sexta-feira, 28 de março de 2025

15 filmes potiguares para assistir online

por Diana Coelho

Coletivo Foque

Embora listas sempre me pareçam insuficientes, compreendo que também servem para visibilizar produções que, muitas vezes, permanecem desconhecidas pela maior parte da população norte rio-grandense.

Assim, decidi reunir 15 curtas e médias metragens potiguares lançados na última década que estão disponíveis online, e ainda 3 webséries. Há inúmeras obras que poderia indicar, mas muitas ainda não estão disponíveis na rede.

Obviamente, trata-se aqui de uma listagem pessoal. Incentivo vocês a deixarem outras indicações nos comentários ou compartilharem suas próprias relações.

1. A Parteira (2019), de Catarina Doolan Fernandes

A Parteira é um documentário protagonizado por Ana Maria Valcácio, mais conhecida como Donana, parteira tradicional de São Gonçalo do Amarante. Com sua sabedoria e espontaneidade, Donana tem cativado o público e a obra tem emplacado inúmeras premiações.

https://www.youtube.com/watch?v=I8Q7skbRjco&feature=emb_logo

2. Verde Limão (2018), de Henrique Arruda

Desde seu filme de estreia, “Ainda Não Lhe Fiz Uma Canção de Amor” (2015), Henrique Arruda tem produzido curtas-metragens interessantíssimos, em sua maioria com personagens LGBT. Em “Verde Limão”, uma veterana Drag Queen, prestes a entrar no palco pela última vez, revisita todas as cicatrizes que formam o seu carnaval.

3. Nada Foi em Vão (2018), de Sihan Félix

O documentário tem como protagonistas os cativantes pais do realizador, que descreve o filme como uma fábula sobre o maior sentimento que pode unir duas pessoas.

4. Vida Vaza (2016), de Carito Cavalcanti

Carito é um dos realizadores mais profícuos que conheço, então é difícil destacar apenas uma de suas obras. Em “Vida Vaza”, ele reúne artistas que refletem as dores da sociedade contemporânea, com participação especial da historiadora Leilane Assunção. Seus filmes estão disponíveis no canal da Praieira Filmes.

(Recomendo ainda “Noturnos” (2012), dele e de Joca Soares!)

5. Pedro (2015), de Pedro Borges

Narrado em primeira pessoa, o documentário é protagonizado por Pedro, homem trans que reflete sobre sua história e percepções acerca de si.

https://vimeo.com/149174832

6. Se Essa Rua, Se Essa Rua (2015), de Paula Vanina Cencig

Além de participar como atriz e diretora de arte de produções locais, Paula Vanina é também animadora. Em “Se Essa Rua Se Essa Rua”, a realizadora aborda de maneira poética questões relacionadas a mobilidade urbana.

7. O Menino e a Caixa Misteriosa (2015), de Leonardo Maximiliano e Andrieli Torres

Uma das produções do Nós do Audiovisual, coletivo audiovisual de São Miguel do Gostoso (RN). Neste filme, a chegada de uma caixa misteriosa atrai a atenção de Luiz e de todos da vizinhança.

https://www.youtube.com/watch?list=PLE_Jkb-AEBVhu9wOmzaHpmn3b2KEW21AU&v=xnamhqIDLMI&feature=emb_logo

8. RapPresenta (2015), de Wallace Yuri e Luara Schamó

Documentário produzido durante o Festival Rap presenta, que reúne Mc’s e bandas dialogam sobre desafios, conquistas e expectativas dentro da cena do Hip Hop Potiguar.

9. Ubuntu — A África em Natal (2015), de Herison Pedro

“Ubuntu: a África em Natal” narra a trajetória de estudantes africanos que buscam qualificação profissional e melhor qualidade no ensino superior.

