sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Momento de Ócio #2 - Fernando de Noronha é Papa Jerimum.

Fernando de Noronha (RN-PE)


Por Fábio Fernandes.

Sabe-se muito bem que a ilha de Fernando de Noronha está geograficamente mais próxima do estado do Rio Grande do Norte, porém pertence ao estado de Pernambuco, não consigo entender como isso é possível, mas o que se argumenta é que se trata de uma questão meramente política. A ilha é tida como uma das Maravilhas brasileiras, porém os créditos vão todos para o estado Pernambucano, isso mostra que nós enquanto potiguares não teríamos competência pra administrar esse arquipélago. Na boa, é obviamente perceptível que acabo de atirar no pé do norte-rio-grandense ao acreditar em tal possibilidade administrativa. 
Este, no entanto, não é o fator principal desta resenha, me interesso mesmo em levantar uma questão que está visivelmente se passando despercebido, o fato de a política deter de autonomia em grande parte das decisões para a população e afins.
O arquipélago fica há 380 km de Natal, a 455 km da Paraíba e 545 km de nosso querido estado do Pernambuco, se caso eu fosse um professor de geografia do Brasil e perguntasse a um aluno numa avaliação escolar onde fica a ilha de Fernando de Noronha, e caso ele consultasse o mapa e dissesse que ficaria no RN, eu jamais que diria que ele estava equivocado, uma vez que de fato esta esplêndida ilha é “nossa” pela própria natureza.
Mesmo sabendo que esta se encontra geograficamente no Rio Grande do Norte, caso eu responda uma questão dessas em algum concurso público, mesmo sabendo que não está, vou ter que arbitrariamente afirmar que pertence a Pernambuco, ou seja, pouco importa o que pensamos sobre algo, o que vale é a visão dos que detém o sistema político do país determinam, e que se “dane” os fatos óbvios.
Fato semelhante é o que acontece com o Pico do cabugí de minha terra natal – Lages-RN. Esta proeza natural possui 590 metros de altitude. Lajes, está localizada na Região Central do Estado, a 125 km da capital Natal. Mesmo sabendo que esta beleza natural é parte orgânica desse município, politicamente o espaço físico pertence a outro município conhecido por Angicos.
 Mas enfim, se esta página virtual é dedicada a falar de arte, por que é que se fala em geografia? Bem, caso muitos não saibam, a arte pertence a uma parte da sociedade organizada desde o principio da vida, e se faz necessário sermos ao mínimo políticos e críticos a cada assunto que se revele em nosso cotidiano.
Cabugí - Lages-RN


Pensando nesse assunto, o programa “momento de ócio #2 ” de nosso blog propõe abordar a temática levantada, confira o resultado:

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Quimera (Lid Galvão)


Fosse o céu tão divino quanto o gosto seu;
Tão paraíso quanto su’alma desnuda,
E tão salvador quanto seu dizer 'Te amo'.
Mas o céu é triste.
Nuvens choram e roucos trovões lamentam.
O sol, na verdade, é gélido.
Não flamejam as horas e toda riqueza
D’alvorada apenas limita o despertar...



Disponível em:

Vau da Sarapalha


Baseado no conto Sarapalha, de Guimarães Rosa, com adaptação, cenário e direção de Luiz Carlos Vasconcelos, o espetáculo conta com os atores do Grupo Piollin, que se dedica ao trabalho pedagógico e social com crianças de João Pessoa, Paraíba.

 Foto: extraída da internet

A ação se concentra entre dois primos que, vítimas de malária, esperam a morte sentados lado a lado. No trabalho físico cuidadosamente elaborado, cada parte do corpo dos atores cumpre um papel expressivo, tanto na postura global da personagem quanto em movimentos sutis ligados à ação, de forma a compor uma coreografia de gestos da qual participam os pés, o pescoço, a máscara facial. Um simples ficar de pé tem o peso da entrada do naipe de metais em uma sinfonia e é realizado em um tempo próprio ao contexto dramático, ao subtexto da personagem e à musicalidade da cena. Todo o espetáculo está construído sobre uma partitura musical, da qual fazem parte não só as palavras mas também os grunhidos e os sons do ambiente em que se encontram as personagens e que são executados pelos próprios atores.

