quinta-feira, 5 de julho de 2012

PINTURAS REALISTAS CRIAM SURREALISMO

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Estudante japonesa cria verdadeiras ilusões de ótica com pintura corporal.

Chooo-San é uma estudante japonesa que usa o próprio corpo para criar sua arte. Ela cria pinturas realistas em partes do seu corpo, provocando verdadeiras ilusões de ótica. Tudo sem nenhum recurso digital. Seu talento foi percebido enquanto ela estudava e desenhava na própria mão.

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É impressionante o domínio que ela possui das técnicas de pintura corporal. Os traços, tons e o meio utilizado para se expressar acabam transformando seu hiper-realismo em uma forma de surrealismo.

É inegável o caráter lúdico de seus desenhos, fato que, junto com o leve toque bizarro de suas criações, provoca um certo desconforto.

Alguns de seus desenhos remetem à filmes de fantasia e ficção científica, que talvez sejam a fonte de sua inspiração. O que se pode perceber é que não há muita intenção em seu trabalho, é simplesmente algo espontâneo e de muita qualidade, mais uma diversão do que uma manifestação com propósito artístico. No entanto, isso não diminui o seu trabalho.


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Se você gostou, confira o portfólio de Chooo-San,aqui.

camilonascimento
Artigo da autoria de Camilo Alves Nascimento.
Escritor por natureza, mesmo sem saber sobre o que escreve. Mineiro que gosta de rock, apaixonado pela beleza urbana e por todas as suas sutilezas. Insone, ex-fumante, que busca incessantemente entender a mediocridade humana, inclusive a sua. E acredita cegamente que um bom café pode salvar vidas..
Saiba como fazer parte da obvious.


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terça-feira, 3 de julho de 2012

Vamos pensar um pouco. # Assu-RN e sua homenagem ao rei do baião.


Por Fábio Fernandes.

Morei 18 anos em Assu, uma cidade do interior do Rio Grande do Norte. Esta, sempre sustentou a fama de “cidade dos poetas “ ou de ser rotulada de “terra da poesia”. Pode parecer paradoxal, mas não consigo atribuir nenhum dos títulos em questão.

O que me faz pensar desta forma é a falta de investimento no setor cultural. Noto que os lideres desta cidade nem se quer atentam para a valorização dos nossos poetas, músicos locais, atores entre outros seguimentos da arte que vivem numa espécie de “ócio cultural”, no entanto, estes ícones (obsoletos) culturais transitam num espaço esquecido, sem evidencia e na constante falta de apoio.

A cidade vive pautada em títulos fantasiosos, utópicos; persiste viver numa eterna quimera. Até quando vou testemunhar isso? Até quando irei falar às pessoas que a cidade na qual vivi 18 anos não é a cidade dos poetas? Até quando terei que dizer a meus colegas que temos que sair de nosso ninho, abdicar de nossas amizades e de nossos valores para emigrar a outras cidades em busca de um valor pelo qual, seria nosso por direito?

Essas inúmeras questões sobre nosso valor cultural persiste e creio que poderia ser diferente se tivéssemos desde o berço, acostumados com peças teatrais, músicas de bom gosto e de qualidade como critério primordial, recitais de poesias em nossas escolas e o incentivo a leitura de bom grado pelos nossos tão ilustres professores. Hoje percebo minha dificuldade de escrever, isso porque tive um ensino básico de baixa qualidade, é uma pena me usar como objeto base para reflexão tão necessária. Mas esse não é o foco desta dissertação, uma vez que os valores culturais intrínsecos em nossa bagagem de vida englobam todos os aspectos pedagógicos do sujeito.

Retorno a falar sobre nossa cidade, aquela tão conhecida e aclamada como terra dos poetas (mortos), esta pela qual sempre nego quando alguém faz alusão a nossa poesia constante. Neste ano fui ao município conferir as festividades juninas, crente que iria presenciar uma grandiosa homenagem ao nosso eterno Luiz Gonzaga, o precursor de um estilo musical que é referencia em nosso querido nordeste, quiçá no país como um todo. Este artista reconhecido internacionalmente merecia no mínimo uma homenagem de peso, assim como seu nome.

