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segunda-feira, 28 de setembro de 2026
EUGENIO KUSNET: O maior discipulo do metodo de Stanislávski nos palcos brasileiros.
A MORTE DE MARAT: As pistas complexas escondidas na obra-prima de Jacques-Louis David
A análise da pintura icônica revela um conflito que se desdobra através dos gestos contrastantes das mãos do protagonista. No lado direito, a mão do político francês Jean-Paul Marat segura a pena que utilizava para escrever momentos antes de ser assassinado com uma faca de cabo de pérola, que repousa a poucos centímetros dele. A posição dessa mão, pendendo inerte, lembra a imagem das mãos de Cristo na escultura “Pietà” de Michelangelo e na pintura “O Sepultamento de Cristo” de Caravaggio.
Por outro lado, a mão esquerda de Marat está rigidamente posicionada, segurando uma carta manchada de sangue, remetendo ao foco oposto de sua atenção no momento fatal. Como destaca o portal BBC, esse contraste entre a vitalidade que persiste em uma das mãos e a morte que consome a outra provoca no observador uma reflexão sobre os limites entre os mundos dos vivos e dos mortos.
A complexidade dessa dualidade é acentuada pela escolha de David de incluir não uma, mas duas penas no cenário. A pena que Marat segura, ainda molhada com tinta, aponta para o caixote que servia como sua mesa, onde se encontra uma segunda pena cuja ponta negra parece indicar diretamente a ferida fatal. Essa representação suscita a seguinte questão: teria sido a faca que tirou a vida de Marat ou as palavras? Na obra de David, ambos os instrumentos se complementam e se desafiam mutuamente.
Quando examinamos os escritos presentes na pintura, encontramos duas cartas dispostas em destaque. A primeira, firmemente segurada por Marat com a mão esquerda, é uma missiva escrita por Charlotte Corday, sua assassina. Nesta correspondência, Corday manipula sua vulnerabilidade ao afirmar: “Basta que eu seja muito infeliz de ter direito à sua bondade.” O texto é claro: a benevolência de Marat acabou por se tornar sua ruína.
Abaixo da carta de Corday, há outra missiva, esta escrita por Marat. Este documento estava em andamento no instante do ataque e está sustentado por um assignat — um tipo de moeda revolucionária — considerado pelos estudiosos como uma das primeiras representações da moeda papel na arte ocidental. Neste bilhete, Marat expressa sua generosidade ao prometer cinco libras para uma mãe em dificuldades que havia perdido o marido defendendo a pátria. Mesmo em sua morte trágica, Marat é retratado como alguém generoso.
As cartas não apenas traçam as linhas da enganação e da bondade, mas evocam também fantasmas representativos. De um lado está Corday, a assassina ardilosa que entrou no lar de Marat com um punhal oculto sob seu xale; do outro, está a figura invisível da viúva aflita pela qual Marat estava disposto a lutar. Este confronto entre forças femininas — uma simbolizando o bem e outra o mal — remete a tradições artísticas históricas onde artistas exploravam as tensões entre virtude e vício. A abordagem de David atualiza esta narrativa clássica para o contexto revolucionário da época, enfatizando que o destino de toda uma nação estava em jogo.
As pinturas geralmente contam com uma assinatura. A Morte de Marat, no entanto, tem duas. Uma, rabiscada no centro da tela, pertence a Corday e foi falsificada por David na recriação da carta que ela escreveu para Marat. A segunda, a do autor, está perto da parte inferior da pintura. Um detalhe interessante é que, ao gravar seu nome nos próprios móveis da obra, David se insere na cena do crime. Pode parecer um gesto macabro, mas, ao fazer isso, o autor não está confessando o assassinato de Marat, mas declarando lealdade à sua agenda política. Dessa forma, ele afirma: “agora somos todos Marat”.
Ao observar os detalhes sob sua assinatura — onde David inscreve “L’an deux”, indicando o segundo ano do calendário revolucionário — estabelece-se uma tensão temporal entre o calendario cristão e o revolucionário. A data nítida e legível está entre os dígitos separados e parcialmente apagados do ano “1793”. Isso indica uma abolição total do tempo cristão em favor de medições revolucionárias.
