Muito se falou que o territorio brasileiro foi "descoberto" pelos portutgueses. Aprendemos isso nas aulas de historia do Brasil, porem, nos dias atuais, o nosso senso crítico nos fez repensar essa afirmativa, a partir do momento em que refletimos acerca da existencia dos povos originarios que desde então já habitara nosso territorio. Dentro dessa perspectiva, vamos tentar entender um pouco da influencia cultural que circunda a arte no contexto da colonização portuguesa. Para isso é precisso compreender que a Arte Colonial no Brasil compreende o período da chegada dos portugueses até a independência, em 1822. Nesse contexto, temos então:
Os primeiros anos de colonização – 1500 até 1630;
A Arte Holandesa no Brasil – 1630 a 1645 – promovida pelos holandeses; que se instalaram clandestinamente no Nordeste brasileiro.
Barroco Brasileiro – início do século 18, até início do século 19 – estilo tardio no Brasil e que possui características rococós.
Academicismo – a partir do ano 1816, com a instalação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, fundada por Dom João VI e da vinda da Missão Artística Francesa.
Arquitetura
Nos trinta anos que se seguiram à chegada dos portugueses, eles se estabeleceram na costa. Primeiramente, foram construídas as feitorias, que eram construções muito simples, precárias, com cerca de pau-a-pique ao redor, porque os portugueses temiam ser atacados pelos índigenas. Preocupado, com medo que outros povos ocupassem terras brasileiras, o rei de Portugal enviou, em 1530, uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa para dar início à colonização. Martim Afonso fundou a Vila de São Vicente (1532) e instalou o primeiro engenho de açúcar, iniciando-se o plantio de cana-de-açúcar, que se tornaria a principal fonte de riqueza produzida no Brasil.
Após a divisão em capitanias hereditárias, a partir de 1534, houve grande necessidade de se construir moradias para os colonizadores. Foram construídas as casas de taipas - construções feitas de varas, galhos e cipós entrelaçados e cobertos com barro. Para que o barro tivesse maior consistência e melhor resistência à chuva, ele era misturado com sangue de boi e óleo de peixe. Elas podem ser feitas com técnicas diferentes: - A taipa de pilão é um tipo de construção de origem árabe. Constitui-se de paredes feitas de barro amassado e calcado, por vezes misturado com cal para controlar a acidez da mistura. Sabe-se que algumas das primeiras cidades construídas foram feitas em taipa de pilão, sendo que, na Assíria, foram encontrados vestígios de fundações feitas em taipa de pilão, que datam de 5.000 a.C.
A taipa de mão, também chamada de pau-a-pique, taipa de sopapo, taipa de sebe, barro armado é uma técnica bastante simples em que as paredes são armadas com madeira ou bambu e preenchidas com barro e fibra. A Taipa de mão possui uma particularidade muito interessante, pois, ao contrário da Taipa de Pilão - onde as paredes são feitas em formas e o barro, socado com o pilão e depois montadas, esse tipo de construção exige que para se preencher a trama de madeira era preciso que duas pessoas, simultaneamente, atirassem o barro, uma de cada lado, da estrutura para preencher os vãos.
Algumas das principais construções de taipas: muralha ao redor de Salvador, construída por Tomé de Sousa; Igreja Matriz de Cananéia; Vila de São Vicente, destruída por um maremoto e reconstruída entre 1542 e 1545; Casa da Companhia de Jesus, que deu origem à cidade de São Paulo.
Assegurada a posse da terra, foram nela estabelecidos os poderes civis e religiosos. Os jesuítas chegam ao Brasil em 1549, os beneditinos, em 1581, os franciscanos, em 1584. A partir daí, ocorrem manifestações artísticas dos colonizadores na Bahia, em Pernambuco, em São Vicente, na Paraíba, no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Os portugueses também dispunham de numerosos arquitetos, mestre-de-obras, pedreiros, marmoristas, carpinteiros, marceneiros e artesãos, vindos da Europa. Assim, pouco a pouco, vão surgindo as cidades e suas construções.
Após o fracasso das capitanias hereditárias, chega ao Brasil Tomé de Souza, em 1548, e começam a surgir os primeiros aglomerados urbanos, que cresciam sem planificação. Em 1580, Salvador conta com um número de 15.000 habitantes e possui uma grande praça com prédios de administração pública, várias ruas e um bom número de moradias de pedra. A casa-grande era a residência da família do senhor de engenho. Nela moravam, além da família, alguns agregados. O conforto da casa-grande contrastava com a miséria e as péssimas condições de higiene das senzalas (habitações dos escravos). Os edifícios públicos e religiosos do século 16 tinham, geralmente, características do Maneirismo, mas restam poucos traços dessa arquitetura.
A escultura, nos primeiros anos de colonização brasileira, é praticamente inexistente. No final do século 16, vão aparecer os primeiros indícios, quando as vilas começam a se estruturar no litoral e vão surgir os primeiros edifícios públicos e religiosos. O primeiro escultor identificado no Brasil é o português João Gonçalo Fernandes, na década de 1560. João Gonçalo, falecido na Bahia, em 1581, era ceramista e pedreiro também. O artista foi contemporâneo, em Salvador, do governador-geral, Mem de Sá, e do clérigo jesuíta Manuel da Nóbrega. No entanto, devido às condições precárias da Colônia, as obras eram, em sua maioria, importadas da Europa. O primeiro nome de vulto, no século 17, é do entalhador português Frei Domingos da Conceição da Silva, que trabalhou no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. A talha, nesse início da colonização, é a principal atividade escultórica no Brasil.
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