10. Sêo Inácio ou o Cinema do Imaginário (2014), de Hélio Ronyvon

Curta-metragem bastante conhecido e premiado, o documentário conta um pouco da vida do cinéfilo potiguar Inácio Magalhães de Sena, que já assistiu a mais de 20 mil filmes e alia sua sabedoria a uma vivacidade intensa.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=8&v=2k0hiiaqH-8&feature=emb_logo

11. Sailor (2014), de Victor Ciriaco

Pedro está diante de uma relação nunca vivenciada. Johnny veio de longe e segue o ciclo de sua vida. “Sailor” é o primeiro curta de ficção de Victor Ciriaco, que também assina “Abraço de Maré” (2013) e “No Fim de Tudo” (2016), este último atualmente licenciado para o Canal Brasil.

12. O (Impreciso) Mar que nos Move (2014), de Alexandre Santos, Dênia Cruz, Fernanda Gurgel, Rômulo Sckaff

O documentário traz entrevistas de cineastas independentes deixando o acaso e a metalinguagem moldarem a reflexão sobre as dificuldades em fazer um filme de baixo-orçamento, abordando também o futuro do cinema no mundo. Obra coletiva produzida durante participação no Festival Off Plus Camera 2013, na Cracóvia-Polônia.

(não consegui o link do vídeo!)

13. Janaina Colorida Feito o Céu (2014), de Babi Baracho

Um dia na vida da protagonista que, apesar de não saber seu nome, mantém uma serenidade arrebatadora diante da condição em que se encontra e das situações de risco que se coloca.

14. Três Vezes Maria (2014), de Marcia Lohss

Inicialmente concebida como piloto de uma série, “Três Vezes Maria” é a obra de estreia do Coletivo Caboré Audiovisual. O curta-metragem é protagonizado por Dorinha, Cida e Paloma, que vivem e trabalham num cabaré em Santo Antônio do Salto da Onça.

15. Estrondo (2013), de Ygor Felipe

Estrondo é um documentário que traz depoimentos de moradores de Ponta Negra, narrando acontecimentos que marcaram a história de uma das praias mais populares da cidade de Natal.

Filme bônus

O Menino do Dente de Ouro (2014), de Rodrigo Sena

“O Menino do Dente de Ouro” circulou em diversos festivais de audiovisual e é um dos mais solicitados no acervo da Cinemateca Potiguar. O filme ainda não está disponível online, mas será exibido no dia 28 de abril, às 21h05, no Cine Brasil TV.

Webséries

SEPTO (1ª, 2ª e 3ª temporadas)

Uma das produções potiguares mais conhecidas, SEPTO é uma websérie com temática LGBT que atualmente está em sua terceira temporada. Após conhecer Lua, Jéssica, uma triatleta de carreira promissora passa a repensar os rumos de sua vida. Aproveita para maratonar neste link:

Dalton/Hebe

Produzido pela Casa da Praia Filmes, o título da websérie faz referência ao seriado “Downton Abbey”. Na versão potiguar, Hebe e Dalton trocam seus Tinders para que um ache pro outro o par ideal, gerando uma discussão que os faz pensar sobre vida, família, amizade e romance.

Estações

Produzida pela Buraco Filmes, coletivo atuante em Mossoró (RN), a websérie foca no público jovem, ao abordar os conflitos de universitários em uma Faculdade de Artes, envolvendo questões como sexualidade, drogas, relacionamentos amorosos e familiares. Recomendada para amantes de Sandy & Jr.

Para quem ficou interessado em conhecer mais, recomendo acompanhar o calendário de festivais e eventos de audiovisual que acontecem no Estado, e fazer uma visita a Cinemateca Potiguar, localizada no IFRN Cidade Alta, que tem um acervo de mais de 300 obras potiguares.



quinta-feira, 27 de março de 2025

Alzira mulher, vira filme e entra na galeria de obras cinematográficas do audiovisual potiguar

O cinema potiguar no cenário atual tem expandido suas produções e consequentemente ganhado muita notoriedade no meio artístico no ramo do  audiovisual. dentre as inúmeras produções, uma que se apresenta como produção independente de relevância é  o filme Alzira Mulher, uma obra cinematográfica que reflete as memorias de Alzira Soriano, a primeira mulher eleita prefeita de toda américa latina. A história tem como objetivo central a presentar uma jovem moça do interior potiguar que recebe influencias políticas, enfrenta uma sociedade machista da década de 20 e se consagra como a primeira prefeita da américa latina.

