O terceiro programa da série Arteando do blog O MARICAL, traz uma breve cobertura do evento "Agosto da alegria" mais em especial o Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro.
Confira:
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
REVELANDO RONALDO LIMA, O ESCULTOR
Na abertura do Salão de Arte popular Chico Santeiro, na abertura do Agosto da Alegria 2012, tive o prazer de conhecer o escultor Ronaldo Lima, este teve uma obre representada no referido salão, desta forma me aventurei em querer conhecer um pouco mais sobre seu trabalho artístico, uma vez surpreso com tamanha habilidade pra se trabalhar com sucata evidenciando o nordeste brasileiro apresento para nossos leitores um pouco sobre esse talentosíssimo artista.
O escultor baiano, Ronaldo Lima apresenta ao público feirense e visitantes uma coletânea do seu trabalho em exposição no Museu Parque do Saber, Dival Pitombo, em Feira de Santana, nesta oportunidade através das Lentes de Dom Peixoto produz este documentário cultural para divulgação de seu trabalho e obra nas redes sociais, utilizando-se deste canal.
A trilha sonora foi composta por Leno Peixoto, utiliza-se trechos musicais da obra de Luís Gonzaga.
Saiba mais sobre o escultor Ronaldo Lima:
Agosto da Alegria 2012- Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro
Nesta quinta dia 09 de Agosto de2012, deu inicio a exposição do Salão Nordeste Chico Santeiro de Arte Popular, componente artistico que está dentro da programação do Agosto da Alegria, a equipe de nosso blog esteve no local e conferiu um pouco do evento.
Devo admitir que o salão está muito interessante, vale a pena conferir:
Em nome do legado de Chico Santeiro
Por Tadzio França
O conceito de arte é o mais amplo que existe - e está sempre em discussão. Alguns rótulos se fazem necessários para facilitar a compreensão dos apreciadores e conduzir exposições. Um recorte popular é o que oferece, a princípio, o Salão Nordeste de Arte Popular Chico Santeiro, cuja segunda edição segue até o dia 07 de setembro, na Pinacoteca do Estado. Entre 30 artistas diferentes e uma média de 70 obras expostas - todas à venda (ou já vendidas) - observa-se que a ideia de arte popular exibida na exposição está mais aberta do que parece - ou deveria.
Emanuel Amaral
Considerada uma das grandes artistas populares, Luzia Dantas, de Currais Novos, ficou em 4º lugar com a obra Os Retirantes, peça em madeira
A dimensão regional oferecida pelo Salão Chico Santeiro é abrangente, mas pode confundir a percepção do que seja uma arte verdadeiramente popular. O salão expõe amostras de desenhos, esculturas, colagens e gravuras, sendo que o segmento da pintura foi o mais favorecido com os três primeiros lugares, numa mescla de pinturas naif e acadêmicas.
O colecionador e marchand Antônio Marques foi um dos idealizadores do projeto, já prestou consultoria para o próprio, mas acredita que algumas ideias precisam ser revistas. "Os critérios de escolha das obras precisam ser mais pensados. Por que dedicar os três prêmios maiores à pintura, se temos esculturas, desenhos e xilogravuras igualmente excelentes? Acho que a premiação precisa ser desmembrada, uma divisão por categorias seria o mais justo", afirma.
"Os critérios de arte popular deveriam ser mais esclarecidos para evitar equívocos. Sei que na hora da prática essa divisão não é tão fácil", completa. Antônio Marques reforça a ideia de que o salão precisa ser coerente com a obra de seu inspirador, Chico Santeiro, um artista intuitivo, autodidata e realmente popular. "Vejo obras no salão que possuem um conceito totalmente acadêmico, obras refinadas ou muito modernas para representarem a cultura popular. Nós temos uma tradição muito rica de artistas santeiros, algo que poderia ser melhor representado na mostra", diz. Marques ressalta os trabalhos de alguns artistas do salão, como "Os retirantes", de Luzia Dantas, uma senhora octagenária de Currais Novos que faz poéticas esculturas de madeira há 60 anos.
