sexta-feira, 4 de setembro de 2026

ARTE COLONIAL BRASILEIRA: O que de fato constitui essa influencia na formação da cultura brasileira?

Muito se falou que o territorio brasileiro foi "descoberto" pelos portutgueses. Aprendemos isso nas aulas de historia do Brasil, porem, nos dias atuais, o nosso senso crítico nos fez repensar essa afirmativa, a partir do momento em que refletimos acerca da existencia dos povos originarios que desde então já habitara nosso territorio. Dentro dessa perspectiva, vamos tentar entender um pouco da influencia cultural que circunda a arte no contexto da colonização portuguesa. Para isso é precisso compreender que a Arte Colonial no Brasil compreende o período da chegada dos portugueses até a independência, em 1822. Nesse contexto, temos então: 

  Os primeiros anos de colonização – 1500 até 1630; 

  A Arte Holandesa no Brasil – 1630 a 1645 – promovida pelos holandeses; que se instalaram clandestinamente no Nordeste brasileiro. 

  Barroco Brasileiro – início do século 18, até início do século 19 – estilo tardio no Brasil e que possui características rococós. 

  Academicismo – a partir do ano 1816, com a instalação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, fundada por Dom João VI e da vinda da Missão Artística Francesa.

Arquitetura  

Nos trinta anos que se seguiram à chegada dos portugueses, eles se estabeleceram na costa. Primeiramente, foram construídas as feitorias, que eram construções muito simples, precárias, com cerca de pau-a-pique ao redor, porque os portugueses temiam ser atacados pelos índigenas. Preocupado, com medo que outros povos ocupassem terras brasileiras, o rei de Portugal enviou, em 1530, uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa para dar início à colonização. Martim Afonso fundou a Vila de São Vicente (1532) e instalou o primeiro engenho de açúcar, iniciando-se o plantio de cana-de-açúcar, que se tornaria a principal fonte de riqueza produzida no Brasil.  


Após a divisão em capitanias hereditárias, a partir de 1534, houve grande necessidade de se construir moradias para os colonizadores. Foram construídas as casas de taipas - construções feitas de varas, galhos e cipós entrelaçados e cobertos com barro. Para que o barro tivesse maior consistência e melhor resistência à chuva, ele era misturado com sangue de boi e óleo de peixe. Elas podem ser feitas com técnicas diferentes: - A taipa de pilão é um tipo de construção de origem árabe. Constitui-se de paredes feitas de barro amassado e calcado, por vezes misturado com cal para controlar a acidez da mistura. Sabe-se que algumas das primeiras cidades construídas foram feitas em taipa de pilão, sendo que, na Assíria, foram encontrados vestígios de fundações feitas em taipa de pilão, que datam de 5.000 a.C.

A taipa de mão, também chamada de pau-a-pique, taipa de sopapo, taipa de sebe, barro armado é uma técnica bastante simples em que as paredes são armadas com madeira ou bambu e preenchidas com barro e fibra. A Taipa de mão possui uma particularidade muito interessante, pois, ao contrário da Taipa de Pilão - onde as paredes são feitas em formas e o barro, socado com o pilão e depois montadas, esse tipo de construção exige que para se preencher a trama de madeira era preciso que duas pessoas, simultaneamente, atirassem o barro, uma de cada lado, da estrutura para preencher os vãos.

Algumas das principais construções de taipas: muralha ao redor de Salvador, construída por Tomé de Sousa; Igreja Matriz de Cananéia; Vila de São Vicente, destruída por um maremoto e reconstruída entre 1542 e 1545; Casa da Companhia de Jesus, que deu origem à cidade de São Paulo. 

Assegurada a posse da terra, foram nela estabelecidos os poderes civis e religiosos. Os jesuítas chegam ao Brasil em 1549, os beneditinos, em 1581, os franciscanos, em 1584. A partir daí, ocorrem manifestações artísticas dos colonizadores na Bahia, em Pernambuco, em São Vicente, na Paraíba, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Os portugueses também dispunham de numerosos arquitetos, mestre-de-obras, pedreiros, marmoristas, carpinteiros, marceneiros e artesãos, vindos da Europa. Assim, pouco a pouco, vão surgindo as cidades e suas construções. 

