sexta-feira, 4 de setembro de 2026

ARTE COLONIAL BRASILEIRA: O que de fato constitui essa influencia na formação da cultura brasileira?

Muito se falou que o territorio brasileiro foi "descoberto" pelos portutgueses. Aprendemos isso nas aulas de historia do Brasil, porem, nos dias atuais, o nosso senso crítico nos fez repensar essa afirmativa, a partir do momento em que refletimos acerca da existencia dos povos originarios que desde então já habitara nosso territorio. Dentro dessa perspectiva, vamos tentar entender um pouco da influencia cultural que circunda a arte no contexto da colonização portuguesa. Para isso é precisso compreender que a Arte Colonial no Brasil compreende o período da chegada dos portugueses até a independência, em 1822. Nesse contexto, temos então: 

  Os primeiros anos de colonização – 1500 até 1630; 

  A Arte Holandesa no Brasil – 1630 a 1645 – promovida pelos holandeses; que se instalaram clandestinamente no Nordeste brasileiro. 

  Barroco Brasileiro – início do século 18, até início do século 19 – estilo tardio no Brasil e que possui características rococós. 

  Academicismo – a partir do ano 1816, com a instalação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, fundada por Dom João VI e da vinda da Missão Artística Francesa.

Arquitetura  

Nos trinta anos que se seguiram à chegada dos portugueses, eles se estabeleceram na costa. Primeiramente, foram construídas as feitorias, que eram construções muito simples, precárias, com cerca de pau-a-pique ao redor, porque os portugueses temiam ser atacados pelos índigenas. Preocupado, com medo que outros povos ocupassem terras brasileiras, o rei de Portugal enviou, em 1530, uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa para dar início à colonização. Martim Afonso fundou a Vila de São Vicente (1532) e instalou o primeiro engenho de açúcar, iniciando-se o plantio de cana-de-açúcar, que se tornaria a principal fonte de riqueza produzida no Brasil.  


Após a divisão em capitanias hereditárias, a partir de 1534, houve grande necessidade de se construir moradias para os colonizadores. Foram construídas as casas de taipas - construções feitas de varas, galhos e cipós entrelaçados e cobertos com barro. Para que o barro tivesse maior consistência e melhor resistência à chuva, ele era misturado com sangue de boi e óleo de peixe. Elas podem ser feitas com técnicas diferentes: - A taipa de pilão é um tipo de construção de origem árabe. Constitui-se de paredes feitas de barro amassado e calcado, por vezes misturado com cal para controlar a acidez da mistura. Sabe-se que algumas das primeiras cidades construídas foram feitas em taipa de pilão, sendo que, na Assíria, foram encontrados vestígios de fundações feitas em taipa de pilão, que datam de 5.000 a.C.

A taipa de mão, também chamada de pau-a-pique, taipa de sopapo, taipa de sebe, barro armado é uma técnica bastante simples em que as paredes são armadas com madeira ou bambu e preenchidas com barro e fibra. A Taipa de mão possui uma particularidade muito interessante, pois, ao contrário da Taipa de Pilão - onde as paredes são feitas em formas e o barro, socado com o pilão e depois montadas, esse tipo de construção exige que para se preencher a trama de madeira era preciso que duas pessoas, simultaneamente, atirassem o barro, uma de cada lado, da estrutura para preencher os vãos.

Algumas das principais construções de taipas: muralha ao redor de Salvador, construída por Tomé de Sousa; Igreja Matriz de Cananéia; Vila de São Vicente, destruída por um maremoto e reconstruída entre 1542 e 1545; Casa da Companhia de Jesus, que deu origem à cidade de São Paulo. 

Assegurada a posse da terra, foram nela estabelecidos os poderes civis e religiosos. Os jesuítas chegam ao Brasil em 1549, os beneditinos, em 1581, os franciscanos, em 1584. A partir daí, ocorrem manifestações artísticas dos colonizadores na Bahia, em Pernambuco, em São Vicente, na Paraíba, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Os portugueses também dispunham de numerosos arquitetos, mestre-de-obras, pedreiros, marmoristas, carpinteiros, marceneiros e artesãos, vindos da Europa. Assim, pouco a pouco, vão surgindo as cidades e suas construções. 

Após o fracasso das capitanias hereditárias, chega ao Brasil Tomé de Souza, em 1548, e começam a surgir os primeiros aglomerados urbanos, que cresciam sem planificação. Em 1580, Salvador conta com um número de 15.000 habitantes e possui uma grande praça com prédios de administração pública, várias ruas e um bom número de moradias de pedra. A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho. Nela moravam, além da família, alguns agregados. O conforto da casa-grande contrastava com a miséria e as péssimas condições de higiene das senzalas (habitações dos escravos). Os edifícios públicos e religiosos do século 16 tinham, geralmente, características do Maneirismo, mas restam poucos traços dessa arquitetura. 

Uma das igrejas mais antigas do Brasil, a Catedral de Olinda, foi inicialmente construída com taipa de mão, entre 1537 e 1540, sendo substituída por outra maior e de alvenaria. A igreja foi praticamente destruída, durante a Invasão Holandesa, sendo completamente restaurada em um processo lento, durante boa parte do século 18. Entre 1974 e 1976, a edificação foi restaurada, readquirindo, até onde foi possível, suas feições originais de transição entre a Renascença e o Barroco, conhecida como Estilo Manuelino.
Na primeira metade do século 17, a situação econômica do Brasil colonial já estava definida, assim como a arquitetura militar, pública e religiosa. Destaca-se, nesse período, a construção dos fortes para defender as cidades costeiras das incursões francesas. 