Infelizmente presencio uma espécie de “forró” medíocre, sem qualidade, com a falta da grandeza das letras que gerem uma leve reflexão, que tem por excelência falar de bebedeira, farra, prostituição, cabaré entre outras coisas fúteis do gênero, o pior não é isso, entendo como mais brutal e indelicado a forma pela qual esses “forrós” modernos tratam a figura da mulher. Estas “musicas” a rebaixam, subestimam e tratam com desdém uma figura tão linda e poética; que é este feminino que contem na imagem da mulher.

Portanto, chego a me perguntar se o nosso querido rei do baião está feliz com essa homenagem, se vai ser preciso usar até o nome do saudoso Luiz como título para continuar nessa politica ridícula de “pão e circo”, assim como fizeram com os nossos eternos e ilustríssimos poetas. Nesta hora, creio que o eterno Renato Caldas curtiria essa crônica, caso ele tivesse uma conta no facebook.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tribo venezuelana acusa artista alemão de roubar pedra sagrada


BERLIM - As esculturas de Wolfgang von Schwarzenfeld em um parque de Berlim foram feitas para promover a paz mundial, mas o alemão de 79 anos agora se encontra em guerra com uma tribo venezuelana, que o acusa de roubar uma pedra rosa sagrada conhecida como "Avó". De um lado, o governo venezuelano defende os índios Pemon da região Gran Sabana, exigindo a devolução da pedra polida do parque Tiergarten de Berlim. De outro, o escultor argumenta que a pedra foi um presente legal.

O ministro da Cultura venezuelano, Pedro Calzadilla, disse à televisão estatal que a doação era "ilegítima" porque a pedra era parte do patrimônio cultural da comunidade (Pemon).

- Promotores estão investigando a remoção da pedra porque quem autorizou a retirada da Avó cometeu um crime. O presidente do Instituto de Patrimônio Cultural, Raul Grioni, está reunido com a Unesco, em São Petersburgo (Rússia), tratando do tema patrimonial - disse à TV.

Sem consciência do cabo-de-guerra diplomático, Robert, um jardineiro berlinense, salta de sua bicicleta para acender incensos entre as pedras de cinco continentes, que formam o "Projeto Pedra Global", esperando amigos para um ritual de xamanismo ao entardecer. Já os turistas venezuelanos Grecia Melendez e Juan Carlos Brozoski suspeitavam que houvesse motivos políticos por trás dos protestos.

- Chávez quer sempre um conflito com alguém - disse Melendez, de 32 anos, tirando fotografias da pedra de 12 metros cúbicos, que foi entalhada com a palavra "amor" em várias línguas - e pichações com nomes de casais e corações.

Na semana passada, membros da tribo Pemon protestaram diante da embaixada da Alemanha com lanças, cocares e cartazes que diziam que "o povo Pemon quer nossa sábia avó de volta". O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Alemanha, Andreas Peschke, afirmou que Berlim queria a melhor solução para todos os lados - Venezuela, os grupos indígenas, o artista e a cidade de Berlim.

Com documentos que autorizam a retirada da pedra do Parque Nacional Canaima em 1998, Von Schwarzenfeld desafiou o presidente venezuelano a pegar de volta o que ele chamou de um presente do ex-presidente Rafael Caldera. O projeto foi inaugurado em 1999 perto dos monumentos berlinenses da Praça Potsdamer e do Portão de Brandemburgo.

- A paz para mim não significa a ausência do conflito - afirmou o artista, sem se deixar desanimar pelo que ele também suspeita serem "motivações políticas" por trás da briga pela pedra.

Foto: O escultor Wolfgang von Schwarzenfeld ao lado da pedra que seria sagrada para tribos venezuelanas

Fonte:

Globo

http://www.catalogodasartes.com.br/Detalhar_Noticias.asp?id=7098


Ilustrações de Salvador Dalí Para Alice no País Das Maravilhas

por Camilo Alves Nascimento

Ilustrações feitas por Salvador Dalí, em 1969, para uma versão de Alice no País das Maravilhas são digitalizadas.

