terça-feira, 21 de agosto de 2012

DESIGN ESCANDINAVO: VANGUARDA ATRAVÉS DO TEMPO


por 

Hans Wegner, Arne Jacobsen, Verner Panton, Eero Saarinen, Nanna Ditzel e Louise Campbell. O que esses grandes nomes do design têm em comum? São todos representantes da Escandinávia, região que tem se mostrado celeiro da vanguarda do design por muito tempo.
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© Hans Wegner, (Wikicommons, Ninahale).

Ao se procurar referências sobre ícones do design, a associação com o design escandinavo é natural e imediata. A fama do design originado na Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia se perpetua através do tempo, mantendo-se como vanguarda e reiterando o seu valor como ícone clássico e do bom gosto.
O desafio da industrialização
O design escandinavo passou a se tornar notório na década de 1950, devido à sua funcionalidade e praticidade, mas a sua história começa muito antes, na primeira metade do século XIX, com o término do sistema tradicional de produção artesanal devido à evolução da produção industrial. Enquanto muitos países viam suas tradições artesanais serem perdidas, a Suécia criou em 1845 a Sociedade Sueca de Artesanato e Design Industrial que visava a evolução dos meios de produção, porém sem perder as características que tornavam o produto artesanal escandinavo digno de excelência.

Essa tentativa de manutenção da excelência artesanal ocorreu não só na Suécia, como também nos demais países escandinavos, que passaram a trabalhar em busca da modernização que tornasse seus produtos competitivos e atraentes internacionalmente, mas sempre sem perder a qualidade que os caracterizava. A Exposição de Artes e Indústrias de Estocolmo, em 1897 ajudou o início da sua projeção internacional.
Funcional, simples e barato
Apesar da fama do design escandinavo vir desde o final do século XIX, o seu auge só foi alcançado mesmo na década de 1950, quando o desenho simples, funcional, minimalista e barato que tornava a produção em massa altamente viável passou a ser aclamado no pós II Guerra Mundial. Em 1951 foi criado o Lunning Prize, prêmio atribuído a eminentes designers escandinavos que durou até 1971 e consagrou internacionalmente nomes como o do designer dinamarquês Hans Wegner.

Some agora a todas as características já citadas uma boa dose de talento. Esta região é desde há anos celeiro de grandes talentos que acrescentam à excepcionalidade do produto escandinavo uma boa dose de originalidade e vanguarda.
Um dos grandes nomes desta interminável safra é o dinamarquês Hans Wegner (1914-2007) que estudou na Escola de Artes Aplicadas de Copenhagen onde posteriormente foi professor. Seu estilo, que agrega funcionalidade orgânica ao modernismo, ficou famoso em todo mundo e contribuiu para a disseminação da qualidade dos produtos dinamarqueses. Wegner desenhou mais de 500 cadeiras diferentes, sendo que, destas, 100 foram artigos de produção em massa. Sobre a excelência e simplicidade do design disse: "Muitos estrangeiros têm me perguntado como nós fizemos o estilo dinamarquês. E eu respondi que sim ... foi um processo contínuo de purificação, e para mim de simplificação, para reduzir os elementos mais simples possíveis de quatro patas, um assento e combinado trilho superior e apoio de braço. "
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© Arne Jacobsen, Cadeira Ant (imagem da esquerda), (Wikicommons).© Arne Jacobsen, Cadeira Série 7 (imagem da direita), (Wikicommons).

A Dinamarca também é berço de talvez um dos mais famosos designers escandinavos. Arne Jacobsen (1902 - 1971) era também arquiteto e estudou na Academia Real Dinamarquesa de Belas Artes. O trabalho de Jacobsen é versátil: inclui edifícios, mobiliário, papel de parede e talheres. Porém, o que o tornou de fato um ícone mundial do design e o levou a ganhar vários prêmios internacionais foram suas cadeiras. A cadeira Ant de 1951 e a Série 7 de 1955 se tornaram as cadeiras de maior sucesso comercial do mundo.
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© Arne Jacobsen, Cadeira Egg, (imagem da esquerda), (Wikicommons, Scott Anderson).© Arne Jacobsen, Cadeira Swan, (imagem da direita), (Wikicommons, Sailko).

