quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

FABIO FERNANDES - Biografia em forma de cordel

 

BIOGRAFIA

Trinta de Janeiro de 1986, No hospital maternidade Aluízio Alves. Oito horas da manhã. Vem ao mundo Fábio Fernandes.


Na terra do cabugi
Onde todos nós vivemos
Um lajense apareceu
E nós o agradecemos
Pra fazer arte e poesia
Com carinho o recebemos.

Seu nome é Fabio Luiz
Da família dos Fernandes
Neto de seu Ludonias
Homem forte e incessante
Lá da fazenda Barreiras
Um lugar aconchegante

Filho de dona Raimunda
E de Francisco das Chagas
Viveram anos de seca
Tomando aguas salgadas
Pois não tinha adutora
pra cessar a sede amarga.


 

Com três anos de idade

Segue o destino comum

Pois a vida complicava

Emprego não tinha um

Seu pai na dificuldade

Foi embora pra Assu

 

Já na terra da poesia

Sustentou bem a família

Vendendo artesanato

E outras especiarias

Não tinha uma formação

Mas havia alegria

 

 

Observando seu pai

Vivendo a cada dia

Aprendeu a desenhar

E outras alegorias

Se expressava livremente

E até mesmo na poesia

 

Mesmo o pai sem formação

Foi quem o alfabetizou

Toda tarde rotineira

Ensinando dedicou

Pois o gosto de estudar

Foi seu pai que incentivou

 

No quintal de sua casa

Circo era a brincadeira

Vivia de palhaçada

Não havia outra maneira

De se descobrir que a arte

Era sua companheira

 

Na escola estadual

Conheceu a arte cênica

Um palquinho pequenino

Mas com grande eficiência

Interpretou um esquilo

Com tamanha eloquência

 

Uma infância dividida

Entre Lajes e Assu

Na terra do cabugi

Num apego incomum

Não esqueceu a origem

Chão querido só tem um

 

Já com 19 anos

Resolve ir estudar

Foi embora pra Natal

E queria se formar

Resolveu cursar teatro

Pra sua terra regressar

 

26 anos depois

Regressa a sua terra

Pra ensinar sua arte

À cidade que o carrega

Um lajense inovador

Com a arte em sua cela

 

Na escola Eloy de Souza

Criou grupo teatral

Ajudou a ganhar prêmios

E escola deu moral

Conquistou o festuern

Viajou até Natal

 

Ensinando a arte pura

Se encontrou na docência

Capacita cidadãos

A buscar a consciência

Lecionando todo dia

Cultivando a paciência

 

Hoje na nossa cidade

Olha lá o professor

É grato por todo mundo

Que e ele confiou

Regressar à sua terrinha

Que pra sempre o conquistou.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

RELATOS DE MINHA INFANCIA - (DIVAGAÇÕES)



Me chamo Fabio Fernandes, em 30/02 de 1986 eu nasci em Lajes no RN. Meus pais se chamam Raimunda e Francisco. Com relação a minha infância, logo pequeno vivenciei um pouco a minha família na cidade de origem, vivi em Lajes por pouco mais de 3 anos de idade, lembro de brincar na praça, nos canteiros floridos e de assistir TV na praça em frente a minha casa, na época era comum ter uma televisão nas praças, onde se reuniam pessoas pra assistir jornais, filmes e novelas. Isso era normal, uma vez que naquela época (década de 80) ter um aparelho de televisão a cores era artigo de luxo, o mais básico assistia em tv preto e branco.

