quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Video Arte - Tarsila do Amaral

Um breve retrospecto da arte de Társila do Amaral está numa video aula disponivel no meu canal no You Tube.

FABIO FERNANDES ARTE DOCENCIA.



ARTE PRÉ COLOMBIANA: A importancia da arte e cultura dos povos amerindios.

Quando estudamos historia da arte nos livros didaticos, o destaque sempre se encontra na arte ocidental e seus movimentos culturais no decorrer do tempo, porém, não devemos deixar de estudar a desenvoltura da arte no continente sulamericano como parte componente da história da arte mundial. Sabendo disso, temos que levar em conta a arte dos povos pré-colombianos, período da história das Américas e ao conjunto de povos indígenas que habitavam o continente antes da chegada de Cristóvão Colombo em 1492. Nesse perído, muitos avanços cientificos e culturais foram desenvolvidos como o calendario e o sistema de escrita, tambem foi o período de destaque das sociedades Incas, Maias e astecas.

Pra começo de conversa, os Maias, Incas e Astecas se consolidaram como as três  civilizações mais importantes do período historico.  Foram elas, as responsáveis por dar à arte pré-colombiana seus formatos característicos e o caráter influenciador até hoje presente em símbolos históricos distribuídos pelos museus e construções destes países. Esse formato cultural, se espalhou pela região mesoamericana (México, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, Panamá e Honduras), além do Peru, Equador, Bolívia, Chile, Argentina e Colômbia.

Podemos entender a arte pré-colombiana como o conjunto de manifestações artísticas produzidas pelos povos originários das Américas antes da chegada dos europeus. Ela é reforçada justamente  pelo forte simbolismo, pela ligação com a espiritualidade e uso de materiais naturais, além de se revelar por meio de sociedades complexas, com identidade cultural própria e domínio técnico altamente sofisticado.

Pedra do Sol, ou calendário asteca

A arte pré-colombiana asteca é conhecida pelas obras feitas em ilhas artificiais e por suas representações plásticas baseadas na iconografia, sempre com motivos relacionados à guerra, vinda daí a criação de esculturas macabras, como as estátuas de crânios humanos. Trabalhos manuais com pedras preciosas, tecidos coloridos, pinturas em muros e miniaturas também são exemplos de cultura asteca.

 A pintura asteca foi produzida em tecidos, peles de animais, papéis feitos de cascas de plantas (amate), nas paredes, em cerâmicas e pedras.
A arte asteca se caracteriza pelo uso das cores fortes e pela constante retratação de cenas e situações do cotidiano das pessoas, os artistas dessa civilização costumavam fazer as pinturas nas paredes de pirâmides, templos e nos túmulos. 

Pirâmide asteca do México. Pirâmide mesoamericana. 
Chichen Itza, Península de Yucatán. Pirâmide escalonada.

Além da pintura e escultura, o  povo Asteca também é conhecido por construir pirâmides e templos. Esses monumentos arquitetonicos encantam muitas pessoas até os dias atuais, pela sua complexidade e grandiosidade monumental.

Visão panorâmica de Machu Picchu, sítio arqueológico que conserva a maior parte da arquitetura inca.

Os povos incas têm sua arte pré-colombiana baseada em projetos arquitetônicos funcionais e cheios de simplicidade, com especial atenção aos poucos objetos decorativos; somente ouro e prata em portas, muros e adornos litúrgicos. As plantas de suas construções são em formato xadrez ou oval, sendo as obras feitas por meio do encaixe de pedras. Os trabalhos em cerâmica incas também levam linhas geométricas e muita cor.

As esculturas dos Incas são caracterizadas pelos vasos de cerâmicas decorados, além de estatuetas que trazem aspectos caracteristicos da civilização.

Os temas religiosos são o foco dos Incas e tendo um destaque nos mantos pintados com muitas cores e figuras geométricas. 

Nos edificios maias, os artistas locais fizeram relevos para decorar o ambiente. 
O luxo é uma das principais características dessa arquitetura. 

