terça-feira, 30 de julho de 2013

A CULTURA POP INVADE AS PINTURAS CLÁSSICAS

Por 

Já imaginou os Muppets em um quadro de Rembrandt? Ou Freddy Krueger no famoso "Café Terrace at Night", de Van Gogh?
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"The Pizza Eaters", reinterpretação de "The Potato Eaters", de Vincent Van Gogh.

Já vimos aqui este tipo de trabalho ousado: acrescentar elementos pop à arte clássica. Agora é a artista Hillary White quem reinterpreta algumas pinturas clássicas com personagens da cultura pop. Confira alguns de seus trabalhos.

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"Temptation of Robin", reinterpretação de "Temptation of Christ", de Ary Scheffer.

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"The Anatomy Lesson of Mr. Bird", reinterpretação de "The Anatomy Lesson of Dr. Nicolaes Tulp", de Rembrandt.

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"Internet Memes in a Landscape", reinterpretação de "Chaste Women in a Landscape", de Giovanni del Fora.

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"The Garden of Muppetly Delights", reinterpretação de "The Garden of Earthly Delights", de Hieronymous Bosch.

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"Vader and Unicorn", reinterpretação de "Virgin and Unicorn", de Domenichino.

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"Voltron dans les Coquelicots", reinterpretação de "Les Coquelicots", de Claude Monet.

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"Nightmare at Café Terrace", reinterpretação de "Café Terrace at Night", de Vincent Van Gogh.

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"Beaker Slaying Honeydew", reinterpretação de "Judith Slaying Holofernes", de Artemisia Gentileschi.

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Artigo da autoria de rejane borges.
gosta das cores de folhas secas ao chão. E das cores das folhas velhas dos livros..
Saiba como fazer parte da obvious.

VAN GOGH E O ELOGIO A LOUCURA

por 


Apesar de fazer parte de uma nova categoria de artista que surgiu no século XIX, o louco solitário, Van Gogh não foi o único. As mudanças do século XIX resultaram em uma nova perspectiva do indivíduo em relação à sociedade. Para os artistas os novos tempos resultaram em percepção desesperadora e vazia da realidade, onde o que anteriormente era concreto e absoluto desmoronou. Deus morreu, a esperança no homem esmorece, a razão domina e tudo o que resta, para o indivíduo artista é o mundo dos sentimentos, o mundo da expressão.
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© Vincent Van Gogh, "Restaurante De la Sirene em Asnieres", (Wikicommons).

“O que sou eu aos olhos da maioria das pessoas? Uma não entidade, ou um homem excêntrico e desagradável – alguém que não tem e nunca terá posição na vida, em suma, o menor dos menores. Muito bem, mesmo que isso fosse verdade, devo querer que o meu trabalho mostre o que vai no coração de um homem excêntrico e desse joão-ninguém.” - Carta de Vincent ao irmão Théo (21 de julho de 1882).
Pelo trecho da carta destinada ao irmão fica claro que Vincent van Gogh se sentia deslocado na sociedade e tinha necessidade de inserir-se de alguma forma nela.
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© Vincent Van Gogh, "Girassóis", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Cabanas de colmo", (Wikicommons).

Vincent Willem van Gogh, nascido em 1853, foi mais que um pintor perturbado. Muito se escreveu sobre o artista, foram feitas análises de sua doença, de suas cartas e obra. Vincent é parte do imaginário popular do artista moderno que vive, enlouquece, definha e finalmente morre por sua arte. A ideia do artista excluído da sociedade, que enxergava além de seu tempo, incompreendido por seus contemporâneos, tem como reverso o valor de suas obras, vendidas hoje por milhões de dólares, para serem armazenadas em cofres ou acervos, longe dos olhos do grande público. Justo Vincent, que ansiava tanto que sua obra fosse vista e compreendida por todos.
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© Vincent Van Gogh, "Pasto em flor", (Wikicommons).

