quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MORRE O ATOR GRIMARIO FARIAS: Um dos mestres fundadores da Cia Teatral Alegria - Alegria.

O teatro do Rio Grande do Norte ficou mais triste. Hoje despediu-se do grandioso espetaculo da vida,  um de seus representantes maís importantes. O querido ator e diretor Grimário Farias, fundador da companhia teatral Alegria Alegria. Ele tinha 78 anos de idade e partiu para uma nova jornada em outro plano.

Grimario foi um grande nome da arte de rua, sendo um dos mais antigos membros da Cia Teatral Alegria-Alegria. Ele foi um mestre, sempre disposto a ensinar, despontava sua força artistica, em meio aos palcos do teatro popularesco. A Rua era seu tablado, seu piso, sua ribalta. As cortinas sempre se abriam em qualquer praça na qual o Alegria-Alegria chegara com algum texto que interagia emoção e felicidade cenica.

A conta oficial do Alegria, Alegria publicou uma homenagem ao fundador do grupo:

“Grimário partiu para a sua nova e velha morada; que seu caminho seja iluminado por todos os feitos bondosos aqui na terra. Nossa senhora seja luz e guia nesse momento onde já não há mais dor”, diz o texto.

A atriz Fafá Fialho se emociona ao falar sobre o parceiro:

“Grimário foi meu maior parceiro no teatro. Eu comecei a sentir saudades quando ele adoeceu. Após o AVC já não dava muito para conversar, a memória falhava. Tínhamos muita afinidade, estou me sentindo meio desamparada dessa parceria. A vida é cruel”, lamentou.

Assim que a notícia da morte de Grimário foi divulgada, vários artistas homenagearam o ator e diretor potiguar. A atriz Quitéria Kelly, radicada no Rio de Janeiro, escreveu que 2026 não vem sendo um ano fácil para o teatro potiguar, uma referência também às mortes da atriz Titina Medeiros e do ator, produtor e jornalista Marcílio Amorim.

O corpo de Grimário Farias foi velado no salão nobre da Fundação José Augusto (FJA) e sepultado no cemitério de Emaús. Familiares, amigos e colegas do ator e diretor participaram da despedida. Ele deixa o companheiro Lourenço Evangelista e uma legião de admiradores. Nos últimos dias de vida, foi acompanhado por Lourenço e Ivonete Albano, amiga inseparável, também atriz e diretora teatral.

Natural do município Coronel Ezequiel (RN), Grimário é um dos grandes nomes da cena teatral do Rio Grande do Norte, em especial do teatro de rua. Ele era formado em Direito, mas nunca exerceu o ofício. Servidor público, chegou a dirigir o teatro Sandoval Wanderley, além de ocupar outros cargos na gestão do ex-secretário de Cultura de Natal, Dácio Galvão. 

Hoje se foi um grande mestre, ator, diretor e amigo. Tive o privilegio de dividir cena com Grimario. Agora, resta apenas o legado, a memoria e a semente, que fora plantada com muito amor por esse grande artista potiguar.

Salve Grimario Farias! 

Ensino de Arte na BNCC: As 6 Dimensões do Conhecimento

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento fundamental que orienta a educação básica no Brasil, estabelecendo diretrizes para o ensino em diversas áreas, incluindo a arte. O ensino de arte na BNCC é estruturado em torno de seis dimensões do conhecimento: Criação, Crítica, Estética, História, Produção e Reflexão. Neste artigo, exploraremos cada uma dessas dimensões e como elas podem ser aplicadas na prática pedagógica.

1. Dimensão da Criação

A dimensão da criação refere-se ao processo de produção artística, onde os alunos são incentivados a expressar suas ideias e sentimentos por meio de diferentes linguagens artísticas. Essa dimensão promove a criatividade e a originalidade, permitindo que os estudantes explorem suas habilidades e desenvolvam um olhar crítico sobre suas próprias produções.

Atividades sugeridas:

Oficinas de pintura e desenho.

Criação de peças teatrais.

Produção de vídeos e curtas-metragens.


