domingo, 9 de março de 2025
EDUCAÇÃO MUSICAL, COGNIÇÃO DE MUNDO E FÍSICA
PANELA DE BARRO
por
Fábio Fernandes
Leandro Souza e as palhas do sertão.
O artista se reinventa sempre que possível, uma vez que as inúmeras possibilidades criativas surgem com o processo. Leandro Souza, artesão lajense, vive a arte pra sobreviver na vida.
Por:
Fábio Fernandes
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
Um vôo Duchampeano - Movimento bicicleta
Esse ensaio me passou uma referencia duchampeana, relativo a Marcel Duchamp, um renomado pintor e escultor francês, que por sua vez se consolidou como um importante ícone das vanguardas artísticas europeias do início do século XX. Sendo um dos dos precursores do estilo dadaísta e da arte conceitual, sendo o inventor dos "ready-made".
Ao registrar essas bicicletas e suas peças, pude entender o quão forte é uma referencia secular no contexto artístico. Reflito o movimento dos veículos, mesmo estando estáticos num lugar de contemplação.
O caminho a se percorrer, a falta das peças que giram na estrada da vida, repercutem as ausências que muitas as vezes notamos nessa existência vital. Seguindo esse percurso, Duchamp persiste em se concretizar na arte como forte referencia.
FOTOGRAFIA - Flores sob a ótica sensível nas lentes das possibilidades
A junção vermelha e azul, céu e inferno. Paixão e frieza. Dualidade composta de equilíbrio e simetria resumem o roxo como extrato final.
Flores da caatinga.
Por: Fábio Fernandes
BIBIU - A poética do escultor lajense.
Bibiu é um escultor lajense, que pouco aparece nas mídias atuais, aumentando assim, o desconhecido ser por trás de belíssimas esculturas. A arte que permeia a mão do escultor, reflete a ilusão que rege a ótica visível, na poética esculpida na matéria prima outrora passiva e vulnerável a inspiração do artista, justifica os questionamentos de transformação estética das coisas. Enveredar nas entranhas de processos criativos, remete ao artista a possibilidade de apurar o olhar do observador a uma sensação de catarse e de questionamentos rasos do tipo: como ele faz isso acontecer?
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
JUVENTUDE TEATRAL LAJENSE
O grupo Juventude Teatral Lajense tem se mostrado importante no cenário artístico do município de Lajes no Rio Grande do Norte. Como estou a frente do projeto, gostaria de divulgar nessa página virtual um pouco do retrospecto do grupo até a corrente data desta publicação.
Em
agosto de 2020 em meio ao contexto de pandemia do Covid-19, a gestão municipal
de Lajes por intermédio da secretaria municipal de esporte e cultura promovia
uma volta de jovens às praticas artísticas, visando reestabelecer os processos
artísticos e também reestruturar as artes cênicas em Lajes, reaproveitando
jovens e adolescentes aluno-atores que antes compuseram um coletivo teatral
escolar iniciado em 2013 na Escola Municipal Dr. Eloy de Souza e finalizada em
2018 justamente com a peça Alzira Mulher, que foi apresentada no
Festival de teatro escolar da UERN (FESTUERN).
A
princípio, debater sobre o fazer teatral visava perceber a importância da arte
no cotidiano de jovens e adolescentes que até então se viam num processo de
redescoberta e de mudanças na vida social. Deste modo iniciou-se um processo
autônomo e de grande importância na arte cênica local, quando jovens resolveram
criar um novo coletivo artístico, o Juventude Teatral Lajense. A peça tema do
grupo estava mirado em Alzira Soriano, por isso, o texto base para ser
trabalhado na sua primeira montagem, foi Alzira Mulher (2008), sendo
apresentado de forma bem modesta no programa da web tv em Natal e depois na
FEMPTUR do ano de 2021, daí então o grupo não parou de receber convites para se
apresentar em natal, mostrando também o talento de seus jovens na Mostra
Cultural Brasil Mostra Brasil do mesmo ano.
