sábado, 18 de fevereiro de 2017

Bombril do Interior: Mil e uma utilidades Categoria (Crônica)

Por: Vinicius Rocha



Rotina, repetição, costumes habituais. Em uma cidade grande já se torna chato e cansativo, quanto mais em uma cidade com pouco mais de 11 mil habitantes. Apesar disso, ainda existem coisas nela que podem quebrar uma porcentagem da chatice. Em Lajes, carinhosamente do Cabugi, talvez não haja coisas esplendorosas no seu julgo, caro leitor, mas tem alguns ambientes que ajudam a sair da velha monotonia. Seja para convivência familiar, para rolés, para um lanche no fim da tarde, ou para um jantar demorado, ou ainda apenas para encontros casuais, você escolhe! Ela continua sempre lá, receptiva, de braços abertos a te esperar.
Você já deve estar curioso pra saber de onde estou falando. Espero que não seja um gato pra morrer de curiosidade! Refiro-me a chamada praça central, a Praça Coronel Manoel Januário Cabral. Por sua centralidade, não só rima as palavras do seu nome, rima e harmoniza-se com vários outros estabelecimentos da cidade. Correio, Farmácia, Prefeitura, Câmara, União Caixeiral, Estação ferroviária, até a Casa de Cultura Popular troca olhares de cumprimento com essa praça.
A bendita até de casamenteira já pagou! Testemunha comigo minha prima, que dava umas escapulidas de casa dizendo que iria passear, quando na verdade estava de love com seu atual marido. E eu tinha que acobertar, viu? Tem cabimento um negócio desse?! Claro que não, no entanto, a gente ajuda!
Assim como eu, a Praça do senhor Januário acobertou e serviu de apoio para muita coisa também. Foi parada para a Tocha Olímpica, arena de Carnaval por muitos anos, e nesse sentido era uma coisa linda! Falo porque passei muitos dos seus carnavais e eu presenciava admirado toda a transformação. No céu, muitas fitas coloridas, no chão, muita gente colorindo sorrisos diversos, rostos cheios de diversão, como se fosse o último carnaval de suas vidas. Espetáculo invejável de felicidade. E só pra constar, brigas ocorriam raramente, característica que infelizmente não permaneceu intacta.
Hoje em dia tem bingo, missa, culto, seresta e o “dim-dim, dom-dom-dooomm”, que era a sequência musical característica dos comícios políticos anunciando o período eleitoral.
Já falei que ela tem uma quadra de esportes? A mesma foi palco de várias modalidades esportivas, desde a famosa peladinha nas tardes de domingo até competições entre escolas. De cinema também se vestiu e teve em sua passarela de piche um público sedento por novidade, ansiando eventos para sair de casa, dispostos a enfrentar o frio e ventania das noites lajenses por uma pitada de heterogeneidade.
Particularmente, passo pela praça – várias praças, por sinal, contudo essa é especial – quase todos os dias a caminho da escola, ao ir pro Grupo de Escoteiros, e para visitar vovó. Ao passar, sempre a movimentação cativa minha observação. Pessoas embarcando e desembarcando em ônibus, gente lanchando, jogando, senhoras e moças na academia comunitária, pessoas assistindo jogo que só passa na TV a cabo, até na copa do mundo ela marcou presença. E esse ano ganhou uma nova função, será campo para o Festival Literário daqui, a FLILAJES – currículo cheio, ela não perde tempo!
Depois de falar tudo isso, dessa “faz tudo” do meu município, você deve estar encantado ou no mínimo perdido em tanta informação. Mas uma coisa deve estar pensando: é um ótimo lugar! Caso esteja achando, você está certo! Caso não, só vindo para ver com seus próprios olhos.
Sabe que quem não tem cão, caça com – ou como – gato, então perceberá que indubitavelmente em cidade que não tem muitos ambientes específicos, praça vira a casaca, praça vira Bombril!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Morre o artista plástico potiguar Dorian Gray