O Coronel Miguel Teixeira, sempre incentivou Alzira a seguira na carreira politica. Ele vai ser sua maior influencia.

As locações e ambientações do filme foram gravadas em Lajes, Fernando Pedroza e em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte.

Alzira é uma jovem moça que reside na fazenda primavera, no pequeno povoado de Jardim de Angicos. Ela sempre recebeu influencias do seu pai, o coronel Miguel Teixeira, que constantemente a incentivava a prosseguir ajudando na sua carreira política, mesmo sabendo que na década de 1920, mulheres não tinham direito a votar muito menos concorrer a cargos eletivos. Mesmo assim, enfrentando o modelo patriarcal, ela consegue suportar alguns conflitos pessoais, sendo reconhecida pela sua postura de liderança, o que desperta na ativista feminista Bertha Lutz e no senador Juvenal Lamartine a incentivarem a moça a concorrer uma vaga à prefeitura de Lajes/RN. Esse ato de empoderamento, contribui para que Alzira quebre o paradigma social, ao se tornar a primeira prefeita eleita democraticamente de toda américa latina. 

Juvenal Lamartine recebe a visita de Bertha Lutz no palácio do Governo pra tratar sobre a candidatura de Alzira. 

Na década de 1920, em meio a uma sociedade altamente patriarcal e conservadora, Alzira Soriano ganha visibilidade ao se tornar a primeira prefeita da américa latina. 

A historia de Alzira cita também, a força e a lida do homem sertanejo. Esse laço com a raiz do homem forte da caatinga é nítido em meio ao texto.  

TEASER

@juventudeteatrallajense

Alzira Mulher, a trajetória da primeira prefeita é um filme totalmente potiguar, contemplado pela Lei Complementar nº 195/2023 Paulo Gustavo de fomento a cultura/RN, com texto e  direção de Fábio Fernandes, direção de arte e fotografia de Everton Fernandez e a coprodução de Vienio Leonardo além da atuação brilhante do grupo Juventude Teatral Lajense. 


Elenco:

Ana Beatriz
Maria Isabeli
João Heitor
Fábio Fernandes
Ericlecia Marques
Rubens Adriano
Wallace Mauricio
Natã Pedro
Giovana
Carlos Emanuel
Ingryd Santos
João Helio
Clara Moreira
Marlos
Tacio Lourenço
Sabrina
Thiago Paiva
Alice Palhares
Vienio Leonardo

Staff
Everton Fernandes
Vienio Leonardo
Natã Pedro
Pedro Pegado
Clara Moreira
Washington Potiguar

Narração teaser 03
Rayane Karla

Direção geral
Fabio Fernandes

🎥 STUDIO DOM CIATIVO 📽

quarta-feira, 19 de março de 2025

COR



Podemos afirmar que a cor pode ser definida como  uma percepção visual provocada pela ação de um feixe de fótons sobre células especializadas da retina , que transmitem através de informação diretamente ao nervo óptico, gerando assim varias impressões para o sistema nervoso.



O esquema em destaque mostra como esse processo ocorre de fato.


A ciência que estuda a medida das cores é chamada de calorimetria. Esses estudos são capazes de desenvolver métodos de quantificação da cor e estuda o tom, a saturação e a intensidade que a cor apresenta. Desse modo podemos perceber que o elemento cor pode ser melhor definido a partir dessas qualificações a ela atribuídas. O tom da cor é que faz com que ela seja identificada como azul, verde, amarela por exemplo. A saturação indica se a cor é visível de forma natural ou pigmentada artificialmente e por ultimo, a intensidade caracteriza a força da cor. A arte sobretudo, necessita entender de fato essas qualidades para assim ser utilizadas em seus processos criativos, não somente no campo das artes visuais, mas também nas demais modalidades artísticas como na fotografia, na luz cênica, na luz cinematográfica entre outras. 



