quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Processo criativo do curta PERDIDOS (2012)




Aqui destaco imagens do processo criativo do meu mais recente trabalho na área áudio-visual. Imagens do curta metragem PERDIDOS, gravado em Janeiro de 2012 na Serra da Gameleira no município de Caiçara Rio dos Ventos-RN.

Neste trabalho, exploro as belezas naturais buscando atribuir o valor imagético do lugar, o âmbito rural, pressupõe um espaço natural, virgem e inexplorado pela presença humana. 

Os conflitos portanto, partem de personagens sem identidade própria, sem sexo, ideologia, metas predefinidas ou objetivos mais rebuscados. O que liga a existência desses seres é o fato de estarem perdidos em um lugar que se torna o não-lugar.

Mas como atribuir uma afirmação e negação simultaneamente, uma vez que gera uma ideia paradoxal? Como explicar que esses personagens não se explicam pelo simples motivo de existirem e não reconhecerem essa solides vivencial? 
 A busca por uma afirmação por parte dos personagens de PERDIDOS me faz refletir cada vez mais sobre  o sentido ou ausência dessa razão em existir.A não-resposta contida nesse trabalho em especifico, revoluciona de certo modo meu conceito sobre a arte enquanto ferramenta questionadora, que sugere ao leitor inúmeras possibilidades de reflexão, impondo de certo modo, um contexto a partir da dramaturgia não-linear apresentada a mim pelo Teatro, deveras até então confortante por não exigir explicação ao fazer determinado extrato cênico.
Mas por que retratar a utopia com crianças? Tenho que ser sincero de dizer que estas estão mais dispostas em receber "ordens" a respeito do processo de gravação como um todo, alem de parecer algo novo e divertido para eles. Não só pela facilidade na condução de atores, mas também no peso que a figura até então inocente sugere para quem se deleita a ver a obra, quer compreendam ou não. 

Este não é meu primeiro trabalho com crianças no "foco" das atenções, em "Bom dia Bia" e " A Menina e o Bambolê", destaco a imagem da criança como suporte para um trabalho mais fácil de conduzir, elas estão protagonizando "historinhas" que pra elas não causam tanto impacto no momento, porem elas não se sentem crianças "bobinhas" representando personagens fracos contextualmente e inseridas numa historinha mais bobinha ainda. Acredito que daqui há alguns anos, estas crianças no auge de suas adolescências notem que ja faziam arte numa perspectiva critica  alem dos clichês cotidianos. 
  

 PERDIDOS se tornou portanto, um objeto de estudo, algo novo pra mim enquanto diretor e pesquisador em arte, considerando que tenho ainda um vasto caminho a percorrer numa perspectiva positiva do termo.

Aproveito o ensejo o te convido a buscar refletir um pouco mais nas nossas crianças, quem sabe nelas não estejam contidas as possíveis respostas para o sentido da vida.


Confira mais fotos de nosso processo criativo :       Sarah Richele


 Maick Wilian


 Sarah e David


 David Ramon
Leandro Lourenço
 Fábio Lucas

Leo
Release 
Um menino qualquer está perdido numa mata desconhecida e não revelada, caminha em busca de encontrar uma  possível "saída", mas encontra outros meninos também perdidos no meio do caminho, por não reconhecerem o lugar em que habitam, eles tornam-se inúteis ao seu interlocutor. Mais a diante, este menino encontra uma menina que também está perdida, eles portanto, se unem para saírem deste lugar e se encontrarem finalmente, mas logo descobrem que esta terra tem um dono, este que de certo modo está na mesma situação de todos os outros, completamente perdido e eternamente ligado ao mundo desconhecido.
                  Assista o filme:
Perdidos busca contar o não-contável, questiona o universo do desconhecido, delimita o espectador ao eixo do não-compreensível. Uma dramaturgia não-linear que perpassa o território do que se torna concreto e ao mesmo tempo irreal.