2. Dimensão da Crítica

A crítica é essencial para o desenvolvimento do pensamento analítico dos alunos. Nessa dimensão, os estudantes aprendem a avaliar obras de arte, tanto as suas quanto as de outros artistas. Isso envolve a análise de elementos como técnica, estilo, contexto histórico e cultural, promovendo um debate enriquecedor sobre a arte.

Atividades sugeridas:

Discussões em grupo sobre obras de arte.

Elaboração de resenhas críticas.

Visitas a museus e galerias, seguidas de debates.


3. Dimensão da Estética

A estética aborda a percepção e a apreciação da beleza nas artes. Essa dimensão permite que os alunos desenvolvam um senso estético, aprendendo a identificar e valorizar diferentes formas de expressão artística. A estética também envolve a reflexão sobre o que é considerado belo em diferentes culturas e épocas.

Atividades sugeridas:

Criação de exposições de arte.

Debates sobre o conceito de beleza em diferentes culturas.

Estudos sobre movimentos artísticos e suas influências estéticas.


4. Dimensão da História

A história da arte é fundamental para contextualizar as produções artísticas. Nessa dimensão, os alunos aprendem sobre os principais movimentos artísticos, artistas e obras que marcaram a história da arte. Essa compreensão histórica enriquece a apreciação e a produção artística dos estudantes.

Atividades sugeridas:

Pesquisas sobre artistas e movimentos artísticos.

Elaboração de cronogramas históricos da arte.

Apresentações sobre a evolução da arte em diferentes períodos.


5. Dimensão da Produção

A produção artística envolve não apenas a criação, mas também o processo de materialização das ideias. Os alunos devem aprender sobre os diferentes materiais e técnicas disponíveis, bem como sobre o planejamento e a execução de projetos artísticos. Essa dimensão é crucial para que os estudantes se tornem proficientes em suas habilidades artísticas.

Atividades sugeridas:

Experimentos com diferentes técnicas de pintura e escultura.

Desenvolvimento de projetos artísticos em grupo.

Participação em feiras de arte e exposições.


6. Dimensão da Reflexão

A reflexão é uma parte importante do processo de aprendizagem. Nessa dimensão, os alunos são incentivados a pensar criticamente sobre suas experiências artísticas, tanto na criação quanto na apreciação. A reflexão ajuda os estudantes a desenvolverem uma postura crítica e a se tornarem mais conscientes de suas escolhas artísticas.

Atividades sugeridas:

Diários de bordo sobre o processo criativo.

Reflexões escritas sobre obras de arte estudadas.

Debates sobre o impacto da arte na sociedade.


O ensino de arte na BNCC é uma oportunidade valiosa para desenvolver habilidades essenciais nos alunos, como criatividade, pensamento crítico e apreciação estética. Ao explorar as seis dimensões do conhecimento, os educadores podem criar um ambiente de aprendizagem rico e diversificado, que valoriza a expressão artística e promove o desenvolvimento integral dos estudantes. Ao implementar essas dimensões em suas práticas pedagógicas, os professores podem contribuir significativamente para a formação de cidadãos mais críticos e criativos.


Perguntas Frequentes


1. O que é a BNCC?

A BNCC é a Base Nacional Comum Curricular, um documento que orienta o ensino nas escolas brasileiras, estabelecendo diretrizes e conteúdos essenciais para a educação básica.


2. Quais são as dimensões do conhecimento no ensino de arte?

As dimensões são: Criação, Crítica, Estética, História, Produção e Reflexão.


3. Como posso aplicar essas dimensões na sala de aula?

Você pode desenvolver atividades práticas, debates, pesquisas e reflexões que envolvam os alunos em cada uma das dimensões do conhecimento.


4. A arte é importante na educação básica?

Sim, a arte é fundamental para o desenvolvimento da criatividade, do pensamento crítico e da apreciação estética dos alunos.


5. Quais atividades posso realizar para estimular a criação artística?

Oficinas de pintura, produção de peças teatrais e criação de vídeos são algumas sugestões que podem estimular a criação artística.


6. Como a história da arte pode ser ensinada?

A história da arte pode ser ensinada por meio de pesquisas, apresentações e visitas a museus, promovendo um entendimento contextualizado das obras e movimentos artísticos.