Além das duas personagens que se encarregam da parte verbal do espetáculo, há a mística Negra Ceição que murmura sons e ladainhas incompreensíveis, rondando a conversa dos dois homens. A mulher procura evitar que a conversa tome um rumo trágico: um dos primos nutre uma paixão secreta pela mulher do outro, que fugiu de casa com outro homem. Esta revelação será feita ao final, quando o marido abandonado começa a agonizar. A cena é precedida de um ritual em que Negra Ceição, levando na mão uma cabaça de água, circunda os dois homens com a urgência de quem deve realizar um salvamento. Ao contrário dos homens, que permanecem sentados, a atriz trabalha sempre em deslocamento e, como personagem que comenta a ação central, sua composição tem humor, sem que ele seja sua finalidade. Ao lado dos dois homens está o Perdigueiro Jiló, cuja interpretação dá lugar, segundo a crítica Barbara Heliodora, a "um dos mais extraordinários exemplos de criação corporal que temos visto em nossos palcos".1 É o cão que inicia o espetáculo, deitado no palco, dormindo um sono atormentado que se agrava pela angustiante coceira. Separado dos atores, mas dentro da cena, está o Capeta, que sonoriza o espetáculo com objetos, além de fazer o fogo e emergir dele.

Se a história não chega a todos os espectadores pelas sobrecargas visuais e sonoras que se sobrepõem ao texto, chegam as imagens que, segundo a crítica de O Globo, recriam a literatura: "... por um ato de amor, de carinho com cada mínimo detalhe da obra do escritor, Vasconcelos conseguiu essa coisa rara que é a recriação, em outro veículo, de uma obra bem-sucedida no original (...)".

Em 1993, o espetáculo recebe o Prêmio Shell na categoria especial. O espetáculo é apresentado em todo o Brasil e, mesmo sem fazer longas e contínuas temporadas, permanece em apresentação por dez anos.

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Morre o baterista Brad Parker durante show em MG.

A morte não é um acontecimento que nos agrada enquanto seres materiais, porém temos que aceitar com o tempo (cronos) que estamos vivendo apenas uma passagem muito curta por esse território multicultural, não temos como escolher o dia, local, hora e ação (causa/consequência) para se entregar aos caprichos mortais. Essa noticia que posto agora, me deixou comovido porém, me fez perceber que se fossemos capazes de escolher a ação e o local de nosso falecimento material, sempre morreríamos fazendo o que mais nos dar prazer.
 

O baterista Brad Parker, da banda Generation Esmeralda, versão atual do grupo franco-americano Santa Esmeralda, fenômeno de vendas na década de 1970, morreu na madrugada deste domingo em Ubá, na Zona da Mata mineira, durante uma apresentação.
 
A banda participava da Festa das Nações, promovida pela Associação Comercial local. O músico, de 59 anos, caiu sobre o instrumento aos 40 minutos de show. “Primeiro ele desfaleceu, mas a banda continuou a performance enquanto ele permanecia tombado. Quando caiu do lado, todos perceberam a situação e pararam o espetáculo. Havia um médico nos bastidores que já o encontrou morto”, relata o diretor da TV Viçosa, Luís Neno, que estava no local gravando imagens para um DVD.

O artista já chegou morto ao Hospital Santa Isabel, em Ubá. De acordo com o produtor da banda aqui no Brasil, Sérgio Lopes, o grupo musical estava gravando um DVD no Horto Florestal de Ubá. Cerca de 5 mil pessoas acompanhavam o show quando o incidente aconteceu. Sérgio, que também é médico, informa que Brad sofreu um infarto fulminante.

O corpo de Brad deve ser levado para a Califórnia. O produtor da banda espera os trâmites legais do consulado americano aqui no Brasil para poder fazer o traslado. O vocalista do Generation Esmeralda, Jimmy Goings, vai ficar no país para acompanhar o processo. O restante do grupo volta para os Estados Unidos. Além de Brad, da formação original da banda restaram ainda Jimmy Goings, Tom Poole, Tony Baker e Mic Valentino.
Criado pelo vocalista e saxofonista norte-americano Leroy Gomez, o grupo ficou conhecido por apresentar-se no palco com bailarinas vestidas de dançarinas de flamenco e por um cuidadoso trabalho instrumental. O primeiro sucesso foi a versão de Don't let me be misunderstood em ritmo de discoteca, lançada em 1977 e logo chegou às paradas, alcançando a marca de 25 milhões de cópias vendidas. Até hoje, o sucesso da música rendeu a Gomez 48 discos de ouro e 42 de platina. Desde 2003 Leroy Gomez tem os direitos do uso do nome “Santa Esmeralda”. Os integrantes da antiga formação resolveram então retornar à estrada rebatizados de Generation Esmeralda, mantendo o mesmo espírito que os consagrou.

