segunda-feira, 2 de julho de 2012

MANET E A OUSADIA IMPRESSIONISTA

por Fernanda Pacheco

A imagem que aparece é do Caravaggio, mas aqui o assunto será sobre Édouard Manet, o pintor impressionista que inovou a maneira de produzir arte sem precisar se esforçar.

Grandes pintores como o espanhol Diego Velázquez (1599 - 1660) e o italiano Caravaggio (1571 - 1610) são reconhecidos por terem realizado obras com muita profundidade, volume e traços praticamente realistas. São remanescentes da arte renascentista, lembrando que ambos pertenceram a momentos diferentes, no caso do Caravaggio que gerou sua própria categoria: o Caravaggismo.

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As Meninas de Velázquez, 1656.

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Amor als Sieger de Caravaggio, por volta de 1600.

É a partir do pintor francês Édouard Manet (1832 - 1883) que a arte passa a romper com o estilo clássico, mas não totalmente como mostrarei mais adiante. Ano passado tive o prazer de fazer algumas aulas com o crítico de arte Rodrigo Naves e ele foi mostrando como Manet soube inovar, sendo um dos principais nomes do Impressionismo.

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Édouard Manet - In the conservatory (1879)

Na época, pintar pessoas de costas, conversando, apoiadas, enfim... Em posições assim, cotidianas, era um alvoroço! Quase uma ofensa à pintura clássica. E se não bastasse isso, Manet resolveu escandalizar quando fez sua versão do quadro A Vênus de Urbino do pintor italiano Tiziano, grande representante da escola renascentista. A inspiração veio daqui:

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A Vênus de Urbino (1538) do italiano Tiziano

E Manet fez a partir dai sua versão, a Olympia:
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Olympia (1863)

Na época o quadro foi considerado um escândalo! Como um pintor poderia se atrever a pintar algo tão ofensivo? Trocar Vênus por uma... Prostituta? Há indícios de que a Olympia fosse uma delas através de elementos como os tamanquinhos nos pés, a negra entregando flores que seria um agrado de algum pretendente e o gato preto. Além de detalhes bobinhos como o lacinho no pescoço. A pintura, quase plana quando comparada com a de Tiziano foi desprezada por muito tempo. Manet tinha essa mania de pegar uma imagem clássica e incorporar em seus quadros impressionistas. Abaixo mais um exemplo:

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O julgamento de Paris (gravura de 1520) – Marcantonio Raimondi.

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Almoço na Relva (1863) - Manet.

A princípio a gente pode até achar que uma coisa não possui nenhuma relação com a outra, mas veja só o recorte abaixo, destacando um pedaço da gravura inspirada no outro renascentista, Rafael:

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Pois é, senhoras e senhores. A questão aqui não é considerá-lo um plagiador, copiador ou qualquer outra coisa do gênero. Quem conhece as obras dele sabe de sua genialidade. O que vale ser reforçado é que além de desconstruir o jeito clássico de se fazer arte, Manet soube como ninguém provocar e ousar na hora de realizar suas obras. Acredito que seja uma grande realização para um artista chocar, causar espanto, ir contra a maré...

fernandapacheco
Artigo da autoria de Fernanda Pacheco.
É estudante de História, tem 19 anos e aprecia uma boa e velha miscelânea cultural digna de flâneur. .
Saiba como fazer parte da obvious.


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SAPATOS E O IMAGINÁRIO FEMININO por Victor Silveira

por Victor Silveira
A instância do desejo feminino. É deste potencial de “ser mulher” que todo este imaginário aponta. Já se questionava Freud: Afinal o que deseja uma mulher? Deixando em seguida a resposta para os poetas. Mas talvez se fosse hoje dissesse: Olhem para os seus sapatos.

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Desde a necessidade de proteção dos pés, à história dos sapatos foi sendo reinventada e agregando a si componentes culturais específicos ao longo dos anos. Na atualidade a palavra sapato está ligada diretamente a praticas e aspirações das mulheres, e estas demonstrações de apaixona-mento, delas (mulheres) por eles (sapatos) ganham uma conotação irracional e insana para alguns homens. Muito se ouve de mulheres que compram um sapato por semana, e algumas outras que têm pares e mais pares que ainda nem foram usadas, e passando por uma vitrine em um passeio despretensioso são tomadas pelo impulso e quando dão conta de si, já estão com as sacolas nas mãos e um semblante de satisfação inconfundível de: “Ele é meu”.

Saltos de todos os tamanhos, bicos, plataformas, cores, sejam quais forem às infinidades do design, parece que quanto maior a quantidade de possibilidades, mais infinito se torna o desejo delas por eles.


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Quando pensamos atentamente nessa relação, que permeia o feminino, podemos notar que existe algo que atravessa o consumismo. E óbvio que o capitalismo e a indústria da moda se beneficiam em grande estilo, mas olhando além percebemos os calçados nas mulheres incitando uma estrutura subjetiva de personalidade, fetiches, desejos, sensualidade e até sexualidade. Ficam claras tendências sociais e psíquicas. E para tentar entender tal fenômeno, torna-se inevitável remontamos o quadro histórico-social dos significados atribuídos aos pés durante os anos.
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Deixando de ser meramente um instrumento do corpo para locomoção, no movimento humanista, os pés foram percebidos como erógenos, amoráveis, respeitáveis, acarinháveis e o mais libidináveis quanto podemos imaginar. Abandonou-se então o valor de instrumento para se adotar os calçados como preservadores da sensibilidade dos pés. As mulheres em uma posição desfavorável socialmente em seus direitos sexuais e civis foram obrigadas a esconder seus pés por séculos, até que quando retornaram a cena com sua emancipação de “Segundo Sexo” (destaco aqui a importância dos movimentos feministas) os pés das mulheres estavam livres para viver suas projeções, dentro do imaginário feminino.

As mulheres acharam nos sapatos modos de se comunicar, isto dentro da singularidade de cada uma. Iniciaram-se assim os recursos ornamentais em sua multiplicidade, criando a moda dos pés. Eles passaram a ser objeto de enfeite e destaque na cena econômica. Os sapatos ganharam alma, a alma de quem os usava. Começou então a se delinear uma infinidade de histórias de amor entre mulheres e sapatos, uma relação de entrega e cumplicidade. Este é, evidentemente, o ponto comum na história dos sapatos, que atravessou décadas, sociedades, culturas, pensamentos e ideologias, bem ali, nos pés das mulheres.

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Artigo da autoria de Victor Silveira.
Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo. .
Saiba como fazer parte da obvious.


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sábado, 30 de junho de 2012

BRUCE LEE: O lutador, artista,filosofo e ateu

Por: Raul Lord


Bruce Lee nasceu no dia 27 de Novembro de 1940, filho de um famoso cantor de opera. Foi batizado como Lee Jun Fan e foi apelidado ainda na maternidade, de Bruce por sua enfermeira, mas só passou a adotar o nome mais tarde, quando entrou para escola.

Começou a praticar arte marcial por causa de uma briga de rua quando tinha 13 anos. Lee apanhou de um garoto, essa seria a primeira e última vez que perderia uma luta. Começou então a treinar um estilo de Kung Fu chamado Wing Chun instruído pelo lendário mestre Yip Man, que tem alguns filmes inspirados em sua trajetória. Bruce Lee treinou com Yip Man até os 18 anos.


Não é raro encontrar pessoas que acreditam que Lee foi apenas um ator, desconhecendo completamente seus feitos e influencia para o mundo das artes marciais. Talvez nenhum homem tenha mudado tanto o mundo da luta como Bruce Lee fez.

Bruce nunca se limitou apenas ao Kung Fu, demonstrava grande interesse em várias outras artes. Bruce Lee foi o primeiro a agregar várias artes marciais, utilizando apenas o que era eficiente em cada uma, transformando-se em um lutador mais eficiente.



Antes de desenvolver o Jeet Kune Do - um conceito de arte marcial criado por Bruce que mescla várias artes marciais catalogando o que há de mais eficiente em cada uma delas - Bruce treinou pelo menos dez outros estilos, desde a esgrima, até o wrestling e o jiu-jitsu tradicional. Aos 18 anos entrou para um torneio de Boxe, derrotando o campeão que estava invicto por três anos.




Bruce Lee era graduado em Filosofia, pela Universidade de Washington, entrou na universidade em 1961, aos 21 anos. E a visão adquirida desta forma transborda para seus métodos e mesmo para seus livros de artes marciais. Seus livros são famosos por não abordarem o combate de uma forma direta, mas por tratar as artes marciais em pontos de vista filosóficos.

O próprio Bruce Lee afirmou que a luta servia apenas como uma metáfora para os seus ensinamentos. Frequentemente influenciado pelo Budismo, Taoísmo, e pelo Krishnamurti



Quando perguntado por Little John, em 1972, qual era sua religião, Lee respondeu: Nenhuma. Também em 1972, quando perguntado se acreditava em Deus, ele respondeu: Para ser perfeitamente franco, eu não acredito.

Não se limitando a qualquer linha especifica de filosofia, Bruce Lee leu centenas de livros, reunindo aspectos ocidentais, orientais, modernos e antigos em princípios que contribuíram para o amadurecimento de sua filosofia. Nesse processo de aprendizado que se tornaria sua filosofia pessoal, focado na libertação do espírito por um autoconhecimento maior. As artes marciais foram apenas uma ferramenta para expandir seu potencial e compartilhar seu ideal com os outros.

Não vou entrar no mérito se ele foi ou não um grande filósofo, mas seu pensamento sobreviveu à sua morte e isso deve bastar para a maioria das pessoas.

Bruce Lee foi um autor, estudioso, educador, filósofo, bem como um artista inovador marciais; um homem cuja energia criativa e vontade de crescer trouxe-lhe o respeito de centenas de milhares de pessoas.



Entre Seus pensamentos e frases, optei por citar esta lista, que tanto resume sua filosofia, como serve de Lições de vida:

1. OBJETIVO
“Um objetivo nem sempre é para ser atingido, frequentemente serve apenas como algo a ser mirado.”

2. FLEXIBILIDADE
“Limpe a sua mente e seja como a água, sem forma. Você coloca a água num copo e se torna o copo, coloca água em uma garrafa, se torna a garrafa.”

3. TEMPO
“Se você ama a vida, não desperdice tempo, é de tempo que a vida é feita.”

4. PROPÓSITO
“Viver de verdade é viver para os outros.”

5. ACEITAÇÃO
“Não pense sobre quem está certo ou errado ou quem é melhor que o outro. Não seja nem a favor nem contra.”

6. FOCO
“Eu não temo o homem que praticou 10.000 chutes uma vez, eu temo aquele que praticou um chute 10.000 vezes.”

7. SIMPLICIDADE
“Simplicidade é a chave para algo brilhante.”

8. ENCONTRE O SEU CAMINHO
“Absorva o que lhe é útil, descarte o que não é, e adicione algo único.”

9. EGO
“Artes-marciais são principalmente fonte de auto-conhecimento. Um soco ou um chute não é para arrancar os males do cara a sua frente, mas para arrancá-los seu próprio ego, medo e obstáculos.”

10. COMECE AGIR
“Saber não é o suficiente, você tem que aplicar; querer não é o bastante, você tem que fazer.”

Disponivel em:

Dio, Come Ti Amo

Posto aqui uma dos melhores filmes italianos que pude assistir, refiro-me a Dio, come ti amo!, um filme hispano-italiano de 1966 dirigido por Miguel Iglesias.
Produção que visava a aproveitar o sucesso da canção-título, de autoria de Domenico Modugno. Também é um pretexto para Gigliola interpretar vários de seus sucessos, como Non ho l'età e Ho bisogno di vederti.

Fonte:

Arte e Técnica


(Kandinski)

A técnica, a capacidade de harmonizar e despertar nossos sentidos, só se realiza quando educa e constrói ao mesmo tempo esses sentidos, despertando a inteligência e o prazer que o belo nos traz. Não existe um belo absoluto, embora certas obras de arte sejam quase unanimemente consideradas belas. No entanto, só é belo aquilo que consideramos belo. O homem constrói para si e para os outros. A contemplação do belo é algo profundamente individual, como a construção da própria arte é um ato de total e profundo egoísmo. Ao compartilhar esse egoísmo, o artista não busca a consagração de sua obra, mas o reconhecimento de outros sentidos àquilo que ele sentiu. Portanto, não uma beleza, apenas: várias, dentre as quais a do próprio criador. A apreciação da obra de arte torna-se, assim, um ato de integração dos sentidos do observador com os sentidos do criador. O penico do Duchamps só é obra de arte para quem a considere uma obra de arte. Assim também a Vênus de Milo ou a Gioconda. O que há por trás da arte é apenas a arte, nada mais que a arte, ou seja, a técnica. Qualquer tentativa de buscar sentidos ocultos, profecias, mistérios e outras bobagens metafísicas cai no ridículo de tentar aceitar o inaceitável, de acreditar em duendes ou espíritos, de buscar o imponderável onde há apenas a técnica humana e a sua arte mais impressionante, a sua capacidade de criar. Não nos espantemos, portanto, com a morte do belo. Temos coisas mais importantes com que nos preocupar do que o reverenciarmos. Temos um mundo imperfeito e uma arte imperfeita a atrair nossos sentidos e, através deles, torná-los, ao mundo e à arte, imagens que nos agradam ou desagradam, sem qualquer juízo outro de valor que não esse filtro impressionante que se chama sensação, ou simplesmente, prazer. A arte só é arte quando nos causa prazer, deleite, sem que esses termos não deixem de conter em si algo de dor, de sofrimento, de angústia, pela compreensão do mundo que eles nos trazem ao contemplar aquilo que nos agrada. No fundo é isto: a arte só se realiza como arte quando nos revela um pouco mais de nós mesmos e do mundo em que vivemos. Sem metafísicas. Sem juízo de valor. Porque, afinal, a arte só é arte quando a arte não é arte. Quando nós a transformamos em arte. E em beleza, que só existe porque nós existimos e porque nossos sentidos a registram.

Disponivel em:

Angela Felipe expõe O Sagrado Feminino.

Ainda continua a exposição da artista Angela Felipe na pinacoteca do estado até o dia 18 de Julho de 2012. Passei por lá e conferi o seu belíssimo trabalho intitulado O sagrado Feminino, em cada tela ao lado está exposto um poema de Mary Ibanhes:
O professor Vicente Vitoriano faz uma breve síntese sobre a exposição:

Ângela Felipe Mulheres versos

Depois de tomar como tema o povo indígena e sua arte e de um longo recesso em que se distanciou das galerias e aprimorou seu desenho e suas técnicas de pintura, Ângela Felipe retorna e mostra um novo trabalho. Sem panfletarismo, a artista agora transpõe para sua obra o sentimento feminista ou, melhor diria, feminino, simplesmente. A mulher e muitas das questões que envolvem sua condição na sociedade neste novo século já foram temas explorados pela arte, desde “The dinner party” de Judy Chicago até nossos dias, quando artistas como Jenny Holzer continuam a se impor no ainda muito masculino universo das artes visuais. Para Ângela Felipe, a atitude política com que identificamos estas artistas é um ingrediente implícito que se manifesta no próprio ato de fazer arte e de trazer à tona, muito explicitamente, a figura da mulher. Mas seu primeiro objetivo é fazer poesia em torno do feminino e ela atinge plenamente tal objetivo. Para tanto, cria sobre telas imagem que são comentadas verbalmente pela poetisa Maria Ibanhes, num diálogo criativo e profícuo. Sua figuração estilizada aponta para uma surrealidade que parece transcodificar as entrelinhas da poetisa e fazer visível o não dito que se esconde nos hiatos dos versos. Neste discurso poético, os conteúdos transcendem a problemática do gênero e suas implicações políticas, sem as negar, entretanto. As situações mostradas e a linguagem poética utilizada nas obras “enviesam” a crueza da realidade em que se faz necessária uma lei como a “Maria da Penha”. As Marias de Ângela Felipe não gritam protestos, seus rituais são outros. Suas denúncias se fazem pela música e por gestos suaves que colhem, acariciam, fazem rendas ou abençoam numa ambiência de puro lirismo pastoral que aflora das cores claras e da profusão de linhas curvas. Se fazem advertências ou alertas, estas mães, amantes e artistas evidenciam ou desmascaram as agruras de vivências doloridas, mas por um tocante viés perpassado pela beleza.

Vicente VitorianoProfessor Dr. do Departamento de Artes da UFRN

Confira mais imagens desse belíssimo trabalho:
Não pude deixar de registrar minha presença nessa belissima exposição, no entanto acredito que vale a pena conferir de perto.


A Pinacoteca Potiguar existe na Av. 7 de setembro, s/nº - Cidade Alta e, mais detalhes sobre o evento estão sendo passados pelos fones 3232-5304 ou 3232-9727. O evento tem o aval da FJA.



Disponivel em

ALMAS QUE SE COMUNICAM PELA MÚSICA - SARAU


Prenunciados pela crítica como promessas da MPB, os 7 jovens reúnem-se em clima de intimidades e afinidades musicais. O talento de cada um (en)canta por si só, com melodias e composições que comunicam "sensibilidades".

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A música e seu efeito de meta-linguagem. É como se todos, equanto humanidade, compartilhássemos de um compartimente acessível comum, que estivesse para além de sanções culturais. Segundo Proust: "A música pode ser o exemplo único do que poderia ter sido - se não tivesse havido a invenção da linguagem, a formação das palavras, a análise das ideias - a comunicação das almas."

Comunicação de almas. Dessa forma que assimilei o projeto “Sarau” que revela o talento de 7 jovens, novos cantores e compositores, representantes da nova geração da MPB brasileira. São eles: Daniel Chaudon, Toni Ferreira, Taís Alvarenga, Gugu Peixoto, João Guarizo, Aureo Gandur e Fred Sommer. Todos comungando juntos, através da linguagem musical.

Uma das vozes que mais me chamou atenção foi a da única representante feminina, Taís Alvarenga, na interpretação da música "Sai de Casa". Sua voz imponente, conduz a música do início ao fim com um timbre agridoce. A vibração vocal envelopa cada palavra cantada de uma forma ácida, mas que adoça no final de cada verso. E a letra, é uma prosa em carta. Um suplício apaixonado, que enternece pela saudade.

" Tanto faz, e tanto fez, se já não temos mais os nossos 23. Pelo chão o que eu te dei, você quis razão, e eu tinha só meu coração. "


Outra ótima surpresa, foi ter a presença de Toni Ferreira, que surpreende com a semelhança do timbre de voz de Cazuza. Mas é só continuar a experimentar sua música, que logo as semelhanças se agregam positivamente. E Toni impõe a sua personalidade de forma a não negar suas influências musicais. Interpretando a música "Paira" ele dá uma aula de declamação poética. A poesia vibra em cada nota do violão. Enfim, a música e poesia dispensam qualquer análise. Por isso compartilho os vídeos, e pequenos trechos, para que sintas.

"Paira, sobre o espelho dos meus olhos, sem ser escrava dos meus sonhos. Esteja livre pra voar. Olha, Estou sem jeito e peço pouco, deixa eu me ver pelo teu rosto e ao menos te tocar. Sei que eu não sou o tal, mas fazes pouco caso de mim. Encontrarás o mal sem pouco fazer. Basta olhar o céu. Se um dia, enfim compreenderes o que trago no olhar. Essas janelas que refletem além. Do teu gosto de ser. "

E o sarau, foi documentando em belo Dvd, que foi lançado em Março deste ano. E a Universal Music disponibilizou o dvd praticamente completo e em alta definição no youtube. Confira.

victor
Artigo da autoria de Victor Silveira.
Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo. .
Saiba como fazer parte da obvious.


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