O curta do mês me fez perceber o que significa o valor de uma família. Muito bom!
Confira:
Numa noite normal com o passado largado da memória, um homem reencontra,
no lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu.
Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha, surgem como
apontamentos de esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Poeta Antonio Pequeno (Pipa-RN): Um pouco de turismo cultural potiguar
Este é mais uma figura importante da cultura potiguar que merece ser evidenciado nos registros históricos relacionados a artistas populares do Rio Grande do Norte. Em O MARICAL apresentamos para quem ainda não conhece o poeta Antônio Pequeno, este vive na praia de Pipa e é com muita felicidade que evidenciamos este artista popular.
Por Francisco Fernandes Marinho
Há um certo tempo estamos coletando os mais
diversos subsídios que possam representar a Memória Cultural de Praia da Pipa. Neste
momento, ouvimos comentários sobre lendas, como a do "Morro dos
Amores", a da "Pedra do Moleque", a do "Cavalo de
Ouro"; histórias de trancoso, de pescador, de lobisomem, das minas
encantadas, desencantadas ou "tiradas", como a "Mina do Pé de
Trapiá", a mais famosa e temível de todas as minas, por ser
mal-assombrada; encontramos informações sobre os mais divesos aspectos da vida
cultural pipiana e em alguns documentos, datados do século passado, percebemos
que já existiam pessoas possuidoras de uma excelente caligrafia em Praia de
Pipa e mulheres "letradas", como Moça de Pedro e Joana de Luíza,
leitora da obra "A Historia de Carlos Magno e dos Doze Pares de
França".
A Poesia, como representação da alma do povo,
floresceu desde fins do século passado ou início deste século, com vários
poetas, principalmente Antônio de Moça de Pedro com suas "Loas" de
"Bois de Reis", como "O Nascimento do Aurora" e "Eu
Vi". Ao lados das lendas, na década de 20, aparecem os primeiros versos do
poeta Antônio José Marinho, o famoso Antônio Pequeno, que exerceu cargos de
Delegado Escolar a Sub-Delegado de Polícia no Distrito Policial da Praia de
Pipa.Na década de 40, surgem os primeiros "dramas" ou
"Peças" dramaticos musicais, e os "motes", ou versos
políticos, escritos à época de eleições, representados, sobretudo, pelo
poeta-motista José Fidelis da Costa.
O Maior Pipiano, no entanto, Antônio José
Marinho, o filho, começou a criar seus versos, musicados, a partir da década de
50.
Clique Aqui !!! e Conheça alguns dos poemas de Antônio Pequeno
Contribuição da Tv Pipa :
Disponivel em:
A arte de Chico do Coco (Pipa-RN)
Em 2008 tive a oportunidade de fazer um trabalho de cenografia na praia de Pipa- RN. Na ocasião participei de um festival gastronômico que se realizara durante uma semana inteira, em meio ao transito em visita a Pipa, pude conhecer Chico do Coco. Aproveito esta oportunidade pra expôr um pouco de sua obra.
O artesão Francisco de Assis Souza Martins é ex bancário potiguar nascido em 1961 reside em Pipa há 16 anos e faz muitos trabalhos, entre entalhar
esculturas e objetos de madeira como as placas de bares, restaurantes, pousadas e até de sinalização, hoje se dedica principalmente ao coco.
esculturas e objetos de madeira como as placas de bares, restaurantes, pousadas e até de sinalização, hoje se dedica principalmente ao coco.
Mais conhecido como Chico do Coco, nosso querido local desenvolve e aprimora técnicas que reaproveitam o coco na produção de diversos e charmosos utensílios, tais como açucareiro, porta escova, copo, porta guardanapo, cinzeiro, saboneteira, presilhas de cabelo, pulseiras, colares e xuxinhas. De talento inquestionável, suas obras estão espalhadas por toda Pipa.
Veja um pouco mais de sua arte:
A transformação do côco em diferentes utensílios
Veja o vídeo:
Disponível em:
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Dei-me um abraço... (Lid Galvão)
Infinito de sentimentos.
Seja ele frio ou caloroso,
Belo e desconfiado.
Que seja pra tanto
Meu lugar de descanso,
Quando outrem atingir-me as carnes;
Quando, enfim,
As flores de meu riso decepcionar.