No fim, o que o artista faz é projetar um retrato duplo da cena trágica. Assim, ele transforma o assassinato em mito enquanto o corpo físico do homem morto é transformado em em uma figura mística.
Texto publicado originalmente em:
https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/a-morte-de-marat-as-pistas-complexas-escondidas-na-obra-prima-de-jacques-louis-david.phtml
sábado, 26 de setembro de 2026
BREVE HISTORICO DO TECLADO. Um dos instrumentos mais conectados a contemporaneidade.
Sabemos que instrumentos de teclas fazem parte da música desde o século XIV. Ente eles estão o órgão, o cravo e o piano. Estes são claros exemplos de instrumentos da época que acabaram sendo desenvolvidos e originando o que conhecemos atualmente como teclado. Mas afinal, o que sabemos sobre este instrumento tão magnifico? Vamos descobrir?
O teclado é um instrumento eletrônico originado de instrumentos de teclas como o órgão, o cravo e o piano. Segundo o que se sabe, é que em 1928, o músico e pesquisador Maurice Martenot concebeu o primeiro instrumento de teclas eletrônico: o Ondas Martenot.
Com o passar do tempo, suas características foram sendo cada vez melhor desenvolvidas. Foram fabricados modelo melhores afinados e de tamanhos menores, atendendo à praticidade que tanto os músicos buscaram. Hoje os modelos disponibilizam diversos recursos de qualidade com diversas possibilidades. Além disso, a tecnologia permite a utilização de sons de diversos instrumentos e a conexão com computadores, otimizando ainda mais o uso do instrumento.
O teclado que conhecemos atualmente é formado por um sistema eletrônico. Possui cerca de 25 a 88 teclas e um painel que mostra os recursos disponíveis e utilizados.
A maioria dos modelos são integrados com alto-falantes para a reprodução do som tocado, mas também existem aqueles que podem ser conectados a amplificadores, permitindo uma maior projeção do som. O som produzido a partir da pressão das teclas é realista, reproduzindo sons tanto de piano, quanto de instrumentos de cordas, sopro, percussão e até a voz.
O teclado é muito utilizado hoje em dia. Sua praticidade facilita o aprendizado do instrumento, além de ser leve e de fácil transporte, diferente do piano, por exemplo. Atualmente podem ser encontrados até modelos portáteis e compactos, feitos de material maleável e que funcionam com botões, permitindo que o músico guarde o instrumento até em uma mochila.
Os instrumentos de tecla auxilia no desenvolvimento do cérebro, já que exige movimentos das duas mãos, exercitando os dois lados do cérebro. É uma ótima alternativa para se aprender e, como qualquer outro instrumento, a prática leva ao aperfeiçoamento desse aprendizado.
Base do texto disponivel em:
https://musicvaz.com.br/blog/de-volta-ao-passado-a-historia-e-as-partes-do-teclado/
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
ESCULTURA GREGA : A relação da arte com a busca pela perfeição.
Na Grecia antiga, a escultura foi uma linguagem artistica muito forte, uma vez que ela, contribuiu para estabelecer as bases do padrão de beleza ociedental. Afim de atingir a "perfeição" física, na cultura grega, a estética não era apenas superficial; ela refletia valores profundos da sociedade da época. Esses valores estéticos por sua vez, estarão associados a conceitos filosoficos, matematicos e morais.
É interessante perceber que havia uma preocupação em perceber na escultura, a sensação de Corpo mente sã: Nesse conceito podemos notar a existencia de um corpo escultural e harmonioso como o reflexo de uma mente virtuosa, equilibrada e disciplinada.
Já O Período Clássico, vai ser propiamente o auge do padrão de beleza. Nesse periodo, introduziu-se o contrapposto (o peso do corpo apoiado em uma só perna), trazendo assim o maior naturalismo. Suas figuras representavam o idealismo, ou seja, jovens atletas e deuses sem imperfeições, rugas ou sinais de envelhecimento.