Texto original disponivel em:


terça-feira, 29 de setembro de 2026

A ARTE DO DESENHO: Como essa linguagem artistica comunica-se com as culturas no passar do tempo.

Imagem de desenhos rupestres - Daniel Flesher 

Compreendemos que o desenho é uma das formas mais antigas e imediatas de comunicação humana, pois servem como uma das linguagens visuais que transcendem barreiras verbais e antecedendo a própria escrita, como forma de diálogo sobre quasquer ideia pré-concebida.

Não é de hoje que o desenho se mostra presente na sociedade como um meio de comunicar ideias. Isso ocorre desde a antiguidade, pois essa linguagem artistica sempre foi utilizada como forma de expressão pelo homem que deixava suas marcas e registros de sua história . Estando o desenho sempre presente na vida dos povos, tornando assim uma técnica muito utilizada em diversos grupos sociais, durante toda a linha cronológica da humanidade. 

É importante entender que essa comunicação através desses grafismos são comuns desde a pré historia, uma vez que a humanidade já sentia a necessidade de buscar meios de expressão, o que foi essencial para a construção do conhecimento obtido para a nossa atualidade.


Os grafismos indígenas são sistemas complexos de comunicação visual, expressão cultural e identidade étnica utilizados pelos povos originários. Longe de serem meros elementos decorativos, esses padrões geométricos e simétricos funcionam como uma "escrita viva" que transmite a cosmologia, a história, o status social e a relação de cada povo com a natureza e o sagrado.

Desde então o desenho assumiu diferentes papéis. No Egito, por exemplo, essa linguagem era frequentemente utilizada como meio de expressão, pois o desenho era comumente encontrado em túmulos e nos templos construídos na região. Para essa estética, a Lei da Frontalidade se convencionava, destacando as partes do corpo, representadas pelo seu ângulo anatomicamente mais característico e fácil de reconhecer. 

O desenho no  Egito antigo seguia o principio regido pela Lei da Frontalidade, que era  a regra estética mais marcante dessa sociedade, determinando que a figura humana não deve ser desenhada imitando o realismo tridimensional, mas sim combinando múltiplos pontos de vista em uma mesma imagem. 

Mapa criado por desenhos simples.

O desenho também foi utilizado na confecção de mapas com a finalidade de facilitar atividades comerciais entra os povos da Mesopotâmia do oriente e ocidente. Desse modo surge então a cartografia, técnica criada para representar graficamente a superfície terrestre por meio de mapas, cartas, plantas e globos. Funcionando como uma ferramenta essencial da geografia para traduzir informações espaciais complexas em produtos práticos e visuais, permitindo a localização, orientação e gestão do território.

Mesmo que não haja um consenso entre pesquisadores, é possível apontar fortes candidatos ao título. O principal deles é uma pequena tabuleta de argila datada de cerca de 2.500 a.C. e encontrada no território onde hoje fica o Iraque, na antiga região da Mesopotamia — o berço das primeiras civilizações humanas. Conhecida como Mapa de Ga-Sur, a peça foi encontrada nas ruínas da cidade suméria de Nuzi, próxima à moderna Kirkuk. Hoje, está preservada no Museu do Antigo Oriente, em Istambul, na Turquia.

O desenho por sí ja se mostra nos primeiros estagios da comunicação humana, é ainda na infancia que surgem as garatujas. Nesse momento a criança se expressa por meio de rabiscos sem um ordenamento dos mesmos. Um desenvolvimento gradativo vai sendo alcançado pela criança e aos poucos, ela vai organizando e controlando os traços que produz. Isso tudo se revela través da arte do desenho.
Garatuja criada por criança


Desse modo, é nítido compreender que na trajetoria da vida, o homem sempre desenhou. Expressou-se  através dos registros gráficos, provas e vivencias de sua existência. O desenho, por sua vez, é uma linguagem antiga que sempre foi permanente,  estando presente desde as primeira culturas da terra. O desenho atravessou as fronteiras espaciais e temporais, e, devido a sua simplicidade, acessibilidade e possibilidades de expressar ideias, a arte do desnho, expande-se além da estética, pois formula uma comunicção estabelecida entre as sociedades e maior que isso, liberta o artista para expressar sua força criativa e liberdade de opinião sobre o que deseja falar.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

EUGENIO KUSNET: O maior discipulo do metodo de Stanislávski nos palcos brasileiros.