No inicio dos anos 90 fui com minha família pra Assu. Meus pais sem qualificação e estudos pendentes e incompletos nos sustentavam com o que aparecia pra fazer, minha mãe sempre foi mulher do lar e meu pai fazia de tudo um pouco... Lembro que ele tinha um cachorro que se chamava Lupe, e era domesticado, fazia coisas que é atípico para um cachorro normal, coisas como rolar no chão seguindo comandos do dono, fazer compras com o dinheiro na boca, rodava, andava com duas patas, fingia de morto... E uma memoria que me marcou foi quando esse cachorro morreu, meu pai sempre o soltava com a corrente amarrada no pescoço pra passear na noite, certa vez ele pulou o muro do vizinho, a corrente enganchou e ele morreu enforcado no lado do vizinho, lembro de ver meu pai triste, cabisbaixo enterrando o cachorro. Isso me fez sentir afeto pelos animais. Também era normal na minha infância brincar de circo no fundo do quintal, fazer palhaçada, brincar de esconde-esconde, jogar bola na lama, tomar banho de chuva com os amigos e vivenciar uma infância sem muita violência, drogas explicitas e também sem celulares. Certo que não tínhamos tanta informação como as crianças de hoje tem, porém vivíamos num nível de inocência maior. A vida era mais palpável, real e menos virtual.

Na TV era comum assistir desenhos animados e ir pra escola e comentar sobre os episódios e personagens, meu sonho era poder assistir animes na TV Manchete, pois só podia acessar esses canais se tivessem antena parabólica, outro objeto disputadíssimo, o rádio era nosso relógio e telefone mantinha-se como artigo de luxo. Conforme o tempo passou aprendi que hoje em dia as crianças não respeitam mais a hierarquia, não chama os mais velhos de senhor e senhora, não dizem obrigado, bom dia, boa tarde e boa noite e acima de tudo, não vivem na coletividade pois estão presas na ilusão da virtualidade, vivendo numa grande solidão.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

ARTE CRISTÃ PRIMITIVA


A Arte Primitiva Cristã foi muito importante para o que hoje em dia temos como simbologia do processo e reformulação do cristianismo na sociedade atual.  Esta que divide-se em dois principais períodos históricos; O antes e depois do reconhecimento do Cristianismo como religião oficial do Império Romano.
Até esse reconhecimento e conversão, foram mais de 350 anos de reação ao que se ligara ao cristianismo. O reconhecimento do deste segmento "cristão" como religião oficial do Império Romano só irá ser feito no contexto do Édito de Milão no ano 330 pelo imperador Constantino. Daí então, se encandeará uma nova visão acerca da arte oriunda do segmento cristão.
Trocando em miúdos, o que foi afinal a arte cristã primitiva? Podemos concluir que a Arte Cristã Primitiva nada mais é do que o conjunto de manifestações artísticas produzidas pelos primeiros cristãos entre os séculos I e IV d.C., durante o período em que o Cristianismo era proibido no Império Romano. Também reformamos a tese de que essa arte não nasceu com a intenção de ser estética ou decorativa, mas sim como uma linguagem visual simbólica de fé, esperança e resistência.

- A Fase Catacumbaria
A fase anterior ao reconhecimento chama-se Catacumbaria, porque as suas principais manifestações ocorreram nas catacumbas, que por sua vez eram cemitérios subterrâneos, constituíam-se como verdadeiros hipogeus, nos quais os primeiros cristãos sepultavam seus mortos e mártires. Esta fase, estende-se do século I até o início do IV, precisamente ao Édito de Milão.
A fase catacumbaria, corresponde, portanto, à época das perseguições movidas aos cristãos, com maior ou menor intolerância e crueldade, por imperadores romanos. A perseguição desenvolvia-se praticamente em todo o Império, em algumas partes com mais brandura, especialmente em certas regiões da Ásia Menor, nas quais houve mesmo tolerância com a nova religião, que se misturava com velhos cultos pagãos locais, vindos dos egípcios e caldeus. Por isso mesmo, ali são mais precoces as transformações da primitiva arte cristã.
Uma observação importante, é entender que as primeiras manifestações artísticas dessa estética foram feitas por pessoas simples, (cristãos unidos na fé) e não por grandes pintores da época. Isso faz com que , as primeiras obras de arte desse segmento, se mostrem com aspectos simples e grotescos.

