O MARICAL
Arte em evidência!
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
VIDEO AULA : NEOCLASSICISMO - Prof. Esp. Fábio Fernandes.
PINA BAUSCH: A bailarina que revolucionou a dança contemporânea.
Quatro anos de sua vida, foi totalmente dedicado a aprender a dança e interpretá-la de seu jeito único. Pina Bausch também teve contato com artes gráficas, fotografia e ópera. Aos 19 anos, já formada, ganhou uma bolsa de estudos em Nova York e para lá se mudou em 1958. Dançou na Metropolitan Opera House e, naquele momento, deparou-se com uma pluralidade de linhas artísticas que nunca havido visto na Alemanha, iniciando assim um novo metodo de vivencias no segmento da dança.
Bausch teve contato com grandes coreógrafos da época, como Alfredo Corvino e Antony Tudor, e toda essa bagagem cultura a fez crescer espontaneamente como artista. Dali em diante, o nome de Pina virou sinônimo de originalidade. Chegou a retornar para Folkwang em 1962, e tornou-se solista de lá. Em 1973, ela já comandava o teatro municipal de Wuppertal, onde fez sua companhia crescer, com 33 anos.
Durante o tempo em que trabalhou como coreógrafa, passou por alguns julgamentos do público, pois os métodos que a alemã usava para demonstrar a dança eram vistos como estranhos demais – incluindo linguagem corporal, que era inovador naquele contexto. Mas isso nunca fez com que ela desistisse de reiterar seu pensamento e deixar sua marca nas apresentações que dirigia. A dança-teatro de Bausch entrelaça dança e palavras, que implicam uma constante incompletude, uma busca, uma transformação. Pina Bausch não acredita que o gesto ou a fala possam dizer tudo, uma vez que um completaria o outro, um buscaria no outro o apoio de que precisa. É justamente assim, que podemos compreender a arte desse grande nome da dança mundial.
Pina casou-se com o figurinista Rolf Borzik, com quem teve um filho. Morreu de maneira repentina em 30 de junho de 2009, vitima de um câncer que havia descoberto apenas cinco dias antes de vir ao óbito. Desse modo, o mundo da dança, aida reflete em sua memória, os ensinamento da grande mestre.
“Durante muito tempo, pensei que o papel do artista era despertar o público. Hoje, quero oferecer-lhe no palco aquilo que o mundo, cada vez mais duro, deixou de lhe oferecer: momentos de amor puro (Pina Bausch).
Dosponivel em:
https://claudia.abril.com.br/cultura/conheca-pina-bausch-a-bailarina-que-revolucionou-a-danca-contemporanea/
https://tendimag.com/2020/07/27/pausa-para-trabalhar/
https://teatrojornal.com.br/2015/06/a-danca-teatro-de-pina-bausch/
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
ESCOLINHA DE ARTE NO BRASIL: UM LEGADO DO ARTE-EDUCADOR AUGUSTO RODRIGUES.
No dia 8 de julho de 1948, o artista plástico pernambucano Augusto Rodrigues, que tambem era jornalista, educador, pintor, desenhista, gravador, ilustrador, caricaturista, fotógrafo e poeta; junto a um pequeno grupo de educadores, idealizou no Centro do Rio, um projeto importante para a educação e cultura brasileira. Desse encontro nascia a Escolinha de Arte do Brasil, com algumas crianças dispostas a participar da experiência de desenhar, pintar e desenvover ações artisticas na mais completa liberdade de expressão. Isso torna Augusto, um dos pioneiros na criação das escolinhas de arte no país.
Aos poucos, essa experiência crescia e começava a se projetar no cenário da sociedade carioca, despertando o interesse de alguns artistas renomados como Osvaldo Goeldi, Fayga Ostrower ou Abelardo Zaluar, poetas como Carlos Drummond de Andrade e Ferreira Gullar, educadores do porte de Helena Antipoff e Anísio Teixeira entre outros prestigiados educadores e intelectuais que vieram participar de suas atividades, de seus cursos que proporcionavam inumeras conversas com troca de ideias, informações, afim de comungar o proposito da escolinha.