Os felizes proprietários de "van goghs" fazem discursos decorados sobre os motivos que o levaram a cortar sua orelha ou dados sobre sua vida, palavras colocadas de forma determinante a entender a obra e a vida do artista. Muitas foram as coisas que Vincent tentou fazer e em todas procurou adquirir conhecimento. Tudo o que tentou proporcionou uma experiência que o auxiliou mais tarde: vendedor de artigos de arte, professor e até mesmo pastor foram os caminhos que tentou trilhar e, no momento em que descobriu que a arte seria sua profissão, esperou ser reconhecido através desta tanto por sua família como pela sociedade.
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© Vincent Van Gogh, "Pontes que atravessam o Sena em Asnieres", (Wikicommons).

O pintor holandês foi influenciado por Hals, Rembrandt, Seurat e pelo japonismo. Primogênito de uma família tradicional de origem calvinista, acabou por suicidar-se (teoria já posta em cheque na atualidade). Em sua busca por estabelecer-se na sociedade passou por diversas profissões: de pastor radical, fiel aos princípios da Bíblia, a pintor da natureza, amante do cachimbo, do absinto, das prostitutas. Deus foi substituído pela arte. Van Gogh assimilava em sua técnica as questões estéticas dos movimentos artísticos que surgiram no período, adaptando-os ao seu estilo. Suas investigaçõesartísticas resultaram em uma imensa obra que influenciou de forma profunda a arte do século XX.
Sempre ansiou por estabelecer relações pessoais duradouras com a família, amigos, com pessoas em seu entorno. Porém, apenas seu irmão Théo se manteve do seu lado ao longo de sua vida atribulada. De sua grande produção epistolar (cerca de 800 cartas), a primeira e a última foram destinadas ao irmão. Com ele mantinha uma relação intensa - com desentendimentos, apoio mútuo, grande intimidade. Muito mais que irmãos, Vincent e Théo eram complementares.
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© Vincent Van Gogh, "Restaurante De la Sirene em Asnieres", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, Auto-Retrato, (Wikicommons).

Meses antes da realização do retrato acima, em 1889, Vincent esteve mergulhado em meio uma crise de loucura, uma das muitas que se tornaram recorrentes após o conhecido episódio da orelha cortada, tão marcante para o reconhecimento do artista na cultura popular. Pouco conhecido pelo grande publico, esse foi um de seus últimos auto-retratos e também o único no qual o pintor se representou com sua orelha amputada. Além disso, o rosto apresenta aparência de cansaço. O retrato foi pintado em camadas grossas de tons cor de terra, não há cores fortes e vivas e há diferenças no uso da luz - como se o autor tivesse perdido suas esperanças. Esse retrato não tem mais o otimismo dos primeiros autos-retratos. Enfraquecido, com a barba por fazer, extenuado pela longa caminhada que se tornou sua existência, talvez esperasse apoio e atenção materna, que ansiava desde o começo das crises, mas que há muito não tinha. Encontrava-se perto do fim de sua trágica existência.
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© Vincent Van Gogh, "Árvores num campo, em dia solarengo", (Wikicommons).

Entre os anos de 1880 e 1885, Vincent procurou desenvolver sua técnica. Como não tinha condições financeiras e nem vontade de entrar em uma academia, iniciou seus desenhos baseados em cópias de obras famosas e manuais de desenho que seu irmão lhe enviava. Théo indicou o jovem pintor Anton van Rappard, de quem Vincent ficou amigo, em Bruxelas. Vincent aprendeu com ele conceitos básicos de pintura, como a perspectiva. Apesar das insistências constantes de seus pais para que conseguisse um emprego estável, o jovem holandês dedicou-se a uma última empreitada: tornar-se pintor. Nos dez anos em que pintou, Van Gogh produziu cerca de 800 quadros, além dos desenhos e águas fortes.
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© Vincent Van Gogh, "Ramos de castanheiros em flor", (Wikicommons).

Após a morte de Théo, a esposa deste, Johanna van Gogh, tornou-se detentora de toda a obra de seu cunhado Vincent. Em meio a esta herança, estavam a primeira carta escrita pelo pintor em 1875 e a última encontrada em seu bolso em 1890, no dia de seu suicídio, ambas destinadas a Théo. A jovem viúva e mãe administrava seu tempo entre o trabalho, os cuidados com o filho e a catalogação da obra plástica e escrita de seu cunhado. No inicio do século XIX, esses escritos pessoais que abarcavam os diários, as autobiografias e até mesmo biografias que faziam sucesso entre o público, criando um verdadeiro mercado de “vidas” que passaram a ser públicas, ganhou força principalmente pela crescente ideia de que o conhecimento sobre a vida do autor auxiliaria o entendimento da obra deste. Os próprios intelectuais valorizam sua produção guardando-a ou doando-a a instituições. Como médicos e alienistas acreditavam que escrever ajudava a tratar ou amenizar os distúrbios mentais dos indivíduos, preservavam toda essa produção de seus pacientes para estudos dos casos e/ou publicação deste material.
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© Vincent Van Gogh, "Noite estrelada", (Wikicommons).

