quarta-feira, 28 de outubro de 2026

ROCK PROGRESSIVO. A era dos sintetizadores.

A música é uma linguagem artistica ampla que permite inumeras formas de contemplação sonora, variando os estilos e os inumeros timbres disponiveis em suas infinitas notas musicais. Entre os mais variados segmentos musicais, destaco aqui O Rock progressivo, um amplo gênero de rock que se desenvolveu no Reino Unido e tambem nos Estados Unidos em meados da decada de 1960, vindo a consolodar-se no ápice da música no início da década de 1970.

Pink Floyd: sabidamente a mais popular banda do estilo, conhecida e venerada inclusive fora dos territórios progressivos. 

De inicio o segmento era conhecido como  "pop progressivo", o estilo era uma consequência de bandas psicodélicas, ou seja: Uma estética visual, musical e comportamental — popularizado na contracultura dos anos 1960 e 1970, que se destaca pelas cores vibrantes, formas fluidas, padrões geométricos complexos e distorções que imitam ou remetem à experiência alterada da mente. Esse segmento  contribuiu para abandonar as tradições pop padrão em favor de instrumentação e técnicas de composição mais frequentemente associadas ao jazz, folk, ou até mesmo a música classica. 

Elementos adicionais contribuíram para seu rótulo de "progressivo": as letras eram mais poéticas, a tecnologia era aproveitada para novos sons, como no caso da utilização dos sintetizadores, que  na década de 1970 transformaram a produção musical de forma ampla, passando de equipamentos gigantescos e experimentais de laboratório para instrumentos portáteis de palco e estúdio, um grande exemplo é o "Minimoog", Criado por Robert Moog em 1970, ele foi o sintetizador monofônico mais influente da história, tornando a síntese analógica portátil e acessível.  

Robert Moog é um dos nomes mais influentes da música eletrônica, mais conhecida por ser pioneira em sintetizadores analógicos que transformaram o som moderno.

É necessario afirmar que a música nos anos 70 se aproximava da condição de "arte" e o estúdio, mais do que o palco, a musica de fato tornou-se o foco da atividade musical , que muitas vezes envolvia cria-la para ouvir em vez de dançar. A contemplação auditiva ganhava uma maior evidencia em relação à simplesmente utiliza-la como um estimulo dançante.


No Brasil, ‘Casa de Rock’ foi o grande disco da banda Casa das Máquinas . Lançado em 1976, 'Casa de Rock', terceiro registro da Casa das Máquinas, é uma aula do autêntico rock n' roll psicodélico.

Mas o que de fato essa vertente musical vislumbrava, já que era musica assim como qualquer outra linguagem sonora? Para entender essa questão, devemos comsiderar que o estilo musical em destaque buscava uma fusão da música pop e do rock com outros gêneros de harmonia mais complexa. Na sua essência, o som progressivo extrapolava o formato canção em músicas com longuíssimos trechos instrumentais, muitas vezes compondo os chamados “álbuns conceituais", discos que contavam uma história ou possuíam alguma ligação temática entre suas faixas. Assim como a guitarra elétrica se tornou marca registrada do rock n' roll, o teclado se tornou parte inerente do estilo, alcançando ou até mesmo superando sua condição de principal instrumento.

Entre as principais bandas que aderiram ao Rock Progressivo e Psicodélico: Bandas como Pink Floyd, Emerson, Lake & Palmer e Genesis (Tony Banks) usavam Minimoog, ARP e Mellotron para criar texturas épicas. 

No Brasil temos alguns nomes como : 

O TERÇO: conhecido pelo clássico álbum Snegs (1974), que mistura progressivo, hard rock, folk e baião. 

Bacamarte: Banda carioca formada em 1974, famosa internacionalmente pelo álbum Depois do Fim (1983), comparado a grandes nomes do prog sinfônico mundial.

Casa das Máquinas: Consolidada no rock nacional, marcou a história do progressivo com o icônico disco Lar de Maravilhas (1975). 

TERRENO BALDIO, : Fortemente influenciada por bandas europeias como Gentle Giant, lançou um álbum homônimo clássico em 1975 com teclados marcantes e vocais elaborados.

