segunda-feira, 18 de julho de 2011

EM IGREJA OU ESCOLA NÃO HÁ TEATRO ( Por Coelho de Moraes)

Esse artigo foi visto no site "Oficina de Teatro", notei muita coisa interessante, portanto, seria um objeto de reflexão bacana ler esse texto, não que eu esteja querendo fazer com que acredite piamente nos argumentos aqui levantados, mas que é um texto bom pra discussão, isso não há dúvida.

Quando escrevemos sobre teatro já engatamos a marcha para falar de critica, de reflexão, de pensamento, de reação, de Catarse, de caimento de ficha (intuição). Quando falamos de religião já posamos de doutores do conformismo, professores do comodismo, da formatação, da lavagem cerebral e da vitrine do status quo. De maneira nenhuma uma coisa pode se confundir com a outra. Nem mesmo as escolas fazem teatro (fundamental e ensino médio) pois ainda ai há a resquícios da conformação. Nessas atividades, nesses lugares, não há crítica (o diretor não permite); não há reflexão (a escola não permite); não há criação (pois as professoras acham que Xuxa e outras sacerdotisas são ainda referência importante). Talvez sejam referência daquilo que não se deve fazer.

Daí que grupos de jovens de Igreja em nenhuma momento fazem teatro;apenas repetem o que o padre ensinou, o catecismo, a ordem dada, o já pensado por terceiros. Não há reflexão, mas há mímica, pantomima. Para os que ainda não entenderam a ação de REFLEXÃO desemboca em mudança de pensamento por aquisição de novas informações retroalimentadas ou, na fundamentação da verdade; sabemos que em religião ou filosofia não há verdades. Pode existir a busca delas mas não se chega a lugar algum. Navegar é preciso. O problema da religião, diferente, da filosofia, é que ela, inspirada por entidades intangíveis, afirmará a verdade que lhe interessa. Não há teatro sobre isso, portanto. A cada dia de apresentação se nos apresentará uma determinada verdade.

Sugerem alguns estudioso que há teatro para fins múltiplos. Há encenações teatrais para a diversão, ou instrumento político, ou que buscam consolidar regimes ou ideologias nacionais, ou ainda os grupos comerciais, e, pasmem, o teatro religioso.

É fácil discutir Teatro e Religião. Começa que um nunca é o outro. Pode-se solenizar e se montar cenas santas e sacras mimetizando um acontecimento. Longe disso ser considerado interpretação e releitura de assuntos sacros pois tais assuntos são inquestionáveis. O teatro é questionamento.

Apesar de ter nascido na Hélade, supõe-se, com Téspis e turma em celebrações orgiásticas dionisíacas (essa parte gostosa a igreja não permite), uma coisa não tem nada a ver com a outras pois Téspis não fazia teatro. A construção do teatro como questionador da moral e costumes e dos deuses foi processo / é um processo. Nada que seja estável e que deva obediência a entidades superiores como igreja ou escola, pode produzir qualquer tipo de coisa que seja TEATRO. Pode ser um espetáculo para falar do mesmo mantendo a coisa do jeito que está. Pode até lembrar teatro pois é feito em auditórios e parece coisa de teatro, apesar das roupas cetim. As pessoas querem brilhar mais do que sua próprias luzes.

Apesar de Anchieta ter escrito uma obra para encenação – ludus cênicos – comprova que a doutrinação (lavagem cerebral) era matéria de primeiro interesse e não o questionamento em si: - Será mesmo Deus o deus de todo mundo ou será Tupã?

Onde houver a palavra NÃO o teatro não existe.

O teatro como força viva é transformador. Se for conservador não é mais teatro. Sobre o teatro dizem de tudo. Entretenimento, diversão, e, talvez agente portador de mensagens morais. Essa parte já é pertencente ao uso da cultura como meio de dominação das massas. O teatro não se presta a isso. Ele é dinâmico e móvel e se auto/transmuda. Para o teatro, como diz o poeta, não servirá o apontar caminhos, mas servirá bem apontar uma porta e dizer, por ai é que não vou. Não se tem certeza para onde se vai, mas, se tem absoluta certeza para onde não se deve ir. Dessa forma já começamos a pensar teatro.

Quando a Igreja usa o teatro amador para agregar jovens, já se pode ficar de orelha em pé pois há ai uma manobra para controle das massas e das jovens mentes. As tribos devem ser moldadas segundo a idéia do livro ou do pastor. Teatro amador (em geral aplicado por curioso, sem formação técnica alguma) é caminho para a formatação das mentes (que chamam, de maneira equivocada de atividade para a formação mora e social do indivíduo). O ideal seria abalar as estruturas.

