quinta-feira, 22 de outubro de 2026

TARSILA DO AMARAL; A brasilidade presente no modernismo nacional.

Na primeira fase do modernismo brasileiro, TARSILA DO AMARAL se destaca como uma das mais importantes artistas platicas do país, compondo fortemente o movimento que eclodiu nas artes. Junto à Anita Malfatti, ela ficou conhecida como uma das mais importantes pintoras desse segmento. 

Tarsila do Amaral Pertencia a uma família rica e tradicional. o que contribuiu para que ela tivesse acesso as melhores influencias na europa, nasceu ainda no século XIX em 1º de setembro de 1886, na fazenda São Bernardo, localizada no município de Capivari, interior de São Paulo. Sua família havia herdado fazendas de seu avô, Quando morou em São Paulo, esteve matriculada no Colégio de Freiras. Mais tarde, mudou-se para Barcelona, na Espanha, a fim de concluir o ensino básico. Quando iniciou os seus estudos em arte, começou com escultura, passando a ter aulas de desenho e pintura no ateliê de Pedro Alexandrino, em 1918. Ali, conheceu a pintora Anita Malfatti, por quem desenvolveu uma forte amizade. Vale salientar que com apenas 16 anos, Tarsila pinta seu primeiro quadro.

Na Espanha, Tarsila pintou seu primeiro quadro, intitulado 
“Sagrado Coração de Jesus”, em 1904.

Mas o que de fato representa sua obra? Qual o diferencial para os demais artistas que despontaram no cenario artistico no inico do século XX? Pra entender esse questionamento, é preciso compreender que Tarsila foi uma figura central na renovação da arte no Brasil nas primeiras décadas do século passado. Ela realizou uma pintura muito inovadora, que visava mesclar as influências do modernismo europeu com a clara representação de elementos da cultura e paisagem brasileiras, para isso concluimos que o seu trabalho contem aspectos de "brasilidade", uma vez que suas obras são marcadas por uma forte estética de cores vibrantes e figuras simplificadas, que ajudaram a traçar o caminho para a arte moderna no Brasil.

Na década de 1920 que Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade se apaixonaram e resolveram viajar para Paris, no intuito de viver o romance longe do conservadorismo da sociedade paulista. Oswald de Andrade, poeta e escritor, foi uma das figuras centrais do movimento modernista no Brasil, e Tarsila, por sua vez, estava em pleno desenvolvimento do estilo próprio na pintura, absorvendo as influências das vanguardas europeias. Juntos, eles compartilhavam o desejo de ruptura com as tradições artísticas e culturais do Brasil, buscando uma nova identidade para a arte brasileira, mais autêntica e desafiadora das convenções da época.

Na tela em destaque está a representação de um morro brasileiro, com crianças, adultos, animais e casas populares. Isso expressa a "brasilidade da obra".

Ao traduzir as peculiaridades do Brasil, atraindo para o seu trabalho um olhar singularizado para a arte moderna, Tarsila do Amaral logo se tornou referência no cenário internacional. Isso sobretudo, contribuiu para o avanço da arte brasileira além do territorio nacional, pois no campo das artes, a Europa ainda dominava como a base estrutural sólida do que era padronizado como conceito artistico. Mesmo sendo contemplada por entusiastas, não podemos dizer que a arte brasileira com os modernistas, não furaram a bolha nacional.


A tela os operarios, mostra a diversidade cultural na formação da sociedade brasileira. 
A miscigenação é o elemento que torna a obra rica e com o aspecto de brasilidade. 

Uma das obras mais famosas e reverenciadas de Tarsila, foi o icônico quadro “Abaporu” em 1928, diretamente inspirado pela filosofia de Oswald de Andrade, especialmente suas ideias sobre a "Antropofagia", um movimento cultural, cuja proposta era devorar as influências estrangeiras e criar algo genuinamente brasileiro a partir dessa assimilação. 

 
“Abaporu” (1928) foi fundamental para a criação do Manifesto Antropófago 
de Oswald de Andrade, que se tornaria um dos pilares do modernismo no Brasil.