A arte maia por sua vez, é marcada pelas pinturas com cores fortes, uma vez que eles tinham um sistema de escrita, muitas pinturas têm texto explicativo. Essas pinturas retratam deuses, mitos, cenas agrícolas e figuras importantes. Em termos de arquitetura, destacam-se na construção de templos e pirâmides, pois ela apresenta um elevado grau de sofisticação, visto que a época em que foi produzida. 


Na escultura, podemos destacar vasos decorativos de cerâmica, ídolos e máscaras funerárias.

Podemos concluir que muito além de objetos decorativos, essas produções dos povos pré-colombianos tinham funções ritualisticas, simbólicas e sociais. A arte sempre estave diretamente ligada ao sagrado, à natureza e ao poder, sendo parte essencial da vida cotidiana dessas civilizações, contribuindo assim, para memória da riqueza cultural de nossos povos.


DISPONIVEL EM:

https://jornalismosp.espm.edu.br/movimentos-artisticos-arte-pre-colombiana/

https://www.todamateria.com.br/arte-asteca/


quarta-feira, 28 de outubro de 2026

ROCK PROGRESSIVO. A era dos sintetizadores.

A música é uma linguagem artistica ampla que permite inumeras formas de contemplação sonora, variando os estilos e os inumeros timbres disponiveis em suas infinitas notas musicais. Entre os mais variados segmentos musicais, destaco aqui O Rock progressivo, um amplo gênero de rock que se desenvolveu no Reino Unido e tambem nos Estados Unidos em meados da decada de 1960, vindo a consolodar-se no ápice da música no início da década de 1970.

Pink Floyd: sabidamente a mais popular banda do estilo, conhecida e venerada inclusive fora dos territórios progressivos. 

De inicio o segmento era conhecido como  "pop progressivo", o estilo era uma consequência de bandas psicodélicas, ou seja: Uma estética visual, musical e comportamental — popularizado na contracultura dos anos 1960 e 1970, que se destaca pelas cores vibrantes, formas fluidas, padrões geométricos complexos e distorções que imitam ou remetem à experiência alterada da mente. Esse segmento  contribuiu para abandonar as tradições pop padrão em favor de instrumentação e técnicas de composição mais frequentemente associadas ao jazz, folk, ou até mesmo a música classica. 

Elementos adicionais contribuíram para seu rótulo de "progressivo": as letras eram mais poéticas, a tecnologia era aproveitada para novos sons, como no caso da utilização dos sintetizadores, que  na década de 1970 transformaram a produção musical de forma ampla, passando de equipamentos gigantescos e experimentais de laboratório para instrumentos portáteis de palco e estúdio, um grande exemplo é o "Minimoog", Criado por Robert Moog em 1970, ele foi o sintetizador monofônico mais influente da história, tornando a síntese analógica portátil e acessível.  

Robert Moog é um dos nomes mais influentes da música eletrônica, mais conhecida por ser pioneira em sintetizadores analógicos que transformaram o som moderno.

É necessario afirmar que a música nos anos 70 se aproximava da condição de "arte" e o estúdio, mais do que o palco, a musica de fato tornou-se o foco da atividade musical , que muitas vezes envolvia cria-la para ouvir em vez de dançar. A contemplação auditiva ganhava uma maior evidencia em relação à simplesmente utiliza-la como um estimulo dançante.


No Brasil, ‘Casa de Rock’ foi o grande disco da banda Casa das Máquinas . Lançado em 1976, 'Casa de Rock', terceiro registro da Casa das Máquinas, é uma aula do autêntico rock n' roll psicodélico.