- A Fase Cristã Primitiva (paleocristã)
A fase posterior ao reconhecimento, quando o Cristianismo deixou de ser perseguido e substituiu, oficialmente, entre os romanos, as crenças do paganismo, tem sido determinada Arte Latina por alguns historiadores. Deve ser chamada, porém, de modo mais adequado, Arte Cristã Primitiva propriamente dita.
Essa fase, Arte primitiva Cristã, desenvolve-se dos anos de 330 ao de 500, quando as artes do Cristianismo começam a dividir-se em dois grandes ramos - um oriental e outro ocidental. Sendo então conhecida como fase oficial da arte cristã. Assim, contribui-se para a evolução dos estilos, mais adiante com a arte bizantina, a gótica a barroca a as demais estéticas ligadas a fé cristã e aos atributos artísticos do segmento.





quarta-feira, 13 de novembro de 2019

LAJEDOS DE MIM



Aqui entre os rochedos
Planto uma nova história.
Numa terra tão deserta
Que é digna de glória
Dou inicio a uma fazenda
Que ficará na memória.

Abro então o meu terreno
Ao povo necessitado
Gente brava, lutadora.
De presente e passado
O Rio Grande do Norte
É o chão presenteado

Entre as pedras e lajedos
Inicia a empreitada
Adentrando a caatinga
Por nós admirada
Será Lajes, a querida.
Uma terra encantada.

Bem próximo ao cabugi
Referencia importante
A cidade foi crescendo
E ficando elegante
Região localizada
Na barriga do elefante



A terra do Cabugi
Pro caixeiro viajante
Abrigava com carinho
Esse povo tão marcante
No inicio da historia
Se torna bem importante

Na união caixeiral
No caminhão da cobal
Nos trilhos desse progresso
O crescimento é geral
Aqui passa BR
Chegando lá em até Natal

Lá no mercado central
Tem muita mercadoria
Tem bebo chato roendo
Meiota de noite e dia
Pode até não ter dinheiro
Mas não falta alegria

Por aqui também viveu
Homens de grande valor
Como Raul Capitão
Papa Sebo, aboiador
E coronel Juvenal
Outro grande morador

Dona Nonosa, Carolina
Totó de Sebo e Paixão
Como o brilhante Beluca
Que é sem comparação
Vou citar até mais gente
Quelé e Chico Pilão

Minha terra tem idoso
Com grande desenvoltura
Que preserva a família
Popular e com bravura
O Senhor e a senhora
Fazem parte da cultura

Itaretama, lugar de pedras.
Bem na região central
Nas trilhas da ferrovia
Levava pedras de sal
Para vários os lugares
Saindo lá de Macau

Politicamente séria
A cidade aumentando
Crescendo pra  todo lado
De vagar se completando
Pois a mulher pioneira
Foi Alzira Soriano

Arrebentou o machismo
Mostrou que a mulher podia
Ter voz em meio a todos
Com grande sabedoria
Representou nossa terra
Com tamanha maestria.

Primeira prefeita eleita
Mostrou que a mulher é forte
Também pode se mostrar
Competência sem ser sorte
Nas paginas de nossa historia
Honra o Rio Grande do Norte

Desse tempo para cá
Muita coisa aconteceu
Os trilhos da ferrovia
A ferrugem envelheceu
Não há mais pedras de sal
Mas ninguém se esqueceu

Aqui as vezes faz sol
Aqui as vezes cai chuva
Aqui é uma terra árida
Montanha de bico pontuda
E o povo sempre clamando
Pedindo a deus que acuda

A serra do feiticeiro
O pico do cabugi
Bico torto e Caraúbas
São terras que tem aqui
Barreiras e salgadinho
Lembranças de que vivi

Uma infância diferente
Celular não tinha não
Brincadeira lá na praça
Com uma televisão
Chico Pereira vigia
Com um chicote na mão

Na cidade do lajedo
Agua veio com fartura
Deixando de ser salobra
Para toda criatura
Viva aquela adutora
E também a água pura

A cidade enfim cresceu
Muita coisa acontece
Pessoas aqui visitam
Alguns até com prece
Agradecem por viver
Nessa terra do Nordeste

Quem diria que a terrinha
Seria lugar querido
É solo abençoado
Um povo forte e amigo
Sou feliz em ser lajenses
Isso eu digo e repito.

