Um dia após a morte do cantor Jorge Michael, posto um clássico de sua carreira musical. Esta canção "Careless Whisper" embalou muitos momentos românticos pelo mundo, sua introdução ao som do saxofone inconfundível nos leva a ligar a musica diretamente ao artista. Saudades de quem admira uma boa musica.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
SOBRE MINHA NOITE NATALINA TOTALMENTE PROFANA. (Crônica)
Nada melhor do que sair da rotina.
Tumar uma, biritar, dançar, sair falando com quem você jamais falaria estando sóbrio, cumprimentar colegas du "fêicibuqui" que curtem até "bom dias" mecânicos, mas que pessoalmente jamais falaram "OI" ou te convidou pra tomar um café com bolacha, ou pro níver da cachorra vira-latas misturada com pitbull de feira.
Como é necessário pagar 35 contos numa vodka que na bodega custa 6,50? Como é necessário sair do mundinho certinho por uma noite, mesmo que ao chegar bêbado em casa a gente vomite e jure até pros céus que nunca mais vai misturar cachaça com gudang.
Crônica semanal
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
BRASIL: UMA CULTURA FEITA DE CULTURAS
Por Alícia Madrid
Os processos de
transformação cultural dentro da formação identitária do Brasil, segundo Darcy
Ribeiro: desde o início, somos impositores da lei que nos oprime.
A cultura está em constante mudança, basta olharmos para o passado,
mesmo que por um breve momento, para encontrarmos diferenças culturais entre as
gerações mais antigas e as que viveram posteriormente. Bauman (2012) acredita
que a cultura pode ser herdada ou incorporada, como um produto a ser consumido
por cada ser humano que nasce, e sendo uma propriedade, é passível de ser
“adquirida, dissipada, manipulada, transformada, moldada e adaptada.”
Laraia (2009) afirma
que a cultura é dinamica na medida que os homens “têm a capacidade de
questionar seus próprios hábitos e modificá-los” (p.95). O autor discorre sobre
dois processos de mudança cultural: o primeiro diz respeito à mudança que
ocorre intrinsecamente em um sistema, resultado da reavaliação das interações
sociais e produto das forças de protesto e das lutas de um determinado grupo social.
O segundo processo
ocorre através do choque entre culturas diferentes, situação na qual pode haver
uma aculturação civilizatória brutal e impositiva ou branda e sutil. Seja qual
for a natureza da influencia de uma cultura sobre a outra, o autor defende que
esse processo de transfiguração cultural existe em praticamente qualquer
cultura: o encontro entre sociedades difirentes sempre resultará em algum tipo
de intercâmbio cultural.
Durante toda a
história da humanidade observamos como o confrontamento entre culturas resulta
em uma luta de poder pela conquista não só de capital e recursos, mas também da
supremacia ideológica, o que se configura em vários aspectos sociais e áreas do
conhecimento. Poucas foram as culturas que, havendo dominado outra militarmente,
respeitaram-na e permitiram que os derrotados mantivessem suas crenças,
costumes e valores, enfim, sua cultura.
O Brasil não foi uma
exceção, porém, aqui, diferentemente da maior parte dos outros lugares do
mundo, houve uma intensa mistura entre culturas advindas de continentes
diversos. Tal mistura gerou as sementes que, nesta terra, dariam início ao povo
brasileiro. Desde então, nossa população se tornou cada mais um produto hibrido
que carrega não só os genes de índios, africanos e europeus, mas também a
bagagem histórica de supremacia e sofrimento vivida por eles ao chocarem-se em
si. Nas palavras de Darcy Ribeiro (2006):
“Todos nós, brasileiros, somos carne da carne dos pretos indios
supliciados. Todos nós brasileiros somos, a mão possessa que os supliciou. A
doçura mais terna e crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a
gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também
somos.” (p.108)
No momento em que a
cultura brasileira passou a se consolidar e os integrantes das três matrizes
culturais que a compunham começaram a efetivamente se ver como brasileiros, um
novo processo foi criado: o processo de mudança interna do recém-construído
povo brasileiro. Foi quando os primeiros brasileiros, diferentes em suas
raízes, mas majoritariamente uniformes em sua condição como oprimidos, “se
configura como um povo em si, que luta desde então para tomar consciencia de si
mesmo e realizar suas potencialidades” (RIBEIRO).