Espero-te!
Que seja logo ou demorado revelador;
Que nada diga se quiser,
Porém direi por ele;
Mesmo com os nervos a me julgar,
E mesmo com as mãos
Reservadas a apreensão:
Amo-te!
Lidiane Cristina
domingo, 2 de setembro de 2012
Grifos meus 1# (minha formação numa perspectiva familiar)
No referente texto, procuro relatar a importância da instituição Familia para minha formação na área teatral:
Por: Fábio Fernandes
O alcance
da qualidade acadêmica na formação docente em Teatro vem sendo um ponto de
reflexão de grande importância na minha experiência na relação arte-escola. Por
meio de uma vivencia completamente diversificada ao longo de meu percurso vital,
busco evidenciar essa trajetória de vida e suas consequentes experiências no referido texto.
Nesse espaço virtual, vejo a oportunidade de poder-me autoavaliar enquanto corpo ativo em
meio aos processos artísticos, em especial o teatro como campo de investigação,
uma vez que minha graduação corresponde as perspectivas teatrais como fonte de
conhecimento. Em diversas etapas da vida, a informação pertinente ao que seria
teatral se mostra diversificada, dependendo de cada perspectiva na qual a
informação me é fornecida.
No meio
familiar, posso detectar as primeiras manifestações teatrais que me foram
apresentadas, primeiro 1) através da
observação constante dos membros de minha família. Nesse processo, detecto as primeiras
influencias que moldam as características corporais do sujeito, são estas a)
forma de falar (comunicação oral) b)movimentação corporal (níveis de
energia) C) cognição (percepções
figurativas) D) e por fim o lugar da
criação a partir da imaginação.
Ao
observar os membros de minha família, torna-se claro as diferenças que cada
sujeito apresenta, uma vez que a divergência de informações de cada indivíduo é
fundamental no processo de construção de mim enquanto sujeito. Levanto aqui a
ideia de que somos seres influenciáveis pelo meio em que vivemos, e o primeiro
espaço para esta troca de experiência é no eixo familiar.
Ao
observar meu pai falando, noto uma similaridade. Do mesmo modo se faz com os
outros membros da família. Ao tornar a imagem do meu pai num eixo paradigmático
no qual este se torna a figura de um líder que está no controle da família, o
que chamo de o “cabeça” do grupo... Atribuo, portanto, um valor hierárquico a
figura paterna, este que se encontra no topo da pirâmide de valores, este sempre
ficou no ápice, consecutivamente surge, a figura materna e logo após os irmãos
por ordem de nascimento.
Seguindo
essas informações naturais e culturais próprias daquela realidade, ao notar as
similaridades individuais, percebo que sou parecido com meu pai, este que
sempre vive a representar, mesmo sem intenção de mostrar que é um fenômeno
artístico. Também pela proximidade com a figura paterna vou adquirindo os
mesmos trejeitos do que se configura como “superior” no eixo paradigmático na
instituição família, por esse motivo passo a adquirir seus gestos cotidianos.
Chegará um momento em que vou ter essas matrizes no meu processo pedagógico.
Ligando
esta convivência de família ao contexto teatral, percebo que a construção de um
personagem está agregada a muitos valores do cotidiano, e que temos a pesquisa
em laboratório no intuito de moldar a personagem ao que mais se torna
característico da persona, até que este se torne físico (visível).
Os
aspectos teatrais que surgem, portanto neste contexto é a livre expressão de
personalidade pela qual se cofigura a mim, no aspecto ligado ao imaginário,
vejo que tais influencias surgem das contações de historias mostradas pela
minha mãe antes de dormir, por exemplo. Nesse aspecto passo a agregar outros
valores em minha construção individual.
Com
relação ao conhecimento de aprendizagem, assumo como ponto importante e crucial
o fato de meu pai ter me ensinado a ler e a escrever, mesmo tendo estudado até
o 5º ano do ensino fundamental. O método pedagógico de ele me instruir começa
com os textos que este me sugeria ler, neste ponto, detecto que nas histórias
existiam fatos em que não condiziam com a “realidade”, por exemplo, numa
história em que um animal falava, no meu cotidiano não consigo entender esse
fato como real, porem acredito que o animal fala o mesmo idioma que eu na
história. Esta, portanto, é uma ação teatral. Esta informação me faz aflorar
para a possibilidade de um animal falar, desta forma passo a querer me comunicar com estes seres, mesmo
sabendo que eles não se comunicarão comigo no mesmo fluxo. Isto é absolutamente
teatral.