Através do álbum As Crianças da Nova Floresta, o Recordando o Vale das Maçãs estabeleceu-se como um dos principais nomes da música na virada da década de 70 e para os 80, com canções que remetiam para as origens do rock progressivo, mas sem exagerar em técnica ou virtuosismo, apenas empregando letras sensacionais em arranjos belíssimos e encantandoramente trabalhados.

OS MUTANTES: Embora associados ao psicodelismo da Tropicália, álbuns como Tudo Feito pelo Sol (1974) trouxeram uma sonoridade tipicamente progressiva de altíssimo nível. 

Assim como essas bandas influenciaram uma geração na decada de 1970, o rock progressivo trouxe uma nova dinamica na contemplação da música como produto artistico que resignifica a forma de ouvir musica. E sem dúvidas, esse foi um movimento impar na musica no Brasil e no mundo. 



terça-feira, 27 de outubro de 2026

WAGNER DE OLIVEIRA: As mulheres e suas poéticas visuais.

Por: Fábio Fernandes.


A arte potiguar tem se mostrado relevante no cenario cultural brasileiro, e aos poucos se enxerta em espaços visiveis para uma maior contemplação. Sempre me pego falando da arte norte-rio-grandense, e acredito na contribuição dessa importante representação. O artista Wagner Di Oliveira é um forte expoente desse movimento, uma vez que seu trabalho, destaca uma linguagem bem peculiar no que transita em popular e erudito.

Mulheres na feira livre debulham o feijão verde.
O nobre artista plástico nasceu em Assu, no isolamento do seu quarto e teve o primeiro contato com o mundo das artes, recortando figuras de histórias em quadrinhos. Essa que era uma das suas paixões junto aos jogos de videogame. Wagner é um artista  autodidata, o que de fato ajuda a moldar sua personalidade artistica. Na infância identificava-se por desenhar cavalos em movimento. Wagner também teve a interferencia artistica do pai em sua formação, pois o senhor 
Wanderlson Inácio de Oliveira, apelidado Barrinha, era pintor e tambem um músico apaixonado pelo seu oficio. Isso tudo é um fator crucial para a desenvoltura artistica do pintor assuense.

Em 2017, Wagner expôs no museu do Louvre, em Paris. Em comemoração aos 22 anos de fundação, a Divine Academie Française des Arts Lettres et Culture convidou o artista potiguar para expor na Expo Carrousel Du Louvre. Wagner, que já foi indicado ao Troféu Cultura, também será laureado com medalha de condecoração e ocupará a cadeira de membro honorífico da Divine Academie.

Agora, peço licença a vocês leitores, para que eu venha expressar minha leitura acerca dos trabalhos de Wagner, destacando a temática "mulher" em algums de suas telas. Essa que sem dúvida, é sua especialidade.



Na tela em destaque, o artista centraliza a mulher como o ponto chave da obra, ela equilibra a tela oferecendo às crianças o alimento que energiza os corpos. Elementos da fauna local suregem em planos de fundo para enriquecer ainda mais a composição. O rosto da mulher sereno cria uma relação direta com as esculturas egipcias, pois a rigidez da face do personagem lembra muito os desenhos que seguiam a Lei da Frontalidade. Já os cabelos, me lembram vagamente as cobras que compõem a cabeça da Medusa da mitologia grega.

A figura feminina equilibra-se com oa felinos sobre o corpo volumoso. Vejo a convivencia afetiva felina para suprir uma possivel solidão.
As mulheres na feira livre propõem sem dúvida uma linha tenue entre a sensualidade feminina e o oficio comercial dos feirantes populares.
As frutuas se destacam poéticamente junto as mulheres que usam peças de roupas que flertam com a tropicalidade visual da cena.

Os corpos que dançam sugerindo o movimento, a alegria e comemoração profana em meio as curvas do ser feminino.
A feira livre sem dúvidas, é um lugar de vivencia e experimentação da obra do artista assuense. As ações cotidianas reverberam a sobrevivencia diaria em meio à corpos voluptusos.
Ao notar os elementos dessa imagem, me remeto diretamente à infancia, quando usavamos galões de aluminio para buscar água nos reservatorios. Não há como de desvincular da cultura cotidiana de sobrevivencia em meio às diversidades de uma era que finalizava uma geração do século XX.


