sexta-feira, 11 de março de 2011

A patrulha está de olho em Didi Mocó

Vi essa crítica no Yahoo e resolvi postar aqui, neste blog.

Com o samba-enredo “De eterna criança a embaixador da esperança, Renato Aragão, Didi Trapalhão!”, um dos maiores comediantes brasileiros foi homenageado pela X-9 Paulistana no Carnaval de 2011.

Muita gente, infelizmente, conhece Renato Aragão pelo sofrível “Turma do Didi” ou pelos lamentáveis especiais como “Acampamento de Férias” e “Deu a Louca no Tempo”.

Porém, não se deixe enganar. Didi Mocó Sonrizep Colesterol Novalgino Mufumbbo. Com dois bês, importante lembrar. Nascido em Fortaleza (CE), amadurecido no Rio de Janeiro, é um dos maiores personagens cômicos do Brasil.

Ex-oficial do Exército e aluno de Direito da Universidade Federal do Ceará, Renato Aragão sonhava em ser comediante. Tímido, não se achava muito engraçado, mas queria fazer o público rir. A oportunidade surgiu em 1959, com a chegada da televisão em Fortaleza. Após passar em um concurso, começou a trabalhar como produtor, roteirista e diretor na TV Ceará.

Sua primeira tarefa foi criar um programa humorístico para a emissora. Sem experiência anterior na área, quebrou a cabeça para escrever uma história. Decidiu falar sobre a chegada da televisão e de um certo “passageiro Renato” na capital cearense. Não gostou do nome do personagem. Pensou em outro. O segundo que veio à cabeça foi Didi.

Renato Aragão não tinha intenção de interpretá-lo, pois não imaginava sair dos bastidores e ir para frente das câmeras trabalhar como ator. Mas, como nenhum integrante do elenco da emissora topou fazer Didi Mocó, ele criou coragem e encarnou sua criação no programa “Vídeo Alegre”. O personagem foi inspirado nos papéis que Oscarito, um dos comediantes mais populares do Brasil na época, interpretava nas famosas chanchadas cinematográficas.

Sucesso no Ceará, Renato Aragão desembarcou no Rio de Janeiro em 1964. Didi Mocó fez participações no humorístico “A E I O Urca”, da Tupi. No ano seguinte, migrou para a Excelsior, onde era a estrela principal de “Adoráveis Trapalhões”. Contracenava com o cantor Wanderley Cardoso, o ator Renato Corte Real e o lutador Ted Boy Marino.

Em 1971, foi para a Record, onde começou a formar o grupo que o sacramentou na galeria dos grandes personagens cômicos do Brasil. Ao lado de Dedé (Manfried Sant’Anna) e Mussum (Antônio Carlos Bernardes Gomes), Didi Mocó estrelava “Os Insociáveis”.

renatoaragao

Dois anos depois, os três foram para a Tupi, onde estrearam o programa que teria o mesmo nome com o qual passaram a se apresentar: “Os Trapalhões”. Nesta época, Zacarias (Mauro Faccio Gonçalves) ingressou no grupo.

Em 1977, “Os Trapalhões” estrearam na Globo. Foram anos de sucesso na TV e no cinema. Liderados por Didi Mocó, o quarteto – que antes era admirado apenas pelo público – começou a ganhar respeito da imprensa, principalmente após a boa recepção de “O Cinderelo Trapalhão” no Festival de Berlim, em 1979.

Em 1995, após a morte de Zacarias (1990) e de Mussum (1994), “Os Trapalhões” chegaram ao fim. Didi Mocó retornou para as telinhas três anos depois, com a estréia de “A Turma do Didi”.

Muita gente associa Didi Mocó apenas às crianças. Sem dúvida, o humor patético tem forte apelo junto ao público infantil. No entanto, o personagem carrega uma boa dose de crítica social.