Na noite de (23/01/17) o artista plástico Dorian Gray Caldas morreu vítima de um infarte fulminante. 
Dorian Gray Caldas nasceu em 16 de Fevereiro de 1930 na cidade de Natal-RN. É um consagrado artista potiguar que expressa sua arte em diversas plataformas artísticas, tais como: Escultura, cerâmica, tapeçaria, desenho, poesia e escritos.
Dorian estreou na arte em 1950, junto com os primeiros e grandes amigos Newton Navarro e Ivon Rodrigues, no 1º Salão de Arte Moderna de Natal. Seu primeiro livro se deu 11 anos depois, em 1961, intitulado “Instrumento de Sonho”.
Ele atuou como assessor da secretaria estadual da cultura do Rio Grande do Norte (1967-1968) e da Fundação José Augusto (1974) e foi diretor do Teatro Alberto Maranhão (1967-1968). Em 1989 publicou o livro 'Artes Plásticas do Rio Grande do Norte 1920—1989'.

FONTE
http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2017/01/morre-o-artista-plastico-potiguar-dorian-gray-aos-86-anos.html
http://www.nominuto.com/noticias/ciencia-e-saude/dorian-gray-caldas-doutor-em-arte/25755/

domingo, 1 de janeiro de 2017

Um pouco de Paul Gauguim.

Por : Fábio Fernandes
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Nestes dias , lendo sobre grandes mestres que revolucionaram a história da arte mundial me vi frente à Paul Gauguim. Muito me impressionou, sua pre-disposição à produção artística como elemento de sustentação cotidiana e também de experimento rumo ao novo contexto que a arte lhe conduzira, uma vez que este artista começa a ter contato com o mundo das artes propriamente dito no limiar de seus 25 anos, mais precisamente em 1873, ( período em que  casou-se com uma mulher dinamarquesa chamada Mette Sophie Gad, com quem teve 5 filhos. Após romper o casamento Gauguim deixou a Dinamarca e a família, retornando à França para se dedicar a vida artística.
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"Mulher com uma flor" (1891)

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"Quando você vai se casar?" (Nafea faa Ipoipo?) (1892)

Outra característica que evidencia Gauguim como um artista além do seu tempo, foi a conexão estabelecida entre a Europa e a América do Sul. Suas viagens  frequentes ao Perú, revela um homem apegado as suas raízes, uma vez que sua infância foi marcada no continente americano e pelo fato de sua mãe ser peruana. Sem sombra de dúvida esses laços o cativaram a manter a relação França -Perú muito latente.

Como muitos artistas, sua vida cotidiana foi marcada por grandes conflitos familiares, o que de certo modo, ajuda a tornar sua importância ainda maior, visto que os conflitos deliberam um certo valor ao artista e consequentemente reverbera em sua obra, podemos citar por exemplo a vida conturbada de Pollock que re-descobre seu estilo através de muitas tentativas de manter uma arte atual com seu tempo ou até mesmo o proprio Van Gog que foi contemporâneo de Paul Gauguin, este tambem tinha dilemas e conflitos constantes em seu trajeto vital como o fato de cortar sua orelha ao saber que Paul o deixou . Vale salientar que Gauguin sofre muito ao saber que sua filha Aline morreu em 1897 de pneumonia, isso o leva a se sentir culpado por ter de certo modo "abandonado" a família pra viver no Taiti, vindo portanto a tentar o suicídio com doses de arsênico.
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"Mulheres de Taiti" (1891)

No Taiti, Paul Gauguin descobre sua verdadeira essência artística, vislumbra nos nativos sua identidade e desmistifica a supremacia europeia na produção artística. É o caso de "Arearea" que revela duas jovens sentadas embaixo de uma árvore, enquanto outras estão em pé há uma certa distancia próximo a estatua de Hina, a deusa taitiana que representa a lua, uma mulher toca uma flauta e a outra encara serenamente o observador, o ponto de ruptura nesse quadro se dá pelo cachorro vermelho cuja presença no quadro tem sido sugerida por alguns críticos como a representação do mal . 
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"Arearea" (1892)