Já no Período Helenístico, a beleza deixa um pouco de lado apenas a questão estética e passa a incluir a emoção, o drama e o realismo em suas criações. O foco mudou do jovem perfeito para a expressividade da dor, da velhice e do movimento extremo, expandindo o conceito do que era artisticamente belo.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
MESTRE VITALINO: Um dos maiores cerâmistas do nordeste brasileiro.
[Acervo do Museu de Arte Popular do Recife/PE]
Quando falamos em cultura popular, é notorio perceber a relação da obra com as referencias culturais ali presentes, desde sua idealização até sua forma concebida. No entando ao nos referirmos à manifestações artisticas oriundas do povo, não pdemos deixar passar despercebido, a criação do artesanato, uma pratica nobre, feita por pessoas simples, sem a necessidade de uma formação academica para se ocorrer o oficio e fruição artistica. Basta somente vivenciar a cultura do povo, e representá-la na arte de fato.
Mestre Vitalino - foto: Pierre Verger - Caruaru/PE, 1947
Seguindo essa tonante, podemos citar o mestre Vitalino, nascido em 10 de julho de 1909, no povoado de Ribeira dos Campos em Caruaru no estado pernambucano. Foi um grandioso ceramista popular e tambem atuou como músico. Era filho de lavradores, na sua infancia começou a modelar pequenos animais com as sobras do barro usado por sua mãe na produção de utensílios domésticos, para serem vendidos na feira de Caruaru.
No inicio da decada de 1920, é criada a banda Zabumba Vitalino, na qual é o tocador de pífano principal. Esse detalhe, reforça a diversidade artistica e criativa do grande mestre. A musica tambem irá ser tema do repertorio do artista nas suas obras em ceramica.
Sua atividade como ceramista permanece desconhecida do grande público até 1947, quando o desenhista e educador Augusto Rodrigues organiza no Rio de Janeiro a 1ª Exposição de Cerâmica Pernambucana, com diversas obras suas. Esses eventos contribuem fortemente para torná-lo conhecido nacionalmente. Alguns anos mais adiante, precisamente em 1971, é inaugurada no Alto do Moura, no local onde o artista residiu, a Casa Museu Mestre Vitalino. No espaço, administrado pela família, estão expostas suas principais obras, além de objetos de uso pessoal, ferramentas de trabalho e o rústico forno a lenha em que fazia suas queimas.
Mestre Vitalino se destaca por suas figuras inspiradas nas crenças populares, em cenas do universo rural e urbano, no cotidiano, nos rituais e no imaginário da população do sertão nordestino brasileiro. E é essa qualidade que de fato solidifica o ceramista como uma das maiores referencias na área.
As cenas presentes no seu trabalho remetem-se à ordem e ao crime no sertão brasileiro. Entre bandidos e soldados, policiais, ladrões de cabra e de galinha, destacam-se as figuras dos cangaceiros, como o temivel Lampião e sua companheira Maria Bonita.
É notorio entender que os aspectos sociais da região, como a seca e a migração, são captados em obras como Retirantes.
Tambem se torna comum, a presença de figuras e cenas ligadas ao trabalho, que permitem notar a divisão entre atividades laborais e tipos masculinos - vaqueiros, lavradores, homens carregando água ou tirando leite - e femininos - lavadeiras, rendeiras, mulheres cozinhando e costurando.
As profissões do contexto urbano, como dentista, médico, veterinário, barbeiro, costureira, vendedor de fumo de rolo, também são modeladas por Vitalino, em parte para atender às demandas do mercado.
Embora todos esses aspectos de sua arte justifiquem a notoriedade alcançada por Vitalino, em certa medida seu sucesso está relacionado a uma tendência cultural mais ampla de valorização dos traços populares, considerados originais e exemplos de brasilidade. Inegavelmente sua produção é interpretada como representativa dessas manifestações "autênticas" e "simples" que muitos intelectuais e artistas, na primeira metade do século XX, elegem como modelo.
Desse modo, é notorio que todos esses acspectos, transfiguram simbolicamente o mestre Vitalino como um dos maiores artesãos que o Brasil já produziu.
Baseado na pagina:
https://www.elfikurten.com.br/2013/01/mestre-vitalino-arte-feita-de-barro.html