O teatro não vem trazer a paz e se querem, ainda, citar Jesus nessa coisa toda falem daquilo que sempre é escondido por pastores e padres e lideres religiosos. Jesus disse: eu não vim trazer a paz, mas trazer a espada. Não há tolerância alguma, especialmente entre iguais, mas entre os menores e menos aquinhoados de reflexão até pode ter tolerância, mesmo por que não haverá competição nesse campo.

A atitude da Igreja será sempre a de controlar e educar segundo sua maneira de ver a verdade, em geral, subserviente ao estado e às punições divinas. A Escola fará o mesmo basta ver que se estuda de acordo com uma cartilha pré-preparada por professores ditos especialistas. Mas me pergunto, o que fiz na Universidade esse tempo todo que não consigo nem fazer uma cartilha ou traçar uma linha de pensamento e construir a aula que me parece adequada? Por que o Estado deve dar a linha? Por querer controlar as pessoas. Vai que todo mundo resolve parar de pagar impostos. Só pode ser por que o Estado e Igreja desejam conduzir o fiel para ‘o bom caminho’, ou seja, obedecer aos poderes e nunca se rebelar... por que?

Por que, pensam eles, isso é coisa de artista criador e essa gente tem que ficar de cabresto curto, meu.


FONTE

http://oficinadeteatro.com/conteudotextos-pecas-etc/24-artigos-diversos/409-em-igreja-ou-escola-nao-ha-teatro

domingo, 17 de julho de 2011

O FIO DO RACIOCINIO (Coelho de Moraes)

Um fio solto numa escola, só pode ser o fio rompido de algum raciocínio. Na escola o pensamento tem um fio perdido.Flutua na brisa entre carteiras e vozes estudantis. Aspectos da leveza.


Veja mais em:

Arteando (O MARICAL) # 1

1º Programa do Blog O MARICAL" denominado "ARTEANDO". Nesta edição, entrevistamos o artista assuense Mayk Dantas, que contou um pouco sobre um trabalho feito por alunos de uma escola da cidade do Assu, onde foram homenageados artistas da literatura de cordel do RN.

Viajando pelo RN (Cópias de Xilogravuras na Parede)

Viajando pelo RN, voltei a minha querida cidade do Assu, pude ver algo que se passa por despercebido por muitas pessoas que transitam o centro da cidade, na avenida mais movimentada da do município(Av. Senador João Câmara) na parede da Escola Municipal Cel. José Corrêa, estava exposto um belo trabalho de arte plástica que muito me deixou feliz. Este continha varios desenhos que homenageavam a literatura de cordel, neles haviam capas de algumas obras de grande expressão nessa modalidade literária. Nomes como Antônio Francisco, José Costa Leite,Gonçalo Ferreira da Silva, João Ferreira de Lima,Neto Braga, Erievaldo Viana de Lima, Nizete Fonseca, Astier Basilio, Julie Ane Oliveira, Evaristo Geraldo, João Melchiades Ferreira, José Pacheco, o estreante Shicó do mamulengo entre outros foram lembrados nesse painel muito bem produzido.
O trabalho de execução foi feito por alguns alunos que junto com um grupo de artes plásticas da cidade resolveram aproveitar esse espaço urbano para deixar a marca do nordeste brasileiro, em especial do cordel potiguar. "Uma exposição gráfica com traços populares, que mostra a produção artística local como forma de resistencia em meio ao tempo..." foi o que pensei no momento em que pude observar esse belo painel.

Confira algmumas imagens




Fonte
Aurimayk Dantas
Fotos
Fabinho Fernandes

Ara (By Lidiane Blanch3tT)

Infinita dor que me cobre,

Com seu gosto de mortandade.

Frias, carícias, frias...

Minha carne misturada a esta terra.

Dói o pouco ar que me resta,

Atravessa minha garganta

Como um soluçar doentio

Que silencio em meu seio torto.

Era de se esperar a vela, branca,

Quando toquei com o gelo das mãos.

Estou eu sim, nua, nostálgica,

Solta e só.

Arte Potiguar - (BR 304- Banda de Rock))

Gostaria de falar sobre uma banda de rock potiguar muito influente em meio aos 18 anos que vivi em Assu, principalmente no período em que compus a banda Libertação (2004-2008). Neste período surgiram várias bandas de pop-rock na cidade que infelizmente ficaram no anonimato, um verdadeiro desperdício de talentos, que nunca foram vistos com bons olhos pelo poder público, quando falo da questão de divulgar e promover esses artistas, seja por meio de eventos artístico-culturais, divulgação na mídia (Radio e/ou TV) entre outras maneiras,nada mais é do que reconhecer esses grupos, como patrimônio cultural da cidade, uma vez que a arte destes não venha "morrer".

