O artista se reinventa sempre que possível, uma vez que as inúmeras possibilidades criativas surgem com o processo. Leandro Souza, artesão lajense, vive a arte pra sobreviver na vida.
Por:
Fábio Fernandes
O artista se reinventa sempre que possível, uma vez que as inúmeras possibilidades criativas surgem com o processo. Leandro Souza, artesão lajense, vive a arte pra sobreviver na vida.
Por:
Fábio Fernandes
Esse ensaio me passou uma referencia duchampeana, relativo a Marcel Duchamp, um renomado pintor e escultor francês, que por sua vez se consolidou como um importante ícone das vanguardas artísticas europeias do início do século XX. Sendo um dos dos precursores do estilo dadaísta e da arte conceitual, sendo o inventor dos "ready-made".
Ao registrar essas bicicletas e suas peças, pude entender o quão forte é uma referencia secular no contexto artístico. Reflito o movimento dos veículos, mesmo estando estáticos num lugar de contemplação.
A junção vermelha e azul, céu e inferno. Paixão e frieza. Dualidade composta de equilíbrio e simetria resumem o roxo como extrato final.
Flores da caatinga.
Por: Fábio Fernandes
Bibiu é um escultor lajense, que pouco aparece nas mídias atuais, aumentando assim, o desconhecido ser por trás de belíssimas esculturas. A arte que permeia a mão do escultor, reflete a ilusão que rege a ótica visível, na poética esculpida na matéria prima outrora passiva e vulnerável a inspiração do artista, justifica os questionamentos de transformação estética das coisas. Enveredar nas entranhas de processos criativos, remete ao artista a possibilidade de apurar o olhar do observador a uma sensação de catarse e de questionamentos rasos do tipo: como ele faz isso acontecer?
O grupo Juventude Teatral Lajense tem se mostrado importante no cenário artístico do município de Lajes no Rio Grande do Norte. Como estou a frente do projeto, gostaria de divulgar nessa página virtual um pouco do retrospecto do grupo até a corrente data desta publicação.
Em
agosto de 2020 em meio ao contexto de pandemia do Covid-19, a gestão municipal
de Lajes por intermédio da secretaria municipal de esporte e cultura promovia
uma volta de jovens às praticas artísticas, visando reestabelecer os processos
artísticos e também reestruturar as artes cênicas em Lajes, reaproveitando
jovens e adolescentes aluno-atores que antes compuseram um coletivo teatral
escolar iniciado em 2013 na Escola Municipal Dr. Eloy de Souza e finalizada em
2018 justamente com a peça Alzira Mulher, que foi apresentada no
Festival de teatro escolar da UERN (FESTUERN).
A
princípio, debater sobre o fazer teatral visava perceber a importância da arte
no cotidiano de jovens e adolescentes que até então se viam num processo de
redescoberta e de mudanças na vida social. Deste modo iniciou-se um processo
autônomo e de grande importância na arte cênica local, quando jovens resolveram
criar um novo coletivo artístico, o Juventude Teatral Lajense. A peça tema do
grupo estava mirado em Alzira Soriano, por isso, o texto base para ser
trabalhado na sua primeira montagem, foi Alzira Mulher (2008), sendo
apresentado de forma bem modesta no programa da web tv em Natal e depois na
FEMPTUR do ano de 2021, daí então o grupo não parou de receber convites para se
apresentar em natal, mostrando também o talento de seus jovens na Mostra
Cultural Brasil Mostra Brasil do mesmo ano.
Ainda
em 2021, surge a primeira parceria com outro coletivo cultural, a junina
sensação da cidade de Fernando Pedroza, e a partir dessa parceria, a Juventude
Teatral Lajense apresenta de forma grandiosa dentro da programação da festa da
padroeira, o espetáculo temático à padroeira do município lajense, com a peça Oratório
de Conceição. Desafio esse que teve duas apresentações no total, durante as
festividades religiosas e também na edição do festival literário de Lajes
(Flilajes). Já em 2022, o grupo retoma suas atividades com a proposta de
ampliar o espetáculo Alzira Mulher, dessa vez, ganhando o status de
espetáculo de médio porte. Inicia-se os ensaios do espetáculo, juntando a
história de Alzira Soriano com um pouco do surgimento de Lajes aliado à teatro
e dança, daí resulta num espetáculo relevante dentro da programação de Uma
noite no palácio, e no dia 29 de Abril estreia o grandioso espetáculo,
sendo reapresentado no dia seguinte, sendo visto por autoridades da política
estadual como a própria governadora do estado do Rio Grande do Norte e também
familiares da própria anfitriã.
Após essa meteórica apresentação, na qual o grupo foi o primeiro que abriu portas pra contar essa história num espetáculo de tamanha relevância. Seguiu-se a programação junina, em que na ocasião, o grupo divaga na tradição popular dos festejos juninos e cria a encenação O Casamento de Xitinha e Zé Quadriculado, abrilhantando a programação junina do município e de cidades vizinhas, além de se apresentar também na FEMPTUR pela segunda vez consecutiva juntamente de outra nova montagem que contava um pouco da cultura lajense, o espetáculo Lajes: No Meio de Tudo, montagem essa que permeava o imaginário popular e promovia o turismo em Lajes. Ainda no mesmo ano, o grupo encerra o ano com mais uma montagem teatral, no qual contava a historia do nascimento de Cristo no contexto local, essa era a peça O Auto do menino Deus e Lajes a Cidade Escolhida.