Um terceiro dinamarquês se tornou um dos ícones do design inovador, com obras profundamente não-convencionais. Verner Panton (1926 – 1998), engenheiro e arquiteto, chegou a trabalhar com Arne Jacobsen, mas logo montou seu próprio escritório e enveredou por um mundo de cores e formas que desafiam a lei da gravidade. A Cadeira Panton de 1960 ganhou vários prêmios e se tornou peça de museu por seu design inovador, sendo a primeira cadeira de plástico feita de um único ponto. O próprio Panton resumiu muito bem seu trabalho "A maioria das pessoas passam suas vidas vivendo nas sombras, numa conformidade bege, mortalmente com medo de usar cores. O propósito principal do meu trabalho está em provocar as pessoas para usar sua imaginação e fazer as suas imediações mais emocionantes”.
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© Verner Paton, Móveis, (imagem da esquerda) (Wikicommons, Hans Jørn Storgaard Andersen).© Verner Paton, Cadeira Heart Cone, (imagem da direita) (Wikicommons, Desmeki).

Mas nem só de dinamarqueses é feita a fama do design escandinavo. Eero Saarinen (1910-1961) foi um arquiteto finlandês e designer brilhante. Cresceu nos Estados Unidos, na Comunidade de Arte de Cranbrook em Michigan onde seu pai lecionava, e era amigo dos famosos designers americanos Charles e Ray Eames. Saarinen se associou a Charles Eames, com quem desenvolveu uma série de móveis vanguardistas que receberam prêmios - inclusive do Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa. Saarinen é considerado um dos mestres do design e uma de suas criações mais famosas é a série de cadeiras Tulipa.
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© Eero Saarinen, Cadeira Tulipa (Wikicommons, Holger Ellgaard).

Mas não temos apenas homens. Duas designers têm grande destaque internacional e honram a participação feminina na tão falada excelência escandinava. Ambas são dinamarquesas. Nanna Ditzel (1923-2005) estudou na Escola Dinamarquesa de Artes e Ofícios e na Academia Real de Belas Artes de Copenhague. Seu trabalho ficou conhecido no pós II Guerra por utilizar materiais e técnicas inovadoras. Ditzel criou, além de peças de mobiliário, projetos em tecelagem e joias. O estilo de Nanna é conhecido por ser arrojado e conjugar de maneira incrível elementos geométricos e organicidade. Sua cadeira Bench for two ganhou em 1990 a Medalha de Ouro no Concurso Internacional de Design de Mobiliário no Japão.
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© Nann Ditzel, Banco para dois.

A segunda é a designer Louise Campbell (1970-), que se formou na London College of Furniture em 1992 e continuou seus estudos na Dinamarca, na Industrial Design at Denmarks Design School. Em 1996, inaugurou seu estúdio de design. Seu trabalho se destaca por misturar “racionalismo escandinavo e feminilidade” (como é descrito em seu próprio site), resultando em um trabalho funcional, porém extremamente delicado. Campbell também investe em atividades como curadoria de exposições focadas no artesanato contemporâneo.
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© Louise Campbell, Bless You (Wikicommons, BRAHL FOTOGRAFI).

O design escandinavo é referência mundial e ainda se mantém como vanguarda por possuir uma mistura única que agrega funcionalidade, conforto e simplicidade a uma boa dose de talento. O resultado se traduz em obras de encher os olhos!
biancavale
bianca vale é apaixonada por Design, Van Gogh, histórias bem contadas e gentileza. Pensa em um milhão de coisas ao mesmo tempo e resolveu começar a escrever para dividir tanta inquietude com outras pessoas. Saiba como fazer parte da obvious.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2012/08/design_escandinavo_vanguarda_atraves_do_tempo.html#ixzz24FCEOZRM

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A influência da mídia na sociedade moderna


Inspirada pelo mais recente vídeo do vlog Desce a Letra  venho aqui com um texto que discute a gigantesca influência que a mídia têm sobre a sociedade atual. Uma crítica ao poder de alienação em massa patrocinado pela corrupção de emissoras de televisão que deveriam ter um compromisso com a verdade. Espero que gostem:

Coma, beba, escute, faça, compre e vote. A cada instante sentado na frente daquele seu belotelevisor você é estimulado a comprar algo e sofre influência da mídia em suas ações cotidianas. O poder da mídia é jogado em você a cada minuto do qual você busca entretenimento, algo que não seria nocivo se isso não fosse usado para criar pessoas alienadas e sem propósito.