Ainda
em 2021, surge a primeira parceria com outro coletivo cultural, a junina
sensação da cidade de Fernando Pedroza, e a partir dessa parceria, a Juventude
Teatral Lajense apresenta de forma grandiosa dentro da programação da festa da
padroeira, o espetáculo temático à padroeira do município lajense, com a peça Oratório
de Conceição. Desafio esse que teve duas apresentações no total, durante as
festividades religiosas e também na edição do festival literário de Lajes
(Flilajes). Já em 2022, o grupo retoma suas atividades com a proposta de
ampliar o espetáculo Alzira Mulher, dessa vez, ganhando o status de
espetáculo de médio porte. Inicia-se os ensaios do espetáculo, juntando a
história de Alzira Soriano com um pouco do surgimento de Lajes aliado à teatro
e dança, daí resulta num espetáculo relevante dentro da programação de Uma
noite no palácio, e no dia 29 de Abril estreia o grandioso espetáculo,
sendo reapresentado no dia seguinte, sendo visto por autoridades da política
estadual como a própria governadora do estado do Rio Grande do Norte e também
familiares da própria anfitriã.
Após essa meteórica apresentação, na qual o grupo foi o primeiro que abriu portas pra contar essa história num espetáculo de tamanha relevância. Seguiu-se a programação junina, em que na ocasião, o grupo divaga na tradição popular dos festejos juninos e cria a encenação O Casamento de Xitinha e Zé Quadriculado, abrilhantando a programação junina do município e de cidades vizinhas, além de se apresentar também na FEMPTUR pela segunda vez consecutiva juntamente de outra nova montagem que contava um pouco da cultura lajense, o espetáculo Lajes: No Meio de Tudo, montagem essa que permeava o imaginário popular e promovia o turismo em Lajes. Ainda no mesmo ano, o grupo encerra o ano com mais uma montagem teatral, no qual contava a historia do nascimento de Cristo no contexto local, essa era a peça O Auto do menino Deus e Lajes a Cidade Escolhida.
Em 2023, o grupo ainda ativo apresenta uma dança popular alusiva ao Boi de reis do Rio Grande do Norte, trazendo para a festa de reis, um folguedo popular de grande relevância para a efervescência de nossa cultura. Logo após a CIA de jovens atores de Lajes se prepara para a viagem mais longa que um grupo teatral lajense já percorreu. O grupo de jovens atores ganha o Brasil e vai até Brasilia-DF representar a cultura lajense e divulgar Alzira Soriano na Marcha dos prefeitos, dando uma visibilidade ainda maior às praticas teatrais do grupo. A Juventude teatral Lajense inicia a montagem do segundo espetáculo Alzira Mulheres, agora com um figurino novo, investido pela gestão municipal, equipando o acervo do grupo e dando possibilidade de ter material físico para trabalhar. Atualmente o grupo encontra-se em reconstrução de elenco, devido à muitos componentes terem se evadido, para atuar em outros projetos pessoais, de estudo e profissionais, culminando com um coletivo aberto à toda a comunidade que anseia em fazer teatro.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
FABIO FERNANDES - Biografia em forma de cordel
BIOGRAFIA
Na terra do cabugi
Onde todos nós vivemos
Um lajense apareceu
E nós o agradecemos
Pra fazer arte e poesia
Com carinho o recebemos.
Seu nome é Fabio Luiz
Da família dos Fernandes
Neto de seu Ludonias
Homem forte e incessante
Lá da fazenda Barreiras
Um lugar aconchegante
Filho de dona Raimunda
E de Francisco das Chagas
Viveram anos de seca
Tomando aguas salgadas
Pois não tinha adutora
pra cessar a sede amarga.