PERDIDOS

com:
David Ramon
Sarah Richele
Maick Wilian
Leandro Lourenço
Fábio Lucas
Léo

Maquiagem e Figurino
Dalvanete de Souza

Roteiro e Direção

Fábio Fernandes

Musica 
Coco-Rosie
Salvaon
Nando Cordel

2012


Há Luz Em Tua Face ( Lid Galvão)


Vida no cabelo teu,
Como um dia que renasce
Renovando este amor meu.

Este cálido gracejo em teu olhar
É-me certeiro, torpecente.
Também meu sono a contrariar
Corpo e noite adormecente.

Tua intencionada aura abraça-me com sentir,
Mas são afagos para mim indesejáveis.
Preferiria em direção a tua boca ir,
E manejar teus sonhos aspiráveis.

Toca-me cada centro radiante
De cada ilusão tua.
Então, ainda mais desejante,
Surjo em rima solene tal poetisa nua.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Perdidos (Fábio Fernandes)

Aqui está mais um curta em minha lista de trabalhos independentes, desta vez apresento Perdidos , um filme experimental pelo qual me senti muito bem dirigindo, esta obra foi gravada na serra da Gameleira, Caiçara Rio dos Ventos em Janeiro de 2012

Este trabalho, mostra um pouco se minha pesquisa no âmbito das artes visuais, uma vez que em meio as divergências que permeiam a produção da obra, visa numa perspectiva positivista deixar aflorar a criatividade em vários lugares pelos quais me adentro a experimentar as possibilidades alem do mero registro. 

Perdidos busca contar o não-contável, questiona o universo do desconhecido, delimita o espectador ao eixo do não-compreensível. Uma dramaturgia não-linear que perpassa o território do que se torna concreto e ao mesmo tempo irreal.

Confira:

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ARTEANDO #3 Agosto da Alegria 2012 (O MARICAL )

O terceiro programa da série Arteando do blog O MARICAL, traz uma breve cobertura do evento "Agosto da alegria" mais em especial o Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro.
Confira:

REVELANDO RONALDO LIMA, O ESCULTOR



Na abertura do Salão de Arte popular Chico Santeiro, na abertura do Agosto da Alegria 2012, tive o prazer de conhecer o escultor Ronaldo Lima, este teve uma obre representada no referido salão, desta forma me aventurei em querer conhecer um pouco mais sobre seu trabalho artístico, uma vez surpreso com tamanha habilidade pra se trabalhar com sucata evidenciando o nordeste brasileiro apresento para nossos leitores um pouco sobre esse talentosíssimo artista.
 

 

O escultor baiano, Ronaldo Lima apresenta ao público feirense e visitantes uma coletânea do seu trabalho em exposição no Museu Parque do Saber, Dival Pitombo, em Feira de Santana, nesta oportunidade através das Lentes de Dom Peixoto produz este documentário cultural para divulgação de seu trabalho e obra nas redes sociais, utilizando-se deste canal.


A trilha sonora foi composta por Leno Peixoto, utiliza-se trechos musicais da obra de Luís Gonzaga.


Saiba mais sobre o escultor Ronaldo Lima:

Agosto da Alegria 2012- Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro

Nesta quinta dia 09 de Agosto de2012, deu inicio a exposição do Salão Nordeste Chico Santeiro de Arte Popular, componente artistico que está dentro da programação do Agosto da Alegria, a equipe de nosso blog esteve no local e conferiu um pouco do evento.










Devo admitir que o salão está muito interessante, vale a pena conferir:












Em nome do legado de Chico Santeiro


Por Tadzio França 


O conceito de arte é o mais amplo que existe - e está sempre em discussão. Alguns rótulos se fazem necessários para facilitar a compreensão dos apreciadores e conduzir exposições. Um recorte popular é o que oferece, a princípio, o Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro, cuja segunda edição segue até o dia 07 de setembro, na Pinacoteca do Estado. Entre 30 artistas diferentes e uma média de 70 obras expostas - todas à venda (ou já vendidas) - observa-se que a ideia de arte popular exibida na exposição está mais aberta do que parece - ou deveria. 

