terça-feira, 12 de agosto de 2014

Após pouco mais de um ano, Lajes aguarda ansiosamente a "Odisséia de Ícaro"

Pensando nessa espera, creio que a comunidade lajense ainda aguarda o lançamento de  "Odisséia de Ícaro". Projeto realizado pelo coletivo artístico de cinema "Nós na Tela". Essa re-leitura resume a ansiedade pelo filme:

Continuamos aguardando fervorosamente.

Apresentação de "A Festa do Boi" faz a casa de cultura de Lajes sair satisfeita com o novo elenco.

Por Fábio Fernandes

Imagens: Cicero Lajes

A apresentação da Eloy Cia Teatral na ultima sexta (08/08) fez a plateia que prestigiou a montagem atual sair satisfeita com o empenho dos artistas. O novo elenco "deu conta do recado" sem deixar perder a qualidade do trabalho. Eis alghumas imagens de nossa apresentação:
 A estação "Baixa D'égua" entra em cena pra trazer a alegria dos feirantes.

 Mateus vê o drama na morte do boi Estrelinha.
A figura do vaqueiro é forte no dia-a-dia de Mateus, este que representa a labuta do homem do campo. 

A feira acontece com vários produtos à venda.


 Birico e a biriquete fazem alusão a telefonia no Brasil.

 A platéia vislumbra o espetáculo.




Mais uma vez agradecemos a todos que se fizeram presentes pra prestigiar nosso trabalho.

domingo, 11 de maio de 2014

O Rebuliço de Renato Caldas na Terra dos Poetas

O Ator Jobielson Silva declama textos do ilustríssimo poeta.

Depois de um certo tempo sem postagens nessa página virtual, venho retomar as atividades exibindo esse belo documentário sobre o poeta assuense Renato Caldas. Este por sinal é uma bela vídeo-aula acerca desse grande nome da poesia potiguar.


O documentário conta a história do poeta Renato Caldas. A poesia de Renato é marcada pelo falar do homem e da mulher simples do dia-a-dia, do matuto que sabe o que diz, e da valorização da mulher. Como resgate poético, os autores deste documentário mostram a poesia de Renato Caldas como resgate da memória da cidade.

Direção: Ádala Dayane e Jobielson Silva
Duração: 32 minutos

quinta-feira, 20 de março de 2014

Opinião sobre o tal "Lepo Lepo"

Acabei de assistir o "Lepo Lepo" no youtube. Pode parecer estranho para uma pessoa que pesquisa musicas de boa qualidade e tal... Mas gostei do hit, em pleno momento em que a moda é ostentação, os caras reverteram a modinha, "ostentando" realmente os valores humanos em meio a uma relação interpessoal. Antes que me critiquem por serem mais eruditos que eu, acabo de diagnosticar em mim um PRECONCEITO com as produções musicais brasileiras. Notei que o "Lepo Lepo" me rende uma belíssima aula de antropologia. Portanto antes de ficar falando mal das coisas, prefiro conhecê-la para assim ter critérios sobre a mesma!

sábado, 1 de março de 2014

ELOY CIA Teatral estreia "Peça Popular" e inicia a temporada 2014 com o pé direito.

Por: Fábio Fernandes

Imagens: Leandro Souza ( Trilheiros da Caatinga)

Depois de dois meses fora dos palcos, a ELOY CIA Teatral retoma suas atividades. Para começar bem a temporada 2014, o grupo estreia uma peça experimental ainda sem titulo oficialmente definido ( Provisoriamente chamada de "Peça Popular"), com o fio norteador de sua dramaturgia referente a elementos da cultura popular nordestina enxertada na estética do teatro de rua.

"Peça Popular" destaca a importância do teatro inserido na escola. Essa montagem é baseada no livro "O casamento de Maria Escola e Zé Teatro" do escritor potiguar Crispiniano Neto. A pesquisa musical é regida por "Calango da Praia" na interpretação instrumental também do potiguar Carlos Zens.

 O Professor-diretor Fábio Fernandes expõe a importância da existência da Cia Teatral tanto para os alunos que participam do grupo, quanto para o cenário artístico da região. Evidencia o avanço das atividades do coletivo  em (apenas) quase um ano de existência, cita os desafios a serem vencidos e almeja elevar a prática da  Cia teatral em patrimônio cultural de Lajes.
Vinicius Rocha e Fernando Vittor mais uma vez mostram sintonia em cena e abrem a apresentação de forma genial.
O ator Vinicius Rocha arranca risadas da platéia com sua performance individual.
O coletivo também se destaca na estréia
A figura do vaqueiro ( personagem típico da região) ganha destaque na abertura da nova montagem.


