segunda-feira, 30 de abril de 2012

A NUDEZ COMUM POR MATT BLUM

publicado em fotografia por | 10 comentários

“Um corpo nu na frente do espelho. Aquelas dobrinhas adoráveis, a celulite saltando aos olhos e pintas espalhadas em toda sua extensão. Sem maquiagem, nem truques, ali, exposta, pronta para mostrar toda sua beleza natural.” Esse poderia certamente ser o pensamento de uma mulher prestes a ser fotografada por Matt Blum, o fotógrafo da nudez comum. Conheça agora um pouco desse trabalho que faz bem aos olhos mas, principalmente, nos faz valorizar o corpo que temos como ele realmente é.

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© Matt Blum "The Nu Project".

Amar o próprio corpo não tem sido uma tarefa muito fácil atualmente. A cada dia que passa, a artificialidade tem sido mais valorizada, e o que vemos são mulheres de plástico, sambando orgulhosamente com seus silicones em nossa cara. Isso não é necessariamente uma crítica - cada um faz suas escolhas e se ter um corpinho esculpido à base de cirurgias plásticas é sinônimo de felicidade para alguém, não há o que dizer. Mas é fato que a beleza natural anda realmente desvalorizada. Não há como negar.

Em tempos em que os padrões de beleza se tornaram tão artificiais, é sempre reconfortante saber que ainda existem pessoas que valorizam e enaltecem um corpo comum. Sim, com suas celulites e gordurinhas localizadas, uma bunda mais reta ou seios pequenos. Reconhecendo o potencial de beleza natural das mulheres.

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

Com esse conceito de valorização do belo natural, Matt Blum começou em 2005, na cidade de Minneapolis, a série The Nu Project. O fotógrafo usa suas lentes para clicar mulheres em momentos cotidianos, sem poses forçadas, maquiagem, efeitos ou glamour. A ideia é mostrar o nu artístico de mulheres comuns. Sem distinção de raça, idade ou classe social, o fotógrafo recruta as modelos através de seu site e faz o trabalho de forma gratuita. O site já conta com três galerias entre cidades da América do Norte e América do Sul - entre elas, São Paulo - e Matt tem a pretensão de lançar um livro com suas fotografias.

O fotógrafo pretende voltar ao Brasil ainda em 2012 e fotografar novamente em São Paulo, além do Rio de Janeiro, Manaus e outra cidade que poderá ser escolhida de acordo com o número de interessadas.

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

Matt Blum é casado com a também fotógrafa Katy Kessler e os dois viajam o mundo fotografando casamentos, batizados e sessões diversas, além de fazerem nu artístico, obviamente.
Interessadas em participar da série The Nu Project podem se inscrever no próprio site do fotógrafo. Mas lembrem-se: é necessário ter mais de 21 anos.

Imagens gentilmente cedidas pelo fotógrafo.

Fontes: The Nu project, Erosdita por Julieta Jacob e Miguel Alho - Multimédia.

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

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© Matt Blum "The Nu Project".

gabrielasilva
Sobre a autora: petit gabi é uma pessoa comum, que gosta de escrever sobre coisas comuns, para pessoas comuns. Saiba como fazer parte da obvious.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2012/04/a_nudez_comum_por_matt_blum.html#ixzz1tWrmnNNB

PINTURAS CORPORAIS DE CRAIG TRACY

publicado em artes e ideias por | 60 comentários

Leva as técnicas de bodypainting a sério? Caso esteja a pensar numa resposta negativa, está na hora de mudar de opinião. Craig Tracy dedica-se inteiramente às pinturas corporais e abriu a primeira galeria de arte do mundo especializada no género. Veja as fotografias.

 Pinturas corporais de Craig Tracy

Provavelmente já todos nós somos familiares às técnicas de bodypainting, quando mais não seja pelos e-mails em cadeia que recebemos com pinturas corporais. No entanto, há que separar as águas: hás as pinturas dos artistas de rua que se fazem no verão para mostrar aos amigos na praia e há aquelas pinturas com potencial de se elevarem a arte. Craig Tracy é claramente um dos segundos casos.

As pinturas deste americano de Nova Orleães filho de pais hippies primam pelo fascínio que causam naqueles que lhes tomam atenção: desenhos perfeitos em modelos humanos que, por vezes, se confundem com as superfícies do cenário. O exemplo mais flagrante é a fotografia do leopardo desenhado metade nas costas de uma rapariga e metade na superfície que se encontrava por detrás dela. Conseguem ver a diferença? Mas há muitas mais imagens a descobrir...

 Pinturas corporais de Craig Tracy

Os pais de Tracy nunca tiveram dúvidas acerca da sua veia artística. Aos 16 anos, já trabalhava muitas horas por semana como ilustrador num centro comercial e formou-se em Belas Artes na Flórida, dedicando-se durante algum tempo ao ramo da publicidade.

