quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Cinco filmes para conhecer o cinema potiguar.



Cena do filme  Sideral - Carlos Segundo

Produções feitas no Rio Grande do Norte percorrem ficção científica, documentários e diferentes paisagens do estado.

O Rio Grande do Norte também tem uma história para contar nas telas. Longe dos grandes centros de produção audiovisual do país, cineastas potiguares vêm construindo, ao longo das últimas décadas, filmes que passam por diferentes gêneros e encontram no estado não apenas um cenário, mas parte importante de suas narrativas. Entre ficções, documentários e obras que misturam realidade e imaginação, o cinema potiguar já levou histórias do sertão, do litoral e da Grande Natal para festivais brasileiros e internacionais. 

Algumas dessas produções também podem ser encontradas em plataformas digitais e acervos na internet. Para quem quer conhecer melhor o audiovisual produzido no estado, cinco filmes ajudam a percorrer diferentes momentos dessa história.

Com apenas 15 minutos, “Sideral” é uma das produções potiguares que ganharam projeção internacional nos últimos anos. Dirigido por Carlos Segundo, o curta acompanha uma família que vive próxima ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, enquanto o Brasil se prepara para enviar o primeiro foguete tripulado ao espaço. 

A ficção científica se mistura ao cotidiano de uma mãe que se vê diante da possibilidade de mudar completamente a própria vida. Enquanto o país olha para o céu em busca de um futuro distante, a personagem também passa a imaginar um novo caminho para si. 

Filmado em Natal e no entorno da capital, “Sideral” utiliza paisagens potiguares para construir uma história que ultrapassa a questão espacial.O curta fala sobre sonhos, escolhas e desigualdade a partir de uma situação extraordinária. 

A produção foi selecionada para importantes festivais e representou o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar de 2022 na categoria de melhor curta-metragem em live action. Atualmente, “Sideral” pode ser encontrado no Globoplay. 

“Fendas” Também dirigido por Carlos Segundo, leva o cinema potiguar para um território mais experimental. O longa acompanha Catarina, uma pesquisadora de física quântica que investiga uma relação entre luz e som e acaba descobrindo.

Filmado no RN, "Fendas" mistura ficção científica e desigualdade e chegou a representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar uma frequência capaz de alterar sua percepção do tempo.

A história utiliza conceitos científicos para construir uma narrativa sobre memória, percepção e realidade. O resultado é um filme que se distancia das estruturas mais tradicionais e aposta em uma experiência visual e sonora. Com cerca de 80 minutos, “Fendas” foi exibido em festivais e recebeu reconhecimento no circuito independente. O filme também passou pela Mostra de Cinema de Gostoso, um dos principais eventos dedicados ao audiovisual no Rio Grande do Norte. 

Capa  do filme  Boi de Prata (1981)

Para voltar ainda mais no tempo, “Boi de Prata” é um dos títulos fundamentais do cinema produzido no estado. Dirigido por Augusto Ribeiro Jr., o filme foi lançado em 1981 e teve como cenário o sertão potiguar.

A história acompanha Elói Dantas, um fazendeiro interessado em ampliar seu patrimônio por meio da exploração de minérios. No caminho, ele entra em conflito com Antônio Vaqueiro, dono de um pequeno sítio que se torna alvo de seus interesses. O filme combina elementos do drama rural com questões relacionadas à terra, à exploração econômica e às relações de poder. 

A produção também tem importância histórica por reunir profissionais que posteriormente teriam carreiras de destaque no cinema brasileiro, como o diretor de fotografia Walter Carvalho. Décadas depois de seu lançamento, “Boi de Prata” permanece como uma referência para quem pesquisa a história do audiovisual potiguar e a tentativa de produzir cinema fora do eixo Rio-São Paulo.

“Sêo Inácio (ou O Cinema do Imaginário)” “Sêo Inácio (ou O Cinema do Imaginário)”. Dirigido por Hélio Ronyvon, o documentário apresenta a história de Inácio Magalhães de Sena, um cinéfilo potiguar que dedicou boa parte da vida a assistir a filmes. a produção transforma a relação do personagem com a sétima arte em uma reflexão sobre memória e passagem do tempo. 

Mais do que contar a história de um espectador, o filme registra uma forma particular de viver o cinema. como um pequeno retrato da cultura cinematográfica do estado e de personagens que, mesmo longe dos holofotes, ajudam a construir a memória audiovisual potiguar.

“A Parteira” é um documentário dirigido por Catarina Doolan. O filme acompanha Donana, parteira que atuou durante décadas em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal. nhecimentos acumulados ao longo da vida e revela uma tradição transmitida entre gerações. O documentário transforma a experiência pessoal de Donana em registro de uma prática que faz parte da história de muitas comunidades brasileiras. recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem na Mostra de Cinema de Gostoso de 2019. o cinema potiguar não segue uma única fórmula. Há espaço para ficção científica, experimentação. O próprio cinema é o assunto de Com pouco mais de dez minutos, A produção também funciona A cultura e a memória também. O curta foi exibido em festivais e As cinco produções revelam que ma e documentário.

Em comum, os filmes têm a presença do Rio Grande do Norte como parte da narrativa, seja por meio das paisagens, dos personagens ou das histórias que dificilmente poderiam ser contadas da mesma maneira em outro lugar. Esse movimento ganhou força com a criação de iniciativas volta “Sideral”, de Carlos Segundo, é um dos curtas potiguares que ganharam destaque das à produção, preservação e circulação do audiovisual local. A Cinemateca Potiguar, projeto ligado ao Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), mantém ações de preservação e difusão de filmes e outros materiais audiovisuais. A Mostra de Cinema de Gostoso, realizada no litoral potiguar, também se tornou espaço importante para a exibição e discussão de obras produzidas no estado.

Nos últimos anos, novos realizadores passaram a ocupar esse circuito com curtas e longas que apresentam diferentes olhares sobre o cotidiano potiguar. São histórias que vão do sertão ao litoral, da ficção científica às tradições populares, e que ajudam a construir uma memória audiovisual do estado. Para o público, conhecer essas produções é também uma maneira de enxergar o Rio Grande do Norte por outros ângulos. Nas telas, lugares conhecidos podem ganhar novos significados, enquanto histórias aparentemente pequenas passam a fazer parte de uma narrativa maior sobre a cultura potiguar. 


Materia orignal disponivel em:

https://ocorreiodehoje.com.br/filmes-para-conhecer-o-cinema-potiguar/


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