Mas o que de fato essa vertente musical vislumbrava, já que era musica assim como qualquer outra linguagem sonora? Para entender essa questão, devemos comsiderar que o estilo musical em destaque buscava uma fusão da música pop e do rock com outros gêneros de harmonia mais complexa. Na sua essência, o som progressivo extrapolava o formato canção em músicas com longuíssimos trechos instrumentais, muitas vezes compondo os chamados “álbuns conceituais", discos que contavam uma história ou possuíam alguma ligação temática entre suas faixas. Assim como a guitarra elétrica se tornou marca registrada do rock n' roll, o teclado se tornou parte inerente do estilo, alcançando ou até mesmo superando sua condição de principal instrumento.

Entre as principais bandas que aderiram ao Rock Progressivo e Psicodélico: Bandas como Pink Floyd, Emerson, Lake & Palmer e Genesis (Tony Banks) usavam Minimoog, ARP e Mellotron para criar texturas épicas. 

No Brasil temos alguns nomes como : 

O TERÇO: conhecido pelo clássico álbum Snegs (1974), que mistura progressivo, hard rock, folk e baião. 

Bacamarte: Banda carioca formada em 1974, famosa internacionalmente pelo álbum Depois do Fim (1983), comparado a grandes nomes do prog sinfônico mundial.

Casa das Máquinas: Consolidada no rock nacional, marcou a história do progressivo com o icônico disco Lar de Maravilhas (1975). 

TERRENO BALDIO, : Fortemente influenciada por bandas europeias como Gentle Giant, lançou um álbum homônimo clássico em 1975 com teclados marcantes e vocais elaborados.

Através do álbum As Crianças da Nova Floresta, o Recordando o Vale das Maçãs estabeleceu-se como um dos principais nomes da música na virada da década de 70 e para os 80, com canções que remetiam para as origens do rock progressivo, mas sem exagerar em técnica ou virtuosismo, apenas empregando letras sensacionais em arranjos belíssimos e encantandoramente trabalhados.

OS MUTANTES: Embora associados ao psicodelismo da Tropicália, álbuns como Tudo Feito pelo Sol (1974) trouxeram uma sonoridade tipicamente progressiva de altíssimo nível. 

Assim como essas bandas influenciaram uma geração na decada de 1970, o rock progressivo trouxe uma nova dinamica na contemplação da música como produto artistico que resignifica a forma de ouvir musica. E sem dúvidas, esse foi um movimento impar na musica no Brasil e no mundo. 



terça-feira, 27 de outubro de 2026

WAGNER DE OLIVEIRA: As mulheres e suas poéticas visuais.

Por: Fábio Fernandes.


A arte potiguar tem se mostrado relevante no cenario cultural brasileiro, e aos poucos se enxerta em espaços visiveis para uma maior contemplação. Sempre me pego falando da arte norte-rio-grandense, e acredito na contribuição dessa importante representação. O artista Wagner Di Oliveira é um forte expoente desse movimento, uma vez que seu trabalho, destaca uma linguagem bem peculiar no que transita em popular e erudito.

Mulheres na feira livre debulham o feijão verde.
O nobre artista plástico nasceu em Assu, no isolamento do seu quarto e teve o primeiro contato com o mundo das artes, recortando figuras de histórias em quadrinhos. Essa que era uma das suas paixões junto aos jogos de videogame. Wagner é um artista  autodidata, o que de fato ajuda a moldar sua personalidade artistica. Na infância identificava-se por desenhar cavalos em movimento. Wagner também teve a interferencia artistica do pai em sua formação, pois o senhor 
Wanderlson Inácio de Oliveira, apelidado Barrinha, era pintor e tambem um músico apaixonado pelo seu oficio. Isso tudo é um fator crucial para a desenvoltura artistica do pintor assuense.

Em 2017, Wagner expôs no museu do Louvre, em Paris. Em comemoração aos 22 anos de fundação, a Divine Academie Française des Arts Lettres et Culture convidou o artista potiguar para expor na Expo Carrousel Du Louvre. Wagner, que já foi indicado ao Troféu Cultura, também será laureado com medalha de condecoração e ocupará a cadeira de membro honorífico da Divine Academie.