Veja o video:



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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Protógenes quer suspensão do filme 'Ted' por suposta apologia às drogas



Ontem postei um belo artigo da blogueira Liliana Martins sobre hipocrisia, hoje, vi uma noticia que vai bem a calhar com o raciocínio do texto. A dissertação a seguir noticia o fato de um deputado querer encontrar "meios legais" para impedir a exibição de um filme, no qual um ursinho de pelúcia é usuário de maconha. Seria bem mais interessante, se esses deputados parassem com o  falso moralismo em prol de suas auto-promoções e também proibissem a bandalheira que os mesmos realizam no congresso nacional, ou seja, parassem de "roubar" mais e realmente fizessem  o que na teoria eles fazem : se importar realmente com o bem popular.
Desta forma segue o raciocínio segundo o site G1
O deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B-SP) disse nesta segunda-feira (25), pelo Twitter, que irá acionar os "meios legais" para impedir que o filme "Ted" seja exibido nas salas de cinema do país por supostamente fazer apologia ao uso de drogas. O filme foi lançado na última sexta-feira (21) e, segundo o portal especializado Filme B, vendeu mais de 207 mil ingressos.
Destinado ao público jovem e não recomendado para menores de 16 anos, o filme conta a história de um homem adulto que tem como único amigo um urso de pelúcia que fuma maconha, ingere bebidas alcoólicas e fala palavrões.
Protógenes contou no Twitter, na noite de domingo (23), que levou o filho Juan, de 11 anos, para ver o filme e achou "um absurdo" ver uma cena em que o urso, personagem do filme, consumia drogas. Segundo o deputado, a cena é "apologia" às drogas.
"O filme 'Ted' não esta apropriado para nenhuma faixa etária. Incentivar o consumo de drogas é crime, usando ainda ícones infantis", disse o deputado na rede social. "Não aceitamos mais esses enlatados culturais americanos no Brasil", completou em seguida.
Protógenes afirmou que irá "apurar responsabilidades" e cobrar explicações do Ministério da Justiça "a fim de impedir que o lixo do filme infantil-juventil 'Ted' seja exibido nacionalmente". A pasta é responsável pela classificação indicativa, mas não tem poderes para fazer uma retirada forçada do filme de cartaz, só possível por meio de decisão judicial.
O deputado não atendeu às ligações do G1 e sua assessoria de imprensa informou que até o início da tarde desta terça (25) ele não havia encaminhado o pedido de suspensão do filme a nenhum órgão.
Procurada, a distribuidora do filme no Brasil, a Paramount Pictures, disse, por meio de sua assessoria, estar "tranquila" em relação à exibição por ter submetido a obra a análise do Ministério da Justiça para a classificação indicativa.
A pasta é responsável por avaliar as cenas e orientar os pais se o conteúdo é adequado para a idade dos filhos. Filmes não recomendados para menores de 16 anos têm, entre outras, conteúdo violento ou sexual mais intenso, cenas de tortura e suicídio.
A campanha contra o filme, batizada de #forafilmeTED, está entre os assuntos mais comentados da rede social.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Viva a Hipocrisia!

