ESSENCIA DE Charles Chaplin.

Com pouco mais de cem anos, "O Garoto", primeiro longa-metragem de Charles Chaplin, deixa claro que no cinema desse diretor o que vem primeiro é o personagem –Carlitos. O tipo mais marcante da história do cinema, com seu corpo coberto de paradoxos. Já nos trajes convivem o gentleman e o vagabundo, o nobre e o pária, reverberando em seu comportamento como se ali se concentrassem os equívocos todos da humanidade. 


A tais e tantos equívocos Carlitos responde com um altivo –e não raro sarcástico– espírito de resistência e algum sentimentalismo. Permanece indiferente ao juízo da sociedade. É vagabundo e orgulhoso.

O certo é que tudo está em seu corpo, o que explica por que Chaplin passou momentos de tanta angústia quando começou a primeira exibição pública de "O Garoto". Eram as cenas iniciais. Solenes, como ele mesmo definiu. Frouxas, digo eu.

Uma jovem mãe, sem dinheiro ou opções, deixa o seu bebê no interior de um automóvel. O carro é roubado por um par de malfeitores. Ao se depararem com a criança que chora no banco de trás, a tiram de lá e a põem ao lado de uma lata de lixo.


Toda essa parte expositiva sugeria um melodrama -o gênero era ainda mais central no cinema há cem anos do que é hoje. E onde estava Carlitos nisso tudo? Estava nos bastidores, suando frio, esperando pela reação da plateia. Logo, porém, ele surge. E basta o seu andar para suscitar os primeiros risos.

Carlitos apanha o bebê e o leva à sua pobre casa. Não sabe o que fazer com uma criança que chora. Improvisa, transforma um bule em mamadeira. Corta o assento de uma cadeira, fazendo um círculo onde possa sentar a criança para que ela faça suas necessidades.

A plateia veio abaixo. Ali estava Carlitos. Estaria ao longo do filme. Desafiando a lei e a ordem com altivez para guardar o menino das garras do poder "bem-intencionado", sempre disposto a fechar a criança num orfanato ou pior.

Até esse momento, o espectador já está ao par das outras virtudes de Carlitos –o corpo tão ágil quanto o espírito, a combatividade, mas também certa alegria de existir, mesmo quando o mundo inteiro é adverso a ele.

Do começo ao fim, Chaplin se manterá fiel ao seu personagem. É sempre ele o centro das atenções da câmera, é em função dele que tudo mais existe e se move. O que é certo, porque o humor vem todo dele. É o inverso de um Buster Keaton, que dava vida a todos os elementos ao seu redor e só então inseria o seu tipo –ele existia então em função do mundo ao redor. Chaplin faz o mundo existir em função dele.

Ou quase todo o mundo, porque agora estamos em um longa e, afinal, existe uma mãe na história. Ela ressurgirá, claro, agora transformada em grande -e rica- estrela do teatro.

Entramos na segunda parte da história, onde Chaplin mistura habilmente o melodrama (é sempre no final que devemos nos comover, não no começo –lei do gênero), sem evitar o que hoje podemos ver como seu ponto fraco, o sentimentalismo à comédia.

E entramos também na história pessoal de Chaplin, cujo filho do casamento com Mildred Harris morreu três dias após o nascimento, segundo alguns. O comediante sentia o casamento como equívoco que deu lugar a um uma crise criativa sem precedentes na sua vida.

Um dia, para desanuviar, foi a um espetáculo de "music hall" em que topou com um menino de quatro anos que o encantou pelo talento e beleza. Era Jackie Coogan, que quase de imediato inspirou nele a ideia central do filme, a da criança que o vagabundo adota relutantemente no início, mas que amará com intensidade a seguir.

Jackie Coogan tinha a vantagem adicional de ser filho do ator Jack Coogan, amigo de Chaplin que esteve livre na maior parte do tempo das filmagens, podendo dessa maneira assessorar o filho nos momentos em que ele empacava (nas cenas mais simples, segundo o diretor). De passagem, Coogan, o pai, fez uma ponta como o batedor de carteira, na cena em que Carlitos e o menino dormem em um albergue.

Talvez não se deva esquecer também da mãe, Edna Purviance. Parceira de Chaplin em mais de 30 filmes, o caso amoroso entre eles havia terminado há anos. De certa forma, Mildred Harris entrou na história para curar as dores de amor do cineasta. Mas Purviance e Chaplin continuaram parceiros na tela por um bom tempo.

Momento especial para Chaplin, o lançamento de "O Garoto", em 16 de janeiro de 1921. Para chegar ali suou bastante. Foram nove meses de filmagem e uma montanha de negativo gasto, na proporção de 53 rolos usados para cada um usado na montagem. No meio, o divórcio.

Já então ungido como o único gênio a praticar essa arte ínfima, o cinema, Chaplin comprovou no longa a genialidade que já tinha demonstrado nos filmes de um ou dois rolos. Talvez hoje ninguém mais acredite, como no passado, que Charlie Chaplin era o único gênio de uma arte ínfima, o cinema. Mas de seu gênio ninguém, até hoje, pode duvidar.