Um forte exemplo desse formato europeu das coisas está evidenciado no quadro "Manao Tupapau" ( O Espirito dos mortos Vigiando) de 1892 quando Gauguim transfere a imagem do fantasma relacionado ao folclore taitiano, deixando de lado ao ideal colonialista europeu, o pintor também faz referencia à Edouard Monet,no qual teve grande influencia em sua formação artística.
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"Manao Tupapau" ( O Espirito dos mortos Vigiando) 1892
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Gauguin tambem se expressa no auto-retrato, se colocando dentro de sua obra provavelmente na intenção de mostrar-se parte integrante de sua criação artística. 

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O mais importante é saber que esse grande artista pós-impressionista vale muito a pena ser lido, visto, pesquisado e sem dúvida faz grande diferença em quem vislumbra ou remete pesquisas em artes. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

JOEL PETER WITKIN - FOTOGRAFIA DA INDIFERENÇA


"A obra é o possível e o provável, nunca é o certo. A estética vem sempre primeiro; a obra de arte não apresenta a mensagem de um conhecimento, desenvolvido exteriormente a si, por imitação ou intuição, independentemente da vontade do artista (...) O que o artista fixa, não é o que ele viu ou apreendeu; é o que ele procura e o que ele quer revelar aos outros. (FRANCASTEL, 1998)
Joel Peter Witkin
Nascido em 1939, na cidade de Nova York, EUA, Witkin começou a se interessar por fotografia aos cinco anos de idade, por influência do Pai. Desde cedo, o pai lhe mostrava imagens da LIFE, LOOK, Daily Mirror, de modo a incentivá-lo ao trabalho de fotógrafo e a concretizar uma experiência fotográfica. Algumas experiências o marcaram e o influenciaram em sua maneira de encarar a vida, servindo de inspiração para sua obra fotográfica e são descritas em seu livro, The Bone House. Filho de Pai Judeu e Mãe Católica, Witkin estudou profundamente a arte religiosa, com ênfase em Giotto e em simbolistas como Gustav Klimt e Alfred Kubin. Além destes, importantes autores como Picasso, Diego Velasquéz, Bosh, Leonardo da Vinci, Goya e Miró fazem parte de suas referências e são descritos claramente em suas imagens.

Uma das primeiras experiências relatadas é que, ainda pequeno, presenciou um grave acidente de carro em frente à sua casa, recordando a imagem de uma garota decapitada e sua cabeça rolando até os seus pés. Conta que o que mais lhe chamou a atenção foi a impressão obtida a partir dos olhos já sem vida da garota. Logo após os estudos do Ginásio, Witkin conseguiu um trabalho que lhe proporcionou os primeiros conhecimentos sobre as técnicas fotográficas, PB e em Cor. Em 1961, alista-se ao serviço militar, servindo como sargento até 1964, onde foi incumbido de documentar fotograficamente as mortes acidentais ocorridas em treinamentos militares. “Cheguei a me endurecer de tal forma em relação à morte que me alistei como fotógrafo para ir ao Vietnã. Depois de receber treinamento especial, enquanto esperava ser chamado para o front, tentei me suicidar”.

