sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Em nome do legado de Chico Santeiro


Por Tadzio França 
O conceito de arte é o mais amplo que existe - e está sempre em discussão. Alguns rótulos se fazem necessários para facilitar a compreensão dos apreciadores e conduzir exposições. Um recorte popular é o que oferece, a princípio, o Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro, cuja segunda edição segue até o dia 07 de setembro, na Pinacoteca do Estado. Entre 30 artistas diferentes e uma média de 70 obras expostas - todas à venda (ou já vendidas) - observa-se que a ideia de arte popular exibida na exposição está mais aberta do que parece - ou deveria. 


Considerada uma das grandes artistas populares, Luzia Dantas, de Currais Novos, ficou em 4º lugar com a obra Os Retirantes, peça em madeira.


A dimensão regional oferecida pelo Salão Chico Santeiro é abrangente, mas pode confundir a percepção do que seja uma arte verdadeiramente popular. O salão expõe amostras de desenhos, esculturas, colagens e gravuras, sendo que o segmento da pintura foi o mais favorecido  com os três primeiros lugares, numa mescla de pinturas naif e acadêmicas.

O colecionador e marchand Antônio Marques foi um dos idealizadores do projeto, já prestou consultoria para o próprio, mas acredita que algumas ideias precisam ser revistas. "Os critérios de escolha das obras precisam ser mais pensados. Por que dedicar os três prêmios maiores à pintura, se temos esculturas, desenhos e xilogravuras igualmente excelentes? Acho que a premiação precisa ser desmembrada, uma divisão por categorias seria o mais justo", afirma. 

"Os critérios de arte popular  deveriam ser mais esclarecidos para evitar equívocos. Sei que na hora da prática essa divisão não é tão fácil", completa. Antônio Marques reforça a ideia de que o salão precisa ser coerente com a obra de seu inspirador, Chico Santeiro, um artista intuitivo, autodidata e realmente popular. "Vejo obras no salão que possuem um conceito totalmente acadêmico, obras refinadas ou muito modernas para representarem a cultura popular. Nós temos uma tradição muito rica de artistas santeiros, algo que poderia ser melhor representado na mostra", diz. Marques ressalta os trabalhos de alguns artistas do salão, como "Os retirantes", de Luzia Dantas, uma senhora octagenária de Currais Novos que faz poéticas esculturas de madeira há 60 anos. 

Outras obras mantêm o espírito original do salão popular, segundo Antônio Marques, como as pinturas genuinamente realistas de Rosa Maria da Costa, uma artista da periferia que retrata cenas do cotidiano humilde; os quadros de madeira mogno esculpidos em  peça única,  repletos  de detalhes entalhados a cargo de Raimundo Araújo (o Mundoca), e um oratório barroco feito a partir de madeira resina e bisquiti. Apesar dos ajustes a serem feitos, Marques afirma que o salão é importante por evidenciar os artistas. "É uma novidade no Estado, e que movimenta o cenário. Ano passado participei da seleção, e não dávamos conta de tanta gente que mandou seus trabalhos", diz. 

O professor e pesquisador de arte popular Everardo Ramos afirma que o próprio edital não favorece a seleção de artistas genuínos do segmento. "Os critérios são vagos e equivocados. Coisas como 'utilização de materiais' e 'linguagem estética' não significam nada. O formato é incongruente com o edital, já que vejo aqui pessoas letradas, formadas, com longo currículo de exposições. Óleo sobre tela não é arte popular. O edital exige uma série de documentos. Os artistas populares de verdade nem saberiam como participar disso. O evento em vez de chamar, deveria procurar esses artistas", ressalta. 


Everardo chama especial atenção sobre a obra de Francisco Everaldo dos Santos, mais conhecido por Seu Santos, um exímio e diferenciado escultor em madeira. "É um dos maiores artistas populares em atividade no Estado", afirma. Santos ficou em 14º lugar na seleção geral do salão. "Não conheço um artista local como Seus Santos. Apesar de nunca ter feito um curso na vida, suas obras são de um requinte impressionante. É popular, mas quase acadêmico de tão refinado", diz. Será a primeira vez de Santos numa exposição coletiva deste porte. A mostra particular do artista será no fim de agosto, no Museu de Cultura Popular. 