Destaco aqui com muito orgulho a banda de pop-rock BR 304, não somente pra divulgar o trabalho do grupo, mas também como forma de homenagear esses artistas que tanto admiro. Nesse vídeo o grupo musical interpreta a música "Castelos e Ruínas", que pra mim é uma das canções mais evidentes e de expressão "ideológica" de maneira geral.

BR-304
Surgiu em Assu/RN no dia 14/12/04. Depois de algumas mudanças na formação é formado hoje por: Adriano Nunes(baterista), Rodolfo Rodrigo(baixista), Gileno Korps(guitarrista e arranjador) e Túlio Mércio(Vocalista e compositor). Sem gravadora até o momento a banda resiste na sub-cena do estado RN a base de muita perseverança. Participações em eventos dos mais variados deram a banda vasta experiencia, que desde sua criação aposta em músicas autorais.


Fotos :
Arquivo do grupo
Fontes

Do lado de dentro do canto da sereia

Documentário de 13 min sobre processo de montagem e de apresentação do espetáculo "Do lado de Dentro do Canto da Sereia". Premio de Médias montagens 2006.

Ficha Técnica
Temporada: 2006-07.Grupo: Prá nós a máscara.Componentes: Edney Advíncula, Fernanda Beling, Iara Castro, Iara Vilaça, Isbela Trigo, Karina de Faria, Mateus Dantas, Tonny Ferreira.Trilha sonora: Criação do grupo; coordenação: Mateus Dantas.Musica de final: Makarios MaiaTexto e adaptação: Makarios MaiaCriação e realização de Máscaras: Criação e coordenação: Riomar Lopes.Criação de máscaras: Iara Castro, Isbela Trigo (Florbela) e Iara Villaça (D. Duquesa)Documentário: Santo Forte, Amadeu Alban.Teatro Xisto Bahia, Salvador,Patrocinio: Fundação Cultural do Estado da BahiaProdução: Dimenti

terça-feira, 12 de julho de 2011

Arte Potiguar- (Rosa de Pedra)


A banda Rosa de Pedra atua na cena independente desde 2002, sua música autoral: “fusion, pop, regional com uma pitada de rock cangaço”, se funde com ritmos diversos da cultura popular (coco, ciranda, etc. ...) e da música universal (rock, drumn'bass, etc). Uma proposta musical que mistura sons de rabeca, baixo, guitarra, percussão, bateria e vozes lavadeiras ; com ritmos e poesias que retratam o cotidiano, mestres populares e a religiosidade brasileira, com sotaque nordestino unindo vertentes do tradicional com o contemporâneo-urbano...
Destacando algumas apresentações da banda: Som Brasil Dominguinhos(2010), 62° SBPC 2010, SESI Música Série Brasileira Edição 2009, Lançamento do CD na Fnac Paulista 2009, Carnaval Pernambuco 2009 Pólo Paudalho, Festival MADA 2008, Circuito BNB Rock Cordel 2008, Festival Coca Cola Lógica Zero 2008, Lançamento do CD 2008, Festival DoSol 2008, SESC Cariri 2007, Fórum Cultural Mundial 2004.

Este video foi gravado no especial Som Brasil com o sanfoneiro, cantor e compositor Dominguinhos, a banda potiguar Rosa de Pedra imprime sua marca na interpretação de "Tenho Sede", de autoria do homenageado.

Fonte

EXPOSIÇÃO DE CARAVAGGIO CHEGA NO BRASIL


São Paulo - Com a inclusão da tela San Giovanni Battista, pintada em 1604 por Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610), a mostra com telas do mestre do barroco italiano e de pintores que nele se inspiraram vai ser inaugurada no Brasil em março de 2012. A exposição, que estava sendo preparada havia dois anos, teria, antes, sete obras de Caravaggio, mas agora se completa com São João Batista. A obra, que pertence à Galleria Nazzionale d’Arte Antica di Palazzo Corsini de Roma, estava emprestada para mostras no Canadá e na Rússia.


