domingo, 9 de março de 2025

Leandro Souza e as palhas do sertão.


Leandro Souza é um jovem artesão lajense que viu nas palhas um meio de criar sua arte. Sempre foi um grande apoiador da cultura local, participando com bastante zelo de cada momento cultural do município, como também de eventos alusivos do segmento artístico. Sempre dando o melhor em suas produções de artesanato em palha de carnaúba. 
É através das feiras local e intermunicipal que ele vem mostrando suas produções artísticas. No momento o artesanato em palha de carnaúba é sua principal fonte de renda, sobrevive do artesanato com peças ornadas de criatividade e técnica. 

Leandro pretende em breve se formalizar, ampliar o seu espaço para dar oportunidade de vivencias artesanais à outras pessoas, como também qualifica-las. Uma vez que sua trajetória cultural vem a décadas compondo seu cotidiano cultural.

"Venho trabalhando com Artesanato em Palha de Carnaúba desde do ano de 2004, quando fiz parte de uma COOPERATIVA DE ARTESÃOS. COOCAFUL (Cooperativa Cabugi Futuro de Lajes), órgão formado através de um projeto do Governo do Estado da Época. PRONAGER- Programa Nacional de Emprego e Renda. Desde então venho me aperfeiçoando cada dia mais, com a finalidade de aprender e ensinar quando necessário. Como também proliferar a arte aqui no Estado do Rio Grande do Norte. Participei de associações comunitárias local. Trabalhei como guia de turismo aqui na minha cidade, trazendo melhorias para a mesma. Hoje o artesanato é minha principal fonte de renda."


Os traços da cultura popular e cotidiana regem a vivencia artística de Leandro.




As obras de artesanato vão se desenhando com a junção de outro materiais que formam a peça.


A simplicidade do artista em momento de divagação e criatividade.


As palhas são complementos vitais do seu ateliê.


A maquina de costura auxilia na produção das obras.

Um misto de concentração e ócio criativo.


O artista se reinventa sempre que possível, uma vez que as inúmeras possibilidades criativas surgem com o processo. Leandro Souza, artesão lajense, vive a arte pra sobreviver na vida.


Por:

Fábio Fernandes


 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Um vôo Duchampeano - Movimento bicicleta

Esse ensaio me passou uma referencia duchampeana, relativo a Marcel Duchamp, um renomado pintor e escultor francês, que por sua vez se consolidou como um importante ícone das vanguardas artísticas europeias do início do século XX. Sendo um dos  dos precursores do estilo dadaísta e da arte conceitual, sendo o inventor dos "ready-made". 

Ao registrar essas bicicletas e suas peças, pude entender o quão forte é uma referencia secular no contexto artístico. Reflito o movimento dos veículos, mesmo estando estáticos num lugar de contemplação.


 O caminho a se percorrer, a falta das peças que giram na estrada da vida, repercutem as ausências que muitas as vezes notamos nessa existência vital. Seguindo esse percurso, Duchamp persiste em se concretizar na arte como forte referencia.



FOTOGRAFIA - Flores sob a ótica sensível nas lentes das possibilidades

Nesse ensaio fotográfico, vislumbro uma experiencia sensível de ver as flores sob um olhar poético nas lentes fotográficas. Me aventuro na possibilidade experimental de explorar a fotografia como meio de reflexão desprendimento do mundo real e cotidiano. A Arte através do olhar fotográfico reitera as inúmeras possibilidade de ver o mundo.


Equilíbrio em meio a folhagens, reflete um jogo de conexões verdes findadas nas flores roxas. Uma inquietação possível em meio ao processo caótico de um sistema complexo de folhas.


A flor com pétalas ainda incompletas se mostra protagonista, visto que em sua configuração, ocupa um lugar central em meio a visão amplamente destacada. Um constante processo construtivista.



Ramificações, levemente voltada para o lado. O vento e a gravidade colaboram para uma sinergia de composição artística e natural. 


Vermelho é a tonalidade poética e preciosa da paixão. Uma tonalidade luminosa que reflete os prazeres mais secretos e picantes.