Agora, peço licença a vocês leitores, para que eu venha expressar minha leitura acerca dos trabalhos de Wagner, destacando a temática "mulher" em algums de suas telas. Essa que sem dúvida, é sua especialidade.



Na tela em destaque, o artista centraliza a mulher como o ponto chave da obra, ela equilibra a tela oferecendo às crianças o alimento que energiza os corpos. Elementos da fauna local suregem em planos de fundo para enriquecer ainda mais a composição. O rosto da mulher sereno cria uma relação direta com as esculturas egipcias, pois a rigidez da face do personagem lembra muito os desenhos que seguiam a Lei da Frontalidade. Já os cabelos, me lembram vagamente as cobras que compõem a cabeça da Medusa da mitologia grega.

A figura feminina equilibra-se com oa felinos sobre o corpo volumoso. Vejo a convivencia afetiva felina para suprir uma possivel solidão.
As mulheres na feira livre propõem sem dúvida uma linha tenue entre a sensualidade feminina e o oficio comercial dos feirantes populares.
As frutuas se destacam poéticamente junto as mulheres que usam peças de roupas que flertam com a tropicalidade visual da cena.

Os corpos que dançam sugerindo o movimento, a alegria e comemoração profana em meio as curvas do ser feminino.
A feira livre sem dúvidas, é um lugar de vivencia e experimentação da obra do artista assuense. As ações cotidianas reverberam a sobrevivencia diaria em meio à corpos voluptusos.
Ao notar os elementos dessa imagem, me remeto diretamente à infancia, quando usavamos galões de aluminio para buscar água nos reservatorios. Não há como de desvincular da cultura cotidiana de sobrevivencia em meio às diversidades de uma era que finalizava uma geração do século XX.


Essa obra, complementa outros quadros do artista, com as atividades cotidianas presentes no interior nordestino dos anos 80 e 90. Lavadeiras com trouxas de roupas nas cabeças incitam a reflexão dessas mulheres de fibra.

Uma ação comum, sugere a manutenção da vaidade, a constante beleza feminina e uma peça de roupa que poetiza a obra e a cena representada.

A policromia e o movimento estão presentes nessa tela. Dois elementos comumente usados na fotografia integram a poética da cena.

A relação entre os corpos numa perspectiva que vai além da reprodução sexual, mostra a relação humana e afetiva numa abertura poética de reflexão e analise. Vejo um naturalismo da linha tenue entre a vegetação acima e a cama, que tende à atividade íntima que envolve contato físico, estimulação e troca de afetos ou prazer entre uma ou mais pessoas.
 A obra remete-se ao naturalismo, comumente estudado no renascimento cultural da idade moderna. Certamente ligada a lascivia, que representa o despudor, a volúpia e a busca desregrada por estímulos ou prazeres dos sentidos. Aplicando-se fervorosamente a atitudes, gestos ou olhares com forte apelo erótico. 


A música está presente nessa tela, sem dúvida uma citação objetiva ao pai do artista, músico que vivencia a musica nas vertentes do samba. Uma mescla de linguagens atisticas na mesma tela.


Por fim, a poesia do corpo feminino, a percepção do surgimento da Vênos no rio Açu. O corpo negro, poétizado e construido pelos raios do sol causticante da terra dos poetas. 

Isso é apenas um pouco da arte de Wagner De Oliveira, um artista que sem dúvidas, tem a originalidade na sua obra e a espontaneidade de um artista contemporâneo que não tem medo de ousar e inovar na sua identidade visual. Isso é o que torna sua obra unica e expressiva não somente em Assu-RN, mas em diversas partes do mundo.

 

FONTE

https://sinsprn.org.br/de-assu-para-o-mundo-conheca-a-obra-de-wagner-di-oliveira/

SERVULO ESMERALDO: Conhecendo um pouco do artista visual e suas obras cineticas

Estive viajando por Recife, e nessa ida, visitei uma exposição proximo ao marco zero, no Museu da Caixa Cultural. Lá me deparei com um artista cinetico que desconhecia. Estou a me referir de Servulo Esmeraldo, que contribuiu de forma significativa na arte visual do país.