Nos séculos
seguintes, o povo nascente construiu e incorporou as características que hoje o
definem, agregou um pouco de cada matriz que o originou e, por isso, se tornou
único.
A duplicidade moral
defendida por Darcy Ribeiro tornou-se parte do que é a cultura brasileira,
carregada de estereótipos que buscam uniformizar uma gente tão complexa que dá
a impressão de unir vários mundos em um só país.
Com ideais de
igualdade e união, esperamos que o processo de endo-transformação cultural
aflore cada vez mais o lado humano e resiliente que nos faz ter orgulho da
terra onde nascemos.
Referências:
BAUMAN, Zygmunt.
Ensaio sobre o conceito de cultura. LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um
conceito antropológico. RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o
sentido do Brasil.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Fábio Fernandes pelas lentes de Everton Fernandez
Imagens: Everton Fernandez
O artista Everton Fernandez imprimiu em sua essência óptica e fotográfica, a sutileza de poder experimentar as possibilidades de transpor a imagem de um ator que vive a metamorfose cotidiana de maneira impar e singela. Permitiu despir-me da imagem "formada" pra suprir algumas necessidades imagéticas para a sociedade em detrimento dos padrões impostos para as formalidades cabíveis e pertinentes ao nicho social. O que se "esconde" pela imagem singela e invisibilizada talvez seja a ocupação de uma possível rebeldia natural.
Brincar com os signos sociais modifica uma certa expectativa imagética que o "outro" obrigatoriamente espera de si. Mas afinal, qual é o formato ideal, qual o perfil, qual a personificação que se encaixa com a comunidade? São divagações assim que estreitam as relações de autonomia das pessoas nos seus espaços de atuações.

Existe mesmo um tabu a ser quebrado em meio as formalidades? Será mesmo que é necessário ser cortês sem expressar o seu desafeto? Não sei, nem sabemos se essas divagações podem nos mover a formula da boa relação de si com o outro, ou outros ou até mesmo nós mesmos.
Sabemos, no entanto que no fim...
Tudo se perde na fumaça vital.
Expande-se. Some.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Projeto 4 Cantos - Sino de Belem
Como definir essa obra de arte?
"Simplesmente a perfeição".Saber retratar a diversidade cultural brasileira de forma sutil e rica, sintetiza o poder da arte representado pelo artista que pesquisa, discute, faz, refaz e finaliza com um tratamento desses. Parabens aos artistas e em especial ao diretor desse clipe Betão Aguiar. Este que realmente evidenciou a riquíssima cultura diversificada do nosso Brasil. Obrigado por mostrar que é possível fazer poesia em tempos difíceis. Obrigado! Estamos carentes de obras assim. Aguardo outros e outros trabalhos como esses!Autor da obra original "Sino de Belém": Ewaldo Ruy
Direção: Betão Aguiar
Produção Musical: Betão Aguiar e Chico Salem
Direção de Fotografia e Câmera: Arthur Roessle e Carina Zaratin Direção de Produção: Mara Zeyn
Roteiro e Montagem: Haná Vaisman
Assistente de Montagem: Cristian Bueno
3ª Câmera e Still: Samuel Macedo
Técnico de som Direto: Felipe Magalhães
Músicas Mixadas por: Gustavo Lenza no Estúdio Navegantes / SP Masterizado por: Carlinhos Freitas no Classic Master / SP
Gravado por: Felipe Magalhães e Chico Salem - Unidade Móvel Nagoma
Assistente de gravação: Silvio Carreira
Correção de Cor: Marco Del Fiol
Coordenação de Finalização: Milena Machado
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
A ROSA DO POVO E O POETA
A Rosa do Povo foi publicada por Carlos Drummond de Andrade. Esse ano foi, para o Brasil, muito movimentado no âmbito político, pois o Presidente Getúlio Vargas assinou um decreto que declarava guerra ao Império do Japão e, um pouco antes de Vargas renunciar ao cargo, em outubro, em setembro o Partido de Representação Popular foi fundado por Plínio Salgado.
Sob a ótica da história, podemos apreender que 1945 foi um ano que trouxe à tona muitas questões que mudaram o panorama político do Brasil, pois, para além dessas informações, era o momento em que estavam reestabelecendo-se relações diplomáticas entre a União Soviética e o Brasil.