A luz no teatro é importante para complementar a composição cênica, uma vez que essa composição visual ajuda a criar a ambientação do espetáculo.

Desde criança, aprendemos na escola que as cores são divididas em primárias, secundárias, terciárias e neutras. Mas como de fato entender essas subdivisões, visto que na natureza existem milhares de tonalidades de cores, assim como milhares de notas musicais, que são condensadas em sete notas básicas, desse modo notamos que sua divisão resulta em cores de naturezas primarias, secundarias e terciárias da seguinte forma:

 



As cores primárias são: vermelho, amarelo e azul. Estas são consideradas as primeiras cores, pois não é necessário haver junção de nenhuma outra para que elas sejam concebidas. O vermelho é uma cor quente que mostra vitalidade, geralmente utilizada para simbolizar cenas fortes, impactantes que ligam a paixão. O amarelo por ser uma cor suave e alegre que simboliza a vitalidade e otimismo e o azul é a cor que remete a concentração, geralmente representando coisas calmas, frias e tranquilidade.



As cores secundárias são formadas pela mistura de duas cores primárias. As cores secundárias são: verde, roxo e laranja. O azul misturado com o amarelo origina o verde. O azul misturado com o vermelho origina o roxo, e o vermelho misturado com o amarelo origina o laranja.



Já as cores terciárias resultam da mistura de uma cor primária com uma ou duas cores secundárias. São todas as outras cores, como o marrom, que é a mistura de amarelo ou vermelho com preto.

Entretanto, as cores consideradas neutras são usadas para complementar uma cor desejada, sendo que as cores neutras têm pouco reflexo. Entre as cores neutras podemos citar o branco, o cinza e o marrom. O branco é luz isenta de cor, o preto é a ausência de cor e os tons cinza são a mistura do branco com o preto.


 A tabela em destaque mostra algumas configurações de tabelas cromáticas.


terça-feira, 18 de março de 2025

BELO E GROTESCO

Qualificar algo como bonito ou feio é extremamente complexo. Porém, existem certas características que fazem nosso cérebro, à primeira vista, qualificá-lo como tal.

Filósofos e artistas, ao longo dos tempos, se preocuparam em definir a beleza. É por isso que existem inúmeras teorias estéticas e histórias da arte. O mesmo não aconteceu com a feiura. Neste assunto, os teóricos têm sido bastante moderados e as pessoas parecem se conformar com a ideia simples de que o feio é o oposto do belo.

Aceitar que a feiura é relativa e depende dos tempos e das culturas. O que era inaceitável ontem pode se tornar aceitável amanhã, o que antes era considerado feio pode se tornar belo. “O belo é feio e o feio é belo”, disseram as bruxas Macbeth com sabedoria.

Conceito de beleza na idade média

Voltamos ao passado e agora estamos entrando na época da Idade Média para conhecer os cânones da beleza e dos costumes relacionados à moda e à estética.

Durante as primeiras décadas da Idade Média, esqueceram-se dos cuidados com a beleza e surgiu um novo conceito sobre a mulher ligado ao Cristianismo, baseado no fato de que as mulheres só precisavam se preocupar com a salvação de sua alma e esquecer aspectos frívolos, como a moda do vestido ou cuidados com o corpo e os cabelos.
                     

O tempo passou e as mulheres cristãs começaram a usar maquiagem e óleos, influenciadas pela cultura muçulmana, como sinal de cuidado do corpo.