Artistas foram prejudicados por terem enviado "foto ruim" da obra, justifica diretora


A diretora da Pinacoteca do Estado, Vanderci Holanda, explica  que muitos artistas foram prejudicados em sua classificação por terem enviado uma foto ruim de sua obra no material de inscrição. Apesar dos percalços, ela ressalta que o salão promete repetir o sucesso do ano passado. "Temos um mercado consumidor de arte muito bom e que está começando a aparecer. Faremos três salões e mais 16 exposições até março de 2013. Há gente que não sabe que temos artistas tão bons. O salão é uma forma de divulgar nossa arte", conclui. 


PREMIADOS


Receberam, cada um, o prêmio de R$3 mil reais: Mário Sérgio de Lima, representando brincantes em movimento; o já conhecido Ivo Maia, com suas mandalas e cabalas conceituais, e a pernambucana Ivone Mendes, com telas em acrílico representando cenas de infância sob uma perspectiva naïf (ingênua). Os demais selecionados ficaram com R$400. Artistas de todo o Nordeste enviaram seus trabalhos para o concurso,   sendo avaliados por uma comissão local.


Seu Santos: o detalhismo que nasce da observação

A obra de Francisco Evaristo dos Santos nasce da pura e simples observação. Um olhar dos mais detalhistas, já que suas esculturas em madeira são expressivas, cheias de detalhes,  movimento e sentimento. 'Seu Santos' faz paisagens em madeira. Para o Salão de Arte Popular ele trouxe a peça "Carregando água do Lajedo", mais um exemplo de como ele elabora momentos entalhados. Apesar de figurar em algumas das melhores coleções de arte popular do Estado, Santos permanece praticamente desconhecido no meio artístico potiguar. 


Nascido no interior da Paraíba, ele veio ainda criança para o Rio Grande do Norte. "Fui criado num sítio. Quando chovia, eu pegava o barro mole e fazia imagens de animais, eram meu brinquedos", conta. Por muito tempo, seu trabalho foi em cerâmica. Ao ver  a fragilidade do material, partiu para a madeira umburana, de corte fácil e macio. Um problema de saúde nas pernas, que o impediu de trabalhar no campo, fez com que Santos abraçasse de vez a arte da escultura. 


A maior inspiração de Santos é a vida rural. "Sempre gostei de observar, de descobrir formas. O que eu achava bonito, me esforçava pra fazer igual", conta. E assim foi surgindo sua arte. As imagens figurativas do escultor reproduzem cenas de personagens religiosas, pescador, homens carregando latas de água, lenha e peixe, segurando a enxada, etc. São cenas que ele diz guardar na memória, da época em que morava em Caicó.  


Por muito tempo, Santos vendeu suas peças nas ruas, de porta em porta, com as estatuetas debaixo do braço. Até que colecionadores de olhar mais aguçado perceberam a riqueza de suas peças e passaram a encomendar, e valorizar. A natureza do trabalho artesanal e solitário faz com que Santos produza pouco. Suas peças podem levar de 15 dias a um mês, dependendo do tamanho. Os maiores trabalhos foram encomendados para igrejas, como a de São Gonçalo, que ele levou oito meses para concluir. 



Seu Santos não guarda nada em casa. Tudo que faz, seja por encomenda ou não, logo sai para a venda. "Não posso me dar ao luxo de guardar peça em casa. As vendas são minha sobrevivência", diz ele, que mora atualmente no bairro das Quintas. Para a exposição no Museu de Cultura Popular, programada para o fim do mês, o professor Everardo Ramos está tomando peças emprestadas junto  aos clientes de Seu Santos. "Será um privilégio para mim ver as estátuas num lugar só. Eu gosto de ter esse reconhecimento", afirma o santeiro.  

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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Renato Caldas: Um pouco sobre o poeta assuense

Essa postagem tem o objetivo de apresentar um pouco do ilustríssimo poeta assuense Renato Caldas, este pelo qual tive muita felicidade em acompanhar seus poemas na minha infância e adolescência no meu ciclo vital por Assu-RN. 

O poeta assuense Renato Caldas (08.10.1902-26.10.1991) é considerado o maior representante da poesia matuta norte-rio-grandense. Comparado a nomes como Catullo da Paixão Cearense e Zé da Luz, Caldas conseguia, de modo simples e espontâneo, abordar temas como o amor, a vida no meio rural, a simplicidade do homem do campo, a natureza e a beleza feminina. Recebeu a alcunha de “O poeta das melodias selvagens” por causa da rudeza e originalidade de seus versos. A obra mais conhecida do poeta chama-seFulô doMato (1940).