Getúlio Dornelles Vargas (1882–1954) era o presidente neste período, aliás, foi presidente do Brasil em dois períodos. A primeira parte de seu mandato teve duração de quinze anos, configurados entre 1930 e 1945. Depois foi eleito por voto direto e governou o Brasil, como presidente da república, por três anos e meio, de 1951 a 1954, cometendo suicídio nesse mesmo ano.
Durante a primeira parte de seu mandato, período conhecido como Estado Novo (1937-1945), instaurou-se uma ditadura influenciada pelo movimento nazifascista que era representado por Hitler na Alemanha e Mussolini na Itália. O resultado disso foi sentido no Brasil através da Ação Integralista Brasileira, organização fascista liderada por Plínio Salgado.
É de extrema importância que se compreenda o panorama mundial de 45 para chegarmos a entender o porquê de A Rosa do Povo ser considerada, apesar de ser um livro de poesia, um dos maiores escritos de Carlos Drummond de Andrade, e que deve ser estudada não só a partir da ótica histórica, mas também da social.
Para Rabello e Rodrigues (2013 p. 129), Carlos Drummond de Andrade, em A Rosa do Povo, articula, por meio da palavra e da criação de um eu lírico habitante de um mundo em guerra, a construção de uma imagem do Brasil imbuída de teor histórico, dos anos finais da Segunda Guerra Mundial. O poeta descreve de forma melancólica a degeneração das coisas e dos homens em meio à consciência paralisante e à falta de perspectivas. Do chão forrado de cadáveres emerge uma rosa, numa representação da resistência humana.
Sabemos que Drummond era um questionador das coisas mundanas, conhecido como o poeta do “eu e o mundo”. Seu olhar e sua visão sobre as coisas eram inquietantes e ele escrevia muito sobre a sua família mineira, e sobre as relações políticas e pessoais como as que estabeleceu com Gustavo Capanema Filho (199-1985), ministro da educação e saúde pública do Brasil.
Seu pai montava à cavalo, cuidava da terra e ia para o Banco; enquanto a mãe ficava sentada cozendo. Drummond tinha um irmão, Altino, mas não podia brincar com ele. A mãe dizia para não acordá-lo, pois uma mosca havia pousado no berço do menino. Nosso autor, então, sozinho, começa a brincar e a ficar entre mangueiras, além de ler. De família vinda de fazendeiros, e sob o contexto social da época, a família de Drummond tinha influência na cidade, mas isso, para nosso autor, era de relativa importância.
A partir de frases como: "Por isso sou triste, orgulhoso, de ferro. 90% ferro nas calçadas e 80% ferro nas almas’’ ou ainda “(...) Alheamento do que na vida é porosidade e o que é comunicação”, podemos começar a entender o que Drummond tanto questionava e, principalmente, os motivos. Nosso autor, até onde sabemos, não teve amigos na infância e a família não ligava muito para ele, afinal, eram tempos nos quais a mulher ficava em casa cuidando dos filhos, e os homens saiam para trabalhar.
A família de Drummond tinha uma fazenda em Itabira do Mato Dentro (MG), o que era motivo para que pessoas observassem-nos com certo destaque. Durante sua passagem pela Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte, conhece, no Grande Hotel de Belo Horizonte, aqueles que, alguns anos depois, viriam a ser seus colegas na área da Literatura Brasileira: Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral.
Drummond estabeleceu poucas relações afetivas e profissionais, porém, formou uma família com Dolores Dutra de Morais, com quem teve dois filhos, Carlos Flávio, que morreu meia hora depois de vir ao mundo, e Maria Julieta, que morreu em 5 de Agosto de 1987, vítima de câncer. Drummond, muito fragilizado com a morte de sua filha, falece em 17 de Agosto do mesmo ano. Estes dados foram pontuais para compreendermos o poeta e o homem.
O poeta também se aproximou de Luís Carlos Prestes (1898-1990), militar e político brasileiro. Drummond tinha um apreço muito forte com o comunismo, sendo A Rosa do Povo considerada uma de suas obras mais politicamente engajada. Nessa obra, assim como em tantas outras, Drummond não se prende somente aos questionamentos sobre seu mundo particular e não se limita também ao Brasil e à sua cidade natal. Para além disso, Drummond sempre questionou os fatos mundiais, políticos e principalmente sociais, como faz seu poema “Operário do Mar”, publicado na obra anterior à Rosa do Povo, Sentimento do Mundo, publicação de 1940.