Com grande sensibilidade à expressão artistica do povo, Augusto Rodrigues abriu o espaço para exposições do mestre Vitalino de Caruaru, com seus bonecos de barro, e do pintor Heitor dos Prazeres.
Com o apoio institucional do Ministério da Educação, por iniciativa de Anísio Teixeira, diretor do Inep, a Escolinha começou a receber professores da rede pública dos estados para cursos de aperfeiçoamento e recreação, o que alertou Augusto para a necessidade de buscar uma educadora com formação pedagógica universitária para coordenar esses cursos. Para tanto, a professora Noêmia Varela, com essa formação, veio do Recife para realizar esse fecundo trabalho, daí surgindo o Curso Intensivo de Arte na Educação (Ciae), reunindo professores do nível de Darcy Ribeiro, para a Antropologia; Nise da Silveira e Pedro Ferreira, para a Psicologia Analítica; Cecília Conde, para a Música; Maria Helena Novaes Mia, para a Pedagogia; Monique Augras, para a Psicologia Educacional; Ilo Krugli e Pedro Domingues, para o Teatro; Isabel Maria de Carvalho Vieira, para a Literatura Infantil; Sérgio Campos Melo, para as Artes Plásticas; e Orlando da Silva, Marília Rodrigues e José Altino, para a Gravura em metal e Xilogravura. Ou seja: estruturava-se aí uma gama de intelectuais gabaritados no processo da arte educação no Brasil de forma sólida.
O cartunista Ziraldo tambem contribuiu para a escolinha, tanto que ele criou a logomarca do jornal do projeto e propôs diretrizes para a feição gráfica, saindo o primeiro número em setembro de 1970.
Ao longo desses 70 anos, não faltaram dificuldades de toda ordem. Em 1993, Augusto Rodrigues partiu para outra dimensão existencial. Coube a Orlando Miranda, profissional ligado ao teatro, assumir a presidência da Escolinha, ficando a direção técnica com a professora Rosza Vel Zoladz do quadro da Pós-Graduação em Antropologia da Arte da Escola de Belas Artes da UFRJ, que deu continuidade aos cursos para crianças e para adultos, contando com o apoio da arte-educadora Helena Trigo em sua realização.
Houve uma fase de estio após a saída de Rosza, mas a chama da Escolinha não se apagou graças a uma parceria institucional, em desenvolvimento, entre a Escolinha de Arte do Brasil e o Instituto Arte na Escola. A revitalização foi marcada pela célebre noite do dia 16 de agosto de 2017, na Escolinha de Arte do Brasil, com exposição, palestra e arrebatadora performance do Grupo Cultural Jongo da Serrinha, uma tentativa de renovar no presente o olhar precursor de Augusto Rodrigues para Heitor dos Prazeres e Vitalino.
Fonte:
https://www.jb.com.br/artigo/noticias/2018/07/08/os-70-anos-da-escolinha-de-arte-do-brasil.html
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/713-augusto-rodrigues
https://www.arrematearte.com.br/artistas/augusto-rodrigues-1913
https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2020/04/trajetoria-de-augusto-rodrigues-ganha-colecao-de-quatro-volumes-da-cep.html
terça-feira, 13 de outubro de 2026
CONGOS DE COMBATE– Siaba mais sobre o Ponto de Cultura e da memória potiguar
No Rio Grande do Norte, assim como em todo o nordeste brasileiro, há uma gama de manifestações folclóricas com muito significado para a composição da identidade cultural da região. Tanto que um dos maiores folcloristas do Brasil é o potiguar Camara Cascudo. Dentre varios coletivos culturais da cena artistica popular, um dos grupos de forte renome no estado é o Ponto de Cultura e Memória Congos de Combate, que há decadas vem desempenhando um papel fundamental na promoção de atividades relacionadas à memória, patrimônio e museologia social no município de São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal, mais especificamente na Comunidade de Santo Antônio do Potengi.