Emanuel AmaralConsiderada uma das grandes artistas populares, Luzia Dantas, de Currais Novos, ficou em 4º lugar com a obra Os Retirantes, peça em madeira
Considerada uma das grandes artistas populares, Luzia Dantas, de Currais Novos, ficou em 4º lugar com a obra Os Retirantes, peça em madeira


A dimensão regional oferecida pelo Salão Chico Santeiro é abrangente, mas pode confundir a percepção do que seja uma arte verdadeiramente popular. O salão expõe amostras de desenhos, esculturas, colagens e gravuras, sendo que o segmento da pintura foi o mais favorecido  com os três primeiros lugares, numa mescla de pinturas naif e acadêmicas.



O colecionador e marchand Antônio Marques foi um dos idealizadores do projeto, já prestou consultoria para o próprio, mas acredita que algumas ideias precisam ser revistas. "Os critérios de escolha das obras precisam ser mais pensados. Por que dedicar os três prêmios maiores à pintura, se temos esculturas, desenhos e xilogravuras igualmente excelentes? Acho que a premiação precisa ser desmembrada, uma divisão por categorias seria o mais justo", afirma. 



"Os critérios de arte popular  deveriam ser mais esclarecidos para evitar equívocos. Sei que na hora da prática essa divisão não é tão fácil", completa. Antônio Marques reforça a ideia de que o salão precisa ser coerente com a obra de seu inspirador, Chico Santeiro, um artista intuitivo, autodidata e realmente popular. "Vejo obras no salão que possuem um conceito totalmente acadêmico, obras refinadas ou muito modernas para representarem a cultura popular. Nós temos uma tradição muito rica de artistas santeiros, algo que poderia ser melhor representado na mostra", diz. Marques ressalta os trabalhos de alguns artistas do salão, como "Os retirantes", de Luzia Dantas, uma senhora octagenária de Currais Novos que faz poéticas esculturas de madeira há 60 anos. 



Outras obras mantêm o espírito original do salão popular, segundo Antônio Marques, como as pinturas genuinamente realistas de Rosa Maria da Costa, uma artista da periferia que retrata cenas do cotidiano humilde; os quadros de madeira mogno esculpidos em  peça única,  repletos  de detalhes entalhados a cargo de Raimundo Araújo (o Mundoca), e um oratório barroco feito a partir de madeira resina e bisquiti. Apesar dos ajustes a serem feitos, Marques afirma que o salão é importante por evidenciar os artistas. "É uma novidade no Estado, e que movimenta o cenário. Ano passado participei da seleção, e não dávamos conta de tanta gente que mandou seus trabalhos", diz. 



O professor e pesquisador de arte popular Everardo Ramos afirma que o próprio edital não favorece a seleção de artistas genuínos do segmento. "Os critérios são vagos e equivocados. Coisas como 'utilização de materiais' e 'linguagem estética' não significam nada. O formato é incongruente com o edital, já que vejo aqui pessoas letradas, formadas, com longo currículo de exposições. Óleo sobre tela não é arte popular. O edital exige uma série de documentos. Os artistas populares de verdade nem saberiam como participar disso. O evento em vez de chamar, deveria procurar esses artistas", ressalta. 



Everardo chama especial atenção sobre a obra de Francisco Everaldo dos Santos, mais conhecido por Seu Santos, um exímio e diferenciado escultor em madeira. "É um dos maiores artistas populares em atividade no Estado", afirma. Santos ficou em 14º lugar na seleção geral do salão. "Não conheço um artista local como Seus Santos. Apesar de nunca ter feito um curso na vida, suas obras são de um requinte impressionante. É popular, mas quase acadêmico de tão refinado", diz. Será a primeira vez de Santos numa exposição coletiva deste porte. A mostra particular do artista será no fim de agosto, no Museu de Cultura Popular. 



