terça-feira, 6 de outubro de 2026

EDGAR DEGAS: O artista que pincelava o processo do balé além do glamour dos palcos.

Quando estudamos historia da arte, que chegamos a ver o trabalho de Edgar Degas, logo nos vem em mente a seguinte pergunta: “Por que Degas gostava tanto de pintar bailarinas?” Sem duvidas esse é um questionamento muito frequente acerca desse artista. Desse modo, iremos entender um pouco desse fascinio por essa temática.

É bem verdade que esse tema era um dos preferidos do artista francês, um dos grandes nomes do impressionismo. Degas retratou bailarinas em diversas situações: dançando, ensaiando, descansando… E tudo isso com muita delicadeza e atenção aos detalhes. Mas o que será que ele via de tão especial nas bailarinas?
Podemos propor a ideia de que Degas vislumbrava qualidades como leveza e movimentação dos corpos, uma vez que ele era fascinado por capturar o corpo em suas mais variadas possibilidades movimento, sendo que o balé é cheio de poses, giros e equilíbrio, perfeitos para o estudo anatômico do artista. Por esse motivo, percebemos que há inumeras possibilidades de Degas se inspirar para produzir suas telas.
O artista ficou famoso por escolher temas de pintura de gênero como retratar dançarinas, uma dessas obras de Edgar Degas é A Estrela – Em Pointe:

A Estrela – Em Pointe: Possui características da pintura realista combinada com algumas técnicas da pintura impressionista. Degas utiliza as pinceladas leves misturando a tinta com uma pátina para criar um efeito realista na pele da dançarina, além de usar a suavização da luz natural impressionista, ao não usar uma cor só para a iluminação.

Caracteriza-se o Estudo do corpo humano como metodo criativo de Degas. Pois ele adorava desenhar o corpo em posições difíceis. As bailarinas serviam quase como “modelos de estudo” para ele testar ângulos e composições.

O pintor faz parte da corrente artística impressionista, embora suas obras tenham um estilo mais realista. Edgar Degas veio de uma família rica por isso teve condições financeiras de estudar arte, podendo inclusive fazer o gran tur, que era uma espécie de viagens aos lugares onde havia obras dos chamados grandes mestres.

A Classe de Dança

Degas focava basntante no Realismo e tambem nos Bastidores: Em vez de focar apenas no glamour do palco, Degas preferia retratar os momentos reais e não idealizados, como ensaios, repouso, fadiga e ajustes de figurino, o esforço, o cansaço, a preparação. Ele gostava de mostrar a verdade por trás da beleza idealizada. O processo era mais interessante que o resultado.

Edgar Degas priorizou seu próprio estilo, ao contrário de outros impressionistas que pintavam ao ar livre, ele preferia o interior dos teatros. Essa Inovação visual permitia que estas cenas, fossem usados enquadramentos inusitados, inspirados pela "fotografia " da época, cortando bordas e guiando o olhar do espectador. Geralmente à espaços interiores. Contudo, isso não impediu o bom Sucesso Comercial, uma vez que as obras do artistia impressionista tinham excelente aceitação e alta demanda no mercado de arte da época.
Ballet at the Paris Opera. Edgar Degas, 1877.
Degas ainda propõe diálogo, impressiona em suas reflexões simbólicas e visuais e acima de tudo, expõe ao expectador, que por tras do glamour, a arte requer processos continuos e nem tão faceis em seus bastidores. Isso talvez, torne a arte de Edgar Degas, mais que impressionista, quem sabe até realista demais para o estilo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

ARTE EFEMERA - Esculturas de Gelo no Castelo de Matsumoto em Nagano

A arte pode se mostrar de diversas formas, uma delas é conhecida como efemera, ou seja, aquela manifestação artística criada para durar um curto período de tempo, valorizando a transitoriedade, o momento presente e a experiência em vez de buscar a eternidade ou em se conceber como um objeto duradouro. Anualmente, um belo festival de esculturas de gelo é realizado  na área do Castelo de Matsumoto , na província de Nagano, no Japão, atraindo um grande público para vislumbrar o evento. O festival conta com a presença de escultores não somente do Japão, mas de outros países.

Os artistas, que participam de uma competição, trazem suas ferramentas e começam a esculpir no final da tarde do dia anterior ao evento, momento o qual é possível apreciar o processo de trabalho dos escultores, que se esforçam durante toda a noite, com as artes finalizadas na manhã do dia seguinte. Esse é um exemplo claro de arte efemera. Em outra oportunidade, trarei mais exemplos desse tipo de linguagem artistica.