Essa obra, complementa outros quadros do artista, com as atividades cotidianas presentes no interior nordestino dos anos 80 e 90. Lavadeiras com trouxas de roupas nas cabeças incitam a reflexão dessas mulheres de fibra.

Uma ação comum, sugere a manutenção da vaidade, a constante beleza feminina e uma peça de roupa que poetiza a obra e a cena representada.

A policromia e o movimento estão presentes nessa tela. Dois elementos comumente usados na fotografia integram a poética da cena.

A relação entre os corpos numa perspectiva que vai além da reprodução sexual, mostra a relação humana e afetiva numa abertura poética de reflexão e analise. Vejo um naturalismo da linha tenue entre a vegetação acima e a cama, que tende à atividade íntima que envolve contato físico, estimulação e troca de afetos ou prazer entre uma ou mais pessoas.
 A obra remete-se ao naturalismo, comumente estudado no renascimento cultural da idade moderna. Certamente ligada a lascivia, que representa o despudor, a volúpia e a busca desregrada por estímulos ou prazeres dos sentidos. Aplicando-se fervorosamente a atitudes, gestos ou olhares com forte apelo erótico. 


A música está presente nessa tela, sem dúvida uma citação objetiva ao pai do artista, músico que vivencia a musica nas vertentes do samba. Uma mescla de linguagens atisticas na mesma tela.


Por fim, a poesia do corpo feminino, a percepção do surgimento da Vênos no rio Açu. O corpo negro, poétizado e construido pelos raios do sol causticante da terra dos poetas. 

Isso é apenas um pouco da arte de Wagner De Oliveira, um artista que sem dúvidas, tem a originalidade na sua obra e a espontaneidade de um artista contemporâneo que não tem medo de ousar e inovar na sua identidade visual. Isso é o que torna sua obra unica e expressiva não somente em Assu-RN, mas em diversas partes do mundo.

 

FONTE

https://sinsprn.org.br/de-assu-para-o-mundo-conheca-a-obra-de-wagner-di-oliveira/

SERVULO ESMERALDO: Conhecendo um pouco do artista visual e suas obras cineticas

Estive viajando por Recife, e nessa ida, visitei uma exposição proximo ao marco zero, no Museu da Caixa Cultural. Lá me deparei com um artista cinetico que desconhecia. Estou a me referir de Servulo Esmeraldo, que contribuiu de forma significativa na arte visual do país.

Servulo era escultor, gravador, ilustrador e pintor. Sua arte transitava por diversos estilos artísticos, como o figurativo, o abstrato, o construtivista e o cinético. Em sua produção, destacam-se obras tridimensionais e interativas, compostas de linhas e formas geometricas.

Em 1955, Sérvulo passou a fazer cartazes e ilustrações para capas de revistas como São Paulo Magazine e Revista do Teatro Amador, além de ser também ilustrador no jornal Correio Paulistano. Nesse ano realizou também suas primeiras provas de gravura em metal sobre zinco. No ano seguinte, Sérvulo promoveu sua primeira exposição individual no Clube dos Artistas e Amigos das Artes com o título 39 Gravuras de Sérvulo Esmeraldo, e participou da XIV Trienal de Milão.

Sem título. Aço pintado escultura 80 x 50 x 50 cm 1986

Em 1957, o artista promoveu uma nova exposição individual de gravuras, dessa vez no Museu de Arte Moderna de São Paulo, com o título 30 gravuras de Sérvulo Esmeraldo. No mesmo ano, mudou-se para a capital francesa em virtude de uma bolsa de estudos que ganhou do governo francês para estudar na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e passou a estudar gravura em metal com Johnny Friedlaender.

A escolha das obras expostas em SÉRVULO ESMERALDO: LINHA E LUZ levou em conta as etapas e as interligações dos trabalhos do múltiplo artista e evidencia a coerência e a concisão da sua vasta obra. “Essa evolução tem uma lógica simples e muito clara: a gravura em madeira (1957) é “matriz” para as esculturas em acrílico (anos 1970) e que, por sua vez, geraram as litografias (1976), e assim por diante, como se obedecesse a um projeto de sequências e consequências em um fluir sem hiatos”, declara Dodora Guimarães Esmeraldo.