O que se
faz possível em meu processo criativo na arte através do contexto familiar,
também é corporal, pelo fato de eu poder correr, pular, andar, falar, ver TV e
reproduzir os gestos que os personagens dos desenhos animados faziam, as
brincadeiras também contribuem para esse corpo que aos poucos ia ganhando forma
própria. Construía-se então o sujeito que mais tarde seria um pesquisador da
arte teatral.
Circo
Outro
ponto de grande importância no meu processo formativo como sujeito inserido na
arte, foi o fato de ter contato direto com o mundo circense, essa aproximação
que era pratica frequente tornou ponto crucial na construção de minha personalidade,
tanto que a prática do circo se fazia presente em nossa família. Refiro-me as
nossas “brincadeiras” cotidianas que consistiam em fazer uma mimese do mundo
circense, para todos os membros de minha família era destinada uma ação e um
personagem, assim como no circo que frequentávamos. As personagens se dividiam
em quadros específicos, ou seja, éramos palhaços, malabaristas, trapezistas,
apresentadores, enfim, fazíamos uma espécie de cópia circense de todas essas
figuras do circo, por conseguinte representávamos e/ou reproduzíamos as ações
afins.
Detendo-se
individualmente a mim, pude ficar com a mimese do palhaço, creio que este foi o
primeiro personagem que interpretei. Ao me transformar em um palhaço, me detive
a observar o que as figuras (matrizes) apresentavam em relação as ações
corporais, a fala, aos textos prontos pelos quais reproduzíamos em nosso
picadeiro. A dramaturgia de nosso espetáculo era voltada a cópia do circo, não
exigia uma qualidade rebuscada, uma vez que a principio esta experiência estava
mais para o eixo lúdico.
Enfim, em
meio a estes acontecimentos, passo a analisar o contexto de uma infância
repleta de experiências artísticas, sem dúvida essas brincadeiras influenciaram
bastante o que havia de teatral em meu processo criativo permanente. Não
estávamos preocupados em saber o porquê reproduzíamos o fenômeno artístico do
circo nem ao menos em tentar entender o fato determinada linguagem existir, nos
preocupávamos apenas em brincar, buscar uma diversão e ocupar nossas horas de folga.
Chamo
este fenômeno de ação primitiva, uma vez que fazemos por instinto, no simples
fato de sentir prazer, talvez pra tentarmos
nos ver livres de obrigações cotidianas
que nos causam peso na consciência de obrigações reais para com a instituição família. Esta, portanto, foi a
visão teatral que se mostrou a priori em minha vivencia enquanto sujeito em
processo de aprendizado vital, desta forma fui me construindo em relação ao
fazer teatral, mesmo desconhecendo que território seria este que inevitavelmente
viria a transitar nos primeiros passos de minha vida artística.
...
No próximo artigo, investigarei os áspectos teatrais no contexto escolar.
Até.
Até.
sábado, 1 de setembro de 2012
Encenação pode ser:
Arte de pôr em cena, transformar em espectáculo um texto escrito; o efeito dessa arte. A origem do termo surge como elemento constituinte e inseparável do teatro sendo através dele que se verifica a evolução técnica e estética desse mesmo teatro. Tendo em conta a tradição europeia, as primeiras encenações de carácter teatral tiveram lugar no séc. VI a. C. na Grécia, para o qual foi utilizado um cenário portátil, mais conhecido por carroça de Tépis. O seu emprego devia ser idêntico ao da skene (cenografia) dos futuros teatros construídos não só na Grécia como também em Roma. Na Idade Média, a encenação surgiu nas demonstrações de certas passagens litúrgicas representadas por sacerdotes, durante as cerimonias religiosas. E aqui o teatro cristão, tal como no teatro clássico, nasce da ritologia. Com relação à Idade Moderna, a encenação manteve as características medievais em toda a Europa, com excepção da Itália onde o teatro era já uma arte de humanistas com um público culturalmente aberto e sensível. Ainda nos sécs. XV e XVI, países como Inglaterra, Espanha, França e Alemanha, mostravam um teatro medieval encarado, unicamente, como diversão popular. Na Itália, pelo contrário, surge a perspectiva pictórica (séc. XV) sendo adoptada pelo teatro para a cenografia.