Creditos e materia original disponivel em:
https://portalmie.com/atualidade/2023/11/nagano-festival-de-esculturas-de-gelo-no-castelo-de-matsumoto/


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cia GIRA DANÇA: Um lugar onde a inclusão se estende além da arte.

Foto por Brunno Martins/ Giradança

Quando falamos em dança, o que vem em nossa mente, é um corpo em movimento, seguindo uma compasso sistematicamente  coreografado. Ligamos a dança a corpos padronizados, ditos "perfeitos" que se expressam artisticamente. Porém, essa visão de uma arte feita para suprir necessidades de certos padrões, que limitam o seu fazer pra alguns, não tem continuidade, quando a Companhia Giradança entra em cena.  

A Giradança se destaca como uma renomada companhia de dança contemporânea natalense, referencia na arte cênica potiguar. O seu diferencial está na inclusão. O que a torna mais especial, não só no estado do Rio Grande do Norte, mas em outras partes do Brasil e tambem internacionalmente, tudo isso devido a sua proposta de dança inclusiva, que integra bailarinos com e sem deficiência. 

Foto por Brunno Martins/ Giradança

A Giradança foi criada em 2005 pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais, o trabalho artístico do grupo é focado nas possibilidaes de o corpo se mostrar como ferramenta de experiências, que rompem preconceitos e que expandem os limites tradicionais da dança contemporânea. Isso torna a proposta da companhia, um divisor de águas dentro do panorama artistico. Uma vez que se põe em debate, as possibilidades criativas de corpos considerados limitados.

A Cia potiguar tem como Proposta Artística: Investigar a diversidade dos corpos em cena, ressignificando as limitações físicas e transformando-as em potência estética e linguagem coreográfica própria.

A Cia de dança contemporanea já se apresentou em mais de 15 estados brasileiros e em países como a Alemanha. O valor simbolico do Giradança é tão grande, que o coletivo foi condecorado com a prestigiada honraria da Ordem do Mérito Cultural, que por sua vez é a mais alta honraria pública da cultura brasileira, concedida pelo Ministerio da Cultura (MinC) a pessoas, coletivos e instituições que se destacam por relevantes contribuições à cultura do país.

O repertório autoral da Cia potiguar conta com colaborações de coreógrafos importantes e inclui espetáculos como "Graça", "Sem Conservantes", "Feche os Olhos", "Bando" e a filmedança "Economia da Encarnação". Além disso, o grupo tambem circula pelo estado levando suas propostas artisticas, como tambem compartilha seus conhecimentos através de oficinas voltadas para a linguagem artistica.

Desse modo, podemos concluir, que o Giradança é bem mais do que um grupo de artes cenicas, ele se destaca como um lugar de afetos e igualdade por meio da inclusão de corpos e vivencias.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

MISSÃO ARTISTICA FRANCESA NO BRASIL

A Missão Artística Francesa foi um grupo de artistas, arquitetos e artífices franceses que desbarcou no Rio de Janeiro em março de 1816, cujo o objetivo principal era institucionalizar o ensino oficial das artes plásticas no Brasil e modernizar a cultura da nova sede da corte portuguesa. Amparado pelo governo de Dom João VI, o movimento rompeu com a forte tradição barroca colonial e introduziu o estilo Neoclássico no país, estabelecendo as bases do ensino acadêmico superior de artes.

A vinda do grupo está diretamente ligada à transferência da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808. Com a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido em 1815, havia uma necessidade premente de modernização urbana e cultural da capital. Ao mesmo tempo, com a queda definitiva de Napoleão Bonaparte em 1815, muitos artistas franceses de prestígio que eram associados ao antigo regime napoleônico viram-se sem espaço político e desempregados na Europa, encontrando no projeto ultramarino uma oportunidade de recomeço.

O grupo foi organizado e liderado por Joachim Lebreton, um importante intelectual e administrador cultural francês. Entre os membros mais destacados estavam:

Retrato de J. B Debret

Jean-Baptiste Debret (Pintor): Tornou-se um dos nomes mais célebres da Missão. Suas aquarelas e gravuras foram fundamentais para documentar minuciosamente o cotidiano, a sociedade, a corte e os horrores da escravidão no Brasil do século XIX.

A Familia brasileira no Rio é uma das telas mais famosas de Debret

Nicolas-Antoine Taunay (Pintor): Esse artistas dedicou-se principalmente a retratar as paisagens naturais e as riquezas do Rio de Janeiro. Ao contrario de Debret, que visava mais uma representação etnocentrica e de comportamento dos sujeitos.