A expectativa pra essa montagem é uma busca aos inúmeros valores culturais contidos em nossos processos sociais, somada com o fazer teatral de todo o coletivo teatral.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Um pouco sobre HELIO OITICICA (Artes Visuais)

 Considero indispensáel para quem admira arte, conhecer um pouco de Hélio Oiticica:

 
“A beleza, o pecado, a revolta, o amor dão a arte desse rapaz um acento novo na arte brasileira. Não adiantam admoestações morais. Se querem antecedentes, talvez este seja um: Hélio é neto de anarquista.” (Mário Pedrosa, no artigo “Arte ambiental, arte pós-moderna, Helio Oiticica”. In: Correio da Manhã, 26/06/1966)


Oiticia é um dos mais revolucionários artistas de seu tempo. Seus trabalhos foram experimentais ao longo de toda sua vida, rompendo com o conceito de obra de arte, para a relação de proposta entre artista e público. É reconhecido internacionalmente como um dos mais importantes artistas da arte contemporânea.

Como seu pai era contra o sistema educacional, oiticia estudou com a mãe, no Rio de Janeiro, até os dez anos de idade. Em 1947, transferiu-se para Washington, nos EUA, onde estudou até 1950. De volta ao Brasil, começou a estudar artes com Ivan Serpa, em 1954, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Neste ano, o Grupo Frente fazia sua primeira exposição. O contato com Serpa fez oiticia aderir ao grupo a partir de 1955, sendo seu membro mais jovem. Em 1957/58, fez seus Metaesquemas, quadros em que a composição é ditada pelo ideal concreto e pela gestalt.

Participou da I Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956/57, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foi um dos fundadores, em 1959, do Grupo Neoconcreto. oiticia é um dos fundadores do grupo, rompendo neste período com a estética concreta. Suas obras passaram a se preocupar com o corpo em ações diretas nas obras de arte, lutando contra a atitude contemplativa por parte do espectador.

Para isso, era necessário explodir o espaço bidimensional do quadro e invadir o ambiente. Assim, em 1959 fez seus primeiros Relevos Tridimensionais. Depois, pintou uma série de quadros em ambas as faces e os distribuiu no espaço, para que o público caminhasse entre eles. Era um caminhar entre quadros de cor, uma visão dinâmica e espacial da cor.

Sua obra passou a propor cada vez mais relações sensórias e corpóreas por parte do espectador, gerando uma nova percepção de obra de arte, segundo as reflexões fenomenológicas de Merleau-Ponty. Na II Exposição de Arte Neoconcreta, em 1961, no MAM-SP, propôs jardins, onde o público tocava em areia natural, e entrava em um ambiente de cor.

Se nos Metaesquemas a cor já aparecia, mas estava presa à forma, nos Bólides, de 1962, ela surgia pura, dentro de recipientes de vidro que podiam ser manipulados. Em 1964, fez seus primeiros Parangolés, em que o público podia vestir a cor, dançar e ter a experiência da cor em seu próprio corpo. É o auge da dessacralização da obra de arte, e da aproximação entre arte e vida - a arte como extensão do homem. Os trabalhos deixam de ser “obras” para serem propostas abertas ao público, e por ele completadas. Mário Pedrosa, para o qual oiticia dedicou um de seus Parangolés, acreditava que esta nova forma de arte era revolucionária, pois se preocupava com o coletivo, com o surgimento de uma nova percepção, de onde surgiria uma nova sociedade.
Oiticia, a partir de 1964, passou a viver no morro da Escola de Samba da Mangueira, e levou o samba e a favela para o museu, um ano depois, em uma manifestação repleta de Parangolés (expostos neste momento pela primeira vez), na inauguração da exposição Opinião 65, no MAM-RJ. Este ato foi importantíssimo, pois era a tentativa de real democratização das artes brasileiras, com a união da cultura popular com a erudita. Em uma época em que se entrava de terno e gravata em um museu, oiticia foi expulso do interior do MAM-RJ durante a manifestação. “Foi durante a iniciação ao samba, que o artista passou da experiência visual, em sua pureza, para uma experiência do tato, do movimento, da fruição sensual dos materiais, em que o corpo inteiro, antes resumido na aristocracia distante do visual, entra como fonte total da sensorialidade” (Mário Pedrosa, no artigo “Arte ambiental, arte pós-moderna, Helio Oiticica”. In: Correio da Manhã, 26/06/1966).
A favela foi motivo de diversas obras posteriores, como Penetráveis, Ninho e Éden. Era uma crítica ao excessivo racionalismo que existia na arquitetura moderna, que destruía manifestações culturais regionais. A favela é um problema social que não deve ser tratada como uma opção estética. Mas a vivência na favela por oiticia foi uma tentativa de mostrar que não há diferença entre cultura popular e erudita, segundo seus princípios de democratização das artes. Entre 1967/70, participou do movimento da Tropicália, fazendo o cenário de shows e capas de discos; realizou manifestações de cunho político, com a obra Homenagem à Cara de Cavalo, com a frase “Seja Marginal, Seja Herói”; e atuou no filme O Câncer, de Glauber Rocha. Durante a década de setenta, viveu em Nova Iorque, como bolsista da Fundação Guggenheim, retornando ao Brasil em 1978. Neste ano, seus Parangolés foram pela primeira vez aceitos, pesquisados e expostos por um museu (em 1965, foram rejeitados pelo MAM-RJ), na coletiva Objeto na Arte - Brasil Anos 60, realizada no Museu de Arte da FAAP, em São Paulo. Faleceu em 1980, no Rio de Janeiro, sendo criado no ano seguinte o Projeto Helio Oiticica.
  