O mérito da invenção dos cenários em perspectiva tem sido dado a Bramante que, juntamente com o seu discípulo Peruzzi, os pôs em prática pela primeira vez no séc. XVI. Pode-se dizer com convicção que foi o teatro italiano, tanto o popular (Commici dell' Arte- cómicos profissionais) que se apresentavam com máscaras recorrendo à mímica corporal e à acrobacia, (embora os seus espectáculos brilhassem pelo seu movimento), como o erudito com a sua arquitectura admirável e os seus fascinantes inventos mecânicos, as conhecidas tramóias, que influenciando quase todo o continente se tornou a partir da segunda metade do séc. XVI, o meio que possibilitou a renovação da encenação e abriu as portas para a encenação moderna. Finalmente, nos nossos dias, a encenação, condicionada pelo desenvolvimento das formas dramáticas e sob influência do melodrama, mostra-se artificial, feita de excesso de elementos cénicos, decorativos e arqueológicos, envolta em pormenores complicados e convencionais. Várias vozes se fazem ouvir contra este sistema plástico, no entanto, só a estética naturalista é que se destaca a partir de 1877, em Paris, do Théâtre Libre de André Antoine (1858-1943). Ao ser introduzida no teatro, esta estética naturalista deu primazia à reprodução rigorosíssima da vida quotidiana provocando, deste modo, a renovação completa de sistemas até aí creditados. No entanto, o naturalismo conduzirá o teatro aos próprios excessos convencionais que antes combatera dando azo ao surgimento da literatura simbolista que se impõe como reacção aos seus exageros através do Teatro de Arte (1887- 1890) de Paul Fort. As doutrinas paralelas de Adolphe Appia (1862-1928) e Gordon Craig (1872-1966) mostrar-se-ão reacções muito mais profundas a nível teórico. Enquanto Appia partia da natureza da personagem para descobrir o sentido abstractizante do envolvimento cénico concebido à base de cubos, planos, escadas, etc, Craig dava relevância à lucidez e automatização integral do jogo cénico o qual o levaram a abstractizar e despersonalizar o actor, concebido este como uma «supermarionette». Na Alemanha do pós-guerra, aparece uma corrente anti-naturalista mais violenta que traduzia a simbologia estilizada da desumanização da sociedade através do recurso exuberante aos meios cénicos, às linhas de cor e luz, ao som, à despersonalização da personagem, concebendo ainda o encenador como soberano, como elemento fundamental da criação dramatúrgica.
Em 1913, e desta feita ainda antes da guerra, surge um movimento renovador com maior relevo quando Jacques Copeau fundou em Paris o Théâtre du Vieux- colombier, concedendo a depuração e simplificação do espetáculo cénico através da valorização do texto, da pureza da encenação e do equilíbrio dos diversos elementos. Por seu lado também a Rússia Soviética, logo após a Revolução de 1917, se interessou pela experiência teatral através de Vsevolod Meyerhold (1938-1940) que tentou a construção de espetáculos ideológicos, baseados nas suas concepções de biomecânica, despersonalização do actor e neutralidade do texto.
A partir das décadas de 80 e 90, a cena europeia desenvolverá experiências com base em programas bem estruturados de renovação dos métodos do espectáculo. Desde 1950 que variadíssimas pequenas performancesexperimentais contrastam e coexistem com a modernização da ópera e a internacionalização dos grandes espectáculos musicais, por um lado, e a criação de espetáculos musicados por outro. Ambos os casos são fruto de grandes vagas renovadoras que há cinquenta anos Brecht, Beckett e Ionesco provocaram quer ao nível do texto quer ao nível do espetáculo.