As sementes das dicotiledônias são folgazes e o verde ressignifica-se a tonalidades mais frias e tranquilas das folhas da espécie vegetal  

A junção vermelha e azul, céu e inferno. Paixão e frieza. Dualidade composta de equilíbrio e simetria resumem o roxo como extrato final.



Flores da caatinga.

Por: Fábio Fernandes


BIBIU - A poética do escultor lajense.

Bibiu é um escultor lajense, que pouco aparece nas mídias atuais, aumentando assim, o desconhecido ser por trás de belíssimas esculturas. A arte que permeia a mão do escultor, reflete a ilusão que rege a ótica visível, na poética esculpida na matéria prima outrora passiva e vulnerável a inspiração do artista, justifica os questionamentos de transformação estética das coisas. Enveredar nas entranhas de processos criativos, remete ao artista a possibilidade de apurar o olhar do observador  a uma sensação de catarse e de questionamentos rasos do tipo: como ele faz isso acontecer? 


O questionamento, a duvida, o encantamento das pessoas ao se depararem com a obra de arte esculpida, está tal qual para o mágico ao executar brilhantemente seu numero e despertar o frisson na plateia. O mestre pode até dizer como se executa o processo, mas jamais irá transpassar o dom criativo e individual da fruição artística, uma vez que a arte é individual e intransferível, isso que a torna única e autentica. Esse é Bibiu, o artista que desperta mistério intrínseco enquanto sujeito, mas que se revela através das esculturas inquestionáveis.

O mestre Bibiu num momento criativo, construindo bonecos de isopor para o alegorias carnavalescas.

"A  criação do artista é única e intransferível"


Texto e imagens: Fábio Fernandes




quinta-feira, 5 de outubro de 2023

JUVENTUDE TEATRAL LAJENSE

O grupo Juventude Teatral Lajense tem se mostrado importante no cenário artístico do município de Lajes no Rio Grande do Norte. Como estou a frente do projeto, gostaria de divulgar nessa página virtual um pouco do retrospecto do grupo até a corrente data desta publicação. 

Leitura do experimento Alzira Mulher 

Em agosto de 2020 em meio ao contexto de pandemia do Covid-19, a gestão municipal de Lajes por intermédio da secretaria municipal de esporte e cultura promovia uma volta de jovens às praticas artísticas, visando reestabelecer os processos artísticos e também reestruturar as artes cênicas em Lajes, reaproveitando jovens e adolescentes aluno-atores que antes compuseram um coletivo teatral escolar iniciado em 2013 na Escola Municipal Dr. Eloy de Souza e finalizada em 2018 justamente com a peça Alzira Mulher, que foi apresentada no Festival de teatro escolar da UERN (FESTUERN).

Debate sobre algumas propostas do grupo

A princípio, debater sobre o fazer teatral visava perceber a importância da arte no cotidiano de jovens e adolescentes que até então se viam num processo de redescoberta e de mudanças na vida social. Deste modo iniciou-se um processo autônomo e de grande importância na arte cênica local, quando jovens resolveram criar um novo coletivo artístico, o Juventude Teatral Lajense. A peça tema do grupo estava mirado em Alzira Soriano, por isso, o texto base para ser trabalhado na sua primeira montagem, foi Alzira Mulher (2008), sendo apresentado de forma bem modesta no programa da web tv em Natal e depois na FEMPTUR do ano de 2021, daí então o grupo não parou de receber convites para se apresentar em natal, mostrando também o talento de seus jovens na Mostra Cultural Brasil Mostra Brasil do mesmo ano.

A história do surgimento de Lajes contada no inicio do espetáculo Alzira Mulher.