Disponivel em:
http://universosdarte.blogspot.com.br/2011/06/helio-oiticica.html

A ARTE NÃO É IMPORTANTE?

por Paulo Sacaldassy 


É sempre engraçada a reação das pessoas quando você diz que faz arte, a primeira pergunta que lhe fazem é: – E você trabalha com o quê? Ora, fazer arte é o meu trabalho! Parece mentira, mas se você não é famoso, as pessoas custam a acreditar que a arte seja muito mais do que um simples “hobby”. É difícil explicar que fazer arte também é importante e é um trabalho.

Mesmo que você exerça uma outra atividade para suprir suas necessidades, visto que, pelo fato de circunstâncias alheias à sua vontade, sobreviver de arte ainda não lhe seja possível e nem possibilite uma dedicação plena de sua parte, você sabe o quanto a arte é importante, quantas privações ela te submete, tudo por você acreditar que pode viver de arte e exercer esse ofício como um trabalho.

Mas as pessoas… bem, as pessoas, sentadas em suas zonas de conforto, preocupadas apenas em nascer e morrer, se deliciam com a arte, mas não conseguem enxergar a importância que a arte tem, até mesmo para suas vidas, que se beneficiam de uma forma ou de outra com o que a arte lhes tem a oferecer, pois a arte está ali, no filme, na novela, na peça de teatro. É tão importante para vida delas que elas nem percebem o quanto.

Pois no inconsciente dessas pessoas, a arte é algo que alguém faz apenas como diversão própria e para o próximo e não como um trabalho honesto que lhes dê o sustento de vida. A idéia de trabalho industrial incutida na sociedade, onde jornada de trabalho diária, relógio de ponto, terno e gravata, macacão e ferramentas, que formam a imagem do que seja um trabalhador, contribui, e muito, para o quase desdém pelo trabalho que o artista faz.

Mal sabem essas pessoas, que os trabalhos artísticos demandam uma rotina de trabalho, disciplina, organização e longas jornadas, quase sempre exaustivas, de trabalho, seja escrevendo um texto, seja ensaiando uma peça, seja gravando um filme ou novela. Fazer arte não é diversão, é trabalho e trabalho muito duro. O fato de sua execução ser efetuada de forma e ser feita fora de uma sala de escritório, não o torna menos importante.

A arte também é essencial, tal e qual a quaisquer outras profissões, só que a arte conta com um diferencial positivo, que outras profissões não contam: a arte é um trabalho que alguém faz para oferecer ao outro, um pouco de diversão, fazer com que o dia-a-dia de todos seja mais leve e que as rotinas das pessoas preocupadas apenas em nascer e morrer, receba um pouco de sopro de vida. A arte é, ou não é importante?
Disponivel em:
http://ciaatemporal.blogspot.com.br/2013/11/a-arte-nao-e-importante.html
Colaborou: Poucas Palavras de Paulo Sacaldassy; Foto: Ryan Stewart, Corinne Van Ryck de Groot e Arle Michel em cena do espetáculo "Torn"