Didi Mocó lembra João Grilo, de “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e Macunaíma, do livro homônimo de Mário de Andrade. O personagem de Renato Aragão, que muitas vezes parece uma ode à malandragem, na verdade revela uma característica brasileira que, ao mesmo tempo em que garante a sobrevivência de milhões de pessoas, amarra o desenvolvimento social do país.

Dedé Santana, companheiro de Didi, afirma que não é fácil fazer humor nestes tempos de patrulha moral e imposição de arcaicos conceitos politicamente corretos. Segundo ele, quando começaram o humor era ingênuo e havia liberdade para fazer qualquer coisa.

“Hoje, não posso mais chamar um afrodescendente de ‘negão’. Eu seria processado na hora. Nos ‘Trapalhões’, brincávamos muito interpretando bichas. Se fizéssemos isso hoje, todo o grupo seria processado. Ficou mais difícil fazer humor hoje”, declarou recentemente.

Uma pena. A patrulha que insiste em transformar a televisão em algo insípida e estéril, permeada apenas de atitudes moralmente positivas – como se a moral fosse um conceito estanque e monótono – apagou o talento de um grande comediante, que hoje faz piadas tolas aos domingos, receoso de desagradar a audiência.

De qualquer forma, nada apaga o brilho de Renato Aragão. O do jabá, como o chamava o saudoso Mussum, tem valor indiscutível para o humor nacional. Sabe tudo!

Fonte: http://colunistas.yahoo.net/posts/9340.html

A Poesia Hall - ( Lidiane Blanch3tT )

Eu desejo servir a tua necessidade,

Guardar a tua alma já que não o faz.

Farias eu, sem aquele medo inocente

Que consumia-me os movimentos,

E tornava-me robótico na menor idade.

Eu era a amplitude visionária,

Tu apenas a amplitude tinhas.

Não fiz mais a não ser tocar-te visualmente o corpo,

Desde os cabelos finos amarelados até os pés.

Decorei um pouco teu modo de andar,

Servia-me em momentos de mais ansiedade.

Então, certa vez acertei-a nos olhos,

Mas como pude nada dizer!

Como pude nada dizer por horas, dias, anos!

Eu esperava o certo,

Mas o certo que alguém diria errado, certamente.

Mas quem agora vai dizer que eu não posso está certo?!

Claro, estará errado!

Pois, agora, vejo-te mais desejosa.

Por isso escrevo e escrevo sem parar,

Bem que imaginei que deveras ser algo.

Talvez não estivera, assim, mórbido,

Se tivera cedido a mim mesmo.

Mas, então, onde estaria a graça?!

Provavelmente eu estaria dormindo numa hora dessas,

Ao invés de estar aqui formando frases

E que tu se quer estimas alcançar.

Mas, então, onde estaria a graça?!

Senão no erro que todo tempo esteve certo,

E que aparenta o inverso porque nem eu me ajudo.

Sei apenas que desejo a tua necessidade,

Guardar a tua alma já que não o faz.

É que continuas insinuante como nunca.

Imagina só a minha inocência...

Não aquela inocência daquele medo.

Daquele medo de minha menor idade,

Mas, sim, porque pensei em instantes

Que podias paira o campo.

Mas poder, poder, poder, não podes não.

Senão onde estaria a graça?!

Eu desejo servir a tua necessidade,

Guardar a tua alma já que não o faz.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Experimentos- Registros

Aqui posto algumas imagens de uma encenação teatral que ocorreu na semana de integração dos novos estudantes do curso de licenciatura em Teatro da UFRN, nessa apresentação fiquei designado a coletar imagens das performances apresentadas no evento, confira a execução desse registro fotográfico.


Tragédia - Coisas da Carne (Fabinho Fernandes)

Re-Postagem de Meu segundo Curtametragem "Coisas da Carne".