Em 2023, o grupo ainda ativo apresenta uma dança popular alusiva ao Boi de reis do Rio Grande do Norte, trazendo para a festa de reis, um folguedo popular de grande relevância para a efervescência de nossa cultura. Logo após a CIA de jovens atores de Lajes se prepara para a viagem mais longa que um grupo teatral lajense já percorreu. O grupo de jovens atores ganha o Brasil e vai até Brasilia-DF representar a cultura lajense e divulgar Alzira Soriano na Marcha dos prefeitos, dando uma visibilidade ainda maior às praticas teatrais do grupo. A Juventude teatral Lajense inicia a montagem do segundo espetáculo Alzira Mulheres, agora com um figurino novo, investido pela gestão municipal, equipando o acervo do grupo e dando possibilidade de ter material físico para trabalhar. Atualmente o grupo encontra-se em reconstrução de elenco, devido à muitos componentes terem se evadido, para atuar em outros projetos pessoais, de estudo e profissionais, culminando com um coletivo aberto à toda a comunidade que anseia em fazer teatro.
BIOGRAFIA
Com
três anos de idade
Segue
o destino comum
Pois
a vida complicava
Emprego
não tinha um
Seu
pai na dificuldade
Foi
embora pra Assu
Já
na terra da poesia
Sustentou
bem a família
Vendendo
artesanato
E
outras especiarias
Não
tinha uma formação
Mas
havia alegria
Observando
seu pai
Vivendo
a cada dia
Aprendeu
a desenhar
E
outras alegorias
Se
expressava livremente
E
até mesmo na poesia
Mesmo
o pai sem formação
Foi
quem o alfabetizou
Toda
tarde rotineira
Ensinando
dedicou
Pois
o gosto de estudar
Foi
seu pai que incentivou
No
quintal de sua casa
Circo
era a brincadeira
Vivia
de palhaçada
Não
havia outra maneira
De
se descobrir que a arte
Era
sua companheira
Na
escola estadual
Conheceu
a arte cênica
Um
palquinho pequenino
Mas
com grande eficiência
Interpretou
um esquilo
Com
tamanha eloquência
Uma
infância dividida
Entre
Lajes e Assu
Na
terra do cabugi
Num
apego incomum
Não
esqueceu a origem
Chão
querido só tem um
Já
com 19 anos
Resolve
ir estudar
Foi
embora pra Natal
E
queria se formar
Resolveu
cursar teatro
Pra
sua terra regressar
26
anos depois
Regressa
a sua terra
Pra
ensinar sua arte
À
cidade que o carrega
Um
lajense inovador
Com
a arte em sua cela
Na
escola Eloy de Souza
Criou
grupo teatral
Ajudou
a ganhar prêmios
E
escola deu moral
Conquistou
o festuern
Viajou
até Natal
Ensinando
a arte pura
Se
encontrou na docência
Capacita
cidadãos
A
buscar a consciência
Lecionando
todo dia
Cultivando
a paciência
Hoje
na nossa cidade
Olha
lá o professor
É
grato por todo mundo
Que
e ele confiou
Regressar
à sua terrinha
Que
pra sempre o conquistou.
Me chamo Fabio Fernandes, em 30/02 de
1986 eu nasci em Lajes no RN. Meus pais se chamam Raimunda e Francisco. Com
relação a minha infância, logo pequeno vivenciei um pouco a minha família na
cidade de origem, vivi em Lajes por pouco mais de 3 anos de idade, lembro de
brincar na praça, nos canteiros floridos e de assistir TV na praça em frente a
minha casa, na época era comum ter uma televisão nas praças, onde se reuniam
pessoas pra assistir jornais, filmes e novelas. Isso era normal, uma vez que
naquela época (década de 80) ter um aparelho de televisão a cores era artigo de
luxo, o mais básico assistia em tv preto e branco.
No inicio dos anos 90 fui com minha família pra Assu. Meus pais sem qualificação e estudos pendentes e incompletos nos sustentavam com o que aparecia pra fazer, minha mãe sempre foi mulher do lar e meu pai fazia de tudo um pouco... Lembro que ele tinha um cachorro que se chamava Lupe, e era domesticado, fazia coisas que é atípico para um cachorro normal, coisas como rolar no chão seguindo comandos do dono, fazer compras com o dinheiro na boca, rodava, andava com duas patas, fingia de morto... E uma memoria que me marcou foi quando esse cachorro morreu, meu pai sempre o soltava com a corrente amarrada no pescoço pra passear na noite, certa vez ele pulou o muro do vizinho, a corrente enganchou e ele morreu enforcado no lado do vizinho, lembro de ver meu pai triste, cabisbaixo enterrando o cachorro. Isso me fez sentir afeto pelos animais. Também era normal na minha infância brincar de circo no fundo do quintal, fazer palhaçada, brincar de esconde-esconde, jogar bola na lama, tomar banho de chuva com os amigos e vivenciar uma infância sem muita violência, drogas explicitas e também sem celulares. Certo que não tínhamos tanta informação como as crianças de hoje tem, porém vivíamos num nível de inocência maior. A vida era mais palpável, real e menos virtual.
Na TV era comum assistir desenhos animados e ir pra escola e comentar sobre os episódios e personagens, meu sonho era poder assistir animes na TV Manchete, pois só podia acessar esses canais se tivessem antena parabólica, outro objeto disputadíssimo, o rádio era nosso relógio e telefone mantinha-se como artigo de luxo. Conforme o tempo passou aprendi que hoje em dia as crianças não respeitam mais a hierarquia, não chama os mais velhos de senhor e senhora, não dizem obrigado, bom dia, boa tarde e boa noite e acima de tudo, não vivem na coletividade pois estão presas na ilusão da virtualidade, vivendo numa grande solidão.