Em São Gonçalo, o grupo folclórico de Santo Antônio do Potengi "Congos de Combate" é remanescente dos antigos Congos de Saiote, que também pertencia ao município norte rio grandense. A relevância do coletivo folclorico se torna grandiosa, uma vez que o grupo atua na preservação e valorização da prática ancestral do folguedo Congo; uma manifestação cultural de origem africana que carrega profundas raízes históricas e sociais. Manifestação esta, que fora incorporada na nação brasileira desde o princípio da colonização. Ela em sua organização dramaturgica constitui-se em um bailado dramático com canto e música, que conta a história da Rainha Ginga e da batalha do Rei Henrique Cariongo, rei do Congo, para libertação dos escravos naquele país.
O Coletivo "Congos de Combate", responsável pela manutenção dessa tradição, realiza pesquisas, registros e ações de preservação que contribuem diretamente para a conservação e perpetuação dessa prática cultural única, garantindo que as futuras gerações possam conhecer e valorizar suas heranças culturais.
O Auto dramático, por sua vez mostra por meio de mitos, danças, ritmos e oralidades, a beleza da cultura popular e suas influências na formação do povo brasileiro. Este entrecho dramático é precedido das mais variadas cantigas: dobrados guerreiros, benditos de igreja, louvações aos santos padroeiros locais: São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora Aparecida, São Gonçalo do Amarante e, ainda, de outras canções das mais diversas procedências, algumas denotando visível influência africana, pela presença de vocábulos de origem negra.
Desse modo, entender a importancia de grupos como o "Ponto de Cultura Congos de Combate", éconstante compreender de forma direta, a atuação no que se refere a preservação e fomento da práticas culturais e históricas que fazem parte da formação da identidade do povo brasileiro, pois, enfatiza-se uma maior valorização da diversidade étnica e na luta contra o esquecimento de tradições essenciais para nossa memória individual e coletiva. Além de manter viva, a memória e solidez da cultura potiguar.
Fontes:
https://pontosdeculturapotiguar.org.br/pontos-de-cultura/congos-de-combate/
https://tribunadonorte.com.br/viver/registro-da-resistencia/#google_vignette
http://www.farofacritica.com.br/revista/conteudo/589/congos-de-combate-na-qualidade-de-vida-dos-jovens-brincantes-de-sao-goncalo-do-amarante
LIBERDADE LIBERDADE: Uma peça teatral que enfrentou o regime militar e o golpe de 1964.
Com sua estreia em 21 de abril de 1965 no Rio de Janeiro, a historica e emblematica peça do teatro brasileiro, que tinha o forte teor de protesto e resistencia ao regime ditatorial. O texto de Millor Fernandes e Flavio rangel, se tornou um marco dramaturgico para quem estuda a historia do teatro no Brasil.
A peça que estreou em 1965, depois de muitos problemas com a censura, concebia em sua dramaturgia, uma colagem de textos e canções sobre o tema “liberdade”, havia alí uma clara alusão ao autoritarismo que se instalara no Brasil depois do golpe de 1964. Este famoso golpe de Estado, se configurou numa ruptura político-militar no Brasil que depôs o presidente democraticamente eleito João Goulart entre 31 de março e 1 de abril de 1964. Na ocasião, esse evento encerrou a Quarta República e deu início a uma ditadura militar que durou 21 anos, até 1985. Isso então ameaçou a democracia, colocando o país sob o medo e crivo dos militares. Sem contar que dentres suas consequências, o regime suspendeu direitos constitucionais, impôs a censura, cassou mandatos políticos, cerceou sindicatos e praticou perseguições, prisões, torturas e assassinatos de opositores.
Liberdade, Liberdade tinha em seu elenco, nomes como Paulo Autran, Teresa Rachel e Claudio Mamberti. Os autores da peça, no entanto procuraram dar conta de diversos contextos de falta de liberdade, elencando autores que viveram na antiguidade, no contexto das revoluções liberais e no século XX, sob diversos regimes políticos.