A encenação consiste numa apresentação, numa leitura possível entre outras, num ponto de vista particular, neste caso do encenador, não negando mas participando da multiplicidade do sentido. É uma arte complexa e difícil porque trabalha com os homens e as coisas (colectiva ou isoladamente), evocando tanto o aspecto ou os caracteres físicos dos seus variados elementos, como o seu papel moral, o seu toque pessoal e especial no conjunto definido e harmonioso da ação. Nesta perspectiva, esta arte deve prolongar-se até às relações mútuas e recíprocas dos homens e das coisas nos variadíssimos domínios arqueológico, histórico, geográfico e episódico. Por outro lado, ao transformar em espetáculo um texto escrito, a encenação transpõe todo um mundo de imagens conceptuais para recrear forma, movimento, som e cor. Nas palavras de António Pedro, a encenação vai «valorizar o verbo e corporizá-lo na carne das personagens e compor o seu agir» (Pequeno Tratado de Encenação, Confluência, Porto, 1962, p. 16).De um ponto de vista mais técnico, a encenação conta com determinados elementos que têm o objectivo de dar forma no espaço e em movimento e tempos reais à fábula - a composição da ação, parte do drama considerada mais importante por Aristóteles. Um desses elementos é a determinação concreta do lugar dramático, papel este destinado ao cenário (adereços, mobiliário e os próprios atores, segundo alguns teóricos, pelo espaço que ocupam em cena) que será montado num palco do qual dependerá, pela sua forma, medida e maquinaria, toda a concepção e execução do jogo cênico: o estilo possível de representação, o processo de implantação do cenário e utilização de planos praticáveis, movimentação em cena e seu aproveitamento estético e psicológico, a valorização e desvalorização das cenas, o tempo dos movimentos, as marcações, etc.
Atualmente, os principais tipos de palco existentes nos nossos teatros são o palco à «italiana», de proscênio prolongado (ou à «inglesa»), de anfiteatro, de teatro de arena e ainda , o simples tablado descoberto (do francês «tréteaux»), destinado, sobretudo, a espectáculos ao ar livre.
A declamação das palavras do poema vai completar a interpretação das personagens e da própria peça, para além de ser um elemento que conflui para a composição da ação.
Bibliografia
António Pedro: Pequeno Tratado de Encenação (1962); António Solmer:Manual de Teatro (1999); Jean-Marie Piemme: L'Invention de la Mise en Scéne- DixTextes sur la Représentation Théâtrale (1989); Joaquim de Oliveira: O Teatro Novo- o «Knock» e o seu Encenador (1925-1950); Léon Moussinac: História do Teatro - das Origens aos Nossos Dias (1957); Manfred Wekwerth: A Encenação no Teatro deAmadores (1976); Redondo Junior: A Encenação e a Maioridade do Teatro (1959); René Passeron (dir.): La Présentation (1985)
Imagens:
Arquivo O MARICAL
Texto Disponivel em:
Um pouco sobre Luiz Gonzaga no seu centenário.
Ja que estamos no centenário do mestre Lua, eis um pouco de sua história.
LUIZ GONZAGA - Em 13 de dezembro de 1912, nasceu o Rei do Baião, no pequeno vilarejo com o emblemático nome de Exu, no sertão pernambucano, e recebeu o nome de Luiz Gonzaga Nascimento. Luiz porque era dia de Santa Luzia, Gonzaga por sugestão do vigário que o batizou, e Nascimento por ser o mês em que Maria deu à luz Jesus. Ele era filho de Ana Batista de Jesus, uma cabocla bonita conhecida como Santana, e de Januário José dos Santos, o único tocador de sanfona da região, um fole de oito baixos.
Segundo dos nove filhos do casal, aos 8 anos já empunhava sua sanfona e recebia cachê para cantar e tocar a noite inteira em festas da região. Em 1920, era famoso por lá. Quatro anos depois, por causa de uma enchente, a família se mudou para Araripe. Lá, Gonzaga adquiriu um fole Kock de oito baixos, com a ajuda de um coronel, que pagou a metade do preço do instrumento. Luiz Gonzaga já ganhava mais que o pai, mas não tanto para comprar sozinho o fole, muito acima de suas posses.