Outras obras mantêm o espírito original do salão popular, segundo Antônio Marques, como as pinturas genuinamente realistas de Rosa Maria da Costa, uma artista da periferia que retrata cenas do cotidiano humilde; os quadros de madeira mogno esculpidos em peça única, repletos de detalhes entalhados a cargo de Raimundo Araújo (o Mundoca), e um oratório barroco feito a partir de madeira resina e bisquiti. Apesar dos ajustes a serem feitos, Marques afirma que o salão é importante por evidenciar os artistas. "É uma novidade no Estado, e que movimenta o cenário. Ano passado participei da seleção, e não dávamos conta de tanta gente que mandou seus trabalhos", diz.
O professor e pesquisador de arte popular Everardo Ramos afirma que o próprio edital não favorece a seleção de artistas genuínos do segmento. "Os critérios são vagos e equivocados. Coisas como 'utilização de materiais' e 'linguagem estética' não significam nada. O formato é incongruente com o edital, já que vejo aqui pessoas letradas, formadas, com longo currículo de exposições. Óleo sobre tela não é arte popular. O edital exige uma série de documentos. Os artistas populares de verdade nem saberiam como participar disso. O evento em vez de chamar, deveria procurar esses artistas", ressalta.
Everardo chama especial atenção sobre a obra de Francisco Everaldo dos Santos, mais conhecido por Seu Santos, um exímio e diferenciado escultor em madeira. "É um dos maiores artistas populares em atividade no Estado", afirma. Santos ficou em 14º lugar na seleção geral do salão. "Não conheço um artista local como Seus Santos. Apesar de nunca ter feito um curso na vida, suas obras são de um requinte impressionante. É popular, mas quase acadêmico de tão refinado", diz. Será a primeira vez de Santos numa exposição coletiva deste porte. A mostra particular do artista será no fim de agosto, no Museu de Cultura Popular.
Artistas foram prejudicados por terem enviado "foto ruim" da obra, justifica diretora
A diretora da Pinacoteca do Estado, Vanderci Holanda, explica que muitos artistas foram prejudicados em sua classificação por terem enviado uma foto ruim de sua obra no material de inscrição. Apesar dos percalços, ela ressalta que o salão promete repetir o sucesso do ano passado. "Temos um mercado consumidor de arte muito bom e que está começando a aparecer. Faremos três salões e mais 16 exposições até março de 2013. Há gente que não sabe que temos artistas tão bons. O salão é uma forma de divulgar nossa arte", conclui.
PREMIADOS
Receberam, cada um, o prêmio de R$3 mil reais: Mário Sérgio de Lima, representando brincantes em movimento; o já conhecido Ivo Maia, com suas mandalas e cabalas conceituais, e a pernambucana Ivone Mendes, com telas em acrílico representando cenas de infância sob uma perspectiva naïf (ingênua). Os demais selecionados ficaram com R$400. Artistas de todo o Nordeste enviaram seus trabalhos para o concurso, sendo avaliados por uma comissão local.
Seu Santos: o detalhismo que nasce da observação
A obra de Francisco Evaristo dos Santos nasce da pura e simples observação. Um olhar dos mais detalhistas, já que suas esculturas em madeira são expressivas, cheias de detalhes, movimento e sentimento. 'Seu Santos' faz paisagens em madeira. Para o Salão de Arte Popular ele trouxe a peça "Carregando água do Lajedo", mais um exemplo de como ele elabora momentos entalhados. Apesar de figurar em algumas das melhores coleções de arte popular do Estado, Santos permanece praticamente desconhecido no meio artístico potiguar.
Nascido no interior da Paraíba, ele veio ainda criança para o Rio Grande do Norte. "Fui criado num sítio. Quando chovia, eu pegava o barro mole e fazia imagens de animais, eram meu brinquedos", conta. Por muito tempo, seu trabalho foi em cerâmica. Ao ver a fragilidade do material, partiu para a madeira umburana, de corte fácil e macio. Um problema de saúde nas pernas, que o impediu de trabalhar no campo, fez com que Santos abraçasse de vez a arte da escultura.