O nosso “poeta das melodias selvagens”, concentrou sua poética na valorização do regional, representando em uma linguagem “rudimentar” as características de um povo sertanejo. “Tinha na sua paisagem e até no lado grotesco do seu povo os motivos permanentes de sua poesia”. O meio rural, a natureza e a beleza feminina são temáticas que permeiam boa parte de suas obras.Vamos encontrar na figura invulgar de Renato um homem de temperamento expansivo e um grande colecionador de momentos felizes mesmo quando em situações adversas. Assim como era a poesia, a boemia e a cantiga popular também faziam parte de sua vida como todo o componente do seu ser. Coincidindo com a sua irrequieta personalidade, seus poemas refletem a imagem de um poeta boêmio e ousado que sempre esteve acima do cárcere da vida açuense e da opinião alheia. Dessa personalidade indomável, emana uma poesia movida à paixão dos valores nordestinos, onde o poeta faz comoventes evocações de sua terra de origem, em uma mistura de memória e sentimento telúrico que demonstram o exacerbado amor que tem pelo Assu, sua terra natal.
Renato Caldas é admirado pelo professor Aldo Cardoso


A exaltação à beleza e o desejo do homem simples, que ama e que sofre, são expressos em versos como:Fulo do Mato, Rebuliço, Lagoa das Moças entre outras que fizeram deste poeta uma das maiores referências da poesia do Rio Grande do Norte.

Aqui podemos conferir um belíssimo texto do nosso querido e amado poeta:

Fulô do Mato

Sá dona vossa mecê

É a fulô mais chêrosa,

A fulo mais perfumosa

qui o meu sertão já botô!

Podem fazê um cardume

de tudo que fô prefume

de tudo qui fô fulô,

qui nenhuma, nem uma só

tem o cheiro do suó

qui seu corpinho suô.

- Tem cheiro de madrugada,

Fartum de areia muiáda,

Qui o uruváio inxombriô.

É um cheiro bom, déferente,

Qui a gente sintindo, sente,

Das outa coisa o fedô.

...

Em Poetas e Boêmios do Açu, Ezequiel da Fonseca Filho registra esta maravilha:

"Seu môço, meçê já viu

Uma seca no sertão?

Os oios de vosmicê

Já viu essa afrição?

De vê morrendo de fome

Um miserave, um cristão?


Mecê, jáviu algum dia

Um casebre abandonado,

Morrendo gente lá dentro,

Tudo pelo chão deitado

Sem pudê se alevantá...

Ficando ali sepurtado?


E as retiradas, seu moço

Nem é bom ninguém falá.

Vê as muié quaje nua,

Quaje sem pudê andá..
.
O fio morrendo à fome

Sem tê leite pra mamá.



Tem outras coisas, seu moço

Qui fáz pena, qui traz dó,

É vê toda bicharia

Berrando naquele horrô!

Berrando cheirando o chão, 

Onde a água se acabô.


 Pra finalizar, uma bela saudação à cidade do Assu:


Assú

Assú de chapeu de palha!

Que luta... vive e trabalha

Somente para comer.

Assú que vive sofrendo

A própria dor escondendo

A angústia do seu viver!



Heróis, poetas, escritores

Boêmios e trovadores

Ilustraram tradições!

Que não serão sepultadas

Para serem proclamadas

Pelas novas gerações.



Meu Assú das vaquejadas!

Das noites enluaradas...

- Que gratas recordações!

-Cantigas feitas de sonhos

Dos seresteiros risonhos,
 
Conquistando corações.



Dança dos Congos, Lapinha,

Folguedos da argolinha,

Bumba meu boi! Pastoril

Eram brincos engraçados,

Hoje porém divulgados

De norte a sul do Brasil.



E, como o tempo é cruel!

Jogos de prenda... e anel

Ninguém sabe onde ficou?!...

Sei eu, onde está guardado

O meu Assú do passado,

Minha saudade guardou.

Esta é apenas uma breve homenagem a esse poeta de grande valia para a história desse município de grande evidencia no nosso querido RN. 




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CAMINHOS DA ESCOLA - ARTE NA ESCOLA





O tema do Caminhos da Escola é Arte na escola. Vamos ver como a arte, além da sua importância histórica e cultural, pode trabalhar a criatividade, expressão e personalidade, formando um conjunto interessante e produtivo para a aprendizagem.


 Para este vídeo, teve-se como espaço de pesquisa: o Centro de Ensino Médio de São Sebastião - DF (CEM 01), esta matéria se baseia em como a instituição de ensino fomenta a arte de forma interdisciplinar com seus alunos.

Em São Paulo, a Escola Técnica de Artes recebe uma importante representante da sétima arte no Brasil, a cineasta Laís Bodanzky é nossa convidada do Debate num papo sobre formação, o cinema como profissão e como é sobreviver de arte no nosso país.

É chegada a hora da degustação na etapa final do Desafio Mesa Americana no CEEP Newton Freire Maia em Curitiba - PR.


Fonte: http://tvescola.mec.gov.br

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Seu Coração - By Lid Galvão

Minha emudecida flor da relva...
Caminha seu sabor em minha direção.
Vejo-me sem frases para descrever,
O quanto suas emoções me transcendem;
Me poupam a respiração,
E me tomam de crença.

Parece sorrir-se consigo mesma,
Quando o barulhento vento
Assusta suas pétalas.
O seu dizer de nua nada diz
Além do que meus olhos já viram...

Nada percebe a sua ingenuidade sensitiva...
Vai ver encantou-se de reluzência.
Melhor para minha pele arrepiada;
Para meu querer a espreita,
Deste inconsciente à seu coração.

Homenagem ao Jorge Amado no seu centenário - RN


À MARGEM CIA DE TEATRO 
APRESENTA:

CAPITÃES DA AREIA
INSPIRADO NO ROMANCE DE JORGE AMADO
ADAPTAÇÃO E DIREÇÃO DE LUCIANO LUZ


Á Margem Cia de Teatro foi criada com o intuito de levar aos palcos obras enriquecedoras e edificantes, coisa que aconteceu com cada um dos espetáculos anteriores do grupo: O Ateneu, Dom Quixote, Dois Cabras Num Cordel Só e Reticências: Esperando Godot. Dessa vez a Cia pretende invadir a praia de Jorge Amado com a montagem do grande clássico da literatura brasileira o romance: Capitães da Areia. A proposta do espetáculo é tratar com o máximo de fidelidade a obra e os mais diversos assuntos, temas políticos e sociais encontrados no livro de Jorge Amado. 
A preocupação com os males do mundo, injustiça social, crianças abandonadas e marginalizadas, o descaso, o abuso de poder, tradições,sincretismo religioso, a ganância, soberba e a falta de sensibilidade dos homens, assim como também por outro lado podemos observartambém a apreciação das coisas simples da vida, a poesia no gesto de um garoto de rua que muitas vezes deixamos de notar, tudo está escancarado na peça como um espelho. São os Capitães da Areia que passam de uma geração para outra, de uma cultura para outra, representando todos os capitães do Brasil e do mundo...

Todos nós representamos, vivemos personagens diferentes, improvisamos diante do novo ou do desconhecido, imitamos a arte que, por sua vez, tenta imitar a vida. Assim, a montagem do espetáculo se justifica por si mesma, é o desafio de colocar a vida em cena, rir, chorar, se emocionar com o acontecer dos pequenos milagres diários que dão forma ao nosso viver.

A peça é uma mistura de sentimentos, emoções e pensamentos, permitindo um rico trabalho de ator na tentativa de ilustrar a poesia encontrada nos Capitães da Areia, um dos maiores clássicos da nossa literatura.

 Essa montagem representa para nós um desafio. A possibilidade de buscar o novo e crescer na difícil arte de representar a vida, de mostrar a realidade atemporal das crianças de rua no nosso país, de mostrar risos e lágrimas, angústias e alegrias, fé e convicção de que é possível enxergar num menino de rua um homem a ser descoberto.

Que a mensagem da peça possa despertar e gerar percepções que produzam mudanças através da arte.

SERVIÇO:
O QUÊ? ESPETÁCULO CAPITÃES DA AREIA
QUANDO? DIA 07 DE agosto ÁS 13:00, 15:00 e 19:30
ONDE? TEATRO ALBERTO MARANHÃO
INGRESSOS: NO LOCAL:  INTEIRA 30,00 / MEIA: 15,00


Fonte:

Agosto da Alegria 2012 - RN


 Por Tádzio França 


O festival Agosto da Alegria almeja emplacar o turismo cultural em Natal, a partir de 2012. A segunda edição do evento se anunciou maior que a do ano passado, e ainda mais multifacetado em sua série de atividades entre shows, palestras, exposições, cortejos e feiras.  A extensa programação e suas intenções foram divulgadas oficialmente ontem pela manhã no restaurante Mangai, em solenidade de lançamento para imprensa, parceiros e instituições. 

Emanuel AmaralAgosto da Alegria almeja o turismo cultural, com a ajuda de parceiros e instituições como Sesc, Sebrae e UFRN.
Agosto da Alegria almeja o turismo cultural, com a ajuda de parceiros e instituições como Sesc, Sebrae e UFRN.


O evento será de 08 de agosto a 02 de setembro, neste ano sob o tema "É Festa para Deífilo".  Os eventos serão divididos entre exposições fotográficas e de artes plásticas, mostras de audiovisual, palestras, teatro, grupos folclóricos e parafolclóricos, lançamento de publicações, e apresentações musicais de nomes como Martinho da Vila, Tulipa Ruiz, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Khrystal e Herbert Lucena.

A homenagem a Deífilo Gurgel se manifesta com a dedicatória ao pesquisador e folclorista no tema do evento, e também com a criação da comenda ao Mérito Cultural Deífilo Gurgel, cuja medalha está sendo cunhada no Rio de Janeiro. Até o fim do ano, será distribuída aos respectivos merecedores. 

A "robustez" do Agosto da Alegria para 2012 resultou numa programação dividida em 10 eixos temáticos, desenvolvendo cada um atividades diferentes por 35 pontos da cidade,  entre 400 apresentações. 

"O número de atividades foi tão maior neste ano que estendemos a programação para 40 dias. É muita coisa para ser apresentada de forma cronológica, por isso criamos a separação em circuitos, para que as pessoas possam escolher o que e como ver, da melhor forma", explicou a secretária Extraordinária de Cultura, Isaura Rosado. A professora destacou as parcerias do Governo do Estado com a UFRN, UnP, UERN, SESC, Sebrae, Forró da Lua, Poti Livros, Funarte, Fundação Joaquim Nabuco e Canne. 

TURISMO DE EVENTOS CULTURAIS

A proposta é fazer do Agosto do Alegria uma referência cultural que dialoga com iniciativas de turismo e economia, tal qual já se faz há tempos no Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas. "O Agosto não é um evento para gastar dinheiro, mas para dar suporte a ações positivas. Cada real investido em cultura gera renda, pois movimenta o mercado em volta dessas ações", disse Isaura. Já no dia de abertura, 08/08, haverá o seminário "Cultura, Turismo e Economia". As palestras receberão Roberto Mauro de Souza, falando sobre o Círio de Nazaré de Belém (PA); Joceli de Souza, sobre a Oktober Feste de Blumenau (SC); e Olga Maria Simão, sobre os Bois de São Luís do Maranhão. Cada um falará sobre as experiências que fizeram manifestações culturais se tornarem marcas registradas de seus respectivos estados. 

O olhar "transversal" para o turismo é um objetivo firmado. "Não há como dissociar turismo de cultura. Segundo pesquisas, quando se visita algum lugar, o turista não leva apenas os cenários e a comida, mas também a cultura. O Agosto da Alegria já teve um saldo positivo ano passado, e em 2012 deve se tornar ainda mais forte", disse Renato Fernandes, secretário estadual de turismo, representando a governadora Rosalba Ciarlini. 

Serviço: II Agosto da Alegria - É Festa para Deífilo. De 08/08 a 02/09, entre 35 pontos de Natal. Acesso gratuito. 

MÚSICA É O PONTO CENTRAL DO EVENTO

Para cada circuito, um momento. A música é um dos pontos centrais da programação, inegável ponto de maior alcance para o grande público. A programação de shows será concentrada na Praça Augusto Severo, largo do Teatro Alberto Maranhão, com apresentações de Martinho da Vila (dia 11/08), Orquestra Contemporânea de Olinda (12), Waldonys (18), Tulipa Ruiz (19), Alceu Valença (25) e Geraldo Azevedo com Orquestra Sinfônica do RN (01/09). Ao lado, as atrações locais recebendo a mesma importância na divulgação, com Khrystal e banda (dias 11/08 e 07/09 - lançando o novo CD), Camarones Orquestra Guitarrística (12/08), Talma & Gadelha (19), Pedrinho Mendes e Sueldo Soaress (25), e Tributo a Gonzagão com Orquestra Sinfônica da 

UFRN (31), entre outros. 

CIRCUITO CULTURAL E CINEMA SE INTEGRAM

A programação inclui um circuito de brincantes, com oficinas, encontros e apresentações; o circuito de artes cênicas inclui o 4º Encontro Nacional de Dança Contemporânea, a Semana de Literatura de Cordel (23 a 25/08), o Palco Giratório SESC, e espetáculos como "Filhos de Gonzaga" e o mossoroense "Chuvas de bala no País de Mossoró", no dia 31/08, às 19h; o circuito de artes visuais, com uma série de exposições de pinturas e fotos; o circuito audiovisual com diversas exibições no Museu de Cultura Popular, além de mostra de curtas, I Encontro de Cinema e Audiovisual, e uma conversa com o diretor pernambucano Cláudio Assis (17/08), sobre o filme "Febre do rato".  O Agosto da Alegria também incorporou eventos para os quais o Governo já dava suporte, como o Circuito Cultural da Ribeira, a Feira do Livro de Mossoró, e o Fest Bossa Jazz, que neste ano será em Pipa. 


Disponivel em:

Curta Invention of Love: Uma Metáfora para a Modernidade?



Invention of Love é um belo curta, no qual vemos um casal em um mundo de engrenagens, servindo como metáfora para a modernidade. Escrito e dirigido por Andrey Shushkov entre os anos de 2009 e 2010, o curta levanta várias críticas, sem ser chato ou ideológico. Uma bela obra, com sensibilidade e carregando a pergunta de várias gerações: o amor pode ser criado?
Invention of Love é um curta escrito e dirigido, entre 2009 e 2010, pelo russo Andrey Shushkov.
O curta conta a história de um casal que vive em um mundo feito de engrenagens, no qual até a beleza da natureza é substituída por ferros, mecanismos, parafusos e engrenagens.
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Toda a história é contada em contraluz, com efeitos de sombra que deixam o trabalho sóbrio, bonito e romântico.

Outra característica importante é a bela trilha sonora, feita por Polina Sizova e Anton Melnikov. É ela a responsável por construir uma melancolia sob medida para a história.
O curta é uma crítica a maneira como a modernidade transforma os laços simples de convívio pessoal, dando mais importância a forma, prática e funções que devem ser desenvolvidas socialmente, do que na própria existência humana, nas relações e sentimentos dos indivíduos.
Outra crítica presente é a relação dessas máquinas com a natureza, realizando de maneira bela um velho discurso, mais atual do que nunca, sobre até onde podemos ir em busca do nosso desenvolvimento.
No entanto, esse não é o tema principal do curta, basta prestar atenção ao título para percebemos que a intenção da história é tentar responder uma pergunta: O amor pode ser criado?
Somos frutos do nosso meio, com um determinismo cultural que se impõe à nós?
A sociedade e a cultura constroem sentimentos? Em um mundo de máquinas, ausente de relações pessoais significativas, e baseado em uma comunicação cada vez mais virtual, podemos desenvolver sentimentos como o amor?
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Até onde o amor não é inventado?
São essas as questões que Invention of Love levanta, sem ser cansativo, chato ou ideológico. A maneira como a história é apresentada nos mostra muito mais sensibilidade, tristeza e agonia, do que um discurso ideológico.
Uma linda história, em um lindo curta, com cores e traços maravilhosos.
Site oficial de Andrey Shushkov, aqui.
Deleitem-se:

camilonascimento
Artigo da autoria de Camilo Alves Nascimento.
Escritor por natureza, mesmo sem saber sobre o que escreve. Mineiro que gosta de rock, apaixonado pela beleza urbana e por todas as suas sutilezas. Insone, ex-fumante, que busca incessantemente entender a mediocridade humana, inclusive a sua. E acredita cegamente que um bom café pode salvar vidas..
Saiba como fazer parte da obvious.


Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/sem_receita/2012/07/curta-invention-of-love-um-metafora-para-a-modernidade.html#ixzz22LCdc3m6