Base cientifica para Justificar elementos desta obra
Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de τράγος "bode" e ᾠδή "canto") é uma forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, frequentemente envolvendo um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade. Suas origens são obscuras, mas é certamente derivada da rica poética e tradição religiosa da Grécia Antiga.
O filósofo Aristóteles teorizou que a tragédia resulta numa catarse da audiência e isto explicaria o motivo dos humanos apreciarem assistir ao sofrimento dramatizado. Entretanto, nem todas as peças que são largamente reconhecidas como tragédias resultam neste tipo de final catártico - algumas tem finais neutros ou mesmo finais dubiamente felizes. Determinar exatamente o que constitui uma tragédia é um assunto freqüentemente debatido. Alguns sustentam que qualquer história com um final triste é uma tragédia, enquanto outros exigem que a história preencha um conjunto de requisitos (em geral baseados em Aristóteles) para serem consideradas tragédias.

Sinopse

Um homem chega em sua humilde casa e encontra um animal assassinado,
e por isso sente todas as dores de uma perda, a poesia está proposta quando
o animal é substituído por uma pessoa que por ventura parecia ser muito amada.
Tanto que há uma "humanização" do animal .


Fonte

1ª Pessoa - Amigos de Teatro - Assu-RN


Neste carnaval , viajando por algumas partes do RN, passei pela minha querida cidade do Assu, lugar pelo qual tenho um grande carinho,pois durante 18 anos tive a honra de ser um cidadão assuense, neste período pude conhecer muito sobre esse município, desde seu espaço geográfico até os cidadãos que o compõe. Tambem fiz muitos amigos, e em meio as festividades carnavalescas re-encontrei alguns companheiros da arte, no caso : o teatro local. Amigos que fiz durante o processo do 1º Auto de São João, dirigido por Diana Fontes, com texto de Paulo Varela e grade elenco de Assu, como foi uma das primeiras experiências teatrais que me fizeram continuar a pesquisar esse campo das artes, deixo aqui a minha satisfação em re-ver esses artistas que tanto me admiro.
Talita Cunha,Wine Claine,Renato Mark, Danielle Kelly e Fabinho Fernandes.

As Cinzas Poéticas

Eis duas poesias dedicadas a quarta feira de cinzas, uma de um amigo que não conheço pessoalmente, mas que escreve divinamente suas visões cotidianas. Falo de Ozeias Alves do blog "Heroinas", este descreve de maneira ímpar sua visão poetizada da quarta feira de cinzas em "Todo Cinza".O outro é também um amigo que sempre aparece por aqui, falo do paraibano Mauricio Alexandre do blog "Sentimento das Horas", ele descreve em "Cinzas do Dito Carnaval" uma lembrança do que havia no periodo carnavalesco. Confira as duas versões poéticas de uma mesma idéia.

Todo Cinza

Sou carnaval
e o meu peito é a terra
onde samba o coração
fantasiado de amor
embriagado de felicidade
mas então o samba cessa
a ressaca vem
e a fantasia rasga
só nos resta a lembrança.

E os confetes se foram
estão varridos
os risos se perderam
os abraços marcaram
findou-se o carnaval
a quarta é de cinzas
e eu sou todo ela.
...

Cinzas do Dito Carnaval

é. tinha frevo, bloco e batuque
serpentina, confete, festa e cordão
a colombina, rei momo e o malandro
e o truque de quem se perdeu na multidão

na quarta a carne enfraqueceu
o que era fogo, agora é cinzas
vai, toca só mais um samba ai, seu!!


é que quinta volta tudo ao normal
ela moça tímida, ele velho ranzinza
e o que lhe restou?
as cinzas do dito carnaval.

...



terça-feira, 8 de março de 2011

Feliz dia da Mulher!

"Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores." Com essa frase genial da nossa saudosa Cora Coralina, publico o poema que mais se mostra fiel a força da mulher, parabens mulheres do mundo!