Servulo era escultor, gravador, ilustrador e pintor. Sua arte transitava por diversos estilos artísticos, como o figurativo, o abstrato, o construtivista e o cinético. Em sua produção, destacam-se obras tridimensionais e interativas, compostas de linhas e formas geometricas.

Em 1955, Sérvulo passou a fazer cartazes e ilustrações para capas de revistas como São Paulo Magazine e Revista do Teatro Amador, além de ser também ilustrador no jornal Correio Paulistano. Nesse ano realizou também suas primeiras provas de gravura em metal sobre zinco. No ano seguinte, Sérvulo promoveu sua primeira exposição individual no Clube dos Artistas e Amigos das Artes com o título 39 Gravuras de Sérvulo Esmeraldo, e participou da XIV Trienal de Milão.

Sem título. Aço pintado escultura 80 x 50 x 50 cm 1986

Em 1957, o artista promoveu uma nova exposição individual de gravuras, dessa vez no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com o título 30 gravuras de Sérvulo Esmeraldo. No mesmo ano, mudou-se para a capital francesa em virtude de uma bolsa de estudos que ganhou do governo francês para estudar na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e passou a estudar gravura em metal com Johnny Friedlaender.

A escolha das obras expostas em SÉRVULO ESMERALDO: LINHA E LUZ levou em conta as etapas e as interligações dos trabalhos do múltiplo artista e evidencia a coerência e a concisão da sua vasta obra. “Essa evolução tem uma lógica simples e muito clara: a gravura em madeira (1957) é “matriz” para as esculturas em acrílico (anos 1970) e que, por sua vez, geraram as litografias (1976), e assim por diante, como se obedecesse a um projeto de sequências e consequências em um fluir sem hiatos”, declara Dodora Guimarães Esmeraldo.


Prismas, 1981-2015

Na década de 1960, deixou de se dedicar exclusivamente à gravura e passou a experimentar outras linguagens como o tridimensional e a arte cinética. Em 1962, produziu os primeiros trabalhos cinéticos, criando dois anos mais tarde os Excitáveis - objetos cinéticos feitos de acrílico, que reagem ao toque do espectador. No mesmo período, realizou as primeiras esculturas em aço escovado e na década de 1970 uma série de esculturas em plexiglas. Durante esse período participou de diversas exposições em Paris, Lyon e Montibéliard, França; Zurique e Genebra, Suíça; Nottingan, Inglaterra; Oregon, Estados Unidos da América. Durante o período em que esteve na Europa, Sérvulo Esmeraldo teve contato com outros artistas brasileiros que lá residiam como: Sergio Camargo, Lygia Clark, Rossini Perez e Arthur Luiz Piza. Em 1978, retornou ao Brasil e realizou diversos trabalhos de arte pública, como o Monumento ao saneamento básico de Fortaleza (1977/1978), na praia do Náutico, o painel na Assembléia Legislativa de Fortaleza, Monumento ao Jangadeiro (1992), em Fortaleza, entre outros. Ao longo desses anos participou de diversas exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, São Luís.
Ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, Sérvulo Esmeraldo participou de diversas exposições individuais no Brasil e na Europa. Em São Paulo com sua exposição retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2011; na Galeria Raquel Arnaud, em 2012, intitulada Simples como o triângulo e no Instituto de Arte Contemporânea – IAC, em 2014, intitulada O arquivo vivo de Sérvulo Esmeraldo. Em 2013 na Pinakotheke Cultural, na cidade do Rio de Janeiro; em 2016 na sua cidade natal intitulada A linha, a luz, o Crato e em 2017, ano de seu falecimento, na Beurret & Bailly Auktionen, na Basiléia, Suíça.
Sejam desenhos, esculturas ou gravuras, ao longo de toda a sua vida Sérvulo Esmeraldo deu continuidade ao seu trabalho, produzindo ao longo dos anos um vasto material artístico e arquivístivo. Parte desse material, principalmente o período em que residiu na Europa, encontra-se salvaguardado e disponível para pesquisa no Instituto de Arte Contemporânea, desde 2014.

