O artigo em destaque afirma que o Kathakali é um estilo masculino de Teatro-dança clássico originário na antiga região do Malabar, no extremo sudoeste da Índia. Tambem diz de forma clara que sua forma final supõe-se ter sido atingida ao final do século XVII. Entretano, suas raízes culturais encontradam-se em rituais dramatizados cujas primeiras documentações remontam a quase dois mil anos.
O pesquisador, tras tambem questões acerca de sua revitalização ocorrida nas primeiras décadas do século XX, que reencontrou seu vigor com a criação, em 1920, no vilarejo de Cheruthuruthy, da primeira escola governamental para o ensino 86 das artes, a Kerala Kalamandalam.
A Kalamandalam é a principal escola de Kathakali do país e foi fundada por um dos mais famosos poetas do sul da Índia, Vallathol Narayana Menon, com o objetivo de resgatar as artes cênicas de Kerala. Kalamandalam significa “Academia de artes” e seu prestígio estabeleceu ao longo dos anos um padrão de excelência para todos os atores de Kathakali.
Sobre o espaço cenico, o texto expõe a firmativa de que o palco está parcialmente oculto por uma cortina suspensa por dois ajudantes. Já em relação a composição cenica, sabe-se que o ator está atrás da cortina, pois se pode ver o alto de sua enorme coroa que se move lentamente. Os gritos do personagem e o barulho dos guizos atados em suas pernas somam-se ao estrondo dos tambores que tocam em ritmo vigoroso. Subitamente, as mãos do ator surgem agarrando a parte de cima da cortina. Ele a balança para um lado e para o outro, sem, no entanto, mostrar sua figura. Suas mãos liberam a cortina e ele volta a dançar, oculto ainda da audiência ansiosa. Novos gritos, e os tambores retomam sua força. Outra vez ele segura a cortina e a agita. De repente, com um gesto inesperado e brusco revela sua face amedrontadora. Em sua maquiagem, o vermelho predomina e seus olhos contornados de negro, parecem querer saltar das órbitas enquanto fitam o público. De sua boca emergem enormes e grotescos caninos. O aspecto demoníaco é do vilão Dushássana, que no épico Mahabharata é inimigo dos heróis Pandavas.
O artigo conta que na Índia, acredita-se que todo palco seja um local sagrado escolhido pelos deuses, onde a eterna luta entre o bem e o mal deve se repetir para sempre. O Kathakali, sendo uma arte essencialmente hindu, é conduzido como um ritual e tudo que é relacionado a ele é investido de algum significado religioso.
O artigo tambem conta que o ator em cena tem consciência do simbolismo da performance enquanto cerimônia propiciatória – normalmente em homenagem ao deus patrono do templo onde ocorre a performance – e da centralidade de sua atuação no contexto da oferenda. Sua aparição em cena, representativa de figuras mitológicas e divinas, encarna ideias e valores culturais que funcionam como eixos ao redor do qual orbitam as vidas da grande maioria da população da Índia e da audiência ali presente, em particular. Nas formas clássicas de teatro da Índia, o ator é invariavelmente um dançarino.
Normalmente os aprendizes de Kathakali iniciam seu aprendizado muito cedo, entre os oito e doze anos de idade, dentro de uma tradição familiar.
O teatro Kathakali possui em sua dinâmica cultural procedimentos os quais permitem que sua performance sofra uma questionável “redução” para fins comerciais, em seu próprio local de origem.
O artigo cientifico fecha o seu raciocinio afirmando que o Kathakali enfrenta contemporaneamente alguns desafios a seu desenvolvimento e manutenção, naturais a esse tipo de tradição artística. É um surpreendente paradoxo como uma arte clássica, rigidamente elaborada como o Kathakali e que se utiliza de uma linguagem gestual hermética para comunicar seus textos, possa ser ao mesmo tempo (e ainda hoje) tão popular, principalmente nos pequenos vilarejos de Kerala. No entanto, no início desse século XXI, uma parcela de nova geração de indianos identifica esses aspectos culturais como representativos de uma Índia arcaica e atrasada para os padrões ocidentais, cada vez mais vigentes neste mundo globalizado.
LEIA O ARTIGO NA INTEGRA:
file:///C:/Users/Fabio%20Fernandes/Downloads/eazevedo,+Ed+13.1+-+83+a+110+-+Deuses+e+marionetes.pdf





Nenhum comentário:
Postar um comentário