Grandjean de Montigny (Arquiteto): Introduziu as linhas simétricas, colunas e frontões da arquitetura neoclássica no país, projetando edifícios emblemáticos na capital fluminense

Projeto da Praça do Comércio (planta baixa, corte e fachada)
Grandjean de Montigny

Auguste-Marie Taunay (Escultor): Este foi um dos artistas responsáveis por disseminar as técnicas de escultura clássica europeia.

Busto de Camões, s/d

Meses após a chegada, um decreto de Dom João VI instituiu a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Após anos de intrigas políticas, escassez de recursos e resistência de artistas locais adeptos do barroco, a instituição foi finalmente inaugurada em 1826 como a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA).

Desse modo, compreendemos que a Missão Artistica Francesa deixou um valioso acervo iconográfico, etnográfico e histórico sobre a formação da sociedade brasileira, além de consolidar o modelo acadêmico de arte que dominaria o cenário nacional durante todo o século XIX.


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MORRE O ATOR GRIMARIO FARIAS: Um dos mestres fundadores da Cia Teatral Alegria - Alegria.

O teatro do Rio Grande do Norte ficou mais triste. Hoje despediu-se do grandioso espetaculo da vida,  um de seus representantes maís importantes. O querido ator e diretor Grimário Farias, fundador da companhia teatral Alegria Alegria. Ele tinha 78 anos de idade e partiu para uma nova jornada em outro plano.

Grimario foi um grande nome da arte de rua, sendo um dos mais antigos membros da Cia Teatral Alegria-Alegria. Ele foi um mestre, sempre disposto a ensinar, despontava sua força artistica, em meio aos palcos do teatro popularesco. A Rua era seu tablado, seu piso, sua ribalta. As cortinas sempre se abriam em qualquer praça na qual o Alegria-Alegria chegara com algum texto que interagia emoção e felicidade cenica.

A conta oficial do Alegria, Alegria publicou uma homenagem ao fundador do grupo:

“Grimário partiu para a sua nova e velha morada; que seu caminho seja iluminado por todos os feitos bondosos aqui na terra. Nossa senhora seja luz e guia nesse momento onde já não há mais dor”, diz o texto.

A atriz Fafá Fialho se emociona ao falar sobre o parceiro:

“Grimário foi meu maior parceiro no teatro. Eu comecei a sentir saudades quando ele adoeceu. Após o AVC já não dava muito para conversar, a memória falhava. Tínhamos muita afinidade, estou me sentindo meio desamparada dessa parceria. A vida é cruel”, lamentou.

Assim que a notícia da morte de Grimário foi divulgada, vários artistas homenagearam o ator e diretor potiguar. A atriz Quitéria Kelly, radicada no Rio de Janeiro, escreveu que 2026 não vem sendo um ano fácil para o teatro potiguar, uma referência também às mortes da atriz Titina Medeiros e do ator, produtor e jornalista Marcílio Amorim.

O corpo de Grimário Farias foi velado no salão nobre da Fundação José Augusto (FJA) e sepultado no cemitério de Emaús. Familiares, amigos e colegas do ator e diretor participaram da despedida. Ele deixa o companheiro Lourenço Evangelista e uma legião de admiradores. Nos últimos dias de vida, foi acompanhado por Lourenço e Ivonete Albano, amiga inseparável, também atriz e diretora teatral.

Natural do município Coronel Ezequiel (RN), Grimário é um dos grandes nomes da cena teatral do Rio Grande do Norte, em especial do teatro de rua. Ele era formado em Direito, mas nunca exerceu o ofício. Servidor público, chegou a dirigir o teatro Sandoval Wanderley, além de ocupar outros cargos na gestão do ex-secretário de Cultura de Natal, Dácio Galvão. 

Hoje se foi um grande mestre, ator, diretor e amigo. Tive o privilegio de dividir cena com Grimario. Agora, resta apenas o legado, a memoria e a semente, que fora plantada com muito amor por esse grande artista potiguar.

Salve Grimario Farias! 

Ensino de Arte na BNCC: As 6 Dimensões do Conhecimento

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento fundamental que orienta a educação básica no Brasil, estabelecendo diretrizes para o ensino em diversas áreas, incluindo a arte. O ensino de arte na BNCC é estruturado em torno de seis dimensões do conhecimento: Criação, Crítica, Estética, História, Produção e Reflexão. Neste artigo, exploraremos cada uma dessas dimensões e como elas podem ser aplicadas na prática pedagógica.

