Ator de formação stanislavskiana, criador de papéis memoráveis e professor de toda uma geração de artistas entre os anos 1950 e 1970. Eugênio Kusnet tambem foi diretor e professor de interpretação de origem russa que se consagrou como o principal propagador e sistematizador das ideias de Konstantin Stanislávski no teatro brasileiro. Vale ressaltar que Stanislavski é mundialmente conhecido pelo seu "sistema" de atuação para atores e atrizes, onde reflete sobre as melhores técnicas de treinamento, preparação e sobre os procedimentos de ensaios. Embora pensadas para o teatro, suas proposituras cênicas são largamente utilizadas por artistas de cinema e televisão.
Kusnet estreia nos palcos brasileiros em 1951, no espetáculo Paiol Velho, de Abílio Pereira de Almeida, com direção de Ziembinski. Em seguida, integrou o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), participando de peças históricas como Seis Personagens à Procura de um Autor e O Canto da Cotovia. No Teatro de Arena por exemplo, que hoje leva seu nome, Kusnet se destacou em montagens como Eles Não Usam Black-Tie e A Alma Boa de Setsuan.
Posteriormente, no Teatro Oficina, tornou-se referência como ator e professor, orientando artistas que se consagraram no palco e na televisão. Sua carreira vem então a se consolidar ao integrar a Fundação das Artes, Kusnet consolidou sua vocação como mestre e formador de atores. Como professor e coordenador do curso de teatro da instituição, desenvolveu um trabalho inovador, pautado pela improvisação e pelo cotidiano do ator, formando gerações que levaram seus ensinamentos para a cena brasileira.
A FASCS foi também o último espaço em que Kusnet deu aulas. Em julho de 1975, pouco antes de sua morte, reuniu sua turma e despediu-se temporariamente dizendo que “logo, logo, estaria de volta”. Seu caderno de anotações, interrompido em 24 de julho daquele ano, guarda o registro do último exercício acompanhado na escola — páginas que permaneceram em branco, mas que simbolizam a continuidade de seu legado. Faleceu em 29 de agosto daquele mesmo ano, em São Paulo.
O trabalho de Kusnet tinha como base uma pedagogia centrada na Ação Física e no desenvolvimento consciente da criatividade do ator. Pedagogia esta, que se moldava por exemplo no "Método da Ação Inconsciente", que tinha por objetivo: o foco em traduzir os sentimentos e os estados psicológicos do personagem por meio de ações físicas concretas e intencionais em cena, evitando o falso melodrama ou o excesso de pieguice intelectual.
Além do estudo acerca do "tempo-ritmo", o metodo tambem visava utilizar a atuação do ator pela "Imaginação Ativa", este sistema visava o estímulo constante à capacidade de criar realidades sensoriais e vivências verossímeis no palco a partir de estímulos internos e externos.
Seguindo essa trajetoria teatral, é importante salientar que: A relação de Kusnet com o sistema de Stanislavski foi a de um discípulo fiel e difusor profundo. Por ter vivenciado a cultura russa e dominado os conceitos de Stanislávski em sua raiz, Kusnet traduziu, adaptou e ensinou esses preceitos de forma pragmática para o contexto brasileiro. Seus livros — como Iniciação à Arte Dramática e Introdução ao Método da Ação Inconsciente — serviram de guia prático para que o teatro brasileiro superasse a declamação antiga e adotasse uma interpretação mais orgânica, verdadeira e consciente.
Disponivel em:
https://abcdoabc.com.br/fascs-celebra-o-legado-de-eugenio-kusnet-para-o-teatro-brasileiro/
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/21600-eugenio-kusnet
https://cartaodevisita.r7.com/conteudo/5362/eterna-memoria-eugenio-kusnet
https://outraspalavras.net/poeticas/eugenio-kusnet-retrato-de-um-artifice/
https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3692963/fundacao-das-artes-celebra-o-legado-de-eugenio-kusnet-para-o-teatro-brasileiro/
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