Com
três anos de idade
Segue
o destino comum
Pois
a vida complicava
Emprego
não tinha um
Seu
pai na dificuldade
Foi
embora pra Assu
Já
na terra da poesia
Sustentou
bem a família
Vendendo
artesanato
E
outras especiarias
Não
tinha uma formação
Mas
havia alegria
Observando
seu pai
Vivendo
a cada dia
Aprendeu
a desenhar
E
outras alegorias
Se
expressava livremente
E
até mesmo na poesia
Mesmo
o pai sem formação
Foi
quem o alfabetizou
Toda
tarde rotineira
Ensinando
dedicou
Pois
o gosto de estudar
Foi
seu pai que incentivou
No
quintal de sua casa
Circo
era a brincadeira
Vivia
de palhaçada
Não
havia outra maneira
De
se descobrir que a arte
Era
sua companheira
Na
escola estadual
Conheceu
a arte cênica
Um
palquinho pequenino
Mas
com grande eficiência
Interpretou
um esquilo
Com
tamanha eloquência
Uma
infância dividida
Entre
Lajes e Assu
Na
terra do cabugi
Num
apego incomum
Não
esqueceu a origem
Chão
querido só tem um
Já
com 19 anos
Resolve
ir estudar
Foi
embora pra Natal
E
queria se formar
Resolveu
cursar teatro
Pra
sua terra regressar
26
anos depois
Regressa
a sua terra
Pra
ensinar sua arte
À
cidade que o carrega
Um
lajense inovador
Com
a arte em sua cela
Na
escola Eloy de Souza
Criou
grupo teatral
Ajudou
a ganhar prêmios
E
escola deu moral
Conquistou
o festuern
Viajou
até Natal
Ensinando
a arte pura
Se
encontrou na docência
Capacita
cidadãos
A
buscar a consciência
Lecionando
todo dia
Cultivando
a paciência
Hoje
na nossa cidade
Olha
lá o professor
É
grato por todo mundo
Que
e ele confiou
Regressar
à sua terrinha
Que
pra sempre o conquistou.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
RELATOS DE MINHA INFANCIA - (DIVAGAÇÕES)
Me chamo Fabio Fernandes, em 30/02 de
1986 eu nasci em Lajes no RN. Meus pais se chamam Raimunda e Francisco. Com
relação a minha infância, logo pequeno vivenciei um pouco a minha família na
cidade de origem, vivi em Lajes por pouco mais de 3 anos de idade, lembro de
brincar na praça, nos canteiros floridos e de assistir TV na praça em frente a
minha casa, na época era comum ter uma televisão nas praças, onde se reuniam
pessoas pra assistir jornais, filmes e novelas. Isso era normal, uma vez que
naquela época (década de 80) ter um aparelho de televisão a cores era artigo de
luxo, o mais básico assistia em tv preto e branco.
No inicio dos anos 90 fui com minha família pra Assu. Meus pais sem qualificação e estudos pendentes e incompletos nos sustentavam com o que aparecia pra fazer, minha mãe sempre foi mulher do lar e meu pai fazia de tudo um pouco... Lembro que ele tinha um cachorro que se chamava Lupe, e era domesticado, fazia coisas que é atípico para um cachorro normal, coisas como rolar no chão seguindo comandos do dono, fazer compras com o dinheiro na boca, rodava, andava com duas patas, fingia de morto... E uma memoria que me marcou foi quando esse cachorro morreu, meu pai sempre o soltava com a corrente amarrada no pescoço pra passear na noite, certa vez ele pulou o muro do vizinho, a corrente enganchou e ele morreu enforcado no lado do vizinho, lembro de ver meu pai triste, cabisbaixo enterrando o cachorro. Isso me fez sentir afeto pelos animais. Também era normal na minha infância brincar de circo no fundo do quintal, fazer palhaçada, brincar de esconde-esconde, jogar bola na lama, tomar banho de chuva com os amigos e vivenciar uma infância sem muita violência, drogas explicitas e também sem celulares. Certo que não tínhamos tanta informação como as crianças de hoje tem, porém vivíamos num nível de inocência maior. A vida era mais palpável, real e menos virtual.
Na TV era comum assistir desenhos animados e ir pra escola e comentar sobre os episódios e personagens, meu sonho era poder assistir animes na TV Manchete, pois só podia acessar esses canais se tivessem antena parabólica, outro objeto disputadíssimo, o rádio era nosso relógio e telefone mantinha-se como artigo de luxo. Conforme o tempo passou aprendi que hoje em dia as crianças não respeitam mais a hierarquia, não chama os mais velhos de senhor e senhora, não dizem obrigado, bom dia, boa tarde e boa noite e acima de tudo, não vivem na coletividade pois estão presas na ilusão da virtualidade, vivendo numa grande solidão.