1. Dimensão da Criação

A dimensão da criação refere-se ao processo de produção artística, onde os alunos são incentivados a expressar suas ideias e sentimentos por meio de diferentes linguagens artísticas. Essa dimensão promove a criatividade e a originalidade, permitindo que os estudantes explorem suas habilidades e desenvolvam um olhar crítico sobre suas próprias produções.

Atividades sugeridas:

Oficinas de pintura e desenho.

Criação de peças teatrais.

Produção de vídeos e curtas-metragens.


2. Dimensão da Crítica

A crítica é essencial para o desenvolvimento do pensamento analítico dos alunos. Nessa dimensão, os estudantes aprendem a avaliar obras de arte, tanto as suas quanto as de outros artistas. Isso envolve a análise de elementos como técnica, estilo, contexto histórico e cultural, promovendo um debate enriquecedor sobre a arte.

Atividades sugeridas:

Discussões em grupo sobre obras de arte.

Elaboração de resenhas críticas.

Visitas a museus e galerias, seguidas de debates.


3. Dimensão da Estética

A estética aborda a percepção e a apreciação da beleza nas artes. Essa dimensão permite que os alunos desenvolvam um senso estético, aprendendo a identificar e valorizar diferentes formas de expressão artística. A estética também envolve a reflexão sobre o que é considerado belo em diferentes culturas e épocas.

Atividades sugeridas:

Criação de exposições de arte.

Debates sobre o conceito de beleza em diferentes culturas.

Estudos sobre movimentos artísticos e suas influências estéticas.


4. Dimensão da História

A história da arte é fundamental para contextualizar as produções artísticas. Nessa dimensão, os alunos aprendem sobre os principais movimentos artísticos, artistas e obras que marcaram a história da arte. Essa compreensão histórica enriquece a apreciação e a produção artística dos estudantes.

Atividades sugeridas:

Pesquisas sobre artistas e movimentos artísticos.

Elaboração de cronogramas históricos da arte.

Apresentações sobre a evolução da arte em diferentes períodos.


5. Dimensão da Produção

A produção artística envolve não apenas a criação, mas também o processo de materialização das ideias. Os alunos devem aprender sobre os diferentes materiais e técnicas disponíveis, bem como sobre o planejamento e a execução de projetos artísticos. Essa dimensão é crucial para que os estudantes se tornem proficientes em suas habilidades artísticas.

Atividades sugeridas:

Experimentos com diferentes técnicas de pintura e escultura.

Desenvolvimento de projetos artísticos em grupo.

Participação em feiras de arte e exposições.


6. Dimensão da Reflexão

A reflexão é uma parte importante do processo de aprendizagem. Nessa dimensão, os alunos são incentivados a pensar criticamente sobre suas experiências artísticas, tanto na criação quanto na apreciação. A reflexão ajuda os estudantes a desenvolverem uma postura crítica e a se tornarem mais conscientes de suas escolhas artísticas.

Atividades sugeridas:

Diários de bordo sobre o processo criativo.

Reflexões escritas sobre obras de arte estudadas.

Debates sobre o impacto da arte na sociedade.


O ensino de arte na BNCC é uma oportunidade valiosa para desenvolver habilidades essenciais nos alunos, como criatividade, pensamento crítico e apreciação estética. Ao explorar as seis dimensões do conhecimento, os educadores podem criar um ambiente de aprendizagem rico e diversificado, que valoriza a expressão artística e promove o desenvolvimento integral dos estudantes. Ao implementar essas dimensões em suas práticas pedagógicas, os professores podem contribuir significativamente para a formação de cidadãos mais críticos e criativos.


Perguntas Frequentes


1. O que é a BNCC?

A BNCC é a Base Nacional Comum Curricular, um documento que orienta o ensino nas escolas brasileiras, estabelecendo diretrizes e conteúdos essenciais para a educação básica.


2. Quais são as dimensões do conhecimento no ensino de arte?

As dimensões são: Criação, Crítica, Estética, História, Produção e Reflexão.


3. Como posso aplicar essas dimensões na sala de aula?

Você pode desenvolver atividades práticas, debates, pesquisas e reflexões que envolvam os alunos em cada uma das dimensões do conhecimento.


4. A arte é importante na educação básica?

Sim, a arte é fundamental para o desenvolvimento da criatividade, do pensamento crítico e da apreciação estética dos alunos.


5. Quais atividades posso realizar para estimular a criação artística?

Oficinas de pintura, produção de peças teatrais e criação de vídeos são algumas sugestões que podem estimular a criação artística.