Como tudo aquilo que têm dinheiro envolvido, a televisão virou um lixo, e quer te transformar em algo sem utilidade também. Hoje a televisão têm um poder gigantesco, esse que a dá o direito de alterar os rumos da sociedade, os meios de comunicação  que detém esse poder poderia utiliza-lo para fins produtivos, mas não eles se contentam em colocar você para assistir BBB.


Os meios de comunicação ajudaram a eleger o presidente Collor, algo que não se prende apenas aos meios televisivos, pois famosas revistas faziam questão de mostrar o candidato Luís Inácio de forma pejorativa, como um real imprestável, assim o que estava a frente nas eleições caiu e deu lugar para o sempre engomado Fernando Henrique Collor.


 




Seria legal se uma grande emissora tivesse a real intenção de melhorar a humanidade, mas infelizmente isso não passa de uma utopia. O que realmente importa nesse ramo é o dinheiro, é te fazer comprar o produto que eles vende. Um revoltante exemplo disso é a música sertaneja, no início do movimento empresários de cantores pagavam lugares nas rádios para banda fazer sucesso, ai eu acho que você já deve ter escutado o resto dessa triste história, cantores ruins de sertanejo tocando a cada instante na rádio.


Outro exemplo grandioso disso na mídia é a nossa tão amada e comentada MTV, que seleciona cantores que possuem a 'fórmula do sucesso', mas nem um pouco de talento para passarem  incessantemente na programação, e assim atrair garotinhas na pré-puberdade para arrecadarem dinheiro para a emissora. Cantores esses que muitas vezes compram espaço na programação, isso é realmente revoltante. Eles disseminam música ruim só para faturar, mas ai também temos o outro lado da história, se eles continuam mandando música ruim é por que têm quem escute, se não faturasse eles não ficariam exibindo esse lixo.


 




O problema é que toda essa sujeirada não está apenas no mundo da música, como no caso citado acima os meios de comunicação alteram até mesmo resultados políticos. Quantas vezes você comprou um produto só por que ele apenas passou na programação da Globo? Complicada essa história, somos induzidos a agir conforme os padrões deles e isso é realmente revoltante, pois os valores mostrados na televisão são pífios.


As novelas pregam a superficialidade, como se todas as pessoas tivessem que se encaixar no padrão de boa ou ruim. Situações idiotes e estereotipadas tentam classificar a sociedade e pregar conceitos favoráveis para os seus autores. Uma situação exemplo que me irrita é o personagem Crodoaldo da novela Fina Estampa, que utiliza de uma imagem preconceituosa para com os homossexuais, mas os telespectadores são tão alienados que nem sequer prestam atenção nisso.


Também temos outro lixo midiático denominado Big Brother Brasil, esse programa é uma gigantesca amostra da futilidade que exemplifica o nível que a geração atual chegou. Um programa para qual torcemos por pessoas que são as 'perfeitas'. O mais engraçado dessa brincadeira de BBB é que uma dona de casa que xinga todo mundo da rua pelas costas, crítica duramente a atitude de um participante que fez comentários desagradáveis sobre um colega. Isso sim é pura hipocrisia, julgamos os outros por padrões que nem nós mesmos conseguimos nos encaixar.


 




E a sociedade nessa história toda fica alienada, mais ainda do que já estava. Vivemos os valores empregados pela mídia, sentimos aquilo que ela manda e até mesmo comemos o que ela escolhe. Só para exemplificar melhor o que estou falando, vou citar o lanche CBO do Mc Donald's, a propaganda para a comercialização desse lanche foi tão grande que as pessoas pagaram um absurdo para comer um lanche que de certa forma é simples, não corresponde as expectativas criadas pela propaganda.


As pessoas vão ficando alienadas ao receberem esses estímulos, hoje vivemos a realidade e sabemos apenas das notícias dadas pelo manipulador Jornal Nacional ou as do sensacionalista Datena. Somos acomodados e ficamos contentes com o 1% mostrado nesses jornais que muitas vezes recebem até dinheiro para não mostrarem toda a sujeirada que corre solta.