Lajes e sua grandeza
Não cabem aqui no cordel
Transcrevi com poucos versos
O que sinto pro papel
Essa terra é poesia
É o ouro do anel

E se acaso me encontrar
E eu negar o meu lugar
Eu vou ter que te falar
Pra você memorizar
Lajes é a poesia
É riqueza potiguar.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

A FESTA DO BOI - FABIO FERNANDES



A FESTA DO BOI

A cultura popular
É rica em poesia
É forró, xaxado e frevo
Com tamanha maestria
É fandango e reisado
Folguedos de alegria

Boi de reis e boi calemba
Boi bumbá, boi de mamão
Simbolizam animais
Dos vaqueiros do sertão
Vou falar para vocês
A base da tradição

Reza o dito popular
Que havia uma fazenda
Tinha um boi dançador
É verdade não é lenda
Se chamava boi Estrela
Preste atenção e aprenda

Lá um casal de escravos
Trabalhava na fazenda
Pai Chico, vulgo Mateus
Era bom de encomenda
Catirina sua mulher
Preste atenção e entenda

Catirina tava prenha
Mesma coisa de gravida
Começou a ter desejo
Coisa doce e amarga
Logo grita por Mateus
E disse o que se passava

Mateus sem perceber
O tamanho do problema
Foi tirar uma brincadeira
Pois o nego não se emenda
Falando pra Catirina
Iniciando a contenda

Meu amor minha querida
O que você quer comer?
Banana, uva, limão
Diga que eu vou trazer
Pra você não me estressar
E o nosso filho nascer

Mateus seu engraçado
Deixe de patifaria
Estou  sentindo um desejo
Pra sair dessa agonia
O que eu to desejando
Vai lhe botar numa fria


Numa fria já estou
Olhe o que aconteceu
Um namoro apaixonado
Entre nós aconteceu
Um bebê você espera
O menino é mesmo meu?

Catirina se estressou
Com o que disse Mateus
Era “braba” que nem peste
Até “Pelamor” de deus
“Não mexa com uma buchuda”
Veja o que aconteceu

Me respeite seu cabra
Ta pensando o que de mim?
Sua boca nunca abra
Pra dizer uma coisa assim...
É claro que o filho é seu
Ou será do Zé Mudim?

Tô buchuda e desejando
Algo bom para comer
É uma coisa especial
Logo tu vai entender
Quero a língua do boi
Para me satisfazer


Mateus se aliviou
Com o que disse Catirina
Foi saindo de fininho
Enrolando a esquina
Comprar um quilo de língua
Na bodega pequenina

Catirina então falou
Que prestasse atenção
Seu desejo pela língua
Do boi sem comparação
Se chamava boi estrela
Preferido do patrão

Que loucura Catirina
Como vou matar o boi?
E tirar sua língua fora
Bom Jesus que me perdoe!
O patrão manda matar
Quando descobrir quem foi

Nessa peleja danada
Com o boi aconteceu
Mateus com sua peixeira
O estrela enlouqueceu
De uma facada medonha
Foi que o animal morreu


A língua do boi estrela
Catirina cozinhou
Saciou o seu desejo
E a fome se passou
Mas a falta do estrela
O fazendeiro notou

Eita bexiga taboca
Me diga quem foi que viu
O meu boi preferido
Mais querido do Brasil
Me ajude a procurar
Boi estrela que sumiu

Mateus log percebeu
O tanto da confusão
Pois matou o boi estrela
Preferido do patrão
Sabia que o fazendeiro
Não lhe daria perdão

Então logo pensou
Na possível solução
Pra tirar dessa agonia
E livrar seu coração
Da ira do fazendeiro
Mais temido do sertão

Conhecia um pajé
Pelo nome Raony
Convidou para dançar
O seu ritual Tupy
Começou a pajelança
Da tribo dos Guarany

Logo o boi ressuscitou
Dançando com alegria
Um festejo popular
No qual alegrava o dia
Vamos ver o boi dançar
Um reizado pra Maria

São José e o menino
Que na bíblia se revela
Sou Mateus de Catirina
Essa minha esposa bela
Vou rezar agradecendo
Pelas bênçãos na capela

Pai Mateus livrou da surra
O bebê logo nasceu
O patrão ficou feliz
Uma festa prometeu
E o boi pelo pajé
Pela dança reviveu.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

INCÊNDIO NA FLORESTA - (Cordel) - FÁBIO FERNANDES




Certo dia na floresta
Um incêndio aconteceu
Disseram que foi o homem
Que esse fato sucedeu
Vou contar bem detalhado
Como o fogo ocorreu.