Ao sair do serviço militar, retorna a Nova York e trabalhou como fotógrafo profissional atuando como freelancer, assistente e realiza fotografias comerciais e na área de medicina. Após receber o prêmio BFA da Cooper Union, conseguiu uma bolsa de estudos em Poesia na Universidade da Columbia e estudou escultura. Um pouco mais tarde, em 1974, recebeu bolsa de estudos CAP em Fotografia no New York State Council on the Arts. Realizou graduação e pós-graduação na Universidade do Novo México e ganhou diversas bolsas de estudos posteriormente: Fundação Ford – 1977; 1982, 1984 e 1986 – Bolsa NEA; MFA- Universidade do Novo México – 1986; International Center of Photography Awards e Distinguished Alumni Citation da Cooper Union; Prêmio Chevalier des Arts et de Lettres – França – 1990; Em 1993, o American Center in Paris em parceria com o NEA possibilitaram-no criar um programa permanente de Fotografia na França, que posteriormente foi expandido para outros países como a Itália, Eslováquia e Reino Unido. Suas obras fazem parte de acervos permanentes de museus, como a Bibliothèque Nationale – Paris, San Francisco MOMA, o Amsterdam’s Stedelijk Museus, MOMA New York, dentre outros.
Portrait as a Vanité- 1988.jpg
Cada imagem é realizada de maneira única, com laborioso método de execução. Inicia-se com um esboço feito em papel. A partir disso, modelos e objetos de cena são procurados e meticulosamente é realizada uma sessão fotográfica em estúdio, com árdua etapa de pós produção na revelação dos negativos, que são maltratados com agentes químicos e ações físicas, dando acabamento final. Devido aos tais detalhes, produzia em média, de 10 a 12 imagens por ano.
Le Baiser (The Kiss) - 1982.jpg
Pelo tema e composição empregados na construção de suas imagens, Witkin adentra o campo da imagem simbólica, subjetiva, impondo ao receptor a vontade de decifrar a imagem, dentro de um campo de interpretações que vai desde a representação do mundo de forma indireta, ao falso caráter das imagens técnicas, uma vez que a fotografia ali exposta foi concebida enquanto idéia, se realizou mediante um esforço de dedicação humana e não automática e ainda, é um símbolo que pode ser decifrada. Assim, Witkin, ao realizar suas imagens, impõe-se como autor aos olhos do receptor.
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Segundo Nietzsche “Quando você olha muito tempo o abismo, o abismo te encara de volta”. Essa citação talvez consiga resumir a obra de Witkin como um todo. Apesar de inovar e produzir imagens únicas dentro de um contexto atual e pluralista, Witkin aborda temas que manifestam-se recorrentemente nas artes desde sua existência, morte, religião, sexo, padrões estéticos. O fotógrafo faz uma leitura crítica da beleza artificial e padronizada, mostrando o grotesco nos tempos modernos, sempre utilizando como referências a pintura e a escultura clássica.
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Witkin criou uma forma de linguagem inovadora e diferente, que ao mesmo tempo prende e espanta nossos olhos. O artista ganhou o mundo das artes no contexto moderno fazendo sua interpretação da sociedade, dissolvendo limites através do surrealismo fotográfico. Joel Peter Witkin apresenta-nos sob perspectiva singular uma poética inovadora, distante do senso comum. É entre o depravado e o divino que encontra-se o artista. O que o diferencia de seus contemporâneos é a inquietação e o desejo de explorar aquilo que os outros tem medo. Ele desafia o lado negro, onde um vislumbre de luz é puramente autentico. Sua substancia é o maior mistério da humanidade, a questão fundamental da vida e da morte, suas análises são irrespondíveis como regra, mas possíveis de interpretações pessoais. Arte neste caso preenche as lacunas entre os sentidos e o intelecto, justificando então o porquê deste tipo de linguagem.
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Jorge Michael

Um dia após a morte do cantor Jorge Michael, posto um clássico de sua carreira musical. Esta canção "Careless Whisper" embalou muitos momentos românticos pelo mundo, sua introdução ao som do saxofone inconfundível nos leva a ligar a musica diretamente ao artista. Saudades de quem admira uma boa musica.

SOBRE MINHA NOITE NATALINA TOTALMENTE PROFANA. (Crônica)


            
Nada melhor do que sair da rotina.
Tumar uma, biritar, dançar, sair falando com quem você jamais falaria estando sóbrio, cumprimentar colegas du "fêicibuqui" que curtem até "bom dias" mecânicos, mas que pessoalmente jamais falaram "OI" ou te convidou pra tomar um café com bolacha, ou pro níver da cachorra vira-latas misturada com pitbull de feira. 
Como é necessário pagar 35 contos numa vodka que na bodega custa 6,50? Como é necessário sair do mundinho certinho por uma noite, mesmo que ao chegar bêbado em casa a gente vomite e jure até pros céus que nunca mais vai misturar cachaça com gudang.