A mídia e poderosa e isso com certeza não é um problema, o errado é que ela utiliza o seu poder para fins errôneos. Mas se ela continua mostrando besteiras num horário sério é por que têm quem veja, exemplo disso mostrado no vídeo de Cauê Moura é que a notícia mais acessada no site UOL é o paredão formado por Renata e João Carvalho no BBB. O problema não está apenas nos meios de comunicação e sim também nas pessoas que se contentam com ele.


 




Com os avanços tecnológicos não deveríamos continuar preso nessa cela de ignorância na qual vivemos, mas isso está acontecendo por puro comodismo. Estamos a mercê de uma mídia controladora, e não fazemos nada para alterar essa situação, pelo contrário, damos audiência para programas chulos que tornam nossa sociedade cada dia mais alienada e despreocupada com valores que deveriam estar numa escala maior no patamar de significância. 


Os meios de comunicação que deveriam servir para alertar a sociedade para coisas importantes foi corrompido pelo dinheiro e hoje nos leva cada dia mais para o mau caminho, hoje o propósito da mídia é emburrecer a sociedade para não podermos comandar e questionar nosso país, assim caímos novamente no conto Collor onde a mídia elegeu o candidato que seria melhor para ela, tirando nosso poder de escolha. Achamos que estamos em liberdade, mas a situação é o contrário disso. O conceito de falsa democracia atualmente é mais real do que imaginamos, e a única pessoa que pode mudar isso é você, desligando sua televisão e parando de financiar a destruição da nossa sociedade que hoje apanha calada.



Disponivel em:

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Processo criativo do curta PERDIDOS (2012)




Aqui destaco imagens do processo criativo do meu mais recente trabalho na área áudio-visual. Imagens do curta metragem PERDIDOS, gravado em Janeiro de 2012 na Serra da Gameleira no município de Caiçara Rio dos Ventos-RN.

Neste trabalho, exploro as belezas naturais buscando atribuir o valor imagético do lugar, o âmbito rural, pressupõe um espaço natural, virgem e inexplorado pela presença humana. 

Os conflitos portanto, partem de personagens sem identidade própria, sem sexo, ideologia, metas predefinidas ou objetivos mais rebuscados. O que liga a existência desses seres é o fato de estarem perdidos em um lugar que se torna o não-lugar.

Mas como atribuir uma afirmação e negação simultaneamente, uma vez que gera uma ideia paradoxal? Como explicar que esses personagens não se explicam pelo simples motivo de existirem e não reconhecerem essa solides vivencial? 
 A busca por uma afirmação por parte dos personagens de PERDIDOS me faz refletir cada vez mais sobre  o sentido ou ausência dessa razão em existir.A não-resposta contida nesse trabalho em especifico, revoluciona de certo modo meu conceito sobre a arte enquanto ferramenta questionadora, que sugere ao leitor inúmeras possibilidades de reflexão, impondo de certo modo, um contexto a partir da dramaturgia não-linear apresentada a mim pelo Teatro, deveras até então confortante por não exigir explicação ao fazer determinado extrato cênico.
Mas por que retratar a utopia com crianças? Tenho que ser sincero de dizer que estas estão mais dispostas em receber "ordens" a respeito do processo de gravação como um todo, alem de parecer algo novo e divertido para eles. Não só pela facilidade na condução de atores, mas também no peso que a figura até então inocente sugere para quem se deleita a ver a obra, quer compreendam ou não. 

Este não é meu primeiro trabalho com crianças no "foco" das atenções, em "Bom dia Bia" e " A Menina e o Bambolê", destaco a imagem da criança como suporte para um trabalho mais fácil de conduzir, elas estão protagonizando "historinhas" que pra elas não causam tanto impacto no momento, porem elas não se sentem crianças "bobinhas" representando personagens fracos contextualmente e inseridas numa historinha mais bobinha ainda. Acredito que daqui há alguns anos, estas crianças no auge de suas adolescências notem que ja faziam arte numa perspectiva critica  alem dos clichês cotidianos. 
  

 PERDIDOS se tornou portanto, um objeto de estudo, algo novo pra mim enquanto diretor e pesquisador em arte, considerando que tenho ainda um vasto caminho a percorrer numa perspectiva positiva do termo.