Começou numa fagulha
Que um cigarro apresentou
Bem no mêi do mato seco
Que a piúba então tocou
Aos poucos o fogaréu
Na floresta se formou

Logo logo a correria
Pelos bichos lá na mata
Tava tudo assustado
Como o fogo se alastrava
Quanto mais passava o tempo
Mais a chama se aumentava

De um lado para o outro
Foi grande a correria
Era peba-tatu e téjo
Onça, cobra e até gia
Corre-corre era fatal
Uma grande agonia

No meio do corre-corre
Um pequeno animal
Fazia a rota inversa
Voltava pro matagal
Os bichos não entendiam
 Aquele retorno fatal

Um pequeno beija-flor
Voltava apavorado
Com o bico cheio d’água
Parecia tão cansado
Gotejava na fogueira
Tava sendo ameaçado

Depois ele retornava
Ao riacho a pegar água
Com o seu pequeno bico
Já não mais se apavorava
Retornava a fogueira
E os poucos se apagava

Bicharada percebeu
A ação do beija-flor
-Deixa disso passarinho
Alertou o Dom. castor
É loucura apagar fogo
Porque ele se alastrou


O macaco atordoado
Não entendeu o pequeno
Voando pra todo lado
Enfrentando aquele incêndio
Pulava de galho em galho
E via bicho morrendo

Logo o macaco pensou
- Eu não posso entender
Que um pequeno beija-flor
A mata quer socorrer
Largue disso pequenino
Pois assim tu vai morrer.

Rastejando o jacaré
Com tamanha covardia
Sabia que até na água
Tava ruim de moradia
Pois o fogo apertava
Por toda a cercania

Velha onça ali fugia
E levava a família
Nesse momento a brabeza
Té então não existia
Valentia da felina
Até ela esquecia


Cascavel, surucucu
Jararaca e sucuri
Rastejavam tão ligeiro
Com ajuda do sagui
Era presa e predador
Tudo tentando fugir

Tamanduá bandeira
Foi embora com as formigas
Já perdera o apetite
Por aquelas pequeninas
Um incêndio na floresta
As tornaram mais amigas

Enquanto o fogo pegava
Beija-flor continuava
A tentar conter o fogo
Mais e mais se espalhava
Pegar água com o bico
O pequeno não cessava

Javali não aguentou
Beija flor interrogou
Pare, pare pequenino!
Fogaréu não se apagou
Esse fogo é gigantesco
Ou será que não notou?


- Me desculpe beija-flor!
Devo entrar nessa porfia
Pra dizer que o javali
Tem razão no que dizia.
Disse o lobo atrevido
Que então se intrometia

- Somos todos bem maiores
Podemos cessar o fogo
Mas decidimos fugir
Ao fazer papel de bobo
Saiba que é impossível
De você virar o jogo

O pequeno beija-flor
Logo resolveu falar
- Sei que sou bem pequenino
Para o fogo apagar
É uma missão difícil
Isso posso confirmar

Mas no meio do  incêndio
Todos estão a correr
Fugindo com todo espanto
Pra poder sobreviver
Eu não tenho porte grande
Pra esse fogo conter


Com o meu pequeno bico
Vou ao riacho pegar
Suaves gotas de água
Para o fogo apagar
Eu arrisco minha vida
Para a de todos salvar

Todo mundo percebeu
Que o pequeno voador
Sozinho, quem reagiu
Ao fogo devorador
Para a fauna, covardia.

Orgulho do beija-flor.