"Não quisemos perder a qualidade do conjunto e incluir obras que estavam comprometidas", diz Ricardo Ribenboim, um dos proprietários da Base 7, produtora da exposição. Inicialmente, a mostra de Caravaggio e caravaggistas estava prevista para ocorrer a partir de outubro, na Pinacoteca do Estado. Como houve um "encavalamento" de datas e a vontade de trazer telas de destaque do artista, que produziu pouco, a exposição ficou para o ano que vem.Primeiramente, a mostra, um dos chamarizes do Ano da Itália no Brasil (que se inicia no fim deste ano), está marcada para ser inaugurada em 27 de março na Casa Fiat de Belo Horizonte. Depois, o conjunto de oito caravaggios e 18 caravaggistas como Jusepe de Ribera, Mattia Preti, Orazio Gentileschi, Giovanni Battista Caracciolo e Simon Vouet será exibido no Masp, em São Paulo, entre junho e agosto. Por fim, a exposição vai à Argentina e inaugurará nova ala do Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires.Pela mostra, a tríade "religiosidade, violência e sensualidade", destaca Ribenboim, na obra de Caravaggio ainda poderá ser vista em obras importantes como Narciso (1599) e Medusa (1596). A exposição, concebida com o apoio da Direzione Generale Dei Musei Statali Italiani, tem curadoria no Brasil de Fábio Magalhães e na Itália, de Rossella Vodret. O orçamento da mostra, para sua realização em Belo Horizonte e em São Paulo, é de cerca de 3,5 milhões de reais. "Muito dele é para o seguro das obras", diz Ribenboim. Segundo ele, a Base 7 também produz para o Ano da Itália a mostra do pintor metafísico Giorgio de Chirico.

Fonte

O fascinante mundo em preto e branco de Robert Longo




Não, não se trata de mais um fotógrafo que preferiu eliminar as cores das suas fotos e fotografar com as boas e velhas câmeras antigas. Por mais parecidos que seus trabalhos sejam com fotografia, trata-se, na verdade, de um artista que prefere usar o simples carvão para fazer desenhos super complexos.

Robert Longo nasceu no Brooklin, Nova Iorque, em 1953. Formou-se em Artes Plásticas no Buffalo State College e entre 1973 e 1975 esteve em Florença, Itália, como bolsista da Accademia di Belle Arti. Já participou de muitas exposições, individuais e coletivas, como a Bienal de Veneza de 1997 e 2002. Mas também já expôs seus desenhos em diversas cidades europeias, entre as quais Lisboa, no Museu Berardo. Ele diz que foi muito influenciado por várias mídias, incluindo o cinema e o desenho em quadrinhos.

Mas o que mais chama a atenção em Robert Longo não é nada mais do que seus enormes desenhos feitos simplesmente com carvão. Segundo ele disse a uma repórter do jornal "O Globo", o fascínio pelo carvão aconteceu meio como um acidente comum a quem é artista. Um dia ele queria desenhar e viu que não tinha lápis. Deu de cara com uns pedaços velhos de carvão e resolveu desenhar com eles. Foi aí que viu a potencialidade incrível do carvão para fazer desenhos maravilhosos.

Um fascínio que dá para compreender. Eu mesma, em minha experiência pessoal com os desenhos a carvão, vejo que há possibilidades imensas de desenho, quando conseguimos domar a "fera" que está por trás do carvão. Muita sujeira se faz até conseguir dominar a fluidez e obter toda a luz possível de um pedaço de carvão preto.

Robert Longo falou na mesma entrevista que cresceu "num tempo em que as revistas publicavam fotos coloridas de astros de cinema e de presidentes da república, mas usavam o preto e branco para as imagens da guerra do Vietnã, da fome na India". E ele diz que isso parecia querer dizer que somente essas duas cores são capazes de mostrar a verdade.

Seus desenhos gigantes falam, também, do mundo contemporâneo. Ele desenhou pessoas contorcidas, pessoas solitárias. Também quis dizer algo quando escolheu representar as três grandes religiões monoteístas da humanidade, desenhando seus lugares sagrados: a Basílica do Vaticano, o lugar de peregrinação mulçumana em Meca, na Arábia Saudita e o Muro das Lamentações em Jerusalém. Tudo isso. desenhado com carvão!

Mas a fotografia é uma coisa, o desenho é outra, claro. Longo ressalta que uma fotografia é obtida a partir de uma máquina, mas o desenho sai direto da mão do artista. Isso tudo é muito interessante, especialmente quando vivemos em um período em que Escolas de Arte ensinam (!) que desenhar já não é mais preciso; ou ensinam que desenhar e pintar está fora de moda. Ou que hoje, com a tecnologia e a informática permitindo outros meios, a mão do artista poderia se reduzir, talvez, aos movimentos sobre o mouse.

Como sou daquelas que desenham e pensam que o mundo será sempre desenhado, fico muito feliz quando vejo um artista "clássico" (desenhista e pintor), como esse, fazendo sucesso pelo mundo a fora!

Robert Longo está em cartaz, com uma exposição dos seus carvões, no Kunsthalle Weishaupt na cidade de Ulm, na Alemanha, além de galerias e museus norte-americanos. Alguns de seus desenhos foram publicados na oitava edição da revista "Serrote" do Instituto Moreira Salles, lançada na Feira Literária de Parati.

Fonte

http://www.catalogodasartes.com.br/Detalhar_Noticias.asp?id=3816

Foto: Catedral da Luz, 2008-2009, carvão sobre papel, 304,5x151,8cm