Aproveito o ensejo o te convido a buscar refletir um pouco mais nas nossas crianças, quem sabe nelas não estejam contidas as possíveis respostas para o sentido da vida.


Confira mais fotos de nosso processo criativo :       Sarah Richele


 Maick Wilian


 Sarah e David


 David Ramon
Leandro Lourenço
 Fábio Lucas

Leo
Release 
Um menino qualquer está perdido numa mata desconhecida e não revelada, caminha em busca de encontrar uma  possível "saída", mas encontra outros meninos também perdidos no meio do caminho, por não reconhecerem o lugar em que habitam, eles tornam-se inúteis ao seu interlocutor. Mais a diante, este menino encontra uma menina que também está perdida, eles portanto, se unem para saírem deste lugar e se encontrarem finalmente, mas logo descobrem que esta terra tem um dono, este que de certo modo está na mesma situação de todos os outros, completamente perdido e eternamente ligado ao mundo desconhecido.
                  Assista o filme:
Perdidos busca contar o não-contável, questiona o universo do desconhecido, delimita o espectador ao eixo do não-compreensível. Uma dramaturgia não-linear que perpassa o território do que se torna concreto e ao mesmo tempo irreal.


PERDIDOS

com:
David Ramon
Sarah Richele
Maick Wilian
Leandro Lourenço
Fábio Lucas
Léo

Maquiagem e Figurino
Dalvanete de Souza

Roteiro e Direção

Fábio Fernandes

Musica 
Coco-Rosie
Salvaon
Nando Cordel

2012


Há Luz Em Tua Face ( Lid Galvão)


Vida no cabelo teu,
Como um dia que renasce
Renovando este amor meu.

Este cálido gracejo em teu olhar
É-me certeiro, torpecente.
Também meu sono a contrariar
Corpo e noite adormecente.

Tua intencionada aura abraça-me com sentir,
Mas são afagos para mim indesejáveis.
Preferiria em direção a tua boca ir,
E manejar teus sonhos aspiráveis.

Toca-me cada centro radiante
De cada ilusão tua.
Então, ainda mais desejante,
Surjo em rima solene tal poetisa nua.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Perdidos (Fábio Fernandes)

Aqui está mais um curta em minha lista de trabalhos independentes, desta vez apresento Perdidos , um filme experimental pelo qual me senti muito bem dirigindo, esta obra foi gravada na serra da Gameleira, Caiçara Rio dos Ventos em Janeiro de 2012. 

Este trabalho, mostra um pouco se minha pesquisa no âmbito das artes visuais, uma vez que em meio as divergências que permeiam a produção da obra, visa numa perspectiva positivista deixar aflorar a criatividade em vários lugares pelos quais me adentro a experimentar as possibilidades alem do mero registro. 

Perdidos busca contar o não-contável, questiona o universo do desconhecido, delimita o espectador ao eixo do não-compreensível. Uma dramaturgia não-linear que perpassa o território do que se torna concreto e ao mesmo tempo irreal.

Confira:

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ARTEANDO #3 Agosto da Alegria 2012 (O MARICAL )

O terceiro programa da série Arteando do blog O MARICAL, traz uma breve cobertura do evento "Agosto da alegria" mais em especial o Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro.
Confira:

REVELANDO RONALDO LIMA, O ESCULTOR



Na abertura do Salão de Arte popular Chico Santeiro, na abertura do Agosto da Alegria 2012, tive o prazer de conhecer o escultor Ronaldo Lima, este teve uma obre representada no referido salão, desta forma me aventurei em querer conhecer um pouco mais sobre seu trabalho artístico, uma vez surpreso com tamanha habilidade pra se trabalhar com sucata evidenciando o nordeste brasileiro apresento para nossos leitores um pouco sobre esse talentosíssimo artista.
 

 

O escultor baiano, Ronaldo Lima apresenta ao público feirense e visitantes uma coletânea do seu trabalho em exposição no Museu Parque do Saber, Dival Pitombo, em Feira de Santana, nesta oportunidade através das Lentes de Dom Peixoto produz este documentário cultural para divulgação de seu trabalho e obra nas redes sociais, utilizando-se deste canal.