Mas afinal, o que é a liberdade?
Por Millôr Fernandes
Apesar de tudo o que já se disse e de tudo o que dissemos sobre a liberdade, muitos dos senhores ainda estão naturalmente convencidos que a liberdade não existe, que é uma figura mitológica criada pela pura imaginação do homem. Mas eu lhes garanto que a liberdade existe. Não só existe, como é feita de concreto e cobre e tem cem metros de altura. A liberdade foi doada aos americanos pelos franceses em 1866 porque naquela época os franceses estavam cheios de liberdades e os americanos não tinham nenhuma. Recebendo a liberdade dos franceses, os americanos a colocaram na ilha de Liberty Island, na entrada do porto de Nova York. Esta é a verdade indiscutível. Até agora a liberdade não penetrou no território americano. Quando Bernard Shaw esteve nos Estados Unidos foi convidado a visitar a liberdade, mas recusou-se afirmando que seu gosto pela ironia não ia tão longe. Aquelas coisas pontudas colocadas na cabeça da liberdade ninguém sabe o que sejam. Parecem previsão de defesa antiaérea. Coroa de louros certamente não é. Antigamente era costume coroar-se heróis e deuses com coroas de louros. Mas quando a liberdade foi doada aos Estados Unidos, nós os brasileiros já tínhamos desmoralizado o louro, usando-o para dar gosto no feijão.
A confecção da monumental efígie custou à França trezentos mil dólares. Quando a liberdade chegou aos Estados Unidos, foi-lhe feito um pedestal que, sendo americano, custou muito mais do que o principal: quatrocentos e cinqüenta mil dólares. Assim, a liberdade põe em cheque a afirmativa de alguns amigos nossos, que dizem de boca cheia e frase importada, que o “Preço da Liberdade é a Eterna Vigilância”. Não é. Como acabamos de demonstrar, o preço da liberdade é de setecentos e cinqüenta mil dólares. Isso há quase um século atrás. Porque atualmente o Fundo Monetário Internacional calcula o preço da nossa liberdade em três portos e dezessete jazidas de minerais estratégicos.
Liberdade, liberdade. Millôr Fernandes e Flávio Rangel, LP&M, 1997.
O HOMEM VITRUVIANO: O desenho de Leonardo da Vinci que idealizava um corpo matemáticamente sólido.
Sabemos que o Desenho é uma forma de expressar ideias e esboçar projetos. A linguagem visual transmite ideias, sentimentos e informações de forma rápida e direta., utilizando em sua composição, elemento como: linha, ponto, forma, proporção, luz e sombra. Na história, muitos desenhos se consolidaram como um marco revolucionário, é o caso de "O Homem Vitruviano", criado pelo genial artista da renascença Leonardo da Vince, que tinha um jogo de regras matematicas por trás de sua concepção.
Desenhado por Leonardo da Vinci, produzido em 1490, durante o contexto do Renascimento cultural e científico, a obra mundialmente renomada e conhecida como Homem Vitruviano ou Homem de Vitrúvio, representa o ideal clássico de beleza, equilíbrio, harmonia das formas e perfeição das proporções. Atualmente, a obra além de ser uma das mais famosas, tambem se detaca por ser uma das mais reproduzidas no mundo.
É importante analisar tambem Os Centros Geométricos da obra, uma vez que Leonardo resolve um enigma geométrico da antiguidadede forma brilhante. O umbigo funciona como o centro imóvel do círculo, enquanto a região pélvica/genitália marca o centro exato do quadrado. Assim como na escultura clássica, perpetuada na Grécia antiga, o desenho de Da Vinci faz uso do "Cânone das Proporções", alinha perfeitamente aos princípios da Proporção àurea, justamente por detalhar matematicamente o corpo humano ideal: A cabeça, por exemplo, corresponde exatamente a um oitavo (1/8) da altura total, fazendo diretamente a referencia de corpo proporcionalmente ideal. Para Vitruvio, essas proporções encontravam-se no corpo humano e isso era, provavelmente o que Da Vinci explorava ao desenhar o homem vitruviano.