Alzira Mulher (2023)

Ainda em 2021, surge a primeira parceria com outro coletivo cultural, a junina sensação da cidade de Fernando Pedroza, e a partir dessa parceria, a Juventude Teatral Lajense apresenta de forma grandiosa dentro da programação da festa da padroeira, o espetáculo temático à padroeira do município lajense, com a peça Oratório de Conceição. Desafio esse que teve duas apresentações no total, durante as festividades religiosas e também na edição do festival literário de Lajes (Flilajes). Já em 2022, o grupo retoma suas atividades com a proposta de ampliar o espetáculo Alzira Mulher, dessa vez, ganhando o status de espetáculo de médio porte. Inicia-se os ensaios do espetáculo, juntando a história de Alzira Soriano com um pouco do surgimento de Lajes aliado à teatro e dança, daí resulta num espetáculo relevante dentro da programação de Uma noite no palácio, e no dia 29 de Abril estreia o grandioso espetáculo, sendo reapresentado no dia seguinte, sendo visto por autoridades da política estadual como a própria governadora do estado do Rio Grande do Norte e também familiares da própria anfitriã.

Experimentos em áudio visual - Gravação de videoclipe

Após essa meteórica apresentação, na qual o grupo foi o primeiro que abriu portas pra contar essa história num espetáculo de tamanha relevância. Seguiu-se a programação junina, em que  na ocasião, o grupo divaga na tradição popular dos festejos juninos e cria a encenação O Casamento de Xitinha e Zé Quadriculado, abrilhantando a programação junina do município e de cidades vizinhas, além de se apresentar também na FEMPTUR pela segunda vez consecutiva juntamente de outra nova montagem que contava um pouco da cultura lajense, o espetáculo Lajes: No Meio de Tudo, montagem essa que permeava o imaginário popular e promovia o turismo em Lajes. Ainda no mesmo ano, o grupo encerra o ano com mais uma montagem teatral, no qual contava a historia do nascimento de Cristo no contexto local, essa era a peça O Auto do menino Deus e Lajes a Cidade Escolhida.



Lajes: No meio de tudo (2022)

Em 2023,  o grupo ainda ativo apresenta uma dança popular alusiva ao Boi de reis do Rio Grande do Norte, trazendo para a festa de reis, um folguedo popular de grande relevância para a efervescência de nossa cultura. Logo após a CIA de jovens atores de Lajes se prepara para a viagem mais longa que um grupo teatral lajense já percorreu. O grupo de jovens atores ganha o Brasil e vai até Brasilia-DF representar a cultura lajense e divulgar Alzira Soriano na Marcha dos prefeitos, dando uma visibilidade ainda maior às praticas teatrais do grupo. A Juventude teatral Lajense inicia a montagem do segundo espetáculo Alzira Mulheres, agora com um figurino novo, investido pela gestão municipal, equipando o acervo do grupo e dando possibilidade de ter material físico para trabalhar. Atualmente o grupo encontra-se em reconstrução de elenco, devido à muitos componentes terem se evadido, para atuar em outros projetos pessoais, de estudo e profissionais, culminando com um coletivo aberto à toda a comunidade que anseia em fazer teatro.

Juventude Teatral Lajense em Brasília - DF (2023)


 




quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

FABIO FERNANDES - Biografia em forma de cordel

 

BIOGRAFIA

Trinta de Janeiro de 1986, No hospital maternidade Aluízio Alves. Oito horas da manhã. Vem ao mundo Fábio Fernandes.


Na terra do cabugi
Onde todos nós vivemos
Um lajense apareceu
E nós o agradecemos
Pra fazer arte e poesia
Com carinho o recebemos.

Seu nome é Fabio Luiz
Da família dos Fernandes
Neto de seu Ludonias
Homem forte e incessante
Lá da fazenda Barreiras
Um lugar aconchegante

Filho de dona Raimunda
E de Francisco das Chagas
Viveram anos de seca
Tomando aguas salgadas
Pois não tinha adutora
pra cessar a sede amarga.