Referência: RABELLO, Ivana Ferrante. & RODRIGUES, Valéria Daiane Soares. E uma rosa se abre: a guerra e a flor na poesia de Drummond.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Walt Disney & Salvador Dali - Destino
Escondido nos Arquivos dos Estúdios Disney, estava um projeto de um curta com a arte de Waltey Elias Disney com Salvador Dali. Em meados dos anos 40, Disney esquematizou com Dali para promoverem um curta baseado em suas artes surrealistas. Porém Disney não tinha dinheiro o suficiente para continuar, então só foram produzidos 17 segundos do curta original.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Androide Sem Par e o clipe "Besteira"
Trilha Oficial do filme FOME
Direção: Cristiano Burlan
Atores: Juão Nin e Jean Claud Bernadet
Letra: Juão Nin
Música: Juão Nin/Diego Bezerra
Arranjo/Produção Musical: Emerson Martins
Produtora: Bela Filmes
Distribuidora: Vitrine Filnes
DISPONIVEL EM:
https://androidesempar.com/home8697044
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Eloy Cia Teatral & ARTEMANHA estreiaram suas peças.
Na ultima Sexta feira (22/07/16) As companhias teatrais da Escola Municipal Dr. Eloy de Souza estrearam suas montagens. Na casa de cultura popular, a população pode conferir as peças "La trupe del A.S Egypcio & La Moskytta" e a "Lenda de Chorosa", ambas, produções coletivas.
O teatro ARTEMANHA apresentou "A Lenda de Chorosa", uma história fictícia que mistura personagens imaginários. A peça se passa numa noite tenebrosa onde várias criaturas do além surgem numa próximo a uma casa abandonada, na qual vive vagando uma alma chamada Luana Assombrosa, ela procura por sua boneca Chorosa que na verdade é uma menina enfeitiçada. A história mescla humos e drama, e rebusca o imaginário popular dos misteriosos personagens mal assombrados.
Por sua vez a Eloy CIA Teatral, apresentou "La trupe del A.S Egypcio & La Moskytta". Uma comédia musical politicamente incorreta que aborda temas como a dengue e suas mazelas em meio ao cenário político atual do Brasil.
Os espetáculos entraram em cartaz e agora se preparam pra turnês pelo estado. Viva o Teatro!segunda-feira, 18 de julho de 2016
Sobre meu reflexo. - Fábio Fernandes
Sei
que muito se fala "o que vale é o caráter".
Pois
bem, o caráter é algo que subsiste de si mesmo, ou seja, se tem ou não. Porém atinge-se
um determinado momento em que chegamos a cair no senso comum de acreditar que
precisamos ser narcisistas, se amar acima de tudo e não ver nossos defeitos e
imperfeições físicas, externas e
socializadas; tanto, que exageramos nessa divagação adoradora de nós
mesmos. Vale a pena vivermos o que somos, nossa essência, bla, bla, bla e
muitos textos prontinhos... Mas e se nossa essência “apenas” não preencher
nosso ego? Não há como negar que nos achamos sempre especiais nesse território
vitalício, que atribuímos valores a nossas ações, que gostamos de elogios a uma
crítica perversa e necessária, mesmo que essa venha ser de natureza produtiva. Nos
escondemos muitas vezes em sorrisos amarelados, mecânicos e hipocritamente
afirmamos uma real felicidade.
Será
mesmo que estamos satisfeitos com nosso corpo, nossa aparência exteriorizada?
Porventura não seria melhor emergir das nossas zonas de conforto e tentar
reagir ao descaso e ao suvenir sedentário? Será mesmo que se nos despirmos dos
nossos egos infláveis vamos ser mesmo felizes e realizados apenas por sermos
portadores de caráter incontestável? Será
que nossa autoestima está em alta? Será que cultuar nossas carcaças nos torna
fúteis? São dilemas que queremos de certo modo ignorar.
Creio
que se soubermos dosar nosso intelecto e externar um contentamento de nós
mesmos, sem estar sendo artificiais pode nos ajudar a afirmar nossas
incapacidades e dificuldades de aceitar o plano mutável. Eu não penso estar bem
por certos momentos, a imagem relaxada e de certo modo esquecida torna-me um
ser pensante e que aceita o conceito de “beleza” apenas teoria filosófica e
como uma forma emergente de consolo. Até onde devemos buscar o caráter da
beleza? Será mesmo que somos seres felizes? Enquanto isso, seguimos a divagar.
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