Para o gênio renascentista, no qual era fascinado pela anatomia humana, as proporções harmonicas iam além do corpo e tambem da arquitetura. Certa vez esreveu o mestre: "A proporção não se encontra em numeros e medidas, mas tambem nos sons, nas paisagens, nos tempos e nos lugares". Ou seja: Da Vinci mostra que sua genialidade não está a toa perdurando séculos, ele não buscou idealizar a perfeição apenas, eles propôs matematicamente a pensar a vida como um fenomeno além do conhecimento técnico e cientifico. Ele revolucionou todo um pensamento filosófico de uma era.
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
CONTATO IMPROVISAÇÃO: Uma linguagem que faz a Dança explorar possibilidades do corpo e os princípios físicos da cena.
A arte pós moderna entra em cena como uma misto
de possibilidades criativas, no campo das artes cênicas, o teatro e a dança
buscam uma conexão entre suas ações e propostas expressivas. Uma delas se
baseia nos pilares do Contato Improvisação. Esse modus operante se constitui numa forma de dança
desenvolvida em 1972 em Nova Iorque por um grupo de pessoas pesquisadores artísticos.
Essa linguagem artística da dança consiste na exploração de movimentos
corporais improvisados através de princípios como o toque, relação com a
gravidade, queda, a troca de peso e consciência corporal.
Segundo as informações disponíveis nas mais
variadas páginas digitais, a primeira performance de Contato Improvisação foi
feita em Junho de 1972 na John Weber Gallery (Nova Iorque) a partir de uma
residência artística financiada por uma bolsa recebida por Steve Paxton,
que havia convidado cerca de 15 estudantes e colegas para essa pesquisa coletiva.
Pra ser mais preciso o Contato Improvisação é um diálogo corporal de duas ou mais pessoas por meio do
vocabulário sensorial composto de toque, peso e pressão. O que rege essa
pratica é justamente a aceitação do outro e de si na construção de uma dança
única no presente. Os movimentos que surgem da técnica lidam com a inércia, o
momento, o desequilíbrio e o inesperado, podendo ir de um alto nível aeróbico à
uma quietude física.
A surgimento da prática teve inúmeras
influências de diversas pessoas e das pesquisas da década de 60. Especialmente
influentes foi o pensamento oriental em geral, artes marciais (capoeira, judô,
aikidô), terapias "somáticas" do séc. 20 e "movimentos
naturais", dança livre de pés descalços; e práticas utilizando centros de
gravidade, rolamentos, quedas e demais mecanismos de sustentação do corpo
humano que exploravam mobilidade, relaxamento, movimento autêntico, não-intencionalidade,
improvisação entre outros.
Desse modo, é notório perceber
que, os princípios que guiam as práticas
do contato e improvisação são a consciência corporal, expressão livre do
movimento, técnicas de relaxamento, fluxo de energia e os princípios da física
que reverberam nos corpos dos bailarino-atores. Assim concluímos que esse
estilo de dança não se baseia necessariamente numa narrativa
pré-determinada, uma vez que os corpos respondem em tempo real a impulsos,
desequilíbrios, quedas e rolagens, dando assim maiores possibilidades de uma
arte espontânea.
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
O REALISMO DE GUSTAVE COURBET
Ao estudarmos o Realismo na trajetoria das artes plasticas, não tem como passar despercebido pela contribuição grandiosa de Gustave Courbet. Artista que constantemente viveu desafiando críticas severas na França, pois era modelo indiscutível de uma nova geração de pintores. Mas quem foi esse artista que revolucionou todo um estilo de retratar a realidade em telas de pintura? Qual a significancia de Courbet para a historia da arte ocidental? Podemos começar pelo fato de saber quem é esse ícone da arte.