O movimento "antropofagico" destacava-se justamente por: 
Criar uma estética nacional, com cores vibrantes, formas simplificadas e temas populares; Conectar o Brasil ao modernismo internacional, especialmente após seus estudos em Paris; Inspirar movimentos culturais posteriores, incluindo debates sobre identidade, brasilidade e arte política, entre outros fatores que evidenciavam a cultura brasileira na arte. Principalmente após a semanad de arte moderna de 1922.

A pintura "Antropofagia", de Tarsila do Amaral, tornou-se uma espécie de emblema da arte moderna feita no Brasil, na primeira metade do século XX. Junto com o "Manifesto Antropófago" (1928), escrito pelo poeta Oswald de Andrade.

Tarsila do Amaral foi sem dúvidas, uma pintora brasileira que entrou para a história, ela traz no seu repertório uma formação qualificada e especifica que ganhou notoreidade na historia da arte brasileira, se tornando uma das artistas mais conhecidas do país e consequentemente tendo seus quadros reverenciados internacionalmente até os dias de hoje, pelos adeptos da Arte. 


FONTES

https://www.casadosaber.com.br/autores/tarsila-do-amaral

https://prosped.com.br/arte/tarsila-do-amaral-no-masp/





terça-feira, 20 de outubro de 2026

FOTOGRAFIAS MINHAS PROVINDAS DE UM ROTEIRO TURISTICO.

O multiartista Fábio Fernandes experimentando 
as inumeras possibilidades da fotografia.

Em 2025, estive viajando alguns estados do nordeste, e nessa oportunidade consegui fazer alguns registros fotograficos. Desse modo, falarei um pouco sobre essa experiencia imagética e direi um pouco da experiencia e do simbolismo de cada imagem.

Assim que cheguei na Paraíba, estive visitando uma capela em João Pessoa. Alí, me deparei com algumas esculturas sacras talhadas em pedra sabão. A riqueza dos detalhes das peças foram de muito significado, uma vez que são obras que sobressaem o mero aspecto decorativo. Traz simbolismo sincretico fortissimo e transpõe a sensibilidade do território da fé católica.

        



Nas fotografias dessa sessão, notem que foi explorado a busca dos ângulos de destaque das peças. Nota-se que destaquei as peças de perfil e frontal, para se ter a noção de tridimensionalidade.

Já que o tema é "fé", nada mais simbolico do que as fitas do senhor do bonfim, deixadas por fiéis no local. A policromia é visivel na fotografia, tambem a textura das imagens trazem a noção tátil e sensitiva das cores e das composições materiais das fitas. 
Além da policrimia impressa na composição das fotografias, podemos tambem encontrar o equilibrio, as linhas, pontos focais, textura e movimento das fitas fotografadas.


No mesmo local, optei por fotografar alguns objetos naturais, as flores se destacaram com imponencia, declarando assim sua força e beleza estética.

Em Olinda, no altar da catedral da Sé, consegui registrar essa composição de flores que intercala no espaço cromatico do amarelo ao branco. Remetendo-se a artificialidade de um buque de flores previamente construído para servir de decoração.
Em João Pessoa-PB, fiz o registro desse detalhe de um móvel rococó. Nota-se que a monocromia se destaca numa cor quente. O foco no detalhe do móvel e a ideia de textura enfatizada na obra.

Na feira de Olinda, nas imdeiações da Catedral da Sé, a alegria expressa num dos maiores simbolos do carnaval pernambucano, as sombrinhas de frevo denunciavam geograficamente em que lugar eu me encontrara. 

As referencias do multiculturalismo pernambucano se expressa nas paredes da feira, proporcionando assim uma imagem cheia de significados etnicos e sociais.

Registro da Catedral da Sé, pra não dizer que essa poesia não se fez presente nessa tão significante visita ao estado pernambucano.

Ao  chegar no instituto instituto Ricardo Brennand, me deparei com essa maravilhosa réplica de Davi, estatua renascentista de Michelangelo. Ela se encontra ao ar livre e mostrou um pouco da força da arte clássica ao contemplar de perto uma obra tão fidedigna à real.



Sem dúvida essa ida à João Pessoa-PB e a Recife-PE, me renderam bons registros. Logo, trarei mais fotografias dessa viagem enriquecedora culturalmente.

VIDEO AULA - ARTE GREGA - Prof. Esp. FÁBIO FERNANDES

O resumo da arte grega está numa video aula disponivel no meu canal no You Tube.

FABIO FERNANDES ARTE DOCENCIA.

https://www.youtube.com/watch?v=LRO042EUJoE&t=305s

ESCULTURA HELENISTICA - A linguagem que adicionou sentimento na arte grega meramente estética.

Quando falamos em arte grega, o que nos vem em mente, é uma variedade de referencias, principalmente na arquitetura e escultura. Nessa segunda linguagem, podemos perceber que há tres principais periodos, a fase da escultura arcaica, a classica e a helenistica. Desse modo, quando destacamos o ultimo segmento, podemos desenvolver uma  analise que põe a escultura grega num patamar muito aquem de um modelo estético e simbolico na historia da arte.

Pra começo de conversa, temos que saber que a escultura helenística representa uma das mais importantes expressões da cultura helenistica (período da  historia grega e de parte do Oriente Médio compreendido entre a morte de Alexandre o Grande  em 323 a.C. e a anexação da península grega e ilhas por Roma em 146 a.C.) e o estágio final da evolução da tradição grega de escultura na Antiguidade. A definição de sua vigência cronológica, bem como de suas características e significado, têm sido objeto de muita discussão entre os historiadores da arte, e parece que um consenso está longe de ser alcançado.

As características genéricas do periodo helenistico se definem pelo ecletismo, secularismo e historicismo, tomando como base a herança da escultura clássica e assimilando influências orientais.

Entre suas contribuições originais à tradição grega de escultura estão o desenvolvimento de novas técnicas, o aperfeiçoamento das representações anatomicas e da expressão emocional humana, alem de uma mudança nos objetivos e abordagens da arte, abandonando-se o genérico pelo específico.

Essa forma de olhar o mundo contribuiu pra um outro angulo de represetação artistica na escultura grega, uma vez que,  foi possivel se traduzir no abandono do idealismo clássico de caráter ético e pedagógico substituido pela enfatização dos aspectos humanos cotidianos e tambem do direcionamento da produção para fins puramente esteticos.

Nesse novo contexto da escultura grega, a atenção dada ao homem e em sua vida interior, suas emoções, seus problemas e anseios comuns, resultou num estilo realista que tendia a reforçar o drama, o prosaico e o movimento, e com isso aparecendo os primeiros retratos  individualizados e verossimilhantes da arte ocidental. Isso contribui fortemente para moldar o periodo helenistico nas obras esculturais.

Simutaneamente, ocorre um consideravel crescimento da temática helenistica, com a inclusão de representações da velhice e da infância, de deidades menores, não-olimpicas e personagens secundários da mitologia grega, e tambem de figuras do povo em suas atividades cotidianas.

Para o Ocidente moderno, a escultura helenística foi sumariamente importante no que se refere as posteriores influências nas produção renascentistas, barrocas e neoclassicas que viriam seculos a diante. Mesmo que no século XIX a escultura helenística tenha declinado num desprestígio relevante, e tenha passado a ser vista como mera degeneração do ideal clássico, logo um visivel olhar preconceituoso de intelectuais de arte do século XX, essa escultura na contemporaneidade é vista como um divisor de águas para quem busca compreender a história das estéticas artísticas de modo geral.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

VIDEO AULA : NEOCLASSICISMO - Prof. Esp. Fábio Fernandes.

 


Videoaula resumida sobre NEOCLASSICISMO no meu canal do YouTube 
Fabio Fernandes Arte Docencia.

CONFIRA:


https://www.youtube.com/watch?v=bBHRPDYUSLA

Quando em arte falamos sobre estéticas conservadoras, lembramos do renascimento artístico e cultural, que por sua vez foi um movimento artístico-cultural-cientifico-político e filosófico surgido na Itália do século XIV até o XVII, no qual teve como inspiração, os valores da antiguidade clássica, reformulando a vida medieval e dando início à Idade Moderna.
Com a chegada do Barroco, estilo que dominou a arquitetura, a pintura, a literatura e a música na Europa do século XVII, muitos dos trabalhos criados no renascimento foram deixados pra trás, "esquecidos" por grande parte da sociedade europeia ocidental, justamente pelo crescimento da igreja católica. Esse estilo que por sua vez, tinha características de uma arte rebuscada e exagerada, que Valorizava do detalhe e buscava um universo na perspectiva da obscuridade, sendo fortemente complexa na sua composição.
Após a ascensão do barroco, retoma-se o Neoclassicismo, em palavras mais diretas: o “novo classicismo”. Essa estética de fato representa um movimento artístico e cultural que envolveu a literatura, a pintura, a escultura e a arquitetura. Surge no século XVIII também na Europa, e assim como os demais, se espalha pelo mundo até meados do século XIX.
Mas o que de fato justifica o neoclassicismo, já que é uma proposta de estética artística pautada numa releitura do que já fora produzido na antiguidade clássica e também pelos renascentistas?
Ainda, no meio do século XVIII, uma nova corrente classicista, nítida e influente, centralizada em Roma, enfrentou as últimas manifestações do Barroco e do Rococó, visando sumariamente finalizar a fórmula estética barroca e finalizando os seus excessos, a sua mera decoração fútil, a irregularidade e a ligação direta do clero, preocupado apenas em criar suas ilusões sentimentais em quem aprecia a arte. Não podemos ignorar o crescente interesse pela antiguidade clássica de modo geral, com seus valores de racionalismo, modéstia, equilíbrio, harmonia, simplicidade formal, idealismo e desapego do luxo.
Devido ao neoclassicismo estar ligado ao declínio da influência da religiosa, a ascensão dos ideais do iluministas, que tinham base no racionalismo, combatiam as superstições e dogmas religiosos, e enfatizavam o aperfeiçoamento pessoal e o progresso social dentro de uma forte moldura ética.
Saindo da perspectiva político-idealista dos iluministas, notamos no campo das artes que A arte neoclássica busca inspiração no equilíbrio e na simplicidade, bases da criação na antiguidade, tendo como características marcantes; o caráter ilustrativo e literário, marcados pelo formalismo e pela linearidade, poses escultóricas, com anatomia correta e exatidão nos contornos, temas "dignos" e clareza na composição. A base sistemática dessa linha artística era feita através do segmento conhecido como academicismo, que estabelecia uma série de normas práticas e teóricas para a produção de uma arte de qualidade.
As características que se enquadram nesse segmento estético podem estar na valorização do passado histórico; na Influência da arte clássica (greco-romana); a influência dos ideais iluministas; a oposição aos estilos Barroco e posteriormente ao Rococó; a utilização de temas da mitologia clássica e sobre o cotidiano; também o racionalismo, academicismo e idealismo, pautados na composição estética com harmonia e busca pelo padrão clássico de beleza; Isso tudo é refletido com a simplicidade e o exímio equilíbrio das formas, que sempre seguia os critérios de proporção e clareza. Toda essa manipulação artística e criteriosa visava então, a clara imitação da natureza.

PINA BAUSCH: A bailarina que revolucionou a dança contemporânea.


A dança contemporanea completa a linguagem das artes cenicas, trazendo propostas que desconstrem métodos classicos de concepção criativa. uma vez que sua principal função destaca a comunicação de ideias, questionamento de padrões e a expressividade subjetiva por meio de movimentos reiterando assim, a rejeição de regras rígidas ou passos padronizados. Nesse contexto,  não tem como estudar o estilo e não citar Pina Baush, a alemã é conhecida mundialmente por ser uma personagem fundamental na dança contemporânea e, até hoje, ela serve de exemplo para as novas gerações.

 
Em 27 de julho de 1940, na cidade de Solingen, na Alemanha, nasce Josephine Bausch. Seus pais, que eram donos de um pequeno restaurante anexado a um hotel, colocaram a garota na aula de balé desde cedo. A imersão na arte da dança quando pequena vai influencia sua escolha de profissão anos depois com o passar do tempo. Aos 15 anos de idade, ela foi estudar na Universidade de Artes Folkwang, localizada em Essen. O local era comandado pelo mais influente coreógrafo da época, Kurt Jooss, que misturava teatro com balé. Esse contato com a dança acadeimca acabou profissionalizado-a rapidamente. 

Quatro anos de sua vida, foi totalmente dedicado a aprender a dança e interpretá-la de seu jeito único. Pina Bausch também teve contato com artes gráficas, fotografia e ópera. Aos 19 anos, já formada, ganhou uma bolsa de estudos em Nova York e para lá se mudou em 1958. Dançou na Metropolitan Opera House e, naquele momento, deparou-se com uma pluralidade de linhas artísticas que nunca havido visto na Alemanha, iniciando assim um novo metodo de vivencias no segmento da dança.

Espetáculo ‘Kontakthof’ - Alemanha -1978

Bausch teve contato com grandes coreógrafos da época, como Alfredo Corvino e Antony Tudor, e toda essa bagagem cultura a fez crescer espontaneamente como artista. Dali em diante, o nome de Pina virou sinônimo de originalidade. Chegou a retornar para Folkwang em 1962, e tornou-se solista de lá. Em 1973, ela já comandava o teatro municipal de Wuppertal, onde fez sua companhia crescer, com 33 anos.

Durante o tempo em que trabalhou como coreógrafa, passou por alguns julgamentos do público, pois os métodos que a alemã usava para demonstrar a dança eram vistos como estranhos demais – incluindo linguagem corporal, que era inovador naquele contexto. Mas isso nunca fez com que ela desistisse de reiterar seu pensamento e deixar sua marca nas apresentações que dirigia. A dança-teatro de Bausch entrelaça dança e palavras, que implicam uma constante incompletude, uma busca, uma transformação. Pina Bausch não acredita que o gesto ou a fala possam dizer tudo, uma vez que um completaria o outro, um buscaria no outro o apoio de que precisa. É justamente assim, que podemos compreender a arte desse grande nome da dança mundial.

Pina casou-se com o figurinista Rolf Borzik, com quem teve um filho. Morreu de maneira repentina em 30 de junho de 2009, vitima de um câncer que havia descoberto apenas cinco dias antes de vir ao óbito. Desse modo, o mundo da dança, aida reflete em sua memória, os ensinamento da grande mestre.

“Durante muito tempo, pensei que o papel do artista era despertar o público. Hoje, quero oferecer-lhe no palco aquilo que o mundo, cada vez mais duro, deixou de lhe oferecer: momentos de amor puro (Pina Bausch).


Dosponivel em:

https://claudia.abril.com.br/cultura/conheca-pina-bausch-a-bailarina-que-revolucionou-a-danca-contemporanea/

https://tendimag.com/2020/07/27/pausa-para-trabalhar/

https://teatrojornal.com.br/2015/06/a-danca-teatro-de-pina-bausch/


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

ESCOLINHA DE ARTE NO BRASIL: UM LEGADO DO ARTE-EDUCADOR AUGUSTO RODRIGUES.

No dia 8 de julho de 1948, o artista plástico pernambucano Augusto Rodrigues, que tambem era jornalista, educador, pintor, desenhista, gravador, ilustrador, caricaturista, fotógrafo e poeta; junto a um pequeno grupo de educadores, idealizou no Centro do Rio, um projeto importante para a educação e cultura brasileira. Desse encontro nascia a Escolinha de Arte do Brasil, com algumas crianças dispostas a participar da experiência de desenhar, pintar e desenvover ações artisticas na mais completa liberdade de expressão. Isso torna Augusto, um dos pioneiros na criação das escolinhas de arte no país. 

Aos poucos, essa experiência crescia e começava a se projetar no cenário da sociedade carioca, despertando o interesse de alguns artistas renomados como Osvaldo Goeldi, Fayga Ostrower ou Abelardo Zaluar, poetas como Carlos Drummond de Andrade e Ferreira Gullar, educadores do porte de Helena Antipoff e Anísio Teixeira entre outros prestigiados educadores e intelectuais que vieram participar de suas atividades, de seus cursos que proporcionavam inumeras conversas com troca de ideias, informações, afim de comungar o proposito da escolinha.

Instalada em ampla cobertura de um edifício na Avenida Marechal Câmara, no Centro da cidade, logo vieram as exposições de desenhos e pinturas das crianças, uma delas inaugurada pelo Presidente Juscelino Kubitschek, que seria apresentada em Londres, com patrocínio de Herbert Read, ideólogo da Filosofia da Educação através da arte. 

Com grande sensibilidade à expressão artistica do povo, Augusto Rodrigues abriu o espaço para exposições do mestre Vitalino de Caruaru, com seus bonecos de barro, e do pintor Heitor dos Prazeres. 

Heitor dos prazeres - 
Além de artista plástico, tambem atuava na área musical como sambista e compositor.
Mestre Vitalino 
Maior expoente da escultura em ceramica do nordeste brasileiro.

Com o apoio institucional do Ministério da Educação, por iniciativa de Anísio Teixeira, diretor do Inep, a Escolinha começou a receber professores da rede pública dos estados para cursos de aperfeiçoamento e recreação, o que alertou Augusto para a necessidade de buscar uma educadora com formação pedagógica universitária para coordenar esses cursos. Para tanto, a professora Noêmia Varela, com essa formação, veio do Recife para realizar esse fecundo trabalho, daí surgindo o Curso Intensivo de Arte na Educação (Ciae), reunindo professores do nível de Darcy Ribeiro, para a Antropologia; Nise da Silveira e  Pedro Ferreira, para a Psicologia Analítica; Cecília Conde, para a Música; Maria Helena Novaes Mia, para a Pedagogia; Monique Augras, para a Psicologia Educacional; Ilo Krugli e Pedro Domingues, para o Teatro; Isabel Maria de Carvalho Vieira, para a Literatura Infantil; Sérgio Campos Melo, para as Artes Plásticas; e Orlando da Silva, Marília Rodrigues e José Altino, para a Gravura em metal e Xilogravura. Ou seja: estruturava-se aí uma gama de intelectuais gabaritados no processo da arte educação no Brasil de forma sólida.

O cartunista Ziraldo tambem contribuiu para a escolinha, tanto que ele criou a logomarca do jornal do projeto e propôs diretrizes para a feição gráfica, saindo o primeiro número em setembro de 1970. 

Ziraldo, renomado cartunista brasileiro. Criador do Menino Maluquinho.

A experiência foi-se expandindo pelo país e América Latina, sendo promovidos seminários e encontros como o Latino-Americano, coordenado por Cecília Conde, centrado no tema “A arte do povo na Educação”. Coroando esses eventos, veio o Congresso Mundial para a Educação Através da Arte, com patrocínio da Sociedade Internacional de Educação através da Arte (Insea), presidido por Zoé Chagas Freitas, voltado para o tema: “O Terceiro Mundo e a Educação através da Arte”. 

Ao longo desses 70 anos, não faltaram dificuldades de toda ordem. Em 1993, Augusto Rodrigues partiu para outra dimensão existencial. Coube a Orlando Miranda, profissional ligado ao teatro, assumir a presidência da Escolinha, ficando a direção técnica com a professora Rosza Vel Zoladz do quadro da Pós-Graduação em Antropologia da Arte da Escola de Belas Artes da UFRJ, que deu continuidade aos cursos para crianças e para adultos, contando com o apoio da arte-educadora Helena Trigo em sua realização. 

Houve uma fase de estio após a saída de Rosza, mas a chama da Escolinha não se apagou graças a uma parceria institucional, em desenvolvimento, entre a Escolinha de Arte do Brasil e o Instituto Arte na Escola. A revitalização foi marcada pela célebre noite do dia 16 de agosto de 2017, na Escolinha de Arte do Brasil, com exposição, palestra e arrebatadora performance do Grupo Cultural Jongo da Serrinha, uma tentativa de renovar no presente o olhar precursor de Augusto Rodrigues para Heitor dos Prazeres e Vitalino. 

A iniciativa desdobrou-se em grupos de estudos, oficinas e proposta de viagem no dia 17 de julho de 2018 para Inhotim, um dos maiores centros de arte contemporânea do país. Ao mesmo tempo, em outra frente de ação, buscam-se apoios necessários para a construção da Associação de Amigos da Escolinha de Arte do Brasil, deixando entrever um renascimento da experiência de educação através da arte em nosso meio, tendo por eixo este pensamento de Augusto Rodrigues: “Educação não deve ser um processo de humilhação, mas de libertação do homem”.

Fonte:

https://www.jb.com.br/artigo/noticias/2018/07/08/os-70-anos-da-escolinha-de-arte-do-brasil.html

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/713-augusto-rodrigues

https://www.arrematearte.com.br/artistas/augusto-rodrigues-1913

https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2020/04/trajetoria-de-augusto-rodrigues-ganha-colecao-de-quatro-volumes-da-cep.html

terça-feira, 13 de outubro de 2026

CONGOS DE COMBATE– Siaba mais sobre o Ponto de Cultura e da memória potiguar

No Rio Grande do Norte, assim como em todo o nordeste brasileiro, há uma gama de manifestações folclóricas com muito significado para a composição da identidade cultural da região. Tanto que um dos maiores folcloristas do Brasil é o potiguar Camara Cascudo. Dentre varios coletivos culturais da cena artistica popular, um dos grupos de forte renome no estado é o Ponto de Cultura e Memória Congos de Combate, que há decadas vem desempenhando um papel fundamental na promoção de atividades relacionadas à memória, patrimônio e museologia social no município de São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Natal, mais especificamente na Comunidade de Santo Antônio do Potengi.

Em São Gonçalo, o grupo folclórico de Santo Antônio do Potengi "Congos de Combate" é remanescente dos antigos Congos de Saiote, que também pertencia ao município norte rio grandense. A relevância do coletivo folclorico se torna grandiosa, uma vez que o grupo atua na preservação e valorização da prática ancestral do folguedo Congo; uma manifestação cultural de origem africana que carrega profundas raízes históricas e sociais. Manifestação esta, que fora incorporada na nação brasileira desde o princípio da colonização. Ela em sua organização dramaturgica constitui-se em um bailado dramático com canto e música, que conta a história da Rainha Ginga e da batalha do Rei Henrique Cariongo, rei do Congo, para libertação dos escravos naquele país.  

O Coletivo "Congos de Combate", responsável pela manutenção dessa tradição, realiza pesquisas, registros e ações de preservação que contribuem diretamente para a conservação e perpetuação dessa prática cultural única, garantindo que as futuras gerações possam conhecer e valorizar suas heranças culturais. 

O Auto dramático, por sua vez mostra por meio de mitos, danças, ritmos e oralidades, a beleza da cultura popular e suas influências na formação do povo brasileiro. Este entrecho dramático é precedido das mais variadas cantigas: dobrados guerreiros, benditos de igreja, louvações aos santos padroeiros locais: São Benedito, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora Aparecida, São Gonçalo do Amarante e, ainda, de outras canções das mais diversas procedências, algumas denotando visível influência africana, pela presença de vocábulos de origem negra.

Desse modo, entender a importancia de grupos como o "Ponto de Cultura Congos de Combate", éconstante  compreender de forma direta, a  atuação no que se refere a preservação e fomento da práticas culturais e históricas que fazem parte da formação da identidade do povo brasileiro, pois, enfatiza-se uma maior valorização da diversidade étnica e na luta contra o esquecimento de tradições essenciais para nossa memória individual e coletiva. Além de manter viva, a memória e solidez da cultura potiguar.


Fontes:

https://pontosdeculturapotiguar.org.br/pontos-de-cultura/congos-de-combate/

https://tribunadonorte.com.br/viver/registro-da-resistencia/#google_vignette

http://www.farofacritica.com.br/revista/conteudo/589/congos-de-combate-na-qualidade-de-vida-dos-jovens-brincantes-de-sao-goncalo-do-amarante

LIBERDADE LIBERDADE: Uma peça teatral que enfrentou o regime militar e o golpe de 1964.

Capa do livro com o texto do espetáculo Liberdade, Liberdade. Civilização Brasileira, 1965

Com sua estreia em 21 de abril de 1965 no Rio de Janeiro, a historica e emblematica peça do teatro brasileiro, que tinha o forte teor de protesto e resistencia ao regime ditatorial. O texto de Millor Fernandes e Flavio rangel, se tornou um marco dramaturgico para quem estuda a historia do teatro no Brasil.

A peça que estreou em 1965, depois de muitos problemas com a censura, concebia em sua dramaturgia, uma colagem de textos e canções sobre o tema “liberdade”, havia alí uma clara alusão ao autoritarismo que se instalara no Brasil depois do golpe de 1964. Este famoso golpe de Estado, se configurou numa ruptura político-militar no Brasil que depôs o presidente democraticamente eleito João Goulart  entre 31 de março e 1 de abril de 1964. Na ocasião, esse evento encerrou a Quarta República e deu início a uma ditadura militar que durou 21 anos, até 1985. Isso então ameaçou a democracia, colocando o país sob o medo e crivo dos militares. Sem contar que dentres suas consequências, o regime suspendeu direitos constitucionais, impôs a censura, cassou mandatos políticos, cerceou sindicatos e praticou perseguições, prisões, torturas e assassinatos de opositores. 

Tereza Rachel, Oscar Castro Neves, Nara Leão, Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) e Paulo Autran na leitura da peça "liberdade, liberdade", 1965 » direção de Flávio Rangel e tradução de Millôr Fernandes e Flávio. "É com opinião que se chega à liberdade" - Grupo opinião, teatro de Arena.

Liberdade, Liberdade tinha em seu elenco, nomes como Paulo Autran, Teresa Rachel e Claudio Mamberti. Os autores da peça, no entanto procuraram dar conta de diversos contextos de falta de liberdade, elencando autores que viveram na antiguidade, no contexto das revoluções liberais e no século XX, sob diversos regimes políticos.

Paulo Autran e Tereza Rachel em Liberdade, liberdade, peça de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, 1965.

Mas afinal, o que é a liberdade?

Por Millôr Fernandes

Apesar de tudo o que já se disse e de tudo o que dissemos sobre a liberdade, muitos dos senhores ainda estão naturalmente convencidos que a liberdade não existe, que é uma figura mitológica criada pela pura imaginação do homem. Mas eu lhes garanto que a liberdade existe. Não só existe, como é feita de concreto e cobre e tem cem metros de altura. A liberdade foi doada aos americanos pelos franceses em 1866 porque naquela época os franceses estavam cheios de liberdades e os americanos não tinham nenhuma. Recebendo a liberdade dos franceses, os americanos a colocaram na ilha de Liberty Island, na entrada do porto de Nova York. Esta é a verdade indiscutível. Até agora a liberdade não penetrou no território americano. Quando Bernard Shaw esteve nos Estados Unidos foi convidado a visitar a liberdade, mas recusou-se afirmando que seu gosto pela ironia não ia tão longe. Aquelas coisas pontudas colocadas na cabeça da liberdade ninguém sabe o que sejam. Parecem previsão de defesa antiaérea. Coroa de louros certamente não é. Antigamente era costume coroar-se heróis e deuses com coroas de louros. Mas quando a liberdade foi doada aos Estados Unidos, nós os brasileiros já tínhamos desmoralizado o louro, usando-o para dar gosto no feijão.

A confecção da monumental efígie custou à França trezentos mil dólares. Quando a liberdade chegou aos Estados Unidos, foi-lhe feito um pedestal que, sendo americano, custou muito mais do que o principal: quatrocentos e cinqüenta mil dólares. Assim, a liberdade põe em cheque a afirmativa de alguns amigos nossos, que dizem de boca cheia e frase importada, que o “Preço da Liberdade é a Eterna Vigilância”. Não é. Como acabamos de demonstrar, o preço da liberdade é de setecentos e cinqüenta mil dólares. Isso há quase um século atrás. Porque atualmente o Fundo Monetário Internacional calcula o preço da nossa liberdade em três portos e dezessete jazidas de minerais estratégicos.


Liberdade, liberdade. Millôr Fernandes e Flávio Rangel, LP&M, 1997.