sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cia GIRA DANÇA: Um lugar onde a inclusão se estende além da arte.

Foto por Brunno Martins/ Giradança

Quando falamos em dança, o que vem em nossa mente, é um corpo em movimento, seguindo uma compasso sistematicamente  coreografado. Ligamos a dança a corpos padronizados, ditos "perfeitos" que se expressam artisticamente. Porém, essa visão de uma arte feita para suprir necessidades de certos padrões, que limitam o seu fazer pra alguns, não tem continuidade, quando a Companhia Giradança entra em cena.  

A Giradança se destaca como uma renomada companhia de dança contemporânea natalense, referencia na arte cênica potiguar. O seu diferencial está na inclusão. O que a torna mais especial, não só no estado do Rio Grande do Norte, mas em outras partes do Brasil e tambem internacionalmente, tudo isso devido a sua proposta de dança inclusiva, que integra bailarinos com e sem deficiência. 

Foto por Brunno Martins/ Giradança

A Giradança foi criada em 2005 pelos bailarinos Anderson Leão e Roberto Morais, o trabalho artístico do grupo é focado nas possibilidaes de o corpo se mostrar como ferramenta de experiências, que rompem preconceitos e que expandem os limites tradicionais da dança contemporânea. Isso torna a proposta da companhia, um divisor de águas dentro do panorama artistico. Uma vez que se põe em debate, as possibilidades criativas de corpos considerados limitados.

A Cia potiguar tem como Proposta Artística: Investigar a diversidade dos corpos em cena, ressignificando as limitações físicas e transformando-as em potência estética e linguagem coreográfica própria.

A Cia de dança contemporanea já se apresentou em mais de 15 estados brasileiros e em países como a Alemanha. O valor simbolico do Giradança é tão grande, que o coletivo foi condecorado com a prestigiada honraria da Ordem do Mérito Cultural, que por sua vez é a mais alta honraria pública da cultura brasileira, concedida pelo Ministerio da Cultura (MinC) a pessoas, coletivos e instituições que se destacam por relevantes contribuições à cultura do país.

O repertório autoral da Cia potiguar conta com colaborações de coreógrafos importantes e inclui espetáculos como "Graça", "Sem Conservantes", "Feche os Olhos", "Bando" e a filmedança "Economia da Encarnação". Além disso, o grupo tambem circula pelo estado levando suas propostas artisticas, como tambem compartilha seus conhecimentos através de oficinas voltadas para a linguagem artistica.

Desse modo, podemos concluir, que o Giradança é bem mais do que um grupo de artes cenicas, ele se destaca como um lugar de afetos e igualdade por meio da inclusão de corpos e vivencias.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

MISSÃO ARTISTICA FRANCESA NO BRASIL

A Missão Artística Francesa foi um grupo de artistas, arquitetos e artífices franceses que desbarcou no Rio de Janeiro em março de 1816, cujo o objetivo principal era institucionalizar o ensino oficial das artes plásticas no Brasil e modernizar a cultura da nova sede da corte portuguesa. Amparado pelo governo de Dom João VI, o movimento rompeu com a forte tradição barroca colonial e introduziu o estilo Neoclássico no país, estabelecendo as bases do ensino acadêmico superior de artes.

A vinda do grupo está diretamente ligada à transferência da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808. Com a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido em 1815, havia uma necessidade premente de modernização urbana e cultural da capital. Ao mesmo tempo, com a queda definitiva de Napoleão Bonaparte em 1815, muitos artistas franceses de prestígio que eram associados ao antigo regime napoleônico viram-se sem espaço político e desempregados na Europa, encontrando no projeto ultramarino uma oportunidade de recomeço.

O grupo foi organizado e liderado por Joachim Lebreton, um importante intelectual e administrador cultural francês. Entre os membros mais destacados estavam:

Retrato de J. B Debret

Jean-Baptiste Debret (Pintor): Tornou-se um dos nomes mais célebres da Missão. Suas aquarelas e gravuras foram fundamentais para documentar minuciosamente o cotidiano, a sociedade, a corte e os horrores da escravidão no Brasil do século XIX.

A Familia brasileira no Rio é uma das telas mais famosas de Debret

Nicolas-Antoine Taunay (Pintor): Esse artistas dedicou-se principalmente a retratar as paisagens naturais e as riquezas do Rio de Janeiro. Ao contrario de Debret, que visava mais uma representação etnocentrica e de comportamento dos sujeitos.

Grandjean de Montigny (Arquiteto): Introduziu as linhas simétricas, colunas e frontões da arquitetura neoclássica no país, projetando edifícios emblemáticos na capital fluminense

Projeto da Praça do Comércio (planta baixa, corte e fachada)
Grandjean de Montigny

Auguste-Marie Taunay (Escultor): Este foi um dos artistas responsáveis por disseminar as técnicas de escultura clássica europeia.

Busto de Camões, s/d

Meses após a chegada, um decreto de Dom João VI instituiu a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios. Após anos de intrigas políticas, escassez de recursos e resistência de artistas locais adeptos do barroco, a instituição foi finalmente inaugurada em 1826 como a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA).

Desse modo, compreendemos que a Missão Artistica Francesa deixou um valioso acervo iconográfico, etnográfico e histórico sobre a formação da sociedade brasileira, além de consolidar o modelo acadêmico de arte que dominaria o cenário nacional durante todo o século XIX.


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MORRE O ATOR GRIMARIO FARIAS: Um dos mestres fundadores da Cia Teatral