Em 1926, ele foi para o Rio de Janeiro. Lá, se apaixonou por Nazarena, mas o pai da moça não gostou nem um pouquinho do namoro. Arrumou uma confusão e acabou vendendo sua sanfoninha de oito foles, indo em seguida para o Ceará. Aumentou sua idade para entrar no exército, e virou soldado Nascimento. Correu o país em missões militares durante a Revolução de 1930. Enquanto isso, seu pai, mestre Januário, conseguiu reaver a sanfona que Gonzaga tinha vendido. Gonzaga continuou no exército e, nas horas de folga, não deixava de ouvir músicas no rádio. Aí, decidiu fazer um concurso para músico, no exército mesmo – mas foi reprovado. Não conhecia a escala musical. Então, virou soldado-corneteiro e ganhou o apelido de Bico de Aço. Ainda no exército, em 1936, aprendeu a tocar sanfona de 120 baixos; comprou uma de 48 baixos e tocou em algumas festas. Ele pagou uma pequena fortuna para comprar uma sanfona branca, Honner, de 80 baixos, de um caixeiro-viajante. Só que o cara era um vigarista. Luiz Gonzaga, que a essa altura servia em um quartel em Ouro Preto (MG), foi então pra São Paulo atrás do vendedor pilantra. Não conseguiu achar o sujeito, mas não voltou de mãos vazias. Com o dinheiro que faltava pagar ao caixeiro-viajante, comprou uma sanfona igualzinha a que o fulaninho que o enganou ofereceu a ele.
Em 1939, Gonzaga deu baixa do exército. Voltou para o Rio com intenção de, de lá, ir para casa em Exu. Mas acabou ficando na Cidade Maravilhosa. Foi no Rio que apresentou pela primeira vez em um palco, o cabaré chamado O Tabu.
Ritmos estrangeiros invadiram o país como consequência da grande guerra e Luiz Gonzaga não se fez de rogado: tocava todo tipo de música, incluindo blues e fox trot. Voltando às raízes, em 1940 foi ao programa de rádio de Ary Barroso, Calouros em Desfile; tocou a música “Vira e Mexe”, de sua terra, e conseguiu nota máxima. Então, ele foi trabalhar com Zé do Norte no A Hora Sertaneja, programa da Rádio Transmissora. No ano seguinte, assinou contrato com gravadora RCA Victor e lançou 4 músicas em um disco de 78 rotações. Gravou mais dois e ganhou destaque na mídia. Gonzagão gravou 30 discos instrumentais - não podia cantar neles por imposição da gravadora. Seu sucesso, até então, era apenas como sanfoneiro.
Ritmos estrangeiros invadiram o país como consequência da grande guerra e Luiz Gonzaga não se fez de rogado: tocava todo tipo de música, incluindo blues e fox trot. Voltando às raízes, em 1940 foi ao programa de rádio de Ary Barroso, Calouros em Desfile; tocou a música “Vira e Mexe”, de sua terra, e conseguiu nota máxima. Então, ele foi trabalhar com Zé do Norte no A Hora Sertaneja, programa da Rádio Transmissora. No ano seguinte, assinou contrato com gravadora RCA Victor e lançou 4 músicas em um disco de 78 rotações. Gravou mais dois e ganhou destaque na mídia. Gonzagão gravou 30 discos instrumentais - não podia cantar neles por imposição da gravadora. Seu sucesso, até então, era apenas como sanfoneiro.
Em 1943, viu o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo se apresentar com roupas de gaúcho. Decidiu, então, vestir-se com roupas típicas do nordeste. E mais: irritou-se com a interpretação que Manezinho Araújo deu a uma composição sua em parceria com Miguel Lima: “Dezessete e Setecentos”. Resolve cantá-la. E aí seu sucesso só fez crescer, crescer e crescer. Gonzagão foi para a Rádio Nacional, onde Paulo Gracindo acabou divulgando seu novo apelido, Lua, por ter cara redonda. Em 1945, gravou seu primeiro disco tocando e cantando. O hit é “Dança Mariquinha”. O sucesso aumentou. Gravou mais e, em 1947, lançou a música que é um ícone de sua obra e um dos grandes clássicos da MPB: “Asa Branca”, em parceria com Humberto Teixeira. Foi também nessa época que adotou o acessório que marcou sua imagem, um chapéu de couro igual ao que Lampião usava. No ano seguinte, casou-se com Helena das Neves. Mas Luiz Gonzaga já tinha um filho de 3 anos de uma relação anterior, Luiz Gonzaga do Nascimento Junior. Posteriormente, adotou uma menina com Helena, a Rosa Maria.