 


Ator de formação stanislavskiana, criador de papéis memoráveis e professor de toda uma geração de artistas entre os anos 1950 e 1970. Eugênio Kusnet tambem foi diretor e professor de interpretação de origem russa que se consagrou como o principal propagador e sistematizador das ideias de Konstantin Stanislávski no teatro brasileiro. Vale ressaltar que Stanislavski é mundialmente conhecido pelo seu "sistema" de atuação para atores e atrizes, onde reflete sobre as melhores técnicas de treinamento, preparação e sobre os procedimentos de ensaios. Embora pensadas para o teatro, suas proposituras cênicas são largamente utilizadas por artistas de cinema e televisão.

Kusnet estreia nos palcos brasileiros em 1951, no espetáculo Paiol Velho, de Abílio Pereira de Almeida, com direção de Ziembinski. Em seguida, integrou o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), participando de peças históricas como Seis Personagens à Procura de um Autor e O Canto da Cotovia. No Teatro de Arena por exemplo, que hoje leva seu nome, Kusnet se destacou em montagens como Eles Não Usam Black-Tie e A Alma Boa de Setsuan. 
Eugenio com Lélia Abramo no Teatro de Arena em 1958

Posteriormente, no Teatro Oficina, tornou-se referência como ator e professor, orientando artistas que se consagraram no palco e na televisão. Sua carreira vem então a se consolidar ao integrar a Fundação das Artes, Kusnet consolidou sua vocação como mestre e formador de atores. Como professor e coordenador do curso de teatro da instituição, desenvolveu um trabalho inovador, pautado pela improvisação e pelo cotidiano do ator, formando gerações que levaram seus ensinamentos para a cena brasileira.

A FASCS foi também o último espaço em que Kusnet deu aulas. Em julho de 1975, pouco antes de sua morte, reuniu sua turma e despediu-se temporariamente dizendo que “logo, logo, estaria de volta”. Seu caderno de anotações, interrompido em 24 de julho daquele ano, guarda o registro do último exercício acompanhado na escola — páginas que permaneceram em branco, mas que simbolizam a continuidade de seu legado. Faleceu em 29 de agosto daquele mesmo ano, em São Paulo.

O trabalho de Kusnet tinha como base uma pedagogia centrada na Ação Física e no desenvolvimento consciente da criatividade do ator. Pedagogia esta, que se moldava por exemplo no "Método da Ação Inconsciente", que tinha por objetivo: o foco em traduzir os sentimentos e os estados psicológicos do personagem por meio de ações físicas concretas e intencionais em cena, evitando o falso melodrama ou o excesso de pieguice intelectual.

Além do estudo acerca do "tempo-ritmo", o metodo tambem visava utilizar a atuação do ator pela "Imaginação Ativa", este sistema visava o estímulo constante à capacidade de criar realidades sensoriais e vivências verossímeis no palco a partir de estímulos internos e externos.

Seguindo essa trajetoria teatral, é importante salientar que: A relação de Kusnet com o sistema de Stanislavski  foi a de um discípulo fiel e difusor profundo. Por ter vivenciado a cultura russa e dominado os conceitos de Stanislávski em sua raiz, Kusnet traduziu, adaptou e ensinou esses preceitos de forma pragmática para o contexto brasileiro. Seus livros — como Iniciação à Arte Dramática e Introdução ao Método da Ação Inconsciente — serviram de guia prático para que o teatro brasileiro superasse a declamação antiga e adotasse uma interpretação mais orgânica, verdadeira e consciente.