O diálogo travado entre Vincent e seu irmão Théo estava além do comunicativo; as cartas eram repletas de informações íntimas compartilhadas apenas com o irmão, incluindo seus medos e temores sobre o futuro devidoà progressão de sua doença. Algumas vezes, informações triviais sobre o dia-a-dia poderiam parecer banais, mas é nesse ato de escrever sobre si que o homem moderno se constróis e descobre quem é: através das linhas deixadas no papel, principalmente quando esse homem está num dado isolamento, conseqüência de seu afastamento da sociedade tradicional burguesa. Suas cartas revelam um homem e um artista que busca aceitação, mas não se enquadrava nos padrões do seu tempo e do seu meio. Um ser deslocado.
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© Vincent Van Gogh, "Natureza morta de arenque defumado sobre papel amarelo", (Wikicommons).

Toda a correspondência de Van Gogh é uma forma de auto-expressão, juntamente com suas obras. Quando não estava pintando freneticamente, Vincent escrevia. O conteúdo da correspondência de Van Gogh revela seu processo criativo. Vincent comentava como suas telas e cores iam surgindo, descrevendo-as e analisando-as. Ele enviava a Théo os esboços das obras que estava pintando, dando ricos detalhes sobre o tema e a origem da ideia e cores usadas. Através da extensa correspondência percebemos a recriação da realidade que Vincent realiza em suas obras, uma reorganização que transformava o que se via no que se sentia, através das cores. Por meio do ato de escrever para o irmão, o artista iniciava o processo de concretizar o que captava do mundo exterior. Era ali que os sentimentos de Vincent e a realidade que o cercava encontravam uma unicidade. Nas cartas é possível constatar como Vincent era detalhista e minucioso - é possível visualizar a produção de sua obra.
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© Vincent Van Gogh, "Semeador", (Wikicommons).

Nunca um artista deixou tanto material sobre seu processo criativo, sua perspectiva sobre o futuro e suas idéias sobre a arte quanto Van Gogh. Como vemos, não é um documento neutro. Permite compreender o artista deste período: o artista que não está nos meios acadêmicos, o indivíduo do século XIX, cada vez mais isolado em um mundo onde as relações interpessoais sofreram grandes transformações. Os conflitos constantes o fizeram se afastar cada vez mais da família e apegar-se a uma espiritualidade exarcebada, talvez sua última tentativa de aproximar-se do pai. Porém, o patriarca da família Van Gogh faleceu antes do fim dos conflitos e o pintor substituiu Deus pela natureza, que dominou suas telas a partir de Arles.
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© Vincent Van Gogh, "Colheita em La Crau, ao fundo o Montmajour", (Wikicommons).

Contudo, a esperança nunca abandonou sua vida. Quando se mudou para Paris buscava conhecimentos, diálogos e mudanças. Encontrou um mundo em ebulição social, econômica e cultural. Em Arles buscava o mundo japonês que havia conhecido na cidade-luz e também construir uma comunidade de artistas que estivessem preocupados realmente com a arte. O oposto da comunidade de artistas que encontrou em Paris, mais preocupados com a vida boêmia regada a mulheres e álcool e que apenas discutia, sem realmente realizar algo. Como é sabido, seus planos falharam. Desde esse momento, a solidão tomou conta de sua vida de artista, ao mesmo tempo que sua arte se desenvolveu. Cores fortes e vivas, formas dinâmicas invadem seus quadros - e seus problemas de saúde mental também se desenvolvem.
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© Vincent Van Gogh, "Três cabanas brancas em Saintes Maries", (Wikicommons).