O cânone da beleza daquela época baseava-se em mulheres de pele muito clara, cabelos loiros compridos, olhos e nariz pequenos, batom nas bochechas e lábios, corpo esguio com mãos finas e brancas, seios pequenos e quadris estreitos.


O ideal de beleza das heroínas medievais, descrito nos romances, era: pele clara, rosto alongado, cabelos louros, boca pequena, olhos azuis e sobrancelhas bem desenhadas. Com exceção do rosto, as partes do corpo feminino raramente foram descritas.



Conceito de beleza para Kant

Segundo Kant, a estética apresenta um paradoxo. O julgamento estético tem uma base universal comum à natureza humana. A estética é subjetiva, mas quando se torna universal dá origem a uma certa objetividade baseada em leis naturais.

A beleza da natureza é uma coisa bela, a beleza artística é uma bela representação de uma coisa, conforme expresso em sua “Crítica do julgamento”.


Conceito objetivo e subjetivo de beleza

O objetivista afirma que a beleza ou a feiura das coisas se baseia nas qualidades do próprio objeto. E são elas que provocam emoções no espectador, para que todos sintamos o mesmo ou quase o mesmo.

Essa postura foi dominante, desde a Antiguidade clássica até o Renascimento. Em seguida, basearam-se em proporções que consideravam perfeitas. Ainda, alguns cânones de beleza que governavam a sociedade da época como o “David” de Michelangelo, que mantém uma proporção e harmonia perfeitas. Ou seja, o tamanho da escultura oito vezes o tamanho da cabeça, representava assim o ideal de beleza masculina.

De acordo com o naturalismo ou realismo, a arte deve ser como um espelho da realidade. A beleza consiste em captar a realidade da maneira mais exata possível para que a reconheçamos e admiremos. Portanto, se não consegue representar bem a realidade, considera-se que a obra não é bonita.

Posição subjetivista

A posição subjetivista afirma, portanto, que a feiura ou a beleza das coisas está na mente de cada um, e se refere às emoções sentidas em relação a determinados objetos. Portanto, para os defensores dessa posição, a beleza não é algo objetivo com o qual todos devemos estar de acordo, mas é algo pessoal, que depende de cada observador. Essa postura vem se espalhando desde os tempos modernos até a atualidade. Ou seja, quando a arte deixou de ser entendida como reprodução da natureza para ser entendida como expressão da subjetividade e da liberdade do criador.

Posição objetiva

Comparando as duas posições em detalhes, podemos concluir que quando nos deparamos com a questão de ser a beleza objetiva ou subjetiva, a resposta dependerá do fato de a beleza estar no próprio objeto.

O que é beleza?

A beleza está associada ao belo. É uma apreciação subjetiva, o que é bonito para uma pessoa pode não ser para outra. No entanto, certas características que a sociedade em geral considera atraentes, desejáveis e bonitas são conhecidas como cânones da beleza . A concepção de beleza pode variar entre diferentes culturas e mudar ao longo dos anos. A beleza produz um prazer que vem das manifestações sensoriais e que pode ser experimentado pela visão.

Beleza para Platão

Platão foi o primeiro a desenvolver um tratado sobre o conceito de beleza que teria um grande impacto no Ocidente, tomando certas ideias expressas por Pitágoras sobre o senso de beleza como harmonia e proporção e fundindo-as com a ideia de esplendor. Para ele, a beleza vem de uma realidade alheia ao mundo, que o ser humano não é capaz de perceber plenamente.

Beleza na arte

Na arte, a beleza é aquela que está associada a um conjunto de princípios estéticos intrínsecos a uma determinada disciplina artística. Nesse sentido, a beleza é a maior aspiração artística, pois combina harmonia de formas, impacto expressivo, potencial simbólico e verdade filosófica dentro dos recursos oferecidos por disciplinas como música, literatura, dança, arquitetura, escultura, pintura e cinema, a fim de para nos comover, impressionar e nos encantar.



BELAS ARTES - O QUE É DE FATO BELO?