Em 1949, muito preocupado com a violenta guerra entre coroneis que acontecia em Exu, resolveu trazer a família para o Rio.
Começou a compor muito, principalmente em parceria com Humberto Teixeira e Zé Dantas. Suas músicas passaram a ser gravadas também por outros intérpretes e, em 1951, ele já era o Rei do Baião. A gravadora RCA Victor trabalhava praticamente só para ele. Em 1955, gravou seu primeiro disco de 45 rotações e, em seguida, o primeiro LP, de 10 polegadas e 33 rotações. Em 1958, no auge da Bossa Nova, gravou um LP de 12 polegadas: Xamego.
Em 1961, Luiz Gonzaga resolveu virar Maçom. Sofreu seu segundo acidente de carro e feriu o olho direito. Dois anos depois, sua sanfona Universal foi roubada e ele adotou, definitivamente, a sanfona branca. Mandou gravar “É do Povo” em todos os seus instrumentos.
Depois do golpe militar, em 1965, Geraldo Vandré gravou “Asa Branca” e Gilberto Gil começou a falar do Rei do Baião em suas entrevistas. Luiz Gonzaga gravou “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, hino contra a ditadura, e “Fica Mal com Deus”, ambas compostas por Vandré.
Aconteceu uma coisa engraçada em 1968. Carlos Imperial começou a espalhar que os Beatles gravaram “Asa Branca”! Mentira, claro. Luiz Gonzaga ocupou de novo muito espaço na imprensa por causa dessa brincadeira e virou destaque na revista Veja com a matéria “Gonzaga: a volta do Baião”. Em 1971, Caetano Veloso e Sérgio Mendes gravam “Asa Branca”. O nordestino de Exu virou sucesso entre os hippies.
No ano seguinte, aos 59 anos, Gonzaga se apresentou para um público jovem no Teatro Teresa Raquel, no Rio, uma iniciativa de Capinam. Deixou a RCA Victor e foi para a Odeon. O grego Demis Roussos também gravou “Asa Branca”, em versão em inglês, “White Wings”.
Em 1980, ele cantou para o Papa João Paulo II e recebeu um “obrigado, cantador”. Ele se emocionou muito. Em 1982, virou, enfim, Gonzagão. O filho, Gonzaguinha, o acompanhou numa turnê e já mostrava que só daria orgulho ao pai. Os dois haviam gravado juntos o LPDescanso em Casa, Moro no Mundo, grande sucesso. Em 1984, ganhou seu primeiro Disco de Ouro com o LP Danado de Bom. Três anos depois, veio o Disco de Platina com Forró de Cabo a Rabo. Em 1988, foi para a gravadora Copacabana. Lá gravou seus últimos LPs.
Naquele ano, separou-se de Helena e assumiu a relação com Edelzuíta Rabelo. Em 1989, Gonzagão se apresentou pela última vez, surgindo no palco em uma cadeira de rodas. Ele sofria de osteoporose e, desobedecendo ordens médicas, participou de um show, com Dominguinhos, Alceu Valença e Gonzaguinha, entre outros, no dia 6 de junho no teatro Guararapes, em Recife. No dia 21 de junho foi internado e morreu no dia 2 de agosto, aos 76 anos, no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Curiosamente, nesse mesmo dia, uma galinha pela qual Luiz Gonzaga tinha grande estima morreu também. A galinha estava em uma das fazendas que o Rei do Baião havia vendido com tudo dentro, fazendo, porém, uma recomendação especial para cuidarem muito bem da bichinha. Dizem que ela morreu de tristeza.
Fonte:
Animações e citações .
No blog Arte na Escola Pública, encontrei estes curtas experimentais,
ótimo pra se trabalhar em sala de aula.
Se trata na verdade de curtas de animações feitas
com recortes de papeis, utilizando uma pequena cena
e uma citação de um escritor famoso!
Confira:
MAKAKINHO - turma 1702
A MENINA PREGUIÇOSA - Turma1703
CUPIIDO - Turma 1701
Telefonema de amor - 1702
Guerra de Tróia - 1703
Realmente, muito bom!
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