O final da história é conhecido por todos. Alguns consideram o suicídio do artista seu último grito de loucura, outros o encaram como uma tentativa final de se tornar um mártir da arte em uma vida que há muito já se caracterizava pela abnegação. De uma maneira própria, Vincent Van Gogh era um artista ligado a seu tempo e percebeu os indícios de mudanças que outros indivíduos da sociedade apenas acompanhavam. Tradição e modernidade estão presentes em sua vida pessoal e em suas obras: a solidão do homem que buscou atender suas necessidades próprias, assim como a necessidade de sentir-se inserido em algum lugar na sociedade.
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© Vincent Van Gogh, "Paisagem sob um céu de tempestade", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Rua da aldeia e escadas em Auvers", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Casas em Auvers", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Cabanas de colmo em Cordville", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Planície perto de Auvers", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Feixes de trigo", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Árvores perto da Estação de Arles", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Ponte Gleize sobre o Canal de Vigueirat", (Wikicommons).

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© Vincent Van Gogh, "Árvores de damascos em flor", (Wikicommons).

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carolina carmini gosta de pensar que se não tivesse nascido, alguém a teria inventado. Saiba comofazer parte da obvious.


Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2013/07/van_gogh_e_o_elogio_a_loucura.html#ixzz2aXVXXfw6

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Nós na Tela: Cenas minhas durante o processo do filme Odisséia de Ícaro






Hoje postarei algumas imagens minhas registradas por Guarací Gabriel durante as filmagens de Odisséia de Ícaro, curta-metragem produzido pelo projeto Nós na Tela, na minha terrinha natal , Lajes-RN.











O que mais me encantou na mensagem do filme "Odisseia de Ícaro" foi a forma verde de mostrar o Nordeste Brasileiro. Ao contrario de muitos artistas que retratam nossa região de forma que sugere uma distancia da globalização mundial. O personagem ao qual pude interpretar vive num interior do Nordeste brasileiro, mas tem total conhecimento de Teatro, tem uma linguagem coloquial e também se insere no contexto social como sujeito crítico e informado para sua "realidade". Ou seja, esta obra, sem duvida traz inúmeras mensagens subliminares que busca no receptor um pouco de informação e conhecimento de mundo para assim ver as riquezas poéticas contidas no seu material.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

(Estudo) Comparando a arte medieval e a arte renascentista


Uma compilação de materias sobre a arte comparada da ID. Média e do Renascimento Artistico-cientifico-cultural da ID. Moderna por Gilberd Soares



Alguns links que seguem para estudarmos a diferença entre a arte medieval e a arte revolucionária do 

Renascimento:

Arte Medieval:

Arte Renascentista:

Disponivel am:
http://professorgilberd.wordpress.com/2012/11/26/comparando-a-arte-medieval-e-a-arte-renascentista-2/

Um pouco sobre Arte Renascentista

Primavera -1482 / Botticelli - mostra ritmo, vitalidade e leveza
Tais Luso de Carvalho


Na antiguidade a pintura era vista como um ofício, o que era comum em todas as artes. Os mestres pintores recebiam encomendas importantes e tinham de executar quadros num tempo limitado, com conteúdos pré-definidos e destinados a um fim pré-determinado. Mas, há cerca de 700 anos os pintores começaram a lutar pela liberdade criativa, a lhes emprestar um conteúdo que não se limitasse ao motivo principal, apenas.

Na Renascença, a pintura é enriquecida de novo processo técnico – o processo a óleo, mais prático do que os processos conhecidos dos afrescos, têmpera e encáustica. O homem desta época já é um homem moderno, de espírito racionalista e mentalidade científica. Enquanto a ciência da Idade Média era a Teologia, isso é, o estudo e o conhecimento de Deus, a ciência da Renascença era o Humanismo, o estudo e o conhecimento do homem. Esta visão encontra-se documentada pela primeira vez na pintura de Giotto di Bondone.

A pintura renascentista caracteriza-se pela aplicação de leis matemáticas e princípios geométricos na composição; vemos isso na 'Ceia' de Leonardo e na 'Transfiguração' de Rafael. Pelo realismo visual e pelo reaparecimento da representação do espaço e do volume, através da perspectiva científica e o claro-escuro, ignorados desde a antiguidade.