Disponivel em:
https://abcdoabc.com.br/fascs-celebra-o-legado-de-eugenio-kusnet-para-o-teatro-brasileiro/

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/21600-eugenio-kusnet

https://cartaodevisita.r7.com/conteudo/5362/eterna-memoria-eugenio-kusnet

https://outraspalavras.net/poeticas/eugenio-kusnet-retrato-de-um-artifice/

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3692963/fundacao-das-artes-celebra-o-legado-de-eugenio-kusnet-para-o-teatro-brasileiro/







A MORTE DE MARAT: As pistas complexas escondidas na obra-prima de Jacques-Louis David

 


A Morte de Marat, de Jacques-Louis David, pode parecer uma simples pintura que retreta uma conhecida cena de assassinato: a do revolucionário francês Jean-Paul Marat, esfaqueado até a morte durante o banho em 13 de julho de 1793.

No entanto, quando nos debruçamos sobre o quadro diante de nós, percebemos que a figura do jornalista assassinado — o mesmo que havia pressionado pela execução do rei Luís XVI — é na verdade um enorme quebra-cabeça composto por detalhes duplos que perturbam a metade inferior da tela – duas penas, duas datas, duas cartas, duas mulheres ausentes, duas caixas, duas assinaturas, dois corpos mortos. Por meio desse recurso visual, a obra exalta Marat, transformando uma pessoa comum em um Messias secular sacrificado.

A análise da pintura icônica revela um conflito que se desdobra através dos gestos contrastantes das mãos do protagonista. No lado direito, a mão do político francês Jean-Paul Marat segura a pena que utilizava para escrever momentos antes de ser assassinado com uma faca de cabo de pérola, que repousa a poucos centímetros dele. A posição dessa mão, pendendo inerte, lembra a imagem das mãos de Cristo na escultura “Pietà” de Michelangelo e na pintura “O Sepultamento de Cristo” de Caravaggio.

Por outro lado, a mão esquerda de Marat está rigidamente posicionada, segurando uma carta manchada de sangue, remetendo ao foco oposto de sua atenção no momento fatal. Como destaca o portal BBC, esse contraste entre a vitalidade que persiste em uma das mãos e a morte que consome a outra provoca no observador uma reflexão sobre os limites entre os mundos dos vivos e dos mortos.

A complexidade dessa dualidade é acentuada pela escolha de David de incluir não uma, mas duas penas no cenário. A pena que Marat segura, ainda molhada com tinta, aponta para o caixote que servia como sua mesa, onde se encontra uma segunda pena cuja ponta negra parece indicar diretamente a ferida fatal. Essa representação suscita a seguinte questão: teria sido a faca que tirou a vida de Marat ou as palavras? Na obra de David, ambos os instrumentos se complementam e se desafiam mutuamente.

Quando examinamos os escritos presentes na pintura, encontramos duas cartas dispostas em destaque. A primeira, firmemente segurada por Marat com a mão esquerda, é uma missiva escrita por Charlotte Corday, sua assassina. Nesta correspondência, Corday manipula sua vulnerabilidade ao afirmar: “Basta que eu seja muito infeliz de ter direito à sua bondade.” O texto é claro: a benevolência de Marat acabou por se tornar sua ruína.

Abaixo da carta de Corday, há outra missiva, esta escrita por Marat. Este documento estava em andamento no instante do ataque e está sustentado por um assignat — um tipo de moeda revolucionária — considerado pelos estudiosos como uma das primeiras representações da moeda papel na arte ocidental. Neste bilhete, Marat expressa sua generosidade ao prometer cinco libras para uma mãe em dificuldades que havia perdido o marido defendendo a pátria. Mesmo em sua morte trágica, Marat é retratado como alguém generoso.

As cartas não apenas traçam as linhas da enganação e da bondade, mas evocam também fantasmas representativos. De um lado está Corday, a assassina ardilosa que entrou no lar de Marat com um punhal oculto sob seu xale; do outro, está a figura invisível da viúva aflita pela qual Marat estava disposto a lutar. Este confronto entre forças femininas — uma simbolizando o bem e outra o mal — remete a tradições artísticas históricas onde artistas exploravam as tensões entre virtude e vício. A abordagem de David atualiza esta narrativa clássica para o contexto revolucionário da época, enfatizando que o destino de toda uma nação estava em jogo.