Texto original disponivel em:

https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/centenario-o-garoto-prova-que-carlitos-e-estrela-de-chaplin-1.3033703

terça-feira, 6 de outubro de 2026

EDGAR DEGAS: O artista que pincelava o processo do balé além do glamour dos palcos.

Quando estudamos historia da arte, que chegamos a ver o trabalho de Edgar Degas, logo nos vem em mente a seguinte pergunta: “Por que Degas gostava tanto de pintar bailarinas?” Sem duvidas esse é um questionamento muito frequente acerca desse artista. Desse modo, iremos entender um pouco desse fascinio por essa temática.

É bem verdade que esse tema era um dos preferidos do artista francês, um dos grandes nomes do impressionismo. Degas retratou bailarinas em diversas situações: dançando, ensaiando, descansando… E tudo isso com muita delicadeza e atenção aos detalhes. Mas o que será que ele via de tão especial nas bailarinas?
Podemos propor a ideia de que Degas vislumbrava qualidades como leveza e movimentação dos corpos, uma vez que ele era fascinado por capturar o corpo em suas mais variadas possibilidades movimento, sendo que o balé é cheio de poses, giros e equilíbrio, perfeitos para o estudo anatômico do artista. Por esse motivo, percebemos que há inumeras possibilidades de Degas se inspirar para produzir suas telas.
O artista ficou famoso por escolher temas de pintura de gênero como retratar dançarinas, uma dessas obras de Edgar Degas é A Estrela – Em Pointe:

A Estrela – Em Pointe: Possui características da pintura realista combinada com algumas técnicas da pintura impressionista. Degas utiliza as pinceladas leves misturando a tinta com uma pátina para criar um efeito realista na pele da dançarina, além de usar a suavização da luz natural impressionista, ao não usar uma cor só para a iluminação.

Caracteriza-se o Estudo do corpo humano como metodo criativo de Degas. Pois ele adorava desenhar o corpo em posições difíceis. As bailarinas serviam quase como “modelos de estudo” para ele testar ângulos e composições.

O pintor faz parte da corrente artística impressionista, embora suas obras tenham um estilo mais realista. Edgar Degas veio de uma família rica por isso teve condições financeiras de estudar arte, podendo inclusive fazer o gran tur, que era uma espécie de viagens aos lugares onde havia obras dos chamados grandes mestres.

A Classe de Dança

Degas focava basntante no Realismo e tambem nos Bastidores: Em vez de focar apenas no glamour do palco, Degas preferia retratar os momentos reais e não idealizados, como ensaios, repouso, fadiga e ajustes de figurino, o esforço, o cansaço, a preparação. Ele gostava de mostrar a verdade por trás da beleza idealizada. O processo era mais interessante que o resultado.

Edgar Degas priorizou seu próprio estilo, ao contrário de outros impressionistas que pintavam ao ar livre, ele preferia o interior dos teatros. Essa Inovação visual permitia que estas cenas, fossem usados enquadramentos inusitados, inspirados pela "fotografia " da época, cortando bordas e guiando o olhar do espectador. Geralmente à espaços interiores. Contudo, isso não impediu o bom Sucesso Comercial, uma vez que as obras do artistia impressionista tinham excelente aceitação e alta demanda no mercado de arte da época.
Ballet at the Paris Opera. Edgar Degas, 1877.
Degas ainda propõe diálogo, impressiona em suas reflexões simbólicas e visuais e acima de tudo, expõe ao expectador, que por tras do glamour, a arte requer processos continuos e nem tão faceis em seus bastidores. Isso talvez, torne a arte de Edgar Degas, mais que impressionista, quem sabe até realista demais para o estilo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

ARTE EFEMERA - Esculturas de Gelo no Castelo de Matsumoto em Nagano

A arte pode se mostrar de diversas formas, uma delas é conhecida como efemera, ou seja, aquela manifestação artística criada para durar um curto período de tempo, valorizando a transitoriedade, o momento presente e a experiência em vez de buscar a eternidade ou em se conceber como um objeto duradouro. Anualmente, um belo festival de esculturas de gelo é realizado  na área do Castelo de Matsumoto , na província de Nagano, no Japão, atraindo um grande público para vislumbrar o evento. O festival conta com a presença de escultores não somente do Japão, mas de outros países.

Os artistas, que participam de uma competição, trazem suas ferramentas e começam a esculpir no final da tarde do dia anterior ao evento, momento o qual é possível apreciar o processo de trabalho dos escultores, que se esforçam durante toda a noite, com as artes finalizadas na manhã do dia seguinte. Esse é um exemplo claro de arte efemera. Em outra oportunidade, trarei mais exemplos desse tipo de linguagem artistica.


Creditos e materia original disponivel em:
https://portalmie.com/atualidade/2023/11/nagano-festival-de-esculturas-de-gelo-no-castelo-de-matsumoto/


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cia GIRA DANÇA: Um lugar onde a inclusão se estende além da arte.