A maior inspiração de Santos é a vida rural. "Sempre gostei de observar, de descobrir formas. O que eu achava bonito, me esforçava pra fazer igual", conta. E assim foi surgindo sua arte. As imagens figurativas do escultor reproduzem cenas de personagens religiosas, pescador, homens carregando latas de água, lenha e peixe, segurando a enxada, etc. São cenas que ele diz guardar na memória, da época em que morava em Caicó.
Por muito tempo, Santos vendeu suas peças nas ruas, de porta em porta, com as estatuetas debaixo do braço. Até que colecionadores de olhar mais aguçado perceberam a riqueza de suas peças e passaram a encomendar, e valorizar. A natureza do trabalho artesanal e solitário faz com que Santos produza pouco. Suas peças podem levar de 15 dias a um mês, dependendo do tamanho. Os maiores trabalhos foram encomendados para igrejas, como a de São Gonçalo, que ele levou oito meses para concluir.
Seu Santos não guarda nada em casa. Tudo que faz, seja por encomenda ou não, logo sai para a venda. "Não posso me dar ao luxo de guardar peça em casa. As vendas são minha sobrevivência", diz ele, que mora atualmente no bairro das Quintas. Para a exposição no Museu de Cultura Popular, programada para o fim do mês, o professor Everardo Ramos está tomando peças emprestadas junto aos clientes de Seu Santos. "Será um privilégio para mim ver as estátuas num lugar só. Eu gosto de ter esse reconhecimento", afirma o santeiro.
Disponivel em:
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Re- Postagem : Um pouco sobre o poeta assuense Renato Caldas
A nossa re-postagem mostra um pouco do ilustríssimo poeta assuense Renato Caldas, este pelo qual tive muita felicidade em acompanhar seus poemas na minha infância e adolescência no meu ciclo vital por Assu-RN.
Poeta Renato Caldas
O poeta assuense Renato Caldas (08.10.1902-26.10.1991) é considerado o maior representante da poesia matuta norte-rio-grandense. Comparado a nomes como Catullo da Paixão Cearense e Zé da Luz, Caldas conseguia, de modo simples e espontâneo, abordar temas como o amor, a vida no meio rural, a simplicidade do homem do campo, a natureza e a beleza feminina. Recebeu a alcunha de “O poeta das melodias selvagens” por causa da rudeza e originalidade de seus versos. A obra mais conhecida do poeta chama-seFulô doMato (1940).

O nosso “poeta das melodias selvagens”, concentrou sua poética na valorização do regional, representando em uma linguagem “rudimentar” as características de um povo sertanejo. “Tinha na sua paisagem e até no lado grotesco do seu povo os motivos permanentes de sua poesia”. O meio rural, a natureza e a beleza feminina são temáticas que permeiam boa parte de suas obras.Vamos encontrar na figura invulgar de Renato um homem de temperamento expansivo e um grande colecionador de momentos felizes mesmo quando em situações adversas. Assim como era a poesia, a boemia e a cantiga popular também faziam parte de sua vida como todo o componente do seu ser. Coincidindo com a sua irrequieta personalidade, seus poemas refletem a imagem de um poeta boêmio e ousado que sempre esteve acima do cárcere da vida açuense e da opinião alheia. Dessa personalidade indomável, emana uma poesia movida à paixão dos valores nordestinos, onde o poeta faz comoventes evocações de sua terra de origem, em uma mistura de memória e sentimento telúrico que demonstram o exacerbado amor que tem pelo Assu, sua terra natal.

Renato Caldas sendo admirado pelo Professor Aldo Cardoso (um dos incentivadores do teatro pra mim)
A exaltação à beleza e o desejo do homem simples, que ama e que sofre, são expressos em versos como:Fulo do Mato, Rebuliço, Lagoa das Moças entre outras que fizeram deste poeta uma das maiores referências da poesia do Rio Grande do Norte.
Aqui podemos conferir um belíssimo texto do nosso querido e amado poeta:
Fulô do Mato
Sá dona vossa mecê
É a fulô mais chêrosa,
A fulo mais perfumosa
qui o meu sertão já botô!