A trilha sonora foi composta por Leno Peixoto, utiliza-se trechos musicais da obra de Luís Gonzaga.


Saiba mais sobre o escultor Ronaldo Lima:

Agosto da Alegria 2012- Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro

Nesta quinta dia 09 de Agosto de2012, deu inicio a exposição do Salão Nordeste Chico Santeiro de Arte Popular, componente artistico que está dentro da programação do Agosto da Alegria, a equipe de nosso blog esteve no local e conferiu um pouco do evento.










Devo admitir que o salão está muito interessante, vale a pena conferir:












Em nome do legado de Chico Santeiro


Por Tadzio França 
O conceito de arte é o mais amplo que existe - e está sempre em discussão. Alguns rótulos se fazem necessários para facilitar a compreensão dos apreciadores e conduzir exposições. Um recorte popular é o que oferece, a princípio, o Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro, cuja segunda edição segue até o dia 07 de setembro, na Pinacoteca do Estado. Entre 30 artistas diferentes e uma média de 70 obras expostas - todas à venda (ou já vendidas) - observa-se que a ideia de arte popular exibida na exposição está mais aberta do que parece - ou deveria. 


Considerada uma das grandes artistas populares, Luzia Dantas, de Currais Novos, ficou em 4º lugar com a obra Os Retirantes, peça em madeira.


A dimensão regional oferecida pelo Salão Chico Santeiro é abrangente, mas pode confundir a percepção do que seja uma arte verdadeiramente popular. O salão expõe amostras de desenhos, esculturas, colagens e gravuras, sendo que o segmento da pintura foi o mais favorecido  com os três primeiros lugares, numa mescla de pinturas naif e acadêmicas.

O colecionador e marchand Antônio Marques foi um dos idealizadores do projeto, já prestou consultoria para o próprio, mas acredita que algumas ideias precisam ser revistas. "Os critérios de escolha das obras precisam ser mais pensados. Por que dedicar os três prêmios maiores à pintura, se temos esculturas, desenhos e xilogravuras igualmente excelentes? Acho que a premiação precisa ser desmembrada, uma divisão por categorias seria o mais justo", afirma. 

"Os critérios de arte popular  deveriam ser mais esclarecidos para evitar equívocos. Sei que na hora da prática essa divisão não é tão fácil", completa. Antônio Marques reforça a ideia de que o salão precisa ser coerente com a obra de seu inspirador, Chico Santeiro, um artista intuitivo, autodidata e realmente popular. "Vejo obras no salão que possuem um conceito totalmente acadêmico, obras refinadas ou muito modernas para representarem a cultura popular. Nós temos uma tradição muito rica de artistas santeiros, algo que poderia ser melhor representado na mostra", diz. Marques ressalta os trabalhos de alguns artistas do salão, como "Os retirantes", de Luzia Dantas, uma senhora octagenária de Currais Novos que faz poéticas esculturas de madeira há 60 anos. 

Outras obras mantêm o espírito original do salão popular, segundo Antônio Marques, como as pinturas genuinamente realistas de Rosa Maria da Costa, uma artista da periferia que retrata cenas do cotidiano humilde; os quadros de madeira mogno esculpidos em  peça única,  repletos  de detalhes entalhados a cargo de Raimundo Araújo (o Mundoca), e um oratório barroco feito a partir de madeira resina e bisquiti. Apesar dos ajustes a serem feitos, Marques afirma que o salão é importante por evidenciar os artistas. "É uma novidade no Estado, e que movimenta o cenário. Ano passado participei da seleção, e não dávamos conta de tanta gente que mandou seus trabalhos", diz. 

O professor e pesquisador de arte popular Everardo Ramos afirma que o próprio edital não favorece a seleção de artistas genuínos do segmento. "Os critérios são vagos e equivocados. Coisas como 'utilização de materiais' e 'linguagem estética' não significam nada. O formato é incongruente com o edital, já que vejo aqui pessoas letradas, formadas, com longo currículo de exposições. Óleo sobre tela não é arte popular. O edital exige uma série de documentos. Os artistas populares de verdade nem saberiam como participar disso. O evento em vez de chamar, deveria procurar esses artistas", ressalta. 


