[Acervo do Museu de Arte Popular do Recife/PE]
Quando falamos em cultura popular, é notorio perceber a relação da obra com as referencias culturais ali presentes, desde sua idealização até sua forma concebida. No entando ao nos referirmos à manifestações artisticas oriundas do povo, não pdemos deixar passar despercebido, a criação do artesanato, uma pratica nobre, feita por pessoas simples, sem a necessidade de uma formação academica para se ocorrer o oficio e fruição artistica. Basta somente vivenciar a cultura do povo, e representá-la na arte de fato.
Mestre Vitalino - foto: Pierre Verger - Caruaru/PE, 1947
Seguindo essa tonante, podemos citar o mestre Vitalino, nascido em 10 de julho de 1909, no povoado de Ribeira dos Campos em Caruaru no estado pernambucano. Foi um grandioso ceramista popular e tambem atuou como músico. Era filho de lavradores, na sua infancia começou a modelar pequenos animais com as sobras do barro usado por sua mãe na produção de utensílios domésticos, para serem vendidos na feira de Caruaru.
No inicio da decada de 1920, é criada a banda Zabumba Vitalino, na qual é o tocador de pífano principal. Esse detalhe, reforça a diversidade artistica e criativa do grande mestre. A musica tambem irá ser tema do repertorio do artista nas suas obras em ceramica.
Sua atividade como ceramista permanece desconhecida do grande público até 1947, quando o desenhista e educador Augusto Rodrigues organiza no Rio de Janeiro a 1ª Exposição de Cerâmica Pernambucana, com diversas obras suas. Esses eventos contribuem fortemente para torná-lo conhecido nacionalmente. Alguns anos mais adiante, precisamente em 1971, é inaugurada no Alto do Moura, no local onde o artista residiu, a Casa Museu Mestre Vitalino. No espaço, administrado pela família, estão expostas suas principais obras, além de objetos de uso pessoal, ferramentas de trabalho e o rústico forno a lenha em que fazia suas queimas.
Mestre Vitalino se destaca por suas figuras inspiradas nas crenças populares, em cenas do universo rural e urbano, no cotidiano, nos rituais e no imaginário da população do sertão nordestino brasileiro. E é essa qualidade que de fato solidifica o ceramista como uma das maiores referencias na área.
As cenas presentes no seu trabalho remetem-se à ordem e ao crime no sertão brasileiro. Entre bandidos e soldados, policiais, ladrões de cabra e de galinha, destacam-se as figuras dos cangaceiros, como o temivel Lampião e sua companheira Maria Bonita.
è notorio entender que os aspectos sociais da região, como a seca e a migração, são captados em obras como Retirantes.
Tambem se torna comum, a presença de figuras e cenas ligadas ao trabalho, que permitem notar a divisão entre atividades laborais e tipos masculinos - vaqueiros, lavradores, homens carregando água ou tirando leite - e femininos - lavadeiras, rendeiras, mulheres cozinhando e costurando.
As profissões do contexto urbano, como dentista, médico, veterinário, barbeiro, costureira, vendedor de fumo de rolo, também são modeladas por Vitalino, em parte para atender às demandas do mercado.
Embora todos esses aspectos de sua arte justifiquem a notoriedade alcançada por Vitalino, em certa medida seu sucesso está relacionado a uma tendência cultural mais ampla de valorização dos traços populares, considerados originais e exemplos de brasilidade. Inegavelmente sua produção é interpretada como representativa dessas manifestações "autênticas" e "simples" que muitos intelectuais e artistas, na primeira metade do século XX, elegem como modelo.
Todos esses acspectos, transfiguram simbolicamente o mestre Vitalino como um dos maiores artesãos que o Brasil já produziu.
Baseado na pagina:
https://www.elfikurten.com.br/2013/01/mestre-vitalino-arte-feita-de-barro.html
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