6. Como a história da arte pode ser ensinada?

A história da arte pode ser ensinada por meio de pesquisas, apresentações e visitas a museus, promovendo um entendimento contextualizado das obras e movimentos artísticos.


Texto original disponivel em:


terça-feira, 29 de setembro de 2026

A ARTE DO DESENHO: Como essa linguagem artistica comunica-se com as culturas no passar do tempo.

Imagem de desenhos rupestres - Daniel Flesher 

Compreendemos que o desenho é uma das formas mais antigas e imediatas de comunicação humana, pois servem como uma das linguagens visuais que transcendem barreiras verbais e antecedendo a própria escrita, como forma de diálogo sobre quasquer ideia pré-concebida.

Não é de hoje que o desenho se mostra presente na sociedade como um meio de comunicar ideias. Isso ocorre desde a antiguidade, pois essa linguagem artistica sempre foi utilizada como forma de expressão pelo homem que deixava suas marcas e registros de sua história . Estando o desenho sempre presente na vida dos povos, tornando assim uma técnica muito utilizada em diversos grupos sociais, durante toda a linha cronológica da humanidade. 

É importante entender que essa comunicação através desses grafismos são comuns desde a pré historia, uma vez que a humanidade já sentia a necessidade de buscar meios de expressão, o que foi essencial para a construção do conhecimento obtido para a nossa atualidade.


Os grafismos indígenas são sistemas complexos de comunicação visual, expressão cultural e identidade étnica utilizados pelos povos originários. Longe de serem meros elementos decorativos, esses padrões geométricos e simétricos funcionam como uma "escrita viva" que transmite a cosmologia, a história, o status social e a relação de cada povo com a natureza e o sagrado.

Desde então o desenho assumiu diferentes papéis. No Egito, por exemplo, essa linguagem era frequentemente utilizada como meio de expressão, pois o desenho era comumente encontrado em túmulos e nos templos construídos na região. Para essa estética, a Lei da Frontalidade se convencionava, destacando as partes do corpo, representadas pelo seu ângulo anatomicamente mais característico e fácil de reconhecer. 

O desenho no  Egito antigo seguia o principio regido pela Lei da Frontalidade, que era  a regra estética mais marcante dessa sociedade, determinando que a figura humana não deve ser desenhada imitando o realismo tridimensional, mas sim combinando múltiplos pontos de vista em uma mesma imagem. 

Mapa criado por desenhos simples.

O desenho também foi utilizado na confecção de mapas com a finalidade de facilitar atividades comerciais entra os povos da Mesopotâmia do oriente e ocidente. Desse modo surge então a cartografia, técnica criada para representar graficamente a superfície terrestre por meio de mapas, cartas, plantas e globos. Funcionando como uma ferramenta essencial da geografia para traduzir informações espaciais complexas em produtos práticos e visuais, permitindo a localização, orientação e gestão do território.

Mesmo que não haja um consenso entre pesquisadores, é possível apontar fortes candidatos ao título. O principal deles é uma pequena tabuleta de argila datada de cerca de 2.500 a.C. e encontrada no território onde hoje fica o Iraque, na antiga região da Mesopotamia — o berço das primeiras civilizações humanas. Conhecida como Mapa de Ga-Sur, a peça foi encontrada nas ruínas da cidade suméria de Nuzi, próxima à moderna Kirkuk. Hoje, está preservada no Museu do Antigo Oriente, em Istambul, na Turquia.

O desenho por sí ja se mostra nos primeiros estagios da comunicação humana, é ainda na infancia que surgem as garatujas. Nesse momento a criança se expressa por meio de rabiscos sem um ordenamento dos mesmos. Um desenvolvimento gradativo vai sendo alcançado pela criança e aos poucos, ela vai organizando e controlando os traços que produz. Isso tudo se revela través da arte do desenho.
Garatuja criada por criança


Desse modo, é nítido compreender que na trajetoria da vida, o homem sempre desenhou. Expressou-se  através dos registros gráficos, provas e vivencias de sua existência. O desenho, por sua vez, é uma linguagem antiga que sempre foi permanente,  estando presente desde as primeira culturas da terra. O desenho atravessou as fronteiras espaciais e temporais, e, devido a sua simplicidade, acessibilidade e possibilidades de expressar ideias, a arte do desnho, expande-se além da estética, pois formula uma comunicção estabelecida entre as sociedades e maior que isso, liberta o artista para expressar sua força criativa e liberdade de opinião sobre o que deseja falar.