No entanto, rapidamente descobriu que não era essa a sua vocação. Gostava de pinturas corporais, mas não levava o assunto a sério por pensar que não se tratava de arte. Após seis anos de relutância, aceitou finalmente que era bodypainting que realmente gostava de fazer e decidiu investir e instruir-se no género. Tornou-se coleccionador e, em 2006, abriu na sua terra natal a primeira galeria de arte do mundo especializada onde podem ser encontrados livros, vídeos, fotografias e todo o tipo de material. No World Body Painting Festival em 2005 ficou em primeiro lugar, repetindo a partir daí a sua participação todos os anos.

É ainda de notar que o processo criativo de Tracy é totalmente espontâneo: quando vê uma modelo, usa as suas formas para se inspirar, demorando por vezes 2 dias a planear a pintura e a interacção com o corpo; depois disso, demora até 9 horas a aplicar a tinta. O resultado está à vista.

 Pinturas corporais de Craig Tracy

 Pinturas corporais de Craig Tracy

 Pinturas corporais de Craig Tracy

 Pinturas corporais de Craig Tracy

 Pinturas corporais de Craig Tracy

Link

diana
Sobre a autora: diana guerra é normalmente zote, mas dizem que também se interessa por arte, cultura e essas coisas óbvias. Saiba como fazer parte da obvious.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2010/01/pinturas_corporais_hiperrealistas.html#ixzz1tWqJKafR

sexta-feira, 27 de abril de 2012

OPINIÃO- Até onde conhecemos o limite intrínseco na linha tênue arte-realidade?

Por Fabio Fernandes
A linha ténue entre arte e realidade nem sempre segue rumos divergentes. Recentemente tivemos um exemplo de que a Arte pode tornar-se “perigosa” se executada sem responsabilidade, falo de um caso que embora tenha passado despercebido em grande parte da mídia possibilita uma reflexão de grande significância, quando se trata em pensarmos o fazer artístico consciente.
Ator Tiago Klimeck (Internet)
O objeto de investigação pra esse texto está no caso que acarretou a morte do ator Tiago Klimeck de 27 anos, no dia 23-04-12, este sofreu um acidente de trabalho, em meio a apresentação de uma tradicional peça A Paixão de Cristo realizada em Itararé (SP). O que ocorreu de fato foi um enforcamento acidental do ator em cena, embora o rapaz tenha sido internado durante 17 dias na UTI, este não resistiu aos ferimentos e veio a óbito posteriormente.
Exposto os respectivos dados do fato, proponho discutir de que maneira a arte até então inofensiva, ganha uma nova realidade, até onde temos que “representar representando que representa”? Em meio à tão gritante aliteração, percebemos que o teatro está sendo “visto” com mais “realismo” e menos poesia, subjetividade e representação simbólica. Creio que se faz necessário conhecer o LIMITE entre a arte (abstração) e vida real. Não temos que cair em um cliché bobo de, por exemplo: representar a morte de Jesus com tamanho realismo, usar tinta pra representar sangue e dramaturgicamente seguir a mesma linha cronológica - Inicio, meio e fim.
Por que não assumirmos que o que está sendo visto é teatro, representação, metáfora? O que nos impulsiona a confundir a estética teatral com a pura realidade a ponto de proporcionar fatalidades como a que leva a temática desta reflexão? Será que é o fato de sermos românticos por excelência, e buscarmos o resultado da representação “perfeita” através da mera catarse? Por que temos que emocionar por dentro e não com o senso crítico? Estas são questões que nos leva a perceber que se faz necessário fazer teatro ou qualquer ação cotidiana primando pela responsabilidade à sã consciência das ações executadas.
Também faz parte desse limite, saber reconhecer os recursos técnicos disponíveis para a execução da peça (em especifico), questionando antes de tudo se há possibilidade de executar tal cena, se possuímos a experiência pra ação em questão, se sabemos o que estamos fazendo e se preocupando acima de tudo com a integridade física do ator e equipe técnica no decorrer do espetáculo.
No caso especifico o que pode ter ocorrido para essa fatalidade foi uma falha técnica. Não digo que estamos longe delas, embora saibamos que erros acontecem, como meio de reflexão, o que podemos fazer pra solucionara esses problemas? Será que não seria mais prático e seguro contratar o profissional técnico que detém o conhecimento necessário para sua execução e que conhece as normas técnicas de segurança? Até onde não o tornamos a arte uma fatalidade?
Não quero responder tais questões, até porque são processos diferentes que passamos nas entranhas artísticas, mas atento para nós produtores de arte, refletir sobre nossos processos, ler sobre segurança, estética, filosofia... Enfim, engrandecer nosso repertório, primar por uma arte crítica, que busque o belo sem ignorar o grotesco, e conhecendo o limite entre arte e realidade, buscar mostrar que o que se apresenta é um trabalho artístico com responsabilidade, segurança e ciência das ações executadas.
Portanto, proponho refletirmos o caso(lamentável) do Tiago Klimeck, sempre que formos montar uma obra, buscarmos a segurança e nos preocupar em executar a ação em sua essência poética, tomarmos cuidado pra não buscar um realismo que se confunde com a realidade, tudo em prol de um mero e momentâneo efeito catártico.

REFERENCIA