Prismas, 1981-2015

Na década de 1960, deixou de se dedicar exclusivamente à gravura e passou a experimentar outras linguagens como o tridimensional e a arte cinética. Em 1962, produziu os primeiros trabalhos cinéticos, criando dois anos mais tarde os Excitáveis - objetos cinéticos feitos de acrílico, que reagem ao toque do espectador. No mesmo período, realizou as primeiras esculturas em aço escovado e na década de 1970 uma série de esculturas em plexiglas. Durante esse período participou de diversas exposições em Paris, Lyon e Montibéliard, França; Zurique e Genebra, Suíça; Nottingan, Inglaterra; Oregon, Estados Unidos da América. Durante o período em que esteve na Europa, Sérvulo Esmeraldo teve contato com outros artistas brasileiros que lá residiam como: Sergio Camargo, Lygia Clark, Rossini Perez e Arthur Luiz Piza. Em 1978, retornou ao Brasil e realizou diversos trabalhos de arte pública, como o Monumento ao saneamento básico de Fortaleza (1977/1978), na praia do Náutico, o painel na Assembléia Legislativa de Fortaleza, Monumento ao Jangadeiro (1992), em Fortaleza, entre outros. Ao longo desses anos participou de diversas exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, São Luís.
Ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, Sérvulo Esmeraldo participou de diversas exposições individuais no Brasil e na Europa. Em São Paulo com sua exposição retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2011; na Galeria Raquel Arnaud, em 2012, intitulada Simples como o triângulo e no Instituto de Arte Contemporânea – IAC, em 2014, intitulada O arquivo vivo de Sérvulo Esmeraldo. Em 2013 na Pinakotheke Cultural, na cidade do Rio de Janeiro; em 2016 na sua cidade natal intitulada A linha, a luz, o Crato e em 2017, ano de seu falecimento, na Beurret & Bailly Auktionen, na Basiléia, Suíça.
Sejam desenhos, esculturas ou gravuras, ao longo de toda a sua vida Sérvulo Esmeraldo deu continuidade ao seu trabalho, produzindo ao longo dos anos um vasto material artístico e arquivístivo. Parte desse material, principalmente o período em que residiu na Europa, encontra-se salvaguardado e disponível para pesquisa no Instituto de Arte Contemporânea, desde 2014.

Disponivel em:
https://www.iacbrasil-online.com/acervo-servulo-esmeraldo
https://carbonogaleria.com.br/products/sem-titulo-22?srsltid=AYCX9vL4CUIj454D4JGmgqrxq0IEnKCmzbdZENtQn-Srn35jDk3hiWRW
https://arteref.com/exposicoes-e-eventos/ccbb-rj-realiza-a-primeira-grande-retrospectiva-de-servulo-esmeraldo/

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Mestre NUCA e os Leões de Tracunhaém

 

Foto do leão por do Mestre Nuca no Terminal Marítimo de Passageiros de Pernambuco - Recife . Com mais de 6 m de altura e pesa aproximadamente 700 kg.
 Foto: @edesiolemoss

O artesanato pernambucando é sem dúvida um dos que mais se destacam no Brasil. Um dos maiores expoentes da ceramica de Pernambuco é o mestre Nuca de Tracunhaém ou Nuca dos Leões. A relação do mestre ceramista com o animal detaca-se devido ao seu signo, que era justamente Leão. Nuca, ou Manoel Borges da Silva, nasceu a 5 de agosto de 1937, no engenho Pedra Furada, Nazaré, Mata Norte pernambucana, e deixou um fortre legado que ainda é mantido pela sua familia.

Filho de agricultores, viveu a infância em um ambiente de ceramistas e desde os dez anos, modelou em barro elementos do cotidiano. Mudou-se para a cidade de Tracunhaém/PE e passou a conviver com diversos ceramistas em feiras e salões de arte popular, entre eles, Ana das Carrancas e alguns netos de Vitalino.