Todas as vidas
Cora Coralina

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
– Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras.

domingo, 6 de março de 2011

O dito Carnaval ( Mauricio Alexandre)





é. nem tudo vai bem,
mas agora é normal
tem gente na rua, festa e riso
e no rosto um aviso
que isso tudo é legal!

bem que o velho gonzaga falou
"cê merece!", tá dito,
e há tempos que isso tudo é igual

mas hoje é dia, é noite
e você se guardou
o ano todo esperou
enfim chegou o dito carnaval!!



Maurício Alexandre.

sábado, 5 de março de 2011

1ª Pessoa- (Carnaval Cultural =)

Neste período carnavalesco, andei percorrendo alguns lugares do meu querido Rio Grande do Norte, e tive grande alegria ao perceber que na minha cidade natal (Lajes do Cabugí ) se cultiva um movimento cultural de grande valor etnocêntrico¹ até então desconhecido pra mim ; Falo do cortejo denominado Zé Pereira, o qual ha alguns anos fora resgatado por pessoas interessadas no valor dessa manifestação popular.
O cortejo é uma homenagem a esse antigo carnavalesco: O Zé pereira. Muito me deixou feliz o fato de ver as pessoas saírem de suas casas para participarem de uma manifestação lúdica² de qualidade, o público era do mais jovem ao mais idoso, tudo regido por uma bandinha de fanfarra ao som de músicas vindas do frevo³ e marchinhas “clássicas” de antigos carnavais. Esse cortejo abre o carnaval do município, a sexta feira às 00h00min e percorre toda a cidade, muita disposição dos populares fazem desse evento uma verdadeira obra de arte, pois deixa claro a organicidade cultural e étnica.
O que se torna importante neste exemplo de evento é a prova de resistência de um movimento cultural em meio a um carnaval extremamente capitalista e sem total qualidade, onde se explora a venda de idéias vazias, musicas sem qualidade alguma e extrema apelação, por trás de um divertimento sem fundamento e motivos de verdadeira festa consciente.Desde já parabenizo os responsáveis por esse evento, e desejo que continuem olhando o valor artístico-cultural com mais prudência e qualidade. Parabéns!











Eis-me aqui com um amigo blogueiro Lagense de "Lajes do Cabugí" o vereador Canindézinho, o mesmo forneceu algumas informações sobre esse evento.

... Glossário
1-Etnocêntrico – Referente a uma raça ou povo
2-Lúdico – Relativo a jogos e brinquedos (Brincadeiras)
3- Frevo – Musica e dança em Andamento rápido, originalmente africana,dançada em conjunto mas individualmente sem formação de pares.

RE- Postando : Bom Dia Bia (Fabinho Fernandes)

Essa Re-postagem do curta Bom Dia Bia veio com uma informação científica adicional, crucial para o esclarecimento contextual desta obra, baseado na teoria dos estágios de desenvolvimento psicossocial de Erik Erikson: o estado da confusão de identidade que marca o período da adolescência. É neste estágio que se adquire uma identidade psicossocial. O adolescente necessita compreender o seu papel no mundo e tem consciência da sua identidade. Nesse período acontece uma recapitulação e redefinição da identidade (chamada crise da adolescência). Os fatores que contribuem para a confusão da identidade são: perda de laços familiares, falta de apoio no crescimento, expectativas parentais e e sociais divergentes do grupo, dificuldade em lidar com a mudança, falta de laços exteriores a família e insucesso no processo de separação entre a criança e as figuras de ligação.

Siopse
Bom Dia Bia - Uma menina de 9 anos sente-se no direito de boicotar sua infância, quando de repente se vê mulher, o que causa em sua irmã menor o medo de perder a unica irmã com a qual se diverte, o que a deixa com determinada revolta interior a ponto de se tornar mal humorada. Tudo que Bia quer é ser mulher, desta forma antecipa o seu desejo tão almejado usando roupas maiores, os saltos possivelmente da mãe e assume uma postura corporal que não condiz com sua idade. A não aceitação de tempo-espaço de Bia rege toda a trama dessa obra.

Reveja "Bom Dia Bia"