As pinturas geralmente contam com uma assinatura. A Morte de Marat, no entanto, tem duas. Uma, rabiscada no centro da tela, pertence a Corday e foi falsificada por David na recriação da carta que ela escreveu para Marat. A segunda, a do autor, está perto da parte inferior da pintura. Um detalhe interessante é que, ao gravar seu nome nos próprios móveis da obra, David se insere na cena do crime. Pode parecer um gesto macabro, mas, ao fazer isso, o autor não está confessando o assassinato de Marat, mas declarando lealdade à sua agenda política. Dessa forma, ele afirma: “agora somos todos Marat”.

Ao observar os detalhes sob sua assinatura — onde David inscreve “L’an deux”, indicando o segundo ano do calendário revolucionário — estabelece-se uma tensão temporal entre o calendario cristão e o revolucionário. A data nítida e legível está entre os dígitos separados e parcialmente apagados do ano “1793”. Isso indica uma abolição total do tempo cristão em favor de medições revolucionárias.

No fim, o que o artista faz é projetar um retrato duplo da cena trágica. Assim, ele transforma o assassinato em mito enquanto o corpo físico do homem morto é transformado em em uma figura mística.


Texto publicado originalmente em:

https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/a-morte-de-marat-as-pistas-complexas-escondidas-na-obra-prima-de-jacques-louis-david.phtml

sábado, 26 de setembro de 2026

BREVE HISTORICO DO TECLADO. Um dos instrumentos mais conectados a contemporaneidade.

Sabemos que instrumentos de teclas fazem parte da música desde o século XIV. Ente eles estão o órgão, o cravo e o piano. Estes são claros exemplos de instrumentos da época que acabaram sendo desenvolvidos e originando o que conhecemos atualmente como teclado. Mas afinal, o que sabemos sobre este instrumento tão magnifico? Vamos descobrir?

O teclado é um instrumento eletrônico originado de instrumentos de teclas como o órgão, o cravo e o piano. Segundo o que se sabe, é que em 1928, o músico e pesquisador Maurice Martenot concebeu o  primeiro instrumento de teclas eletrônico: o Ondas Martenot. 

O Ondas Martenot produzia um som parecido com o de um órgão, com várias oscilações e foi usado por muitos músicos e compositores da época, porem não chegou a ser identificado como teclado.

Anos mais tarde, na década de 60, Robert Moog criou o primeiro sintetizador que reproduzia fielmente o som do piano e de outros instrumentos. O modelo era de tamanho exageradamente grande e de difícil afinação, características nem um pouco funcionais. Além disso, era de preço muito elevado, sendo um instrumento de baixa acessibilidade.

Sintetizador Moog

Com o passar do tempo, suas características foram sendo cada vez melhor desenvolvidas. Foram fabricados modelo melhores afinados e de tamanhos menores, atendendo à praticidade que tanto os músicos buscaram. Hoje os modelos disponibilizam diversos recursos de qualidade com diversas possibilidades. Além disso, a tecnologia permite a utilização de sons de diversos instrumentos e a conexão com computadores, otimizando ainda mais o uso do instrumento.

O teclado que conhecemos atualmente é formado por um sistema eletrônico. Possui cerca de 25 a 88 teclas e um painel que mostra os recursos disponíveis e utilizados.

A maioria dos modelos são integrados com alto-falantes para a reprodução do som tocado, mas também existem aqueles que podem ser conectados a amplificadores, permitindo uma maior projeção do som. O som produzido a partir da pressão das teclas é realista, reproduzindo sons tanto de piano, quanto de instrumentos de cordas, sopro, percussão e até a voz.

O teclado é muito utilizado hoje em dia. Sua praticidade facilita o aprendizado do instrumento, além de ser leve e de fácil transporte, diferente do piano, por exemplo. Atualmente podem ser encontrados até modelos portáteis e compactos, feitos de material maleável e que funcionam com botões, permitindo que o músico guarde o instrumento até em uma mochila.

Os instrumentos de tecla auxilia no desenvolvimento do cérebro, já que exige movimentos das duas mãos, exercitando os dois lados do cérebro. É uma ótima alternativa para se aprender e, como qualquer outro instrumento, a prática leva ao aperfeiçoamento desse aprendizado.


Base do texto disponivel em:

https://musicvaz.com.br/blog/de-volta-ao-passado-a-historia-e-as-partes-do-teclado/