É em 1968, quando esculpe o primeiro leão, que se reconhece artista, consagra-se com o efeito visual da juba leonina.
O motivo da consagração veio da ideia de esculpir leões e floristas. A mulher, Maria Gomes da Silva, ou Maria de Nuca, teve a ideia de colocar os cabelos cacheados, também no leão.
A moda da juba encaracolada se difundiu tanto, que artesãos aderiram à onda, substituindo pena de galinha pelos cachos. Além desses, que consistem nuns rolinhos de barro aplicados um a um, há o leão de listra, o escamado e o de tranças.

Sobre a escolha da temática dos leões, cogita-se que pode estar vinculada à memória recente da estatuária de louça portuguesa decorativa dos sobrados ou, ainda, à memória ancestral daquele que é considerado o rei dos animais.
Entretanto, não podemos deixar de lembrar que o símbolo de Pernambuco é o leão, tampouco menosprezar a força do imaginário de ascendentes negros africanos presentes na Zona da Mata, nem esquecer que a antiga denominação de Carpina era Floresta dos Leões.

Se a família de Nuca era de agricultores, e não de louceiros, o mesmo aconteceu com a família de Maria, que também era da roça, não tinha ninguém no barro. Pode-se dizer que a obra de Nuca é quase obra de dois artistas, originalidade a quatro mãos. O leão e as bonecas foram criação dele e da mulher.

Nuca dos Leões criou os filhos com a arte saída das próprias mãos, festejou a alegria de viver fazendo sempre o que gosta e também ofereceu todas as condições necessárias ao aprendizado e exercício artístico dos filhos seguidores.

A obra do artista pode ser apreciada em antiquários, galerias de arte, e enfeitando praças do Recife, como a do 1º Jardim de Boa Viagem e a Tiradentes, no Cais do Apolo.

Em 27 de fevereiro de 2014, o ceramista morre no Recife.


DISPONIVEL EM:
https://portaldaartenordeste.com.br/mestre-nuca/?srsltid=AYCX9vLM2Kuv5wmzBRavrja3tQRaBFJ-NdEQ6WKm9lcsw857OA_T7WEW



ARTE CINETICA: A vertente artistica que quebra a estabilidade na arte.

No campo das artes visuais nos deparamos com varias formas de arte, que instigam nossa interpretação a partir de como a observamos. O subjetivismo e questionamentos sobre as suas viariações tambem contam para nossas percepções diversas. A arte cinética por exemplo é uma delas.

O  potiguar Abraham Palatnik foi um dos maiores nomes desse segmento da arte viasual. Ele foi Artista cinético, pintor e desenhista. É considerado um dos pioneiros da chamada arte cinética no Brasil, expande os caminhos das artes visuais ao relacionar arte, ciência e tecnologia.

Entendemos que a arte cinética , ou "cinetismo", se constitui como um movimento artístico que incorpora o movimento real ou ilusório nas obras, transformando a experiência visual do espectador. Essa vertente artistica surgiu no início do século XX e se consolidou nas décadas de 1950 e 1960, marcando uma ruptura com a arte estática tradicional ao propor explorar a percepção, a luz e o tempo. 

O cinetismo se determina como uma arte vibrante e dinâmica que possui como principal característica o movimento, ao contrário do caráter estático da pintura e da escultura.  


O francês Marcel Duchamp, foi o primeiro artista a chamar de "móbiles" os objetos criados por Alexandre Calder. Duchamp também idealizou uma das obras considerada precursora da ideia de arte cinética, a Roda de Bicicleta (1913), uma roda acoplada em um banquinho de madeira.

Na física, a palavra “cinética” refere-se ao estudo da ação das forças na mudança de movimento dos corpos. Concluimos que a cinetica é a parte da mecânica clássica que estuda o movimento dos corpos (trajetória, espaço, velocidade e aceleração) sem se preocupar com as causas que geram esse movimento (como forças e massas).

A arte cinética foi uma corrente artística moderna que surgiu na capital francesa, Paris, com a exposição “Lemouvement” (O movimento), na galeria Denise René, em 1955. Dentre vários artistas que participaram destacam-se: Marcel Duchamp, Alexander Calder, Jean Tinguely, Victor Vasarely, Yves Klein, Jesus Raphael Soto e Pol Bury.