Minha fotoPor Liliana Martins


Vivemos em um mundo que preza a manipulação e a banalização. Mas obviamente a sociedade é movida por um conjunto de ideais, pensamentos, e é claro, pessoas. Possuímos a capacidade de discernir, pensar, opinar, agir, escolher, e de acordo com o uso desses elementos, é que fica determinado o nosso modo de vida.
Se tornou parte de nosso cotidiano ouvir alguns comentários referentes aos conceitos adotados pelas pessoas há alguns anos atrás, como "no meu tempo não tinha isso, não tinha aquilo, não era assim, assado...". Na verdade, tudo o que vemos sempre existiu, mas não da maneira desregrada como é hoje em dia. 
Nos programas de televisão, nos jornais, bem... não é preciso ir muito longe para notarmos a intensidade desta fumaça que toma conta do nosso mundo, basta olhar para o lado.
Preste atenção, quando em algum momento, surgir alguma discussão sobre um determinado assunto, nas opiniões e comportamentos apresentados. Um dirá que é terminantemente contra, outro se expressa de forma radical discordando ou não, um outro fica em cima do muro, um outro ainda concorda, mas o hipócrita é aquele que se expressa de uma forma e age de outra totalmente diferente.
O hipócrita não tem afeição por ninguém. Ele mente, engana, se camufla, e metaforicamente dizendo, ele veste uma capa para encobrir o que está por baixo, com o intuito de se fazer parecer bom, íntegro e limpo, para encobrir o que existe de podre dentro de si mesmo.
Em outro texto, mencionei o fato de nós possuirmos um lado bom e um lado ruim, e que cabe a nós escolher qual deles vamos desenvolver mais.
Pessoas hipócritas mancham todo um meio de convivência, pois diante de todos, age com cortesia, com "decência", "sabedoria", "inteligência",  quase sempre concorda com tudo, cativa e seduz quem estiver próximo, cria situações nas quais sempre se faz parecer carente ou uma vítima. Mas a máscara sempre cai. Por mais que se demore. Pelas costas de todos, o hipócrita se mostra sujo, obsceno, inconsequente, egoísta e se contradiz, já que por se tratar de uma mente mentirosa e manipuladora, para cada pessoa que conhece os discursos são diferentes. Agora imaginem, se  todos esses discursos são confrontados?...
Gostaria de citar um exemplo para que se possa entender melhor o que quero dizer, um exemplo bárbaro, diga-se de passagem: existiu um homem, de meia idade, que era casado, tinha um cargo de importancia em uma igreja e tinha uma filha adolescente. Esta menina, desde muito jovem, 13/14 anos aproximadamente, era molestada por este pai que, era bom, religioso, educado, e tinha muitas outras "qualidades" vistas por todos que o conhecia. A mãe desta menina sempre soube de tudo, mas era omissa. A menina, por crescer passando por estas ações, criou em sua mente uma convicção em relação a este assunto que parecia ser sadia. Para ela, tudo aquilo era incontestavelmente normal, e, detalhe, se apaixonou  pelo próprio pai. Por ele ser um homem muuuuuito bom, a levava e trazia da escola, estava sempre com ela, acompanhava todos os passos dela. Até que um dia, estando ela um pouco mais velha, aparece no caminho um rapaz desejando tê-la como namorada. Os dois começam a namorar, e ela então percebe que as coisas que ela vinha passando ao longo daqueles anos eram erradas, promíscuas. Ao fim da história, o pai veio a ter uma doença muito grave que apareceu repentinamente, e da mesma forma veio a óbito repentinamente também. Usando as palavras que ouvi quando soube desta história: "toda a podridão que estava dentro dele, veio para fora", e para deixá-los cientes, caros leitores, a doença o devastou terrivelmente.
A hipocrisia é resultado de falhas no caráter de cada um, e não só na vida em família, mas em todos os meios, seja político, social, amoroso ou religioso.
Se você não compactua com este tipo de comportamento, observe. Mas observe primeiramente a si mesmo, e se policie. Se agir de assim, repare a falha ou, simplesmente não repita o erro. E nunca deixe de observar todos aqueles que estiverem ao seu redor, pois este mal sempre vai existir em nosso meio, e o hipócrita tenta sempre se mostrar como uma pessoa acima de qualquer suspeita.

domingo, 23 de setembro de 2012

Você: Minh’auto Descrição (Lid Galvão)



Me deixar irá teus olhos,
Que de tão cúmplice não se despede
Deste ardor em minha face ambrosia.

Gritará meus músculos;
Rastejará a sombra da noite,
E bem-vinda será essa nostalgia.

Nem mesmo o sereno seco,
Pairando em minh’aura,
Disponibilizar-me a mesma agonia.

Leves contigo um pedaço de meu beijo,
Ainda que a espreita esteja o vento
Para negar-te minha alforria.