Alice no País das Maravilhas é uma das mais famosas obras literárias do mundo. Escrita por Lewis Carrol e publicada em 4 de julho de 1865, a obra encanta leitores de todas as idades.

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Até hoje a obra de Carrol é publicada em várias versões pelo mundo, sem falar nas várias adaptações para o cinema e desenhos animados, existem até jogos de vídeo game com a personagem Alice.

Recheada de detalhes, um dos elementos que contribuíram para o sucesso da obra foram as ilustrações de John Tenniel.

O que pouca gente sabe é que existe uma edição especial de Alice no País das Maravilhas, ilustrada por Salvador Dalí.

Publicado por New York’s Maecenas Press-Random House em 1969, o livro foi distribuído como o livro do mês. Hoje é uma das obras mais procuradas pelos admiradores de Dalí.

A edição traz 12 gravuras, uma para cada capítulo do livro. E uma gravura original assinada.

Para nosso deleite essas ilustrações foram digitalizadas pela William Bennett Gallery.

Deleitem-se.


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Uma cópia do livro está a venda por $12,900 no Amazon. Se você se interessar veja no vídeo abaixo os detalhes da obra de arte que você levará pra casa.


camilonascimento
Artigo da autoria de Camilo Alves Nascimento.
Escritor por natureza, mesmo sem saber sobre o que escreve. Mineiro que gosta de rock, apaixonado pela beleza urbana e por todas as suas sutilezas. Insone, ex-fumante, que busca incessantemente entender a mediocridade humana, inclusive a sua. E acredita cegamente que um bom café pode salvar vidas..
Saiba como fazer parte da obvious.


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MANET E A OUSADIA IMPRESSIONISTA

por Fernanda Pacheco

A imagem que aparece é do Caravaggio, mas aqui o assunto será sobre Édouard Manet, o pintor impressionista que inovou a maneira de produzir arte sem precisar se esforçar.

Grandes pintores como o espanhol Diego Velázquez (1599 - 1660) e o italiano Caravaggio (1571 - 1610) são reconhecidos por terem realizado obras com muita profundidade, volume e traços praticamente realistas. São remanescentes da arte renascentista, lembrando que ambos pertenceram a momentos diferentes, no caso do Caravaggio que gerou sua própria categoria: o Caravaggismo.

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As Meninas de Velázquez, 1656.

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Amor als Sieger de Caravaggio, por volta de 1600.

É a partir do pintor francês Édouard Manet (1832 - 1883) que a arte passa a romper com o estilo clássico, mas não totalmente como mostrarei mais adiante. Ano passado tive o prazer de fazer algumas aulas com o crítico de arte Rodrigo Naves e ele foi mostrando como Manet soube inovar, sendo um dos principais nomes do Impressionismo.

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Édouard Manet - In the conservatory (1879)

Na época, pintar pessoas de costas, conversando, apoiadas, enfim... Em posições assim, cotidianas, era um alvoroço! Quase uma ofensa à pintura clássica. E se não bastasse isso, Manet resolveu escandalizar quando fez sua versão do quadro A Vênus de Urbino do pintor italiano Tiziano, grande representante da escola renascentista. A inspiração veio daqui:

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A Vênus de Urbino (1538) do italiano Tiziano

E Manet fez a partir dai sua versão, a Olympia:
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Olympia (1863)

Na época o quadro foi considerado um escândalo! Como um pintor poderia se atrever a pintar algo tão ofensivo? Trocar Vênus por uma... Prostituta? Há indícios de que a Olympia fosse uma delas através de elementos como os tamanquinhos nos pés, a negra entregando flores que seria um agrado de algum pretendente e o gato preto. Além de detalhes bobinhos como o lacinho no pescoço. A pintura, quase plana quando comparada com a de Tiziano foi desprezada por muito tempo. Manet tinha essa mania de pegar uma imagem clássica e incorporar em seus quadros impressionistas. Abaixo mais um exemplo:

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O julgamento de Paris (gravura de 1520) – Marcantonio Raimondi.

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Almoço na Relva (1863) - Manet.