Muito tem se falado em estéticas artísticas, sobre o que é arte e o que não é. A Arte de fato não se limita a conceitos fundamentados como algo objetivo, pois a existência da dela no mundo circunda um limiar entre a expressividade simbólica comunicativa e o utilitarismo. Desse modo, tende-se a definir o que é e o que não é arte.

Dessa modo,  a expressão belas-artes se refere às artes plásticas, que de forma didática podem ser as formações expressivas realizadas, nas quais utilizam-se  técnicas de produção que manipulam materiais para construir formas e imagens revelando uma concepção estética e poética, processo esse, que surge desde o aparecimento do homem na terra até a evolução da espécie humana.


 Vale salientar que o artista plástico todavia lida com papel, tinta, gesso, argila, rochas, madeira, minerais e metais, programas de computador e outras ferramentas tecnológicas para produzir suas peças. Já em sentido amplo, "belas-artes" se refere ao conjunto formado pelas Artes Visuais, principalmente a pintura escultura, a  Música geralmente se mostrando eruditaDança também de segmento erudito e clássico e o Teatro como grande linguagem lírica que por muito tempo se mostrou reservado a burguesia  e centralizado em algumas elites.  O conceito de belas artes também pode se referir a uma estilização expressiva de cores e modos.

O conceito de "belas-artes" surgiu no século XVIII junto à ideia de que um certo conjunto de características e manifestações artísticas  é superior aos demais. Logo, ao perceber essa definição concreta de que a arte é algo fixo e sem possibilidades de expandir-se no campo além de regras pré-estabelecidas por uma classe de pensadores, não abre-se margem para uma fruição artística ampla. Por esse motivo,  até meados do século XIX, os acadêmicos passavam sempre a classificar as formas de arte em basicamente dois tipos, sendo elas:

  • as belas-artes
  • as artes aplicadas ou artes secundárias

Podemos notar que as belas-artes eram aquelas que, segundo o ponto de vista do período, possuíam a dignidade da nobreza . Sendo mais claro, seriam aquelas que atendiam o gosto de um determinado grupo social, notando assim a limitação da arte no que condiz ser belo, agradável, palatável a quem a consome. Uma vez que  as artes aplicadas, devido ao fato de serem praticadas por trabalhadores , pessoas populares, eram desvalorizadas. A pintura , a escultura e o desenho, determinavam o que era uma arte bela ou não. 

Sendo assim, retomamos a problemática sobre o que é arte certa ou não, do que é belo ou grotesco, erudito ou popular. o fato é que a arte está a transitar numa esfera bem mais ampla do que meras rotulações, e continua de fato a mostrar sua indefinição no tocante a existência humana.


Texto:

Fábio Fernandes

segunda-feira, 17 de março de 2025

Linha Do Tempo Do Ensino De Arte No Brasil

 

Nessa postagem, trago uma pequena linha do tempo acerca do ensino da Arte no Brasil e também uma breve síntese sobre a LDB e suas constituições dentro do ensino da educação artística em nosso país. Esse pequeno mapa cronológico é feito para auxiliar estudantes de arte e concurseiros na área.

Segundo a linha cronológica, em 1816 Durante o governo de dom João VI, chega ao Rio de Janeiro a Missão Artística Francesa e é criada a Academia Imperial de Belas Artes. Seguindo modelos europeus, é instalado oficialmente o ensino de Arte nas escolas.

No contexto de 1900 até o início do século 20, o ensino do desenho é visto como uma preparação para o trabalho em fábricas e serviços artesanais. São valorizados o traço, a repetição de modelos e o desenho geométrico.

Por volta de 1922 Apesar da efervescência das manifestações da Semana de Arte Moderna, o ensino segue as tendências da escola tradicional, que defende a necessidade de copiar modelos para treinar habilidades manuais.