Gustave Courbet, foi um pintor francês e era líder do movimento realista. Aos 14 anos de idade, o jovem iniciou suas aulas de pintura, foi aí que o mesmo demontsrou um certo talento para o oficio. Por um bom tempo frequentou o Collège Royal e a faculdade de belas artes de Besançon, dirigindo-se no ano de 1841 à Paris, no intuito de estudar direito.
Com pouco tempo, Courbet desistiu da carreira de advocacia, passando a se dedicar completamente à pintura. Conta-se que ele evitava visitar estúdios de pintores acadêmicos, pois preferia passar mais tempo no Louvre, estudando trabalhos ja conceituados, aprendendo cada vez mais da arte da pintura, ao copiar telas de Caravaggio, Velazquez e Rubens.
Ao viajar para à Holanda, Courbet teve contato com as obras de Rembrandt e Hals, isso ajudou a convernce-lo de que o "pintor deveria retratar apenas a vida ao seu redor". Com esse proposito, daria-se inicio a um novo meio de ver a arte como mecanismo de revelar a realidade. Courbet admirava Gericault e Delacroix, dois mestres do romantismo e seus contemporâneos.
Gustave Courbet é geralmente considerado o pai do Realismo Europeu. Ele próprio utilizou o termo "Realismo" para definir seus objetivos e defender uma causa realista. Quando suas pinturas foram rejeitadas para uma exposição internacional em Paris, em 1855, ele criou seu próprio espaço expositivo em frente ao pavilhão oficial, chamando-o de "Pavilhão do Realismo". Seu credo pode ser resumido em sua declaração: “Mostre-me um anjo e eu o pintarei”; ou seja, os realistas são específicos apenas no visíveis, no reais.
Tipicamente, ele pintava paisagens e cenas de gênero retratando a classe trabalhadora. Como explica Gardner, "Pessoas comuns, do tipo que Courbet nos mostra em sua obra, eram consideradas pelo público restrito para a representação artística e eram associadas, na mente da classe média, à perigosidade e classe trabalhadora recém-definida, que encontravam defensores eloquentes em homens como Marx, Engels, Proudhon, Balzac, Flaubert, Zola e Dickens". Esse realismo era radical; Essa reflexão da idealização foi perturbadora, levando os críticos a afirmar que ele pintava "feiura deliberada". Sobretudo, uma realidade que transpassava a poética e utópica visão romantica do mundo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
O FILME CENTENARIO "O GAROTO" MOSTRA A VERDADEIRA ESSENCIA DE Charles Chaplin.
Com pouco mais de cem anos, "O Garoto", primeiro longa-metragem de Charles Chaplin, deixa claro que no cinema desse diretor o que vem primeiro é o personagem –Carlitos. O tipo mais marcante da história do cinema, com seu corpo coberto de paradoxos. Já nos trajes convivem o gentleman e o vagabundo, o nobre e o pária, reverberando em seu comportamento como se ali se concentrassem os equívocos todos da humanidade.
A tais e tantos equívocos Carlitos responde com um altivo –e não raro sarcástico– espírito de resistência e algum sentimentalismo. Permanece indiferente ao juízo da sociedade. É vagabundo e orgulhoso.
O certo é que tudo está em seu corpo, o que explica por que Chaplin passou momentos de tanta angústia quando começou a primeira exibição pública de "O Garoto". Eram as cenas iniciais. Solenes, como ele mesmo definiu. Frouxas, digo eu.
Uma jovem mãe, sem dinheiro ou opções, deixa o seu bebê no interior de um automóvel. O carro é roubado por um par de malfeitores. Ao se depararem com a criança que chora no banco de trás, a tiram de lá e a põem ao lado de uma lata de lixo.
Toda essa parte expositiva sugeria um melodrama -o gênero era ainda mais central no cinema há cem anos do que é hoje. E onde estava Carlitos nisso tudo? Estava nos bastidores, suando frio, esperando pela reação da plateia. Logo, porém, ele surge. E basta o seu andar para suscitar os primeiros risos.