Após o fracasso das capitanias hereditárias, chega ao Brasil Tomé de Souza, em 1548, e começam a surgir os primeiros aglomerados urbanos, que cresciam sem planificação. Em 1580, Salvador conta com um número de 15.000 habitantes e possui uma grande praça com prédios de administração pública, várias ruas e um bom número de moradias de pedra. A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho. Nela moravam, além da família, alguns agregados. O conforto da casa-grande contrastava com a miséria e as péssimas condições de higiene das senzalas (habitações dos escravos). Os edifícios públicos e religiosos do século 16 tinham, geralmente, características do Maneirismo, mas restam poucos traços dessa arquitetura. 

Uma das igrejas mais antigas do Brasil, a Catedral de Olinda, foi inicialmente construída com taipa de mão, entre 1537 e 1540, sendo substituída por outra maior e de alvenaria. A igreja foi praticamente destruída, durante a Invasão Holandesa, sendo completamente restaurada em um processo lento, durante boa parte do século 18. Entre 1974 e 1976, a edificação foi restaurada, readquirindo, até onde foi possível, suas feições originais de transição entre a Renascença e o Barroco, conhecida como Estilo Manuelino.
Na primeira metade do século 17, a situação econômica do Brasil colonial já estava definida, assim como a arquitetura militar, pública e religiosa. Destaca-se, nesse período, a construção dos fortes para defender as cidades costeiras das incursões francesas. 

Pintura 
 Quando os portugueses atingiram o Brasil, no último ano do século 15, Portugal estava sob o reinado de Dom Manuel, o Venturoso (1469-1521) e atravessava um período de intensa atividade artística, motivado pelas Grandes Navegações, pela fundação de seu vasto império colonial ultramarino e pela imensa riqueza material. No que diz respeito à arte da pintura que, diga-se de passagem, nunca foi uma preferência nacional, várias oficinas começariam a surgir, em breve, em cidades, como Lisboa, Coimbra, Vizeu e Évora. Daí, mais tarde, sairiam os painéis e retábulos destinados a povoar os conventos e igrejas portuguesas, substituindo, no devido tempo, as importações de obras flamengas, que até então eram comuns.

Por essa mesma época, diversos pintores flamengos, atraídos pelas possibilidades de enriquecimento, estavam chegando a Portugal. Em breve, eles se tornariam os iniciadores e mestres de uma brilhante linhagem de pintores, como Jorge Afonso, Francisco Henriques, Frei Carlos, Vasco Fernandes, Cristóvão de Figueiredo, Gregório Lopes e Garcia Fernandes. Se não eram todos de origem flamenga (como parece ter sido Francisco Henriques e o foi, sem dúvida, Frei Carlos), eram fortemente influenciados pela pintura flamenga. Esta influência, iniciada no longínquo ano de 1428, quando o célebre Jan Van Eyck esteve no país, somente diminuiria nos anos finais do reinado de Dom João III, substituída pelo gosto italiano.