Everardo chama especial atenção sobre a obra de Francisco Everaldo dos Santos, mais conhecido por Seu Santos, um exímio e diferenciado escultor em madeira. "É um dos maiores artistas populares em atividade no Estado", afirma. Santos ficou em 14º lugar na seleção geral do salão. "Não conheço um artista local como Seus Santos. Apesar de nunca ter feito um curso na vida, suas obras são de um requinte impressionante. É popular, mas quase acadêmico de tão refinado", diz. Será a primeira vez de Santos numa exposição coletiva deste porte. A mostra particular do artista será no fim de agosto, no Museu de Cultura Popular. 

Artistas foram prejudicados por terem enviado "foto ruim" da obra, justifica diretora


A diretora da Pinacoteca do Estado, Vanderci Holanda, explica  que muitos artistas foram prejudicados em sua classificação por terem enviado uma foto ruim de sua obra no material de inscrição. Apesar dos percalços, ela ressalta que o salão promete repetir o sucesso do ano passado. "Temos um mercado consumidor de arte muito bom e que está começando a aparecer. Faremos três salões e mais 16 exposições até março de 2013. Há gente que não sabe que temos artistas tão bons. O salão é uma forma de divulgar nossa arte", conclui. 


PREMIADOS


Receberam, cada um, o prêmio de R$3 mil reais: Mário Sérgio de Lima, representando brincantes em movimento; o já conhecido Ivo Maia, com suas mandalas e cabalas conceituais, e a pernambucana Ivone Mendes, com telas em acrílico representando cenas de infância sob uma perspectiva naïf (ingênua). Os demais selecionados ficaram com R$400. Artistas de todo o Nordeste enviaram seus trabalhos para o concurso,   sendo avaliados por uma comissão local.


Seu Santos: o detalhismo que nasce da observação

A obra de Francisco Evaristo dos Santos nasce da pura e simples observação. Um olhar dos mais detalhistas, já que suas esculturas em madeira são expressivas, cheias de detalhes,  movimento e sentimento. 'Seu Santos' faz paisagens em madeira. Para o Salão de Arte Popular ele trouxe a peça "Carregando água do Lajedo", mais um exemplo de como ele elabora momentos entalhados. Apesar de figurar em algumas das melhores coleções de arte popular do Estado, Santos permanece praticamente desconhecido no meio artístico potiguar. 


Nascido no interior da Paraíba, ele veio ainda criança para o Rio Grande do Norte. "Fui criado num sítio. Quando chovia, eu pegava o barro mole e fazia imagens de animais, eram meu brinquedos", conta. Por muito tempo, seu trabalho foi em cerâmica. Ao ver  a fragilidade do material, partiu para a madeira umburana, de corte fácil e macio. Um problema de saúde nas pernas, que o impediu de trabalhar no campo, fez com que Santos abraçasse de vez a arte da escultura. 


A maior inspiração de Santos é a vida rural. "Sempre gostei de observar, de descobrir formas. O que eu achava bonito, me esforçava pra fazer igual", conta. E assim foi surgindo sua arte. As imagens figurativas do escultor reproduzem cenas de personagens religiosas, pescador, homens carregando latas de água, lenha e peixe, segurando a enxada, etc. São cenas que ele diz guardar na memória, da época em que morava em Caicó.  


Por muito tempo, Santos vendeu suas peças nas ruas, de porta em porta, com as estatuetas debaixo do braço. Até que colecionadores de olhar mais aguçado perceberam a riqueza de suas peças e passaram a encomendar, e valorizar. A natureza do trabalho artesanal e solitário faz com que Santos produza pouco. Suas peças podem levar de 15 dias a um mês, dependendo do tamanho. Os maiores trabalhos foram encomendados para igrejas, como a de São Gonçalo, que ele levou oito meses para concluir. 



Seu Santos não guarda nada em casa. Tudo que faz, seja por encomenda ou não, logo sai para a venda. "Não posso me dar ao luxo de guardar peça em casa. As vendas são minha sobrevivência", diz ele, que mora atualmente no bairro das Quintas. Para a exposição no Museu de Cultura Popular, programada para o fim do mês, o professor Everardo Ramos está tomando peças emprestadas junto  aos clientes de Seu Santos. "Será um privilégio para mim ver as estátuas num lugar só. Eu gosto de ter esse reconhecimento", afirma o santeiro.  

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