Podem fazê um cardume
de tudo que fô prefume
de tudo qui fô fulô,
qui nenhuma, nem uma só
tem o cheiro do suó
qui seu corpinho suô.
- Tem cheiro de madrugada,
Fartum de areia muiáda,
Qui o uruváio inxombriô.
É um cheiro bom, déferente,
Qui a gente sintindo, sente,
Das outa coisa o fedô.
...
Em Poetas e Boêmios do Açu, Ezequiel da Fonseca Filho registra esta maravilha:
"Seu môço, meçê já viu
"Seu môço, meçê já viu
Uma seca no sertão?
Os oios de vosmicê
Já viu essa afrição?
De vê morrendo de fome
Um miserave, um cristão?
Mecê, jáviu algum dia
Um casebre abandonado,
Morrendo gente lá dentro,
Tudo pelo chão deitado
Sem pudê se alevantá...
Ficando ali sepurtado?
E as retiradas, seu moço
Nem é bom ninguém falá.
Vê as muié quaje nua,
Quaje sem pudê andá..
.
O fio morrendo à fome
O fio morrendo à fome
Sem tê leite pra mamá.
Tem outras coisas, seu moço
Qui fáz pena, qui traz dó,
É vê toda bicharia
Berrando naquele horrô!
Berrando cheirando o chão,
Onde a água se acabô.
e pra finalizar, uma bela saudação à cidade do Assu:
Assú
Assú de chapeu de palha!
Que luta... vive e trabalha
Somente para comer.
Assú que vive sofrendo
A própria dor escondendo
A angústia do seu viver!
Heróis, poetas, escritores
Boêmios e trovadores
Ilustraram tradições!
Que não serão sepultadas
Para serem proclamadas
Pelas novas gerações.
Meu Assú das vaquejadas!
Das noites enluaradas...
- Que gratas recordações!
-Cantigas feitas de sonhos
Dos seresteiros risonhos,
Conquistando corações.
Dança dos Congos, Lapinha,
Folguedos da argolinha,
Bumba meu boi! Pastoril
Eram brincos engraçados,
Hoje porém divulgados
De norte a sul do Brasil.
E, como o tempo é cruel!
Jogos de prenda... e anel
Ninguém sabe onde ficou?!...
Sei eu, onde está guardado
O meu Assú do passado,
Minha saudade guardou.
Esta é apenas uma breve homenagem a esse poeta de grande valia para a história desse município de grande evidencia no nosso querido RN.
Disponivel em:
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
CAMINHOS DA ESCOLA - ARTE NA ESCOLA
O tema do Caminhos da Escola é Arte na escola. Vamos ver como a arte, além da sua importância histórica e cultural, pode trabalhar a criatividade, expressão e personalidade, formando um conjunto interessante e produtivo para a aprendizagem.
Para este vídeo, teve-se como espaço de pesquisa: o Centro de Ensino Médio de São Sebastião - DF (CEM 01), esta matéria se baseia em como a instituição de ensino fomenta a arte de forma interdisciplinar com seus alunos.
Em São Paulo, a Escola Técnica de Artes recebe uma importante representante da sétima arte no Brasil, a cineasta Laís Bodanzky é nossa convidada do Debate num papo sobre formação, o cinema como profissão e como é sobreviver de arte no nosso país.
É chegada a hora da degustação na etapa final do Desafio Mesa Americana no CEEP Newton Freire Maia em Curitiba - PR.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A Seu Coração - By Lid Galvão
Minha
emudecida flor da relva...
Caminha
seu sabor em minha direção.
Vejo-me
sem frases para descrever,
O
quanto suas emoções me transcendem;
Me
poupam a respiração,
E
me tomam de crença.
Parece
sorrir-se consigo mesma,
Quando
o barulhento vento
Assusta
suas pétalas.
O
seu dizer de nua nada diz
Além
do que meus olhos já viram...
Nada
percebe a sua ingenuidade sensitiva...
Vai
ver encantou-se de reluzência.
Melhor
para minha pele arrepiada;
Para
meu querer a espreita,
Deste
inconsciente à seu coração.
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