No Brasil, no primeiro século da colonização, não foram trazidos, evidentemente, pintores, mas, sim, administradores, muitos soldados, alguns mestres-de-obras e artífices, centenas de degredados e, após 1549, os primeiros jesuítas missionários. E seriam estes, justamente, os primeiros pintores europeus ativos no Brasil, suprindo, com maior ou menor habilidade, sua falta de aprendizado profissional. Trabalhavam para a edificação dos fieis, a salvação das almas e a maior glória de Deus e de sua Igreja. Obra de religiosos, era de se esperar que a pintura do século 16 – como, de modo geral, toda a pintura realizada no Brasil Colonial - viesse a ser exclusivamente religiosa, com mínima incidência de retratos e umas raras (e toscas) representações paisagísticas, servindo de fundo para cenas da vida de Cristo e dos santos. Entre poucos nomes a realçar, todos de obra ignorada, citem-se os jesuítas Manoel Álvares, que esteve alguns meses na Bahia, em 1560, a caminho da Índia e que, para o Padre Serafim Leite, terá sido "o primeiro pintor digno deste nome, que passou pelo Brasil"; Manoel Sanchez, chegado em 1574; Francisco Dias, notável arquiteto e provavelmente também pintor, no Brasil desde 1577. E Belchior Paulo ou Paielo, desembarcado em 1587, possível autor de um retrato de José de Anchieta e que trabalhou em Pernambuco, na Bahia, no Espírito Santo e ainda em outras regiões brasileiras. Também merecem destaque Hierônimo de Mendonça, que, em 1595, residia em Olinda, e até uma artista-pintora, Rita Joana de Souza, nascida também em Olinda e ali falecida aos 23 anos, em 1618. Outros pintores quinhentistas devem, com certeza, ter trabalhado no Brasil, porém ignoramos totalmente nome e produção.

Ao longo da primeira metade do século 17, mas ainda de alguma forma ligados ao século 16, deveriam ser citados, entre poucos outros, em Pernambuco, os flamengos João Batista (protestante convertido ao Catolicismo, em 1606) e Remacle Le Gott (vindo em 1628); na Bahia, Antônio Bastos, Aleixo Cabral, André Rodrigues e Manoel Pinheiro. E, no Maranhão, Frei Cristóvão de Lisboa, chegado em 1624, primeiro Custódio da Ordem Franciscana no Maranhão, autor de um precioso manuscrito, com desenhos de animais e plantas que antecedem, em mais de uma década, o que fariam, no gênero, os chamados pintores de Nassau. 

Escultura

O Mosteiro de São Bento, no centro da cidade do Rio de Janeiro, é um dos principais monumentos coloniais brasileiros. Fundado em 1590, possui a fachada no estilo maneirista e seu interior é coberto por talhas douradas, bem ao gosto dos estilos Barroco e Rococó. É muito comum termos vários estilos de Arte em uma mesma igreja devido às reformas e melhorias promovidas pelos artistas.

A escultura, nos primeiros anos de colonização brasileira, é praticamente inexistente. No final do século 16, vão aparecer os primeiros indícios, quando as vilas começam a se estruturar no litoral e vão surgir os primeiros edifícios públicos e religiosos. O primeiro escultor identificado no Brasil é o português João Gonçalo Fernandes, na década de 1560. João Gonçalo, falecido na Bahia, em 1581, era ceramista e pedreiro também. O artista foi contemporâneo, em Salvador, do governador-geral, Mem de Sá, e do clérigo jesuíta Manuel da Nóbrega. No entanto, devido às condições precárias da Colônia, as obras eram, em sua maioria, importadas da Europa. O primeiro nome de vulto, no século 17, é do entalhador português Frei Domingos da Conceição da Silva, que trabalhou no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. A talha, nesse início da colonização, é a principal atividade escultórica no Brasil.


As obras d Frei português, Agostinho da Piedade, possuem características do Maneirismo, mas já se aproximam do Barroco. São atribuídas a ele 30 imagens de santos, todas em barro cozido, técnica chamada de terracota. A maior parte de suas obras está no Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia. O frei é considerado o fundador da escultura nacional. 


Essas são apenas algumas das caracteristicas cruciais da arte colonial no Brasil. Muito se segue nessa trajetoria, uma vez que a arte brasileira é uma mistura grandiosa de influencias em todo seu processo formativo.




terça-feira, 1 de setembro de 2026

ARTE CRISTÃ PRIMITIVA: O que de fato se mostra nessa perspectiva?