Embora representando temas religiosos a pintura renascentista não é mística, simbólica nem deformadora, mas realista e de inspiração realista e profana. As teorias artísticas renascentistas fundaram-se no conhecimento e estudo das obras da antiguidade clássica greco-romana que na época começaram a ser descobertas e admiradas pela iniciativa de príncipes e papas protetores das artes.

O espírito do humanismo, a atenção e o interesse que começava a manifestar no povo, também se fez sentir no aparecimento de um novo gênero: 'o retrato'. Os pintores renascentistas começaram por se concentrar na possibilidade de individualização: ou seja, do rosto. Os pormenores eram registrados fielmente. A utilização mais usada, a princípio, era o perfil, pois partia-se do princípio que era a forma que oferecia menos possibilidades de variar e atenuar, podendo corresponder à maior exatidão. Assim foram os primeiros retratos renascentistas, muito parecidos com as moedas e medalhas antigas, que os artistas da época estudavam exaustivamente.
 
Masaccio foi o primeiro pintor a reconhecer o que a descoberta da perspectiva significava para a pintura. Em 1427, executou na igreja Santa Maria Novella, um fresco da Santíssima Trindade que chocou os fiéis. A ilusão de espaço que parecia real contrariava totalmente os hábitos visuais vigentes até então. Os fiéis pensavam que o pintor tinha feito um buraco na parede que mostrava uma capela vizinha.

Piero della Francesca, também foi um dos primeiros pintores do Renascimento italiano a reconhecer o poder harmonizante da luz e a sua importância para os fenômenos materiais e da cor.

Com a Flagelação de Jesus Cristo mostra que a ação principal se desenrola num salão com colunas ao fundo do quadro, enquanto que em primeiro plano se vê um grupo de homens.

Sandro Botticelli mostra que sua pintura deixa de ser estática, ganhando movimento de uma forma nunca vista. Nascimento de Vênus, representa um tema mitológico, nascida da espuma das ondas – deusa da beleza e do amor -, ergue-se de uma concha (símbolo da fertilidade), conduzida pelos deuses do vento sobre o mar movimentado até a margem onde é envolta num manto vermelho por Flora, deusa das flores. Os cabelos esvoaçantes e os trajes dão uma leveza agitada ao quadro.

Andrea Mantegna, com 'A Deposição de Cristo', é igualmente a prova como os pintores do Renascimento contribuíram para esse desenvolvimento alucinante que só levou um século, elevando-se em voos artísticos cada vez mais audazes. O que é fascinante nessa obra é a inserção do observador na composição. Mostra um Cristo dramático, escorço. O corpo parece alongar-se para dentro do espaço.

Leonardo Da Vinci é o protótipo do homem criativo renascentista, o homem universal. Não só foi o inovador da pintura, como também possuía vasto conhecimento relativamente a todos os campos das ciências da época, assim como da técnica e da arquitetura. As suas obras influenciaram muitos artistas através dos séculos. Cito sua Mona Lisa – pequeno quadro, 77 x 53 cm, pintado em 1503.


Miguel Ângelo Buonarroti é o espírito que aperfeiçoou o Renascimento e cuja obra mostra a grandeza e o drama da época como em nenhum outro artista. Seus trabalhos de pintura, escultura e arquitetura constituem uma unidade cuja figura central é o ser humano criador, a sua força e o seu sofrimento. Para Miguel Ângelo a criação artística era uma espécie de religião universal, um instrumento para a percepção do homem como ser e do mundo que o envolve. Cito 'A Criação de Adão' , Capela Sistina / 1508.

Ticiano, em 'A Vênus de Urbino' mostra o contraste com o fundo escuro. Os traços individualizados da modelo, representação viva do corpo na pintura de tons quentes, reveste a obra de um caráter extremamente íntimo.

Antonio Del Pollaiuolo / séc 15 - perfil
Santíssima Trindade / Masaccio - 1427
Federico Montefeltro / Sandro Botticelli
A Transfiguração / Rafael Sanzio

de Giovanni Bellini
Retrato 'O Doge Leonardo Loredan' - 1505
 
 
 
 
Pesquisa realizada por alunos do 7º ano, disponivel em:
http://trablahodehistoria7ano.blogspot.com.br/2012/08/arte-renascentista.html