por Fernanda Pacheco
A imagem que aparece é do Caravaggio, mas aqui o assunto será sobre Édouard Manet, o pintor impressionista que inovou a maneira de produzir arte sem precisar se esforçar.
Grandes pintores como o espanhol Diego Velázquez (1599 - 1660) e o italiano Caravaggio (1571 - 1610) são reconhecidos por terem realizado obras com muita profundidade, volume e traços praticamente realistas. São remanescentes da arte renascentista, lembrando que ambos pertenceram a momentos diferentes, no caso do Caravaggio que gerou sua própria categoria: o Caravaggismo.
As Meninas de Velázquez, 1656.
Amor als Sieger de Caravaggio, por volta de 1600.
É a partir do pintor francês Édouard Manet (1832 - 1883) que a arte passa a romper com o estilo clássico, mas não totalmente como mostrarei mais adiante. Ano passado tive o prazer de fazer algumas aulas com o crítico de arte Rodrigo Naves e ele foi mostrando como Manet soube inovar, sendo um dos principais nomes do Impressionismo.
Édouard Manet - In the conservatory (1879)
Na época, pintar pessoas de costas, conversando, apoiadas, enfim... Em posições assim, cotidianas, era um alvoroço! Quase uma ofensa à pintura clássica. E se não bastasse isso, Manet resolveu escandalizar quando fez sua versão do quadro A Vênus de Urbino do pintor italiano Tiziano, grande representante da escola renascentista. A inspiração veio daqui:
A Vênus de Urbino (1538) do italiano Tiziano
E Manet fez a partir dai sua versão, a Olympia:
Olympia (1863)
Na época o quadro foi considerado um escândalo! Como um pintor poderia se atrever a pintar algo tão ofensivo? Trocar Vênus por uma... Prostituta? Há indícios de que a Olympia fosse uma delas através de elementos como os tamanquinhos nos pés, a negra entregando flores que seria um agrado de algum pretendente e o gato preto. Além de detalhes bobinhos como o lacinho no pescoço. A pintura, quase plana quando comparada com a de Tiziano foi desprezada por muito tempo. Manet tinha essa mania de pegar uma imagem clássica e incorporar em seus quadros impressionistas. Abaixo mais um exemplo:
O julgamento de Paris (gravura de 1520) – Marcantonio Raimondi.
Almoço na Relva (1863) - Manet.
A princípio a gente pode até achar que uma coisa não possui nenhuma relação com a outra, mas veja só o recorte abaixo, destacando um pedaço da gravura inspirada no outro renascentista, Rafael:

Pois é, senhoras e senhores. A questão aqui não é considerá-lo um plagiador, copiador ou qualquer outra coisa do gênero. Quem conhece as obras dele sabe de sua genialidade. O que vale ser reforçado é que além de desconstruir o jeito clássico de se fazer arte, Manet soube como ninguém provocar e ousar na hora de realizar suas obras. Acredito que seja uma grande realização para um artista chocar, causar espanto, ir contra a maré...

Artigo da autoria de Fernanda Pacheco.
É estudante de História, tem 19 anos e aprecia uma boa e velha miscelânea cultural digna de flâneur. .
Saiba como fazer
parte da obvious.
Leia mais: http://lounge.obviousmag.org/cafe_amargo/2012/06/grandes-pintores-como-o-espanhol.html#ixzz1zTHUwpbW