Disponivel em:
https://www.iacbrasil-online.com/acervo-servulo-esmeraldo
https://carbonogaleria.com.br/products/sem-titulo-22?srsltid=AYCX9vL4CUIj454D4JGmgqrxq0IEnKCmzbdZENtQn-Srn35jDk3hiWRW
https://arteref.com/exposicoes-e-eventos/ccbb-rj-realiza-a-primeira-grande-retrospectiva-de-servulo-esmeraldo/

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Mestre NUCA e os Leões de Tracunhaém

 

Foto do leão por do Mestre Nuca no Terminal Marítimo de Passageiros de Pernambuco - Recife . Com mais de 6 m de altura e pesa aproximadamente 700 kg.
 Foto: @edesiolemoss

O artesanato pernambucando é sem dúvida um dos que mais se destacam no Brasil. Um dos maiores expoentes da ceramica de Pernambuco é o mestre Nuca de Tracunhaém ou Nuca dos Leões. A relação do mestre ceramista com o animal detaca-se devido ao seu signo, que era justamente Leão. Nuca, ou Manoel Borges da Silva, nasceu a 5 de agosto de 1937, no engenho Pedra Furada, Nazaré, Mata Norte pernambucana, e deixou um fortre legado que ainda é mantido pela sua familia.

Filho de agricultores, viveu a infância em um ambiente de ceramistas e desde os dez anos, modelou em barro elementos do cotidiano. Mudou-se para a cidade de Tracunhaém/PE e passou a conviver com diversos ceramistas em feiras e salões de arte popular, entre eles, Ana das Carrancas e alguns netos de Vitalino.

É em 1968, quando esculpe o primeiro leão, que se reconhece artista, consagra-se com o efeito visual da juba leonina.
O motivo da consagração veio da ideia de esculpir leões e floristas. A mulher, Maria Gomes da Silva, ou Maria de Nuca, teve a ideia de colocar os cabelos cacheados, também no leão.
A moda da juba encaracolada se difundiu tanto, que artesãos aderiram à onda, substituindo pena de galinha pelos cachos. Além desses, que consistem nuns rolinhos de barro aplicados um a um, há o leão de listra, o escamado e o de tranças.

Sobre a escolha da temática dos leões, cogita-se que pode estar vinculada à memória recente da estatuária de louça portuguesa decorativa dos sobrados ou, ainda, à memória ancestral daquele que é considerado o rei dos animais.
Entretanto, não podemos deixar de lembrar que o símbolo de Pernambuco é o leão, tampouco menosprezar a força do imaginário de ascendentes negros africanos presentes na Zona da Mata, nem esquecer que a antiga denominação de Carpina era Floresta dos Leões.

Se a família de Nuca era de agricultores, e não de louceiros, o mesmo aconteceu com a família de Maria, que também era da roça, não tinha ninguém no barro. Pode-se dizer que a obra de Nuca é quase obra de dois artistas, originalidade a quatro mãos. O leão e as bonecas foram criação dele e da mulher.

Nuca dos Leões criou os filhos com a arte saída das próprias mãos, festejou a alegria de viver fazendo sempre o que gosta e também ofereceu todas as condições necessárias ao aprendizado e exercício artístico dos filhos seguidores.

A obra do artista pode ser apreciada em antiquários, galerias de arte, e enfeitando praças do Recife, como a do 1º Jardim de Boa Viagem e a Tiradentes, no Cais do Apolo.

Em 27 de fevereiro de 2014, o ceramista morre no Recife.


DISPONIVEL EM:
https://portaldaartenordeste.com.br/mestre-nuca/?srsltid=AYCX9vLM2Kuv5wmzBRavrja3tQRaBFJ-NdEQ6WKm9lcsw857OA_T7WEW