 

Com três anos de idade

Segue o destino comum

Pois a vida complicava

Emprego não tinha um

Seu pai na dificuldade

Foi embora pra Assu

 

Já na terra da poesia

Sustentou bem a família

Vendendo artesanato

E outras especiarias

Não tinha uma formação

Mas havia alegria

 

 

Observando seu pai

Vivendo a cada dia

Aprendeu a desenhar

E outras alegorias

Se expressava livremente

E até mesmo na poesia

 

Mesmo o pai sem formação

Foi quem o alfabetizou

Toda tarde rotineira

Ensinando dedicou

Pois o gosto de estudar

Foi seu pai que incentivou

 

No quintal de sua casa

Circo era a brincadeira

Vivia de palhaçada

Não havia outra maneira

De se descobrir que a arte

Era sua companheira

 

Na escola estadual

Conheceu a arte cênica

Um palquinho pequenino

Mas com grande eficiência

Interpretou um esquilo

Com tamanha eloquência

 

Uma infância dividida

Entre Lajes e Assu

Na terra do cabugi

Num apego incomum

Não esqueceu a origem

Chão querido só tem um

 

Já com 19 anos

Resolve ir estudar

Foi embora pra Natal

E queria se formar

Resolveu cursar teatro

Pra sua terra regressar

 

26 anos depois

Regressa a sua terra

Pra ensinar sua arte

À cidade que o carrega

Um lajense inovador

Com a arte em sua cela

 

Na escola Eloy de Souza

Criou grupo teatral

Ajudou a ganhar prêmios

E escola deu moral

Conquistou o festuern

Viajou até Natal

 

Ensinando a arte pura

Se encontrou na docência

Capacita cidadãos

A buscar a consciência

Lecionando todo dia

Cultivando a paciência

 

Hoje na nossa cidade

Olha lá o professor

É grato por todo mundo

Que e ele confiou

Regressar à sua terrinha

Que pra sempre o conquistou.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

RELATOS DE MINHA INFANCIA - (DIVAGAÇÕES)



Me chamo Fabio Fernandes, em 30/02 de 1986 eu nasci em Lajes no RN. Meus pais se chamam Raimunda e Francisco. Com relação a minha infância, logo pequeno vivenciei um pouco a minha família na cidade de origem, vivi em Lajes por pouco mais de 3 anos de idade, lembro de brincar na praça, nos canteiros floridos e de assistir TV na praça em frente a minha casa, na época era comum ter uma televisão nas praças, onde se reuniam pessoas pra assistir jornais, filmes e novelas. Isso era normal, uma vez que naquela época (década de 80) ter um aparelho de televisão a cores era artigo de luxo, o mais básico assistia em tv preto e branco.

No inicio dos anos 90 fui com minha família pra Assu. Meus pais sem qualificação e estudos pendentes e incompletos nos sustentavam com o que aparecia pra fazer, minha mãe sempre foi mulher do lar e meu pai fazia de tudo um pouco... Lembro que ele tinha um cachorro que se chamava Lupe, e era domesticado, fazia coisas que é atípico para um cachorro normal, coisas como rolar no chão seguindo comandos do dono, fazer compras com o dinheiro na boca, rodava, andava com duas patas, fingia de morto... E uma memoria que me marcou foi quando esse cachorro morreu, meu pai sempre o soltava com a corrente amarrada no pescoço pra passear na noite, certa vez ele pulou o muro do vizinho, a corrente enganchou e ele morreu enforcado no lado do vizinho, lembro de ver meu pai triste, cabisbaixo enterrando o cachorro. Isso me fez sentir afeto pelos animais. Também era normal na minha infância brincar de circo no fundo do quintal, fazer palhaçada, brincar de esconde-esconde, jogar bola na lama, tomar banho de chuva com os amigos e vivenciar uma infância sem muita violência, drogas explicitas e também sem celulares. Certo que não tínhamos tanta informação como as crianças de hoje tem, porém vivíamos num nível de inocência maior. A vida era mais palpável, real e menos virtual.

Na TV era comum assistir desenhos animados e ir pra escola e comentar sobre os episódios e personagens, meu sonho era poder assistir animes na TV Manchete, pois só podia acessar esses canais se tivessem antena parabólica, outro objeto disputadíssimo, o rádio era nosso relógio e telefone mantinha-se como artigo de luxo. Conforme o tempo passou aprendi que hoje em dia as crianças não respeitam mais a hierarquia, não chama os mais velhos de senhor e senhora, não dizem obrigado, bom dia, boa tarde e boa noite e acima de tudo, não vivem na coletividade pois estão presas na ilusão da virtualidade, vivendo numa grande solidão.