 


A Arte Primitiva Cristã foi muito importante para o que hoje em dia temos como simbologia do processo e reformulação do cristianismo na sociedade atual.  Esta que se divide em dois principais períodos históricos; O antes e depois do reconhecimento do Cristianismo como religião oficial do Império Romano.

Até esse reconhecimento e conversão, foram mais de 350 anos de reação ao que se ligara ao cristianismo. O reconhecimento do deste segmento "cristão" como religião oficial do Império Romano só irá ser feito no contexto do Édito de Milão no ano 330 pelo imperador Constantino. Daí então, se encandeará uma nova visão acerca da arte oriunda do segmento cristão.



Trocando em miúdos, o que foi afinal a arte cristã primitiva? Podemos concluir que a Arte Cristã Primitiva nada mais é do que o conjunto de manifestações artísticas produzidas pelos primeiros cristãos entre os séculos I e IV d.C., durante o período em que o Cristianismo era proibido no Império Romano. Também reformamos a tese de que essa arte não nasceu com a intenção de ser estética ou decorativa, mas sim como uma linguagem visual simbólica de fé, esperança e resistência.

- A Fase Catacumbaria

A fase anterior ao reconhecimento chama-se Catacumbaria, porque as suas principais manifestações ocorreram nas catacumbas, que por sua vez eram cemitérios subterrâneos, constituíam-se como verdadeiros hipogeus, nos quais os primeiros cristãos sepultavam seus mortos e mártires. Esta fase, estende-se do século I até o início do IV, precisamente ao Édito de Milão.

A fase catacumbaria, corresponde, portanto, à época das perseguições movidas aos cristãos, com maior ou menor intolerância e crueldade, por imperadores romanos. A perseguição desenvolvia-se praticamente em todo o Império, em algumas partes com mais brandura, especialmente em certas regiões da Ásia Menor, nas quais houve mesmo tolerância com a nova religião, que se misturava com velhos cultos pagãos locais, vindos dos egípcios e caldeus. Por isso mesmo, ali são mais precoces as transformações da primitiva arte cristã.

Uma observação importante, é entender que as primeiras manifestações artísticas dessa estética foram feitas por pessoas simples, (cristãos unidos na fé) e não por grandes pintores da época. Isso faz com que , as primeiras obras de arte desse segmento, se mostrem com aspectos simples e grotescos.


- A Fase Cristã Primitiva (paleocristã)

A fase posterior ao reconhecimento, quando o Cristianismo deixou de ser perseguido e substituiu, oficialmente, entre os romanos, as crenças do paganismo, tem sido determinada Arte Latina por alguns historiadores. Deve ser chamada, porém, de modo mais adequado, Arte Cristã Primitiva propriamente dita.

Essa fase, Arte primitiva Cristã, desenvolve-se dos anos de 330 ao de 500, quando as artes do Cristianismo começam a dividir-se em dois grandes ramos - um oriental e outro ocidental. Sendo então conhecida como fase oficial da arte cristã. Assim, contribui-se para a evolução dos estilos, mais adiante com a arte bizantina, a gótica a barroca a as demais estéticas ligadas a fé cristã e aos atributos artísticos do segmento.

NEOCLASSICISMO: Um pouco sobre a estética que reviveu a releitura da arte clássica.


Quando em arte falamos sobre estéticas conservadoras, lembramos do renascimento artístico e cultural, que por sua vez foi um movimento artístico-cultural-cientifico-político e filosófico surgido na Itália do século XIV até o XVII, no qual teve como inspiração, os valores da antiguidade clássica, reformulando a vida medieval e dando início à Idade Moderna.

Com a chegada do Barroco, estilo que dominou a arquitetura, a pintura, a literatura e a música na Europa do século XVII, muitos dos trabalhos criados no renascimento foram deixados pra trás, "esquecidos" por grande parte da sociedade europeia ocidental, justamente pelo crescimento da igreja católica. Esse estilo que por sua vez, tinha características de uma arte rebuscada e exagerada, que Valorizava do detalhe e buscava um universo na perspectiva da obscuridade, sendo fortemente complexa na sua composição.