Em 1930 O compositor Heitor Villa-Lobos, no governo de Getúlio Vargas, institui o projeto de canto orfeônico nas escolas. São formados corais, que se desenvolvem pela memorização de letras de músicas de caráter folclórico e cívico.

Em 1935 O escritor Mario de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura do município de São Paulo, promove um concurso de desenho para crianças com tema livre. O ganhador recebe uma quantia em dinheiro.

No ano de 1948 É criada no Rio de Janeiro a primeira "Escolinha de Arte", com a intenção de propor atividades para o aluno desenvolver a autoexpressão e a prática. Em 1971, chega a 32 o número de instituições particulares desse tipo no país.

Em 1960 As experimentações que marcam a sociedade, como o movimento da bossa nova, influenciam o ensino de Arte nas escolas de todo o país. É a época da tendência da livre expressão se expandir pelas redes de ensino.

É possível notar que em 1971 Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a Educação Artística (que inclui artes plásticas, educação musical e artes cênicas) passa a fazer parte do currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio. Posteriormente e 1973, é iniciado a criação dos primeiros cursos de licenciatura em Arte, com dois anos de duração e voltados à formação de professores capazes de lecionar música, teatro, artes visuais, desenho, dança e desenho geométrico.

Desde 1982 inicia-se o desenvolvendo pesquisas sobre três ideias (fazer, ler imagens e estudar a história da arte), Ana Mae Barbosa cria a proposta triangular, que inova ao colocar obras como referência para os alunos. Finalizando em 1996 com A LDB passando a considerar a Arte como disciplina obrigatória da Educação Básica. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem que ela é composta de quatro linguagens: artes visuais, dança, música e teatro.

Bons estudos!

Disonivel em: 

Parâmetros Curriculares Nacionais / Metodologia do Ensino da Arte, Maria Heloísa C. de T. Ferraz e Maria. F. de Rezende e Fusari / Para gostar de aprender Arte: Sala de aula e formação de professores, Rosa Iavelberg

SOL CABOCLO - Poesia



Desde que me tenho por gente
Vou buscando a minha razão
Era um caboclo inocente
Que bem prestava atenção
As coisas que se mostravam
Na vida do meu sertão.

Observando a jurema
Sentindo o cheiro da terra
Passando o fervor da urtiga
Que arde na pele e na serra
O cacto e a umburana
Algaroba de baje amarela

Caminhando pela terra
O sol castiga o lugar
Causticando corpo franzino
Que a fome insiste em tocar
Respiro o orvalho febril
Que a noite vem nos mostrar

Dia nasce e sol retoma
Outrora no grande sertão
Calejado fico tenso
Aumentando o amarelão
Rei do fogo sagrado!
Ilumina meu torrão.

A vazante da lavoura
Já não armazena água
É que a chuva viajante
Vez a gente se esbarra
Ela molha e logo some
Na penumbra se espalha

O carneiro só o osso
Apresenta seu martírio
Mato seco não encontra
Procurar é o principio
Mesmo assim sacrificado
Nele pesa seu oficio

Nosso olhar sobre essa dor
Refrigera o coração
Já cansado do labor
Que permeia esse chão
Estiou o corpo inteiro
E ventou no coração

Olho a geografia
Percebendo sua essência
Busco ser um resistente
Nessa grande penitencia
Calejando os meus dedos
Me sobrando paciência


Tarde quente sol acima
Castigando a labuta
No caminho que partilha
Todos vêm na sua culpa
Ignorando o desejo
Esse caboclo reluta

A pretensa mansidão
Já se foi sertão a dentro
Rebentando o coração
Hoje sem contentamento
Vejo fé se acabar
Só não cessa meu lamento

Em meio a essa penumbra
Meu martírio continua
Todos os meus devaneios
Não se encontram, criatura
Meu anseio é esperança
Que a dor breve recua...

E o sol?
Ah! Esse é rei
Sabe ser trono
Sabe ser forte
Sabe ser dia
Sabe ser morte.


Texto:
Fábio Fernandes