Obra do cearense Servulo Esmeraldo.

A partir disso, surgem na Europa diversos grupos de artistas da arte cinética: “Equipo 57” (1957), “Groupe de Recherche D'Art Visuel” (1960), na França; e o Grupo Zero (1958), na Alemanha.

A arte cinetica assim como as demais formas de arte, tem suas regras, e um das principais características desse movimento artistioco são: O estímulo do sentido visual por meio de efeitos visuais (movimentos, ilusão de ótica; a profundidade e tridimensionalidade; O uso de cores, luz e sombra; O uso de formas simples e repetidas e a oposição à arte figurativa.

Quais são os artistas mais famosas da Arte Cinética?

  1. Alexander Calder foi um artista americano conhecido por ser um dos pioneiros da arte cinética e pelas suas esculturas abstratas em metal, muitas vezes feitas de arame e chapas coloridas.
  2. Victor Vasarely é considerado o "pai" da Arte Cinética e é conhecido pelas suas obras que usam padrões geométricos e ilusões ópticas para criar efeitos de movimento.
  3. Jesús Rafael Soto é conhecido pelas suas esculturas cinéticas que envolvem o espectador na experiência da obra de arte.
  4. Carlos Cruz-Diez é conhecido pelas suas instalações de arte cinética que usam luz e cor para criar efeitos de movimento.
  5. Julio Le Parc utiliza espelhos, luzes e movimento para criar instalações cinéticas.
  6. Bridget Riley é conhecida pelas suas pinturas em preto e branco que usam ilusões ópticas e efeitos de movimento.
  7. Yaacov Agam utiliza técnicas cinéticas para criar obras de arte que mudam dependendo do ângulo de visão do espectador.

Esses artistas e outros do movimento da Arte Cinética foram responsáveis por criar obras de arte inovadoras que exploram as possibilidades da percepção visual e sensorial humana. As suas obras influenciaram outras correntes artísticas.

Pode-se afirmar que a arte cinética foi capaz de  romper com a ideia tradicional de que a arte é algo estático e intocável. Ao introduzir o movimento e a interatividade, este movimento desafiou os limites da percepção e da experiência artística. Sua influência pode ser vista não apenas nas artes visuais, mas também no design, na arquitetura e na tecnologia, dialogando com questões contemporâneas sobre a velocidade e a fluidez da vida moderna.




Disponivel em:
https://www.todamateria.com.br/arte-cinetica/
https://arteref.com/arte-moderna/arte-cinetica-o-movimento-que-transformou-a-arte-moderna/
https://artebrasileiros.com.br/topo/pioneiro-da-arte-cinetica-abraham-palatnik-morre-aos-92-anos/
https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/ensino_fundamental/arte-artes-visuais-arte-cinetica-a-arte-do-movimento/
https://soulart.org/artes/o-que-e-arte-a-cinetica

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

TARSILA DO AMARAL; A brasilidade presente no modernismo nacional.

Na primeira fase do modernismo brasileiro, TARSILA DO AMARAL se destaca como uma das mais importantes artistas platicas do país, compondo fortemente o movimento que eclodiu nas artes. Junto à Anita Malfatti, ela ficou conhecida como uma das mais importantes pintoras desse segmento. 

Tarsila do Amaral Pertencia a uma família rica e tradicional. o que contribuiu para que ela tivesse acesso as melhores influencias na europa, nasceu ainda no século XIX em 1º de setembro de 1886, na fazenda São Bernardo, localizada no município de Capivari, interior de São Paulo. Sua família havia herdado fazendas de seu avô, Quando morou em São Paulo, esteve matriculada no Colégio de Freiras. Mais tarde, mudou-se para Barcelona, na Espanha, a fim de concluir o ensino básico. Quando iniciou os seus estudos em arte, começou com escultura, passando a ter aulas de desenho e pintura no ateliê de Pedro Alexandrino, em 1918. Ali, conheceu a pintora Anita Malfatti, por quem desenvolveu uma forte amizade. Vale salientar que com apenas 16 anos, Tarsila pinta seu primeiro quadro.