Foto por Brunno Martins/ Giradança

Quando falamos em dança, o que vem em nossa mente, é um corpo em movimento, seguindo uma compasso sistematicamente  coreografado. Ligamos a dança a corpos padronizados, ditos "perfeitos" que se expressam artisticamente. Porém, essa visão de uma arte feita para suprir necessidades de certos padrões, que limitam o seu fazer pra alguns, não tem continuidade, quando a Companhia Giradança entra em cena.  

A Giradança se destaca como uma renomada companhia de dança contemporânea natalense, referencia na arte cênica potiguar. O seu diferencial está na inclusão. O que a torna mais especial, não só no estado do Rio Grande do Norte, mas em outras partes do Brasil e tambem internacionalmente, tudo isso devido a sua proposta de dança inclusiva, que integra bailarinos com e sem deficiência. 

Foto por Brunno Martins/ Giradança

A Giradança foi criada em 2005 pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais, o trabalho artístico do grupo é focado nas possibilidaes de o corpo se mostrar como ferramenta de experiências, que rompem preconceitos e que expandem os limites tradicionais da dança contemporânea. Isso torna a proposta da companhia, um divisor de águas dentro do panorama artistico. Uma vez que se põe em debate, as possibilidades criativas de corpos considerados limitados.

A Cia potiguar tem como Proposta Artística: Investigar a diversidade dos corpos em cena, ressignificando as limitações físicas e transformando-as em potência estética e linguagem coreográfica própria.

A Cia de dança contemporanea já se apresentou em mais de 15 estados brasileiros e em países como a Alemanha. O valor simbolico do Giradança é tão grande, que o coletivo foi condecorado com a prestigiada honraria da Ordem do Mérito Cultural, que por sua vez é a mais alta honraria pública da cultura brasileira, concedida pelo Ministerio da Cultura (MinC) a pessoas, coletivos e instituições que se destacam por relevantes contribuições à cultura do país.

O repertório autoral da Cia potiguar conta com colaborações de coreógrafos importantes e inclui espetáculos como "Graça", "Sem Conservantes", "Feche os Olhos", "Bando" e a filmedança "Economia da Encarnação". Além disso, o grupo tambem circula pelo estado levando suas propostas artisticas, como tambem compartilha seus conhecimentos através de oficinas voltadas para a linguagem artistica.

Desse modo, podemos concluir, que o Giradança é bem mais do que um grupo de artes cenicas, ele se destaca como um lugar de afetos e igualdade por meio da inclusão de corpos e vivencias.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

MISSÃO ARTISTICA FRANCESA NO BRASIL

A Missão Artística Francesa foi um grupo de artistas, arquitetos e artífices franceses que desbarcou no Rio de Janeiro em março de 1816, cujo o objetivo principal era institucionalizar o ensino oficial das artes plásticas no Brasil e modernizar a cultura da nova sede da corte portuguesa. Amparado pelo governo de Dom João VI, o movimento rompeu com a forte tradição barroca colonial e introduziu o estilo Neoclássico no país, estabelecendo as bases do ensino acadêmico superior de artes.

A vinda do grupo está diretamente ligada à transferência da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808. Com a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido em 1815, havia uma necessidade premente de modernização urbana e cultural da capital. Ao mesmo tempo, com a queda definitiva de Napoleão Bonaparte em 1815, muitos artistas franceses de prestígio que eram associados ao antigo regime napoleônico viram-se sem espaço político e desempregados na Europa, encontrando no projeto ultramarino uma oportunidade de recomeço.

O grupo foi organizado e liderado por Joachim Lebreton, um importante intelectual e administrador cultural francês. Entre os membros mais destacados estavam:

Retrato de J. B Debret

Jean-Baptiste Debret (Pintor): Tornou-se um dos nomes mais célebres da Missão. Suas aquarelas e gravuras foram fundamentais para documentar minuciosamente o cotidiano, a sociedade, a corte e os horrores da escravidão no Brasil do século XIX.

A Familia brasileira no Rio é uma das telas mais famosas de Debret

Nicolas-Antoine Taunay (Pintor): Esse artistas dedicou-se principalmente a retratar as paisagens naturais e as riquezas do Rio de Janeiro. Ao contrario de Debret, que visava mais uma representação etnocentrica e de comportamento dos sujeitos.

Grandjean de Montigny (Arquiteto): Introduziu as linhas simétricas, colunas e frontões da arquitetura neoclássica no país, projetando edifícios emblemáticos na capital fluminense

Projeto da Praça do Comércio (planta baixa, corte e fachada)
Grandjean de Montigny

Auguste-Marie Taunay (Escultor): Este foi um dos artistas responsáveis por disseminar as técnicas de escultura clássica europeia.

Busto de Camões, s/d

Meses após a chegada, um decreto de Dom João VI instituiu a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Após anos de intrigas políticas, escassez de recursos e resistência de artistas locais adeptos do barroco, a instituição foi finalmente inaugurada em 1826 como a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA).

Desse modo, compreendemos que a Missão Artistica Francesa deixou um valioso acervo iconográfico, etnográfico e histórico sobre a formação da sociedade brasileira, além de consolidar o modelo acadêmico de arte que dominaria o cenário nacional durante todo o século XIX.