A princípio a gente pode até achar que uma coisa não possui nenhuma relação com a outra, mas veja só o recorte abaixo, destacando um pedaço da gravura inspirada no outro renascentista, Rafael:

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Pois é, senhoras e senhores. A questão aqui não é considerá-lo um plagiador, copiador ou qualquer outra coisa do gênero. Quem conhece as obras dele sabe de sua genialidade. O que vale ser reforçado é que além de desconstruir o jeito clássico de se fazer arte, Manet soube como ninguém provocar e ousar na hora de realizar suas obras. Acredito que seja uma grande realização para um artista chocar, causar espanto, ir contra a maré...

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Artigo da autoria de Fernanda Pacheco.
É estudante de História, tem 19 anos e aprecia uma boa e velha miscelânea cultural digna de flâneur. .
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SAPATOS E O IMAGINÁRIO FEMININO por Victor Silveira

por Victor Silveira
A instância do desejo feminino. É deste potencial de “ser mulher” que todo este imaginário aponta. Já se questionava Freud: Afinal o que deseja uma mulher? Deixando em seguida a resposta para os poetas. Mas talvez se fosse hoje dissesse: Olhem para os seus sapatos.

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Desde a necessidade de proteção dos pés, à história dos sapatos foi sendo reinventada e agregando a si componentes culturais específicos ao longo dos anos. Na atualidade a palavra sapato está ligada diretamente a praticas e aspirações das mulheres, e estas demonstrações de apaixona-mento, delas (mulheres) por eles (sapatos) ganham uma conotação irracional e insana para alguns homens. Muito se ouve de mulheres que compram um sapato por semana, e algumas outras que têm pares e mais pares que ainda nem foram usadas, e passando por uma vitrine em um passeio despretensioso são tomadas pelo impulso e quando dão conta de si, já estão com as sacolas nas mãos e um semblante de satisfação inconfundível de: “Ele é meu”.

Saltos de todos os tamanhos, bicos, plataformas, cores, sejam quais forem às infinidades do design, parece que quanto maior a quantidade de possibilidades, mais infinito se torna o desejo delas por eles.


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Quando pensamos atentamente nessa relação, que permeia o feminino, podemos notar que existe algo que atravessa o consumismo. E óbvio que o capitalismo e a indústria da moda se beneficiam em grande estilo, mas olhando além percebemos os calçados nas mulheres incitando uma estrutura subjetiva de personalidade, fetiches, desejos, sensualidade e até sexualidade. Ficam claras tendências sociais e psíquicas. E para tentar entender tal fenômeno, torna-se inevitável remontamos o quadro histórico-social dos significados atribuídos aos pés durante os anos.
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Deixando de ser meramente um instrumento do corpo para locomoção, no movimento humanista, os pés foram percebidos como erógenos, amoráveis, respeitáveis, acarinháveis e o mais libidináveis quanto podemos imaginar. Abandonou-se então o valor de instrumento para se adotar os calçados como preservadores da sensibilidade dos pés. As mulheres em uma posição desfavorável socialmente em seus direitos sexuais e civis foram obrigadas a esconder seus pés por séculos, até que quando retornaram a cena com sua emancipação de “Segundo Sexo” (destaco aqui a importância dos movimentos feministas) os pés das mulheres estavam livres para viver suas projeções, dentro do imaginário feminino.

As mulheres acharam nos sapatos modos de se comunicar, isto dentro da singularidade de cada uma. Iniciaram-se assim os recursos ornamentais em sua multiplicidade, criando a moda dos pés. Eles passaram a ser objeto de enfeite e destaque na cena econômica. Os sapatos ganharam alma, a alma de quem os usava. Começou então a se delinear uma infinidade de histórias de amor entre mulheres e sapatos, uma relação de entrega e cumplicidade. Este é, evidentemente, o ponto comum na história dos sapatos, que atravessou décadas, sociedades, culturas, pensamentos e ideologias, bem ali, nos pés das mulheres.

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Artigo da autoria de Victor Silveira.
Estudante de psicologia, que aspira Filosofia e Artes Visuais. Gosta de palavras assim como de silêncios. Costuma ser o intangível do que mostra ao vê-lo. .
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