Na Espanha, Tarsila pintou seu primeiro quadro, intitulado 
“Sagrado Coração de Jesus”, em 1904.

Mas o que de fato representa sua obra? Qual o diferencial para os demais artistas que despontaram no cenario artistico no inico do século XX? Pra entender esse questionamento, é preciso compreender que Tarsila foi uma figura central na renovação da arte no Brasil nas primeiras décadas do século passado. Ela realizou uma pintura muito inovadora, que visava mesclar as influências do modernismo europeu com a clara representação de elementos da cultura e paisagem brasileiras, para isso concluimos que o seu trabalho contem aspectos de "brasilidade", uma vez que suas obras são marcadas por uma forte estética de cores vibrantes e figuras simplificadas, que ajudaram a traçar o caminho para a arte moderna no Brasil.

Na década de 1920 que Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade se apaixonaram e resolveram viajar para Paris, no intuito de viver o romance longe do conservadorismo da sociedade paulista. Oswald de Andrade, poeta e escritor, foi uma das figuras centrais do movimento modernista no Brasil, e Tarsila, por sua vez, estava em pleno desenvolvimento do estilo próprio na pintura, absorvendo as influências das vanguardas europeias. Juntos, eles compartilhavam o desejo de ruptura com as tradições artísticas e culturais do Brasil, buscando uma nova identidade para a arte brasileira, mais autêntica e desafiadora das convenções da época.

Na tela em destaque está a representação de um morro brasileiro, com crianças, adultos, animais e casas populares. Isso expressa a "brasilidade da obra".

Ao traduzir as peculiaridades do Brasil, atraindo para o seu trabalho um olhar singularizado para a arte moderna, Tarsila do Amaral logo se tornou referência no cenário internacional. Isso sobretudo, contribuiu para o avanço da arte brasileira além do territorio nacional, pois no campo das artes, a Europa ainda dominava como a base estrutural sólida do que era padronizado como conceito artistico. Mesmo sendo contemplada por entusiastas, não podemos dizer que a arte brasileira com os modernistas, não furaram a bolha nacional.


A tela os operarios, mostra a diversidade cultural na formação da sociedade brasileira. 
A miscigenação é o elemento que torna a obra rica e com o aspecto de brasilidade. 

Uma das obras mais famosas e reverenciadas de Tarsila, foi o icônico quadro “Abaporu” em 1928, diretamente inspirado pela filosofia de Oswald de Andrade, especialmente suas ideias sobre a "Antropofagia", um movimento cultural, cuja proposta era devorar as influências estrangeiras e criar algo genuinamente brasileiro a partir dessa assimilação. 

 
“Abaporu” (1928) foi fundamental para a criação do Manifesto Antropófago 
de Oswald de Andrade, que se tornaria um dos pilares do modernismo no Brasil.


O movimento "antropofagico" destacava-se justamente por: 
Criar uma estética nacional, com cores vibrantes, formas simplificadas e temas populares; Conectar o Brasil ao modernismo internacional, especialmente após seus estudos em Paris; Inspirar movimentos culturais posteriores, incluindo debates sobre identidade, brasilidade e arte política, entre outros fatores que evidenciavam a cultura brasileira na arte. Principalmente após a semanad de arte moderna de 1922.

A pintura "Antropofagia", de Tarsila do Amaral, tornou-se uma espécie de emblema da arte moderna feita no Brasil, na primeira metade do século XX. Junto com o "Manifesto Antropófago" (1928), escrito pelo poeta Oswald de Andrade.

Tarsila do Amaral foi sem dúvidas, uma pintora brasileira que entrou para a história, ela traz no seu repertório uma formação qualificada e especifica que ganhou notoreidade na historia da arte brasileira, se tornando uma das artistas mais conhecidas do país e consequentemente tendo seus quadros reverenciados internacionalmente até os dias de hoje, pelos adeptos da Arte. 


FONTES

https://www.casadosaber.com.br/autores/tarsila-do-amaral

https://prosped.com.br/arte/tarsila-do-amaral-no-masp/