Carlitos apanha o bebê e o leva à sua pobre casa. Não sabe o que fazer com uma criança que chora. Improvisa, transforma um bule em mamadeira. Corta o assento de uma cadeira, fazendo um círculo onde possa sentar a criança para que ela faça suas necessidades.
A plateia veio abaixo. Ali estava Carlitos. Estaria ao longo do filme. Desafiando a lei e a ordem com altivez para guardar o menino das garras do poder "bem-intencionado", sempre disposto a fechar a criança num orfanato ou pior.
Até esse momento, o espectador já está ao par das outras virtudes de Carlitos –o corpo tão ágil quanto o espírito, a combatividade, mas também certa alegria de existir, mesmo quando o mundo inteiro é adverso a ele.
Do começo ao fim, Chaplin se manterá fiel ao seu personagem. É sempre ele o centro das atenções da câmera, é em função dele que tudo mais existe e se move. O que é certo, porque o humor vem todo dele. É o inverso de um Buster Keaton, que dava vida a todos os elementos ao seu redor e só então inseria o seu tipo –ele existia então em função do mundo ao redor. Chaplin faz o mundo existir em função dele.
Ou quase todo o mundo, porque agora estamos em um longa e, afinal, existe uma mãe na história. Ela ressurgirá, claro, agora transformada em grande -e rica- estrela do teatro.
Entramos na segunda parte da história, onde Chaplin mistura habilmente o melodrama (é sempre no final que devemos nos comover, não no começo –lei do gênero), sem evitar o que hoje podemos ver como seu ponto fraco, o sentimentalismo à comédia.
E entramos também na história pessoal de Chaplin, cujo filho do casamento com Mildred Harris morreu três dias após o nascimento, segundo alguns. O comediante sentia o casamento como equívoco que deu lugar a um uma crise criativa sem precedentes na sua vida.
Um dia, para desanuviar, foi a um espetáculo de "music hall" em que topou com um menino de quatro anos que o encantou pelo talento e beleza. Era Jackie Coogan, que quase de imediato inspirou nele a ideia central do filme, a da criança que o vagabundo adota relutantemente no início, mas que amará com intensidade a seguir.
Jackie Coogan tinha a vantagem adicional de ser filho do ator Jack Coogan, amigo de Chaplin que esteve livre na maior parte do tempo das filmagens, podendo dessa maneira assessorar o filho nos momentos em que ele empacava (nas cenas mais simples, segundo o diretor). De passagem, Coogan, o pai, fez uma ponta como o batedor de carteira, na cena em que Carlitos e o menino dormem em um albergue.
Talvez não se deva esquecer também da mãe, Edna Purviance. Parceira de Chaplin em mais de 30 filmes, o caso amoroso entre eles havia terminado há anos. De certa forma, Mildred Harris entrou na história para curar as dores de amor do cineasta. Mas Purviance e Chaplin continuaram parceiros na tela por um bom tempo.
Momento especial para Chaplin, o lançamento de "O Garoto", em 16 de janeiro de 1921. Para chegar ali suou bastante. Foram nove meses de filmagem e uma montanha de negativo gasto, na proporção de 53 rolos usados para cada um usado na montagem. No meio, o divórcio.
Já então ungido como o único gênio a praticar essa arte ínfima, o cinema, Chaplin comprovou no longa a genialidade que já tinha demonstrado nos filmes de um ou dois rolos. Talvez hoje ninguém mais acredite, como no passado, que Charlie Chaplin era o único gênio de uma arte ínfima, o cinema. Mas de seu gênio ninguém, até hoje, pode duvidar.
Texto original disponivel em:
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/centenario-o-garoto-prova-que-carlitos-e-estrela-de-chaplin-1.3033703


