Crônica semanal


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

BRASIL: UMA CULTURA FEITA DE CULTURAS


Os processos de transformação cultural dentro da formação identitária do Brasil, segundo Darcy Ribeiro: desde o início, somos impositores da lei que nos oprime.

A cultura está em constante mudança, basta olharmos para o passado, mesmo que por um breve momento, para encontrarmos diferenças culturais entre as gerações mais antigas e as que viveram posteriormente. Bauman (2012) acredita que a cultura pode ser herdada ou incorporada, como um produto a ser consumido por cada ser humano que nasce, e sendo uma propriedade, é passível de ser “adquirida, dissipada, manipulada, transformada, moldada e adaptada.”

Laraia (2009) afirma que a cultura é dinamica na medida que os homens “têm a capacidade de questionar seus próprios hábitos e modificá-los” (p.95). O autor discorre sobre dois processos de mudança cultural: o primeiro diz respeito à mudança que ocorre intrinsecamente em um sistema, resultado da reavaliação das interações sociais e produto das forças de protesto e das lutas de um determinado grupo social.
O segundo processo ocorre através do choque entre culturas diferentes, situação na qual pode haver uma aculturação civilizatória brutal e impositiva ou branda e sutil. Seja qual for a natureza da influencia de uma cultura sobre a outra, o autor defende que esse processo de transfiguração cultural existe em praticamente qualquer cultura: o encontro entre sociedades difirentes sempre resultará em algum tipo de intercâmbio cultural.
Durante toda a história da humanidade observamos como o confrontamento entre culturas resulta em uma luta de poder pela conquista não só de capital e recursos, mas também da supremacia ideológica, o que se configura em vários aspectos sociais e áreas do conhecimento. Poucas foram as culturas que, havendo dominado outra militarmente, respeitaram-na e permitiram que os derrotados mantivessem suas crenças, costumes e valores, enfim, sua cultura.
O Brasil não foi uma exceção, porém, aqui, diferentemente da maior parte dos outros lugares do mundo, houve uma intensa mistura entre culturas advindas de continentes diversos. Tal mistura gerou as sementes que, nesta terra, dariam início ao povo brasileiro. Desde então, nossa população se tornou cada mais um produto hibrido que carrega não só os genes de índios, africanos e europeus, mas também a bagagem histórica de supremacia e sofrimento vivida por eles ao chocarem-se em si. Nas palavras de Darcy Ribeiro (2006):
“Todos nós, brasileiros, somos carne da carne dos pretos indios supliciados. Todos nós brasileiros somos, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos.” (p.108)
No momento em que a cultura brasileira passou a se consolidar e os integrantes das três matrizes culturais que a compunham começaram a efetivamente se ver como brasileiros, um novo processo foi criado: o processo de mudança interna do recém-construído povo brasileiro. Foi quando os primeiros brasileiros, diferentes em suas raízes, mas majoritariamente uniformes em sua condição como oprimidos, “se configura como um povo em si, que luta desde então para tomar consciencia de si mesmo e realizar suas potencialidades” (RIBEIRO).

Nos séculos seguintes, o povo nascente construiu e incorporou as características que hoje o definem, agregou um pouco de cada matriz que o originou e, por isso, se tornou único.
A duplicidade moral defendida por Darcy Ribeiro tornou-se parte do que é a cultura brasileira, carregada de estereótipos que buscam uniformizar uma gente tão complexa que dá a impressão de unir vários mundos em um só país.
Com ideais de igualdade e união, esperamos que o processo de endo-transformação cultural aflore cada vez mais o lado humano e resiliente que nos faz ter orgulho da terra onde nascemos.
Referências:
BAUMAN, Zygmunt. Ensaio sobre o conceito de cultura. LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil.