quinta-feira, 6 de novembro de 2025

ESTUDANDO O ROMANTISMO NA ARTE

William Turner (1775-1851)  

Surgido no final do século XVIII até meados do século XIX, o Romantismo além de um movimento artístico tambem se identificava como intelectual, buscou desafiar os valores clássicos e racionalistas do período neoclássico e tambem do Iluminismo. Esta corrente enfatizava a individualidade, a emoção e a natureza, revelando um profundo fascínio pelo passado, pelo exótico e pelo sobrenatural. 

É sabido que o Romantismo emergiu em uma época de intensas mudanças sociais e políticas. Sendo nitida sua influencia pela Revolução Francesa e pela ascensão dos movimentos nacionalistas, o movimento se expandiu pela Europa como uma resposta ao Classicismo e ao racionalismo iluminista, buscando em sua essencia libertar a arte das restrições da razão, valorizando o instinto, a imaginação e a subjetividade.

Os românticos rejeitavam os preceitos de equilíbrio e harmonia que definiam o Classicismo, adotando uma visão mais espontânea e emocional da criação artística. Esta ruptura refletiu-se nas obras de literatura, pintura e música, marcando uma transição para a exaltação da liberdade individual e da subjetividade.

A pintura romântica pode ser dividida em duas fases: a primeira, chamada de pré-romântica, ocorre ao lado das estéticas do Pitoresco e do Sublime com Alexander COZENS (1717-1786), responsável por teorizar a pintura paisagística inglesa do período, John CONSTABLE (1776-1837), Joseph Mallord William TURNER (1775‑1851) e William BLAKE (1757-1827); o suíço Johann Heinrich FÜSSLI ou FUSELI (1741-1825) e o alemão Caspar David FRIEDRICH (1774-1840) e entre outros. A segunda fase por sua vez, chama-se Romantismo histórico, esta ocorre simultaneamente com a visão Neoclássica e após o ciclo napoleônico, aproximando-se também de movimentos anteriores em uma visão revivalista.

Pintores como Caspar David Friedrich e J.M.W. Turner capturaram paisagens majestosas e cenas intensamente emocionais, criando imagens que evocavam tanto o poder quanto a fragilidade da natureza. 

Caspar David Friedrich
J.M.W. Turner

Friedrich, por exemplo, pintava cenas que transmitiam uma sensação de isolamento e introspecção, enquanto Turner usava cores vibrantes para explorar a energia da natureza.

Atração pelo Grotesco e pelo Fantástico

Francisco Goya - Saturno Devorando seu Filho

Artistas como Francisco Goya, em obras como Saturno Devorando seu Filho, revelaram o lado sombrio do imaginário romântico. Essas obras refletem um fascínio pelo grotesco e pelo bizarro, desafiando as convenções de beleza e harmonia.

Características do Romantismo

O Romantismo destaca-se por características que permeiam várias expressões artísticas. Entre elas:

1. Exaltação da Natureza


A natureza foi retratada de forma grandiosa e misteriosa, simbolizando o espírito incontrolável da criação e das emoções humanas. Artistas e escritores românticos exploraram paisagens selvagens e climas intensos para refletir a liberdade e o poder da natureza.

2. Individualismo e Emoção

O caminhante sobre o mar de nuvens. 1818 - Caspar David Friedrich 


O Romantismo exaltava a importância do indivíduo, suas emoções e experiências pessoais. A introspecção e o sentimento são temas centrais, com uma ênfase na busca pela essência humana e na conexão com as próprias emoções.

3. Fascínio pelo Exótico e Sobrenatural

Caspar David FRIEDRICH (1774-1840) Dois Homens contemplando a lua.

Houve um grande interesse por temas sobrenaturais e exóticos, abordando elementos como o mistério, o folclore e o misticismo. As narrativas góticas e histórias de terror tornaram-se populares, simbolizando o desconhecido e o inexplorado.

The Colossus c.1808 - Francisco De Goya


4. Nacionalismo e Valorização das Origens Culturais

A tomada de Constantinopla - Eugène Delacroix
O quadro O fuzilamento foi inspirado num fato histórico ocorrido em 1809, cinco anos antes de Goya o ter pintado: os exércitos de Napoleão tomaram a cidade de Madri e, em 2 de maio, os cidadãos se rebelaram contra os franceses. No dia seguinte, o exército francês retomou o controle da situação e, durante toda a noite e a madrugada, fuzilou centenas de pessoas, entre as quais muitas que nem tinham participado do movimento rebelde. O quadro contrapõe de modo dramático duas forças, duas realidades opostas: de um lado, os condenados; de outro, os soldados franceses. Observe a fileira de soldados e, em seguida, o grupo de condenados.

A liberdade guiando o povo (1830), Eugène Delacroix



Enfim, O Romantismo incentivou uma valorização das culturas nacionais, do folclore e das tradições locais. Sendo um movimento que inspirou artistas a explorarem temas históricos e mitológicos de seus países, promovendo uma visão romântica do passado.

Características gerais do romantismo pra não esquecer e esquematizar nos estudos sobre o tema:

  • Sentimentalismo: supervalorização das emoções pessoais, com destaque para a melancolia.
  • Subjetivismo: oposto ao objetivismo, há valorização das sensações do ser humano e da liberdade de pensamento.
  • Egocentrismo: foco no indivíduo, que passa a ser o centro das atenções.
  • Escapismo: desejo de evasão para escapar da realidade como ela se apresenta, criando um mundo idealizado.
  • Idealizações: idealização da sociedade, do amor e da mulher, buscando uma realidade diferente.
  • Oposição ao modelo clássico: valorização da arte popular e folclórica, oposta à arte erudita da antiguidade clássica.
  • Nacionalismo: forte exaltação da natureza e da pátria, com temas relacionados com a grandiosidade da natureza e o sentimento de pertença.
  • Retorno ao passado: a Idade Média passa a ser a referência para os artistas, que apreciavam as tradições e a fé humana.


terça-feira, 4 de novembro de 2025

SALTOS - PINTURA DE FABIO FERNANDES


O multi-artista potiguar Fábio Fernandes, atualmente dedica-se a vivenciar as tecnicas das artes visuais na linguagem da pintura. O jovem artista lajense exprimiu sua delicadeza, numa obra que evidencia a rigidez das pinceladas contrastando com a simbologia do tema desenvolvido.


A pintura de Fábio Fernandes propões um jogo de combinações de luz sobre o objeto em destaque. A obra "Saltos", configura-se nm experimento sobre as amarras da moda efêmera de cada temporada. Exprime com firmeza a caminhada constante do sustentáculo dos padrões sobre a servidão utilitária. Obra desenvolvida em acrílico sobre tela tem fortes influencias do movimento de vanguarda do inicio do século XX. Pela utilização das cores fortes e puras no apelo de saturação que preserva as cores primarias em sua essencia, liga-se essa estética com a denominada fauvista, no qual se destaca o francês Henri Matisse, uma vez que o artista potiguar é admirador dos movimentos vanguardistas.


Tela na integra.


Tela da obra "Saltos" com recorte.



quarta-feira, 8 de outubro de 2025

O Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double)

 

Ao estudarmos as linguagens artisticas e sua trajetoria, notaremos que o  século XX caracterizou-se pelo surgimento de novas formas de compreendermos o fenômeno teatral. Em meio a varias dessas maneiras de compreensão da arte teatral, é possivel destacar a teoria de Antonin Artaud, que foi totalmente desenvolvida na obra "O Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double) . Configura-se numa filosofia teatral, uma revolução na forma de conceber essa manifestação artística. 

Esta é possivelmente, uma reação diante de fórmulas teatrais esquemáticas e ultrapassadas, Artaud afirmava que o teatro deveria ser considerado como um Duplo, não da realidade cotidiana e direta da qual foi reduzido a ser uma cópia inerte, mas de uma realidade perigosa e arquetípica.

 Para tornar-se essencial, o teatro deve nos dar tudo o que pode ser encontrado no amor, no crime, na guerra ou na loucura. Tem que ser desenvolvida a idéia de um teatro sério que ultrapasse todos os nossos preconceitos, que implique uma crueldade, uma ação extrema levada aos últimos limites, sem, portanto, deixar de ser uma realidade verossímil. Artaud concebe um espetáculo dirigido ao organismo inteiro (orgânico), no qual haja uma mobilidade intensiva de objetos, gestos, signos, que seriam utilizados em um novo sentido, já que o teatro requer uma expressão no espaço. 

Antonin Artaud acredita que é de fato importante acabar com a sujeição do teatro ao texto. A linguagem teria que ir mais além das palavras, ser também uma linguagem de sons, luzes, onomatopéias, incluir música, dança, pantomima, mímica, efeitos de toda espécie. Na obra é proposta toda uma revolução dos elementos teatrais, a ruptura com a noção tradicional: a concepção do espaço, da cenografia, da indumentária, entre outros. Artaud portanto reitera, que o ator é um elemento de fundamental importância (pois o êxito do espetáculo depende de sua interpretação eficaz), uma espécie de elemento passivo e neutro, já que é negada a ele toda a iniciativa pessoal.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

A CONVERSA DE ZÉ MUCURA E CARRAPICHO NA TERRA SECA DO NORTE (CORDEL) Fábio Fernandes

 


Mucura é um roedor

Conhecido no sertão

Não teme ter predador

Sabido na obrigação

Marsupial destemido

Gambá por opinião

 

Fugindo de muito padrão

Ele foi inspiração

Pra Zé, um poeta de fé

Da terra do algodão

O artista quebra a regra

Quando tem inspiração.

 

Zé não quis o seu nome

Ligado a bicho bonito

Quis fazer diferença

Pela força do seu grito

Mostrando que o poeta

Deixa até gambá sabido.

 

Depois de seu batizado

Zé Mucura ali nasceu

Escrevendo muito versejo

De nada ele se perdeu

O poeta se criava

A poesia agradeceu

 

Certo dia entristecido

Com a calma do sertão

Zé Mucura começou

Uma peregrinação

Saindo de sua casa

Na estrada solidão.

 

Entre terras e barrancos

A paisagem se mostrava

Zé Mucura caminhando

A secura acompanhava

Pois a chuva abençoada

A tempo não se mostrava

 

Cansado da insolação

Zé viu um pé de algaroba

Lembrou de quando criança

Da baje que não engorda

Pra saciar sua fome

É o que comia de sobra

 

A tristeza de Mucura

Se mostrou na sua face

Homem bom e andarilho

Nem a fome o abate

Pois na arte encontrou

A vida que então renasce

 

Caminhando pelo sertão

Companheiro da solidão

Zé então ouviu a voz

Fruto da imaginação

Era um homem colorido

Que lhe chamou atenção

 




O homem se apresentou

E falou no seu ouvido

“Não tenha medo de mim”

Eu me chamo Carrapicho

Na jornada da ilusão

Eu serei o seu amigo

 

Carrapicho é um capim

Uma grande erva daninha

Se vira em qualquer lugar

E aguenta ladainha

Como pode ser uma praga

Também pode ser boazinha

 

Mas me diga Carrapicho

O que vem fazer aqui

Eu só quero descansar

As margens do Potengi

Esse rio azul e belo

Que eu vejo bem ali

 

Não se frustre bom poeta

Isso é imaginação

Sinto muito te avisar

Que estamos no sertão

Isso tudo é só miragem

Tudo isso é ilusão.

 

Andando pelo sertão

De falar já ficou rouco

Era incompreendido

Ele foi chamado de louco

Mas poeta que se preza

Não se abala com pouco

 

Então pegaram os troços

E continuaram a jornada

Levando um violão velho

E uma bolsa esfarrapada

Estava cheia de cordel

Com a leitura encantada

 


Caminhando na estrada

A sede bateu bem forte

Viram então um pobre velho

Já no seu leito de morte

Carregando uma botija

Com água limpa do pote

 

Chegaram perto do velho

Ele então ofereceu

Um pouco de sua água

Logo após adormeceu

Seu sono foi tão profundo

Que ele desapareceu

 

Zé Mucura não entendeu

Como o velho ali sumiu

Deixando a botija d’água

Sem motivo que partiu

Só queria entender

O que a ele se cumpriu

 

Carrapicho então falou

Que isso é coisa de bondade

Esse velho é o mistério

Que transborda caridade

Pode lhe faltar o pão

Mas não falta humildade.

 

Zé Mucura então chorou

E caiu numa aflição

Quis saber se o pobre velho

Era uma alucinação

Contudo não entendeu

O seu grande coração

 

Olhou então pra carrapicho

E pensante confessou

Que ser pobre não impede

De levar um cobertor

Àquele que sente frio

Mesmo escondendo a dor

 

Carrapicho entendeu

O que o poeta lhe disse

Percebeu que na tristeza

Não há ilusão que fique

A ferida é real

Até que remédio lhe aplique.

 

Continuaram a jornada

Sem aquilo entender

O mistério do velho bom

Que lhe deu o que beber

Partindo assim sem destino

Na estrada a percorrer


Chegam então num povoado

Bem pequeno e distante

Terra assim muito modesta

De um povo aconchegante

Zé Mucura se anima

E se sente ofegante

 

Lá estende seu chapéu

Numa praça da cidade

Tira o seu violão

Poetiza à vontade

Começa então seu poema

Com tanta felicidade

 

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá

Tem gente que chora pouco

Pois não tem o que faltar

Mas tem quem soluce muito

Sem ter leite pra mamar

 

Na longa estrada da vida

A viola me companha

Meu amigo Carrapicho

Cativa de forma tamanha

Não me deixa desistir

Tanto que a fome apanha

 

Aos senhores e senhoras

Peço aqui sua atenção

Ajudem aqui um poeta

Mesmo sem contemplação

Pra que nessa estrada infinita

Eu alcance a salvação.

 

Logo uma jovem moça

Caminha até o chapéu

Atribui uma moeda

Retirando do seu véu

E disse assim para o moço

Muita “bença” lá do céu

 

Nessa hora tão singela

Zé Mucura se encantou

Sentiu nela a pureza

Que então se apaixonou

Não sabia explicar

O laço que se formou

 

Ele viu então ali

A moça sumindo embora

Não contia a emoção

Não sabia por outrora

Uma dor no coração

Corroía sangue afora.

 

A moça sumiu no vento

O poeta então se foi

Não dormia no relento

Era forte como um boi

Nunca conheceu amor

Mas lembrava de quem foi

 

Foi embora na estrada

Sem rumo a esperar

Caminhando o poeta

Carrapicho a acompanhar

Logo então voltou a sede

Tem um rio a se banhar

 

O poeta contemplou

À água doce do rio

Mostrou a felicidade

E sentiu um arrepio

Lá o velho apareceu

Começou um clima frio

 

Logo o velho foi trazendo

Pegando em sua mão

Uma jovem moça linda

Que laçou o coração

Do poeta Zé Mucura

Amante da emoção

 

O velho olhou nos olhos

E Mucura entendeu

Nasceu na fome e pobreza

Para o mal não se vendeu

A dor humana na poesia

Ele então a descreveu

 


A Moça estendeu a mão

E Mucura segurou

O gesto dessa união

A vida se encaminhou

De premiar um coração

Que a fome superou

 

Mucura fechou os olhos

De joelho se rendeu

Um sono grande e profundo

Firme e forte ocorreu

Debaixo da algaroba

Mucura desfaleceu

 

A história pode até

Ofertar uma esperança

Praquele bom sertanejo

Que não soube ser criança

Pois cedo foi pro batente

Ajudar a ter bonança

 

Mucura em sua vida

Não soube o que era amar

Pois quem tem fome e sente

Deseja se alimentar

Não entende o coração

Não sabe se apaixonar

 

O poeta agora pleno

No mundo da abstração

Percebeu que o pobre velho

Representava o perdão

Pras dores que ele sentia

Com a fome no grotão.

 

A moça era a esperança

Que ele tinha se encontrar

Era força do poeta

Pela vida a versejar

A arte que ele fazia

Era pra dor aliviar

 

Carrapicho era amizade

Que ele não conheceu

Nunca soube o que era amor

Isso nunca lhe ocorreu

A falta que o mundo fez

Carrapicho preencheu.

 

Hoje dizem por aí

Que o poeta se encarnou

Em forma de animal

Ele então se encantou

Um marsupial fiel

Que poeta versejou.


Texto: Fábio Fernandes

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

O QUE A PSICOLOGIA REVELA SOBRE QUEM TOMA CAFÉ AMARGO.

 

Tomar café sem açúcar pode ser considerado um gesto de disciplina, autenticidade e consciência

Beber café sem açúcar pode parecer uma simples questão de gosto, mas, para a psicologia, isso pode revelar traços profundos de personalidade.

O amargor, que muitos evitam suavizar com adoçantes ou açúcar, pode ser um espelho do modo como a pessoa lida com o mundo: com autenticidade, autocontrole e tolerância ao desconforto...

Café amargo e a força da autenticidade

Segundo especialistas em comportamento, optar pelo café puro, sem qualquer adoçante, costuma refletir uma busca consciente por experiências genuínas.

O sabor forte e não disfarçado exige que o paladar se adapte, o que por si só já revela uma disposição para enfrentar estímulos intensos sem a necessidade de suavizá-los. Quem toma o café dessa forma tende a valorizar a clareza nas escolhas e evita “maquiagens” sensoriais.

A ausência de açúcar também indica menor dependência de gratificações imediatas. Isso se associa à capacidade de abrir mão de pequenos prazeres em nome de objetivos maiores, como a saúde, a disciplina alimentar ou simplesmente uma opção para aproveitar melhor o sabor da bebida.

Adoçantes naturais e o caminho da transição

Nem todos vão direto para o café sem açúcar. Muitos optam por alternativas como melstevia ou xilitol. Essa transição indica uma personalidade que busca equilíbrio entre prazer e autocontrole, sem radicalismos.

Trata-se de um comportamento comum em processos de mudança gradual, que sinaliza flexibilidade mental e foco em resultados sustentáveis.

A substituição do açúcar por versões naturais pode representar, portanto, uma etapa intermediária no processo de autoconsciência alimentar, mostrando que a pessoa está atenta ao impacto de seus hábitos e disposta a melhorar de forma progressiva.

Um gesto que reforça a identidade

Ao transformar o café sem açúcar em parte da rotina, o indivíduo também reforça aspectos simbólicos da própria identidade. Esse gesto cotidiano pode carregar significados como independência, clareza de valores e até um certo orgulho por não seguir a convenção social do café adoçado.

Para a psicologia, comportamentos repetidos com intenção e coerência são uma das formas mais eficazes de consolidar traços de personalidade. Ou seja, a maneira como se bebe café pode, sim, comunicar aspectos da forma como se vive e se posiciona diante do mundo.

Adotar o café puro na rotina pode ser também um exercício de presença e autoconhecimento, com observação a como seu paladar responde à ausência de açúcar e reflexão sobre o que essa escolha diz sobre seus hábitos e prioridades.

Vale tentar

A ciência do comportamento mostra que essas pequenas decisões diárias moldam quem somos e como nos posicionamos diante das facilidades e desafios da vida.

Para alguns, o amargor pode ser desconfortável no início. Mas, para muitos, ele representa a beleza de uma escolha honesta, feita sem filtros nem disfarces.


DISPONIVEL EM:

O que a psicologia revela sobre quem toma café sem açúcar? O que significa?


terça-feira, 5 de agosto de 2025

PERSPECTIVA DOS 40 (cronica)



Hoje me pego pensando menos. Idealizano menos, compreendendo menos porém vivendo mais. Me afastei de certos vinculos sociais, gerando uma aversão à grupos e compartilhando quase nada dentro da ilusória felicidade virtual contemporanea. Essa que de tão artificial e inutil se torna um meio de auto-afirmação desenecessaria porém vendida como modus operandi da vida essencial. Nessa lógica, ao abrir os olhos pra realidade, percebo que à decadas atrás, era possivel viver a vida no anonimato de forma livre e sem nenhuma responsabilidade de sempre atualizar a vida mediocre que tinhamos que viver. Hoje aos quase quarenta, noto que cada década se configura um degrau a subir ou a estacionar. A primeira é o bloco da inocencia, onde tudo é belo, porém vulneravel, a segunda é uma transição de novos conhecimentos e rebeldias baseadas em achismos efemeros, o terceiro é o choque para a escolha do futuro que vem de brinde o desejo de mudar o mundo, fazer sempre a diferença e querer por em pratica tudo que aprendeu. Porém, o sistema nos corrompe, nos mostra que de nada vale acelerar, é necessario reduzir, entenbder que o menos é mais, que não precisa mostrar à ninguem sua felicidade ou tristeza, sua superioridade ou que éinferior, a verdade é que no fim das contas ninguem liga. Enquanto isso, a vida segue, você percebe que deve se importar menos, se preocupar menos ainda, acumular menores problemas, tijolos e latas. Saudável morreremos e doentes perecemos. Essa é a magia dos quarenta: Iniciar a viver, dando um "reboot" na vida, sendo que dessa vez, conforme a paz sugere.