Após a ascensão do barroco, retoma-se o Neoclassicismo, em palavras mais diretas: o “novo classicismo”. Essa estética de fato representa um movimento artístico e cultural que envolveu a literatura, a pintura, a escultura e a arquitetura. Surge no século XVIII também na Europa, e assim como os demais, se espalha pelo mundo até meados do século XIX.

Mas o que de fato justifica o neoclassicismo, já que é uma proposta de estética artística pautada numa releitura do que já fora produzido na antiguidade clássica e também pelos renascentistas?

Ainda, no meio do século XVIII, uma nova corrente classicista, nítida e influente, centralizada em Roma, enfrentou as últimas manifestações do Barroco e do Rococó, visando sumariamente finalizar a fórmula estética barroca e finalizando os seus excessos, a sua mera decoração fútil, a irregularidade e a ligação direta do clero, preocupado apenas em criar suas ilusões sentimentais em quem aprecia a arte. Não podemos ignorar o crescente interesse pela antiguidade clássica de modo geral, com seus valores de racionalismo, modéstia, equilíbrio, harmonia, simplicidade formal, idealismo  e desapego do luxo.

Devido ao neoclassicismo estar ligado ao declínio da influência da religiosa,  a ascensão dos ideais do iluministas, que tinham base no racionalismo, combatiam as superstições e dogmas  religiosos, e enfatizavam o aperfeiçoamento pessoal e o progresso social dentro de uma forte moldura ética

Saindo da perspectiva político-idealista dos iluministas, notamos no campo das artes que A arte neoclássica busca inspiração no equilíbrio e na simplicidade, bases da criação na antiguidade, tendo como características marcantes; o caráter ilustrativo e literário, marcados pelo formalismo e pela linearidade, poses escultóricas, com anatomia correta e exatidão nos contornos, temas "dignos" e clareza na composição. A base sistemática dessa linha artística era feita através do segmento conhecido como academicismo, que estabelecia uma série de normas práticas e teóricas para a produção de uma arte de qualidade.

As características que se enquadram nesse segmento estético podem estar na valorização do passado histórico; na Influência da arte clássica (greco-romana); a influência dos ideais iluministas; a oposição aos estilos Barroco e posteriormente ao Rococó; a utilização de temas da mitologia clássica e sobre o cotidiano; também o racionalismo, academicismo e idealismo, pautados na composição estética com harmonia e busca pelo padrão clássico de beleza; Isso tudo é refletido com a simplicidade e o exímio equilíbrio das formas, que sempre seguia os critérios de proporção e clareza. Toda essa manipulação artística e criteriosa visava então, a clara imitação da natureza.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

MURAL ALUSIVO A ALZIRA SORIANO VIRA ATRAÇÃO VISUAL E TURISTICA DE LAJES-RN

O artista visual Fábio Fernandes, elaborou um mural alusivo à cultura  do municipio de Lajes, interior do Rio Grande do Norte, lcalizado à 120 km de Natal, e ganhou destaque pelo contexto do trabalho. A obra foi feita sob a encomenda do Banco do Nordeste, uma vez que as faixadas das agencias da instituição estão recebendo intervenções artisticas criadas e executadas por artistas locais.

O artista fronte à obra visual.

 A composição do mural seguiu a estética referente à xilogravuras, uma vez que diversos traços ajudaram a compor o trabalho. A obra conta com uma compilação de desenhos de artistas diversos, sendo incorporados no mural, justificando sua formatação final.

Os passaros em destaque, seguem a proposta com traços de diferentes artistas da xilogravura, numa perpectiva relativa à diversidade de nossa fauna. Sem deixar presente, uma unica criação estética. 

O artista propõe a junção de elementos da funa e flora da caatinga.

Observando bem o mural, nota-se que houve uma referencia proposital à xiolgravura quando gravada no papel. A tecnica empregada na execução da obra conta com equillibrio, desproporcionalidade e irregularidades induzidas às falhas naturais da madeira talhada e impressas nos cordeis, leitura tipica e comum da xilogravura.