Artistas foram prejudicados por terem enviado "foto ruim" da obra, justifica diretora



A diretora da Pinacoteca do Estado, Vanderci Holanda, explica  que muitos artistas foram prejudicados em sua classificação por terem enviado uma foto ruim de sua obra no material de inscrição. Apesar dos percalços, ela ressalta que o salão promete repetir o sucesso do ano passado. "Temos um mercado consumidor de arte muito bom e que está começando a aparecer. Faremos três salões e mais 16 exposições até março de 2013. Há gente que não sabe que temos artistas tão bons. O salão é uma forma de divulgar nossa arte", conclui. 



PREMIADOS



Receberam, cada um, o prêmio de R$3 mil reais: Mário Sérgio de Lima, representando brincantes em movimento; o já conhecido Ivo Maia, com suas mandalas e cabalas conceituais, e a pernambucana Ivone Mendes, com telas em acrílico representando cenas de infância sob uma perspectiva naïf (ingênua). Os demais selecionados ficaram com R$400. Artistas de todo o Nordeste enviaram seus trabalhos para o concurso,   sendo avaliados por uma comissão local.



Seu Santos: o detalhismo que nasce da observação



A obra de Francisco Evaristo dos Santos nasce da pura e simples observação. Um olhar dos mais detalhistas, já que suas esculturas em madeira são expressivas, cheias de detalhes,  movimento e sentimento. 'Seu Santos' faz paisagens em madeira. Para o Salão de Arte Popular ele trouxe a peça "Carregando água do Lajedo", mais um exemplo de como ele elabora momentos entalhados. Apesar de figurar em algumas das melhores coleções de arte popular do Estado, Santos permanece praticamente desconhecido no meio artístico potiguar. 



Nascido no interior da Paraíba, ele veio ainda criança para o Rio Grande do Norte. "Fui criado num sítio. Quando chovia, eu pegava o barro mole e fazia imagens de animais, eram meu brinquedos", conta. Por muito tempo, seu trabalho foi em cerâmica. Ao ver  a fragilidade do material, partiu para a madeira umburana, de corte fácil e macio. Um problema de saúde nas pernas, que o impediu de trabalhar no campo, fez com que Santos abraçasse de vez a arte da escultura. 



A maior inspiração de Santos é a vida rural. "Sempre gostei de observar, de descobrir formas. O que eu achava bonito, me esforçava pra fazer igual", conta. E assim foi surgindo sua arte. As imagens figurativas do escultor reproduzem cenas de personagens religiosas, pescador, homens carregando latas de água, lenha e peixe, segurando a enxada, etc. São cenas que ele diz guardar na memória, da época em que morava em Caicó.  



Por muito tempo, Santos vendeu suas peças nas ruas, de porta em porta, com as estatuetas debaixo do braço. Até que colecionadores de olhar mais aguçado perceberam a riqueza de suas peças e passaram a encomendar, e valorizar. A natureza do trabalho artesanal e solitário faz com que Santos produza pouco. Suas peças podem levar de 15 dias a um mês, dependendo do tamanho. Os maiores trabalhos foram encomendados para igrejas, como a de São Gonçalo, que ele levou oito meses para concluir. 



Seu Santos não guarda nada em casa. Tudo que faz, seja por encomenda ou não, logo sai para a venda. "Não posso me dar ao luxo de guardar peça em casa. As vendas são minha sobrevivência", diz ele, que mora atualmente no bairro das Quintas. Para a exposição no Museu de Cultura Popular, programada para o fim do mês, o professor Everardo Ramos está tomando peças emprestadas junto  aos clientes de Seu Santos. "Será um privilégio para mim ver as estátuas num lugar só. Eu gosto de ter esse reconhecimento", afirma o santeiro.  

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