Pintura 
 Quando os portugueses atingiram o Brasil, no último ano do século 15, Portugal estava sob o reinado de Dom Manuel, o Venturoso (1469-1521) e atravessava um período de intensa atividade artística, motivado pelas Grandes Navegações, pela fundação de seu vasto império colonial ultramarino e pela imensa riqueza material. No que diz respeito à arte da pintura que, diga-se de passagem, nunca foi uma preferência nacional, várias oficinas começariam a surgir, em breve, em cidades, como Lisboa, Coimbra, Vizeu e Évora. Daí, mais tarde, sairiam os painéis e retábulos destinados a povoar os conventos e igrejas portuguesas, substituindo, no devido tempo, as importações de obras flamengas, que até então eram comuns.

Por essa mesma época, diversos pintores flamengos, atraídos pelas possibilidades de enriquecimento, estavam chegando a Portugal. Em breve, eles se tornariam os iniciadores e mestres de uma brilhante linhagem de pintores, como Jorge Afonso, Francisco Henriques, Frei Carlos, Vasco Fernandes, Cristóvão de Figueiredo, Gregório Lopes e Garcia Fernandes. Se não eram todos de origem flamenga (como parece ter sido Francisco Henriques e o foi, sem dúvida, Frei Carlos), eram fortemente influenciados pela pintura flamenga. Esta influência, iniciada no longínquo ano de 1428, quando o célebre Jan Van Eyck esteve no país, somente diminuiria nos anos finais do reinado de Dom João III, substituída pelo gosto italiano.

No Brasil, no primeiro século da colonização, não foram trazidos, evidentemente, pintores, mas, sim, administradores, muitos soldados, alguns mestres-de-obras e artífices, centenas de degredados e, após 1549, os primeiros jesuítas missionários. E seriam estes, justamente, os primeiros pintores europeus ativos no Brasil, suprindo, com maior ou menor habilidade, sua falta de aprendizado profissional. Trabalhavam para a edificação dos fieis, a salvação das almas e a maior glória de Deus e de sua Igreja. Obra de religiosos, era de se esperar que a pintura do século 16 – como, de modo geral, toda a pintura realizada no Brasil Colonial - viesse a ser exclusivamente religiosa, com mínima incidência de retratos e umas raras (e toscas) representações paisagísticas, servindo de fundo para cenas da vida de Cristo e dos santos. Entre poucos nomes a realçar, todos de obra ignorada, citem-se os jesuítas Manoel Álvares, que esteve alguns meses na Bahia, em 1560, a caminho da Índia e que, para o Padre Serafim Leite, terá sido "o primeiro pintor digno deste nome, que passou pelo Brasil"; Manoel Sanchez, chegado em 1574; Francisco Dias, notável arquiteto e provavelmente também pintor, no Brasil desde 1577. E Belchior Paulo ou Paielo, desembarcado em 1587, possível autor de um retrato de José de Anchieta e que trabalhou em Pernambuco, na Bahia, no Espírito Santo e ainda em outras regiões brasileiras. Também merecem destaque Hierônimo de Mendonça, que, em 1595, residia em Olinda, e até uma artista-pintora, Rita Joana de Souza, nascida também em Olinda e ali falecida aos 23 anos, em 1618. Outros pintores quinhentistas devem, com certeza, ter trabalhado no Brasil, porém ignoramos totalmente nome e produção.

Ao longo da primeira metade do século 17, mas ainda de alguma forma ligados ao século 16, deveriam ser citados, entre poucos outros, em Pernambuco, os flamengos João Batista (protestante convertido ao Catolicismo, em 1606) e Remacle Le Gott (vindo em 1628); na Bahia, Antônio Bastos, Aleixo Cabral, André Rodrigues e Manoel Pinheiro. E, no Maranhão, Frei Cristóvão de Lisboa, chegado em 1624, primeiro Custódio da Ordem Franciscana no Maranhão, autor de um precioso manuscrito, com desenhos de animais e plantas que antecedem, em mais de uma década, o que fariam, no gênero, os chamados pintores de Nassau. 

Escultura

O Mosteiro de São Bento, no centro da cidade do Rio de Janeiro, é um dos principais monumentos coloniais brasileiros. Fundado em 1590, possui a fachada no estilo maneirista e seu interior é coberto por talhas douradas, bem ao gosto dos estilos Barroco e Rococó. É muito comum termos vários estilos de Arte em uma mesma igreja devido às reformas e melhorias promovidas pelos artistas.

A escultura, nos primeiros anos de colonização brasileira, é praticamente inexistente. No final do século 16, vão aparecer os primeiros indícios, quando as vilas começam a se estruturar no litoral e vão surgir os primeiros edifícios públicos e religiosos. O primeiro escultor identificado no Brasil é o português João Gonçalo Fernandes, na década de 1560. João Gonçalo, falecido na Bahia, em 1581, era ceramista e pedreiro também. O artista foi contemporâneo, em Salvador, do governador-geral, Mem de Sá, e do clérigo jesuíta Manuel da Nóbrega. No entanto, devido às condições precárias da Colônia, as obras eram, em sua maioria, importadas da Europa. O primeiro nome de vulto, no século 17, é do entalhador português Frei Domingos da Conceição da Silva, que trabalhou no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. A talha, nesse início da colonização, é a principal atividade escultórica no Brasil.


As obras d Frei português, Agostinho da Piedade, possuem características do Maneirismo, mas já se aproximam do Barroco. São atribuídas a ele 30 imagens de santos, todas em barro cozido, técnica chamada de terracota. A maior parte de suas obras está no Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia. O frei é considerado o fundador da escultura nacional. 


Essas são apenas algumas das caracteristicas cruciais da arte colonial no Brasil. Muito se segue nessa trajetoria, uma vez que a arte brasileira é uma mistura grandiosa de influencias em todo seu processo formativo.




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