Vetores de caprinos representam elementos da economia local

O cuidado para não se distanciar dos elementos culturais foi metricamente pensado, principalmente nos elementos que representam a fauna da caatinga nordestina. A caprinocultura, que é uma fonte de renda especifica da região, está representada pelas figuras de dois caprinos , um bode e uma cabra, estes que estão representados por dois  vetores minimalistas.
Destaque de Alzira Soriano em Xilogravura realista
A obra se destaca mesmo, pela figura mais ilustre do municipio, o rosto da memorável Alzira Soriano, a primeira prefeita da américa latina. Alzira hoje em dia é lembrada de forma crucial devido seu valor simbólico e emblematico na historia do municipio potiguar. Ela representa com muita força, a vitoria da mulher em meio uma sociedade machista e patriarcal do inicio do século XX. Isso reacende de forma clara, a grandeza turistica que a personagem traz em suas entranhas culturais. Isso está representado, numa tecnica fixada em pixels, que se revela melhor quando o observador toma distancia da obra. Tambem há um destaque na capela rente a serra do feiticeiro, local turistico muito importante para a cultura local.

A obra segue exposta aos pedestres que passarem pelo local. Reacendendo assim, a chama da arte popular de rua como uma forte forma de expressão.












quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Documentário potiguar As Dançadeiras de São Gonçalo amplia circuito em festivais e chega ao streaming

O documentário As Dançadeiras de São Gonçalo, dirigido por Jorge Andrade, segue ampliando sua presença nos festivais brasileiros e integra a Mostra Potiguar da 12ª Mostra de Cinema de Gostoso, um dos encontros mais potentes do audiovisual do Brasil, realizado de 20 a 24 de novembro de 2025. 


Além disso, o filme foi selecionado pela Mostra de Gostoso para integrar o programa Filmes Potiguares, exibido na plataforma Itaú Cultural Play, onde ficará disponível gratuitamente entre 24 de novembro e 9 de dezembro.

Com 16 minutos de duração, o documentário registra a tradição da Dança de São Gonçalo, mantida há gerações pelas mulheres da comunidade quilombola Pêga, em Portalegre (RN). No estado, apenas os quilombos Pêga e Arrojado, ambos de Portalegre, preservam essa manifestação, o que torna o registro ainda mais necessário.


A obra se distingue por sua construção estética: em vez de recorrer a narrativas que enquadram territórios quilombolas sob o signo da falta, da dor ou da ausência, o filme propõe uma escuta sensível, construída a partir do afeto, do pertencimento e da escolha política de celebrar a vida, a fé e a continuidade das tradições.

“A dança é um pedaço vivo da história delas. Registrar isso é preservar a memória de uma tradição que existe há gerações e que só continua graças à força dessas mulheres. Buscamos compreender o que motiva cada uma delas a continuar dançando. Mais do que registrar a tradição, queríamos revelar tudo o que carrega sentido e que resiste, mesmo quando não é dito. É uma grande felicidade ver essa história chegando a mais pessoas”, diz o diretor Jorge Andrade.

Lançamento com escuta e cuidado

Antes de iniciar sua circulação em festivais e mostras de cinema, o filme cumpriu um ritual essencial: foi devolvido a quem lhe deu origem.

As primeiras exibições ocorreram dentro das comunidades quilombolas de Portalegre, ainda em 2024. Longe de ser apenas simbólica, essa decisão reflete o compromisso do projeto com a escuta e o pertencimento: apresentar primeiro às mulheres e aos territórios retratados é reconhecer que a história lhes pertence.

Agora, As Dançadeiras de São Gonçalo inicia uma etapa de divulgação mais ampla, com exibições públicas e participação em eventos culturais, reafirmando a importância de colocar em evidência vozes que historicamente foram silenciadas, desta vez, em seus próprios termos.


A força do território contada por suas protagonistas

As Dançadeiras de São Gonçalo se alinha a uma nova estética de narrativas negras e quilombolas: aquelas que nascem de dentro dos territórios, não como representação externa, mas como gesto de autodefinição.


O filme acompanha as mulheres do quilombo Pêga a partir de seus próprios tempos, escolhas e formas de narrar, valorizando o que elas afirmam sobre si, e não aquilo que o olhar de fora costuma supor.

A professora quilombola Ielândia Jacinto, uma das participantes do filme, descreve a potência dessa construção:

“É tão grandioso ver um trabalho sem o manto de induzir o retrospecto da dor alheia. É tão lindo ver a história contada a partir de si, do lugar de fala, e falas de alegria, por saber contar quem é. É um trabalho construído e apresentado com muita ética, respeitando a história de nossas vidas, evidenciando a nossa força e coragem.”

Da serra para o circuito nacional

Além da Mostra de Gostoso, que inaugura em 2025 sua categoria dedicada exclusivamente ao cinema potiguar, o documentário também foi selecionado para o FINC – Festival Internacional de Cinema de Baía Formosa, realizado nos dias 28 e 29 de novembro, e integrou a programação do Festival Goiamum e do Festival Urbano Cine.

No cenário nacional, a obra circula por outros eventos, como a 7ª Mostra Cinema dos Quilombos, em Belo Horizonte, que acontece em dezembro.

Ampliando ainda mais o acesso ao público, o documentário também foi selecionado pela Mostra de Gostoso para integrar o programa Filmes Potiguares na plataforma Itaú Cultural Play, onde ficará disponível gratuitamente entre 24 de novembro e 9 de dezembro.

Sobre o projeto

O documentário integra o projeto Gente que Faz História, dedicado ao registro das memórias e saberes das comunidades quilombolas de Portalegre (RN).

O projeto valoriza narrativas internas, muitas vezes ausentes das representações oficiais.

A obra conta com apoio do Sebrae-RN (Edital de Economia Criativa) e da Prefeitura de Portalegre, via Lei Paulo Gustavo.


DISPONIVEL EM:

https://blogdouly.com.br/documentario-potiguar-amplia-circuito-em-festivais-e-chega-ao-streaming/

Vinícius, Poeta do Encontro (por Otto Lara Resende)


“Homem de bem com a vida, a favor da vida. A quem a vida nada se nega. Criador de um lirismo em prosa e verso, falado e cantado, e sempre de exaltação a vida. A canção em Vinícius nasce de um encontro, não vem de um conflito. Encontro consigo mesmo, com o outro, com sua cidade. Com o menino livre e feliz que foi, com o tempo da infância, fonte inesgotável quando tudo era indizivelmente bom. Menino de beira de mar, os carinhos de vento no rosto e as frescas mãos de maré nos seus dedos de água. Encontro com o próximo, com aquele que se dá à vida. O que não se defende, o que não se fecha, o que não se recusa participar do espetáculo fascinante da grande e da pequena ventura de viver. Encontro com os amigos, parceiros da vida em comum, amigos da arte em comum. Encontro com a mulher amada, amiga infinitamente amiga. Encontro com a mulher do povo entre moringas e cenouras emolduradas de vassouras. Com o operário em construção, dono de uma nova dimensão, a dimensão da poesia. Encontro de sensibilidade pessoal com o sentimento popular da inspiração e da técnica pessoal com o ritmo e inspiração geral. Encontro da mulher com o homem, do amor. Das palavras com a música, da poesia com a canção. Poesia de aliança com a vida e canção de aliança com a multidão. Voz pessoal, mas compreendendo muitas vozes. Encontro com uma voz com todas as vozes.

Poeta do encontro, cantor de vida. Vinicius tomou partido do sentimento contra o ressentimento.

Por isso, ele não semeia pedras como aquele que não ama.

Semeia canções, poesia.

Vinicius canta o povo.

O povo canta Vinicius.

A bênção, Vinicius de Moraes.”

(Texto de Otto Lara Resende, escrito para o lançamento do primeiro LP ao vivo de Vinícius de Moraes gravado no “Teatro Municipal de São Paulo” em dezembro de 1965. O disco se chamou “Vinícius: Poesia e Canção” e alternava a execução de seus sambas e a recitação de poemas. Quem abre esta faixa é o inconfundível Paulo Autran.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

FRAGONARD: A GENIALIDADE DO ARTISTA ROCOCÓ

FRAGONARD, Jean-Honoré. L’Escarpolette

Ao contemplarmos a tela "O Balanço (1766), de Jean-Honoré Fragonard" notamos que essa obra artistica é uma pintura Rococó de grande delicadeza e humor. A tela por sua vez, incorpora o ideário da frivolidade das cortes e dos universos ocultos por entre as florestas e jardins privados de palácios, onde o flerte podia ocorrer por entre as árvores. À primeira vista, a obra não parece revelar o grande tema de parte das obras de Fragonard, o galante e o libertino. Porém, notamos que na pintura rococó, a força imagética de surpreender e ancantar os espectador não está muito distante de sua proposta inicial. 

O Rococó, também conhecido como Barroco Tardio, se configura como um estilo excepcionalmente ornamental e dramático de arquitetura, arte e decoração que combina assimetria, curvas onduladas, dourado, cores brancas e pastéis, molduras esculpidas e afrescos no intuito de criar ilusão de movimento, drama e surpresa. Foi sobretudo um estilo francês do século XVIII, atendia o publico aristocratico e se espalhou por outras regiões do velho continente, chegando até a america.

L'aurore

Nesse contexto, um nome de destaque no rococoó foi Jean-Honoré Fragonard, talentosissimo pintor francês, cujo o estilo estetico foi distinguido por sua notável facilidade, exuberância e tambem hedonismo. Ele produziu mais de 10.000 pinturas do estilo. Entre suas obras mais populares podemos destacar  as pinturas de gênero, que transmitem uma atmosfera mais íntima, caracteriza-se por ser um estilo sóbrio, realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, temas da vida diária como homens dedicados ao seu ofício, mulheres cuidando dos afazeres domésticos, ou até mesmo paisagens.  



Jovem Lendo" 
(1776)

A obra em destaque mostra uma jovem dama francesa embrenhada na solitária leitura de um livro de bolso, provavelmente um romance, a tela. Fragonard em A Leitora reflete inúmeras imagens de leitura que povoam a obra de pintores europeus a partir do século XVIII, quando a "febre de ler" está instaurada na Europa. 

No quadro em destaque, a menina se apresenta com uma cor exuberante contrastando com a penumbra do fundo. As cores são ricamente misturadas, na medida em que os contornos do corpo se mesclam com este fundo. Suas costas são suportadas por uma espécie de abundância maternal de um travesseiro de cor rosácea.

Ela está abrosvida por seu livro, tão desprotegida como uma ninfa de Boucher. Um manto vertical pende na parede amarelo-amarronada e contrasta com o reluzente braço da cadeira.


Ao observar a obra "A Leitura", notamos a habilidade de transcender a ornamentação que distingue Fragonard. Desse modo, notamos que Fragonard é mais profundo do que parece e sua sensibilidade genuína se revela na forma que descreve a cena.


Retrato

A genialidade de Fragonard foi grandemente ignorada, assim comco grandes genios da pintura em vida. Isso fez com que que Lübke: um dos renomados escritores pioneiros da história da arte na Alemanha, viesse a omitir a menção de seu nome no livro "A HIstoria da ARTE". No entanto, a influência de Fragonard na manipulação de cor local e expressiva não pode ser subestimada.

Le verrou, 1780

Fragonar na última fase de sua vida pintou cenas de amor e da natureza com maestria e grandeza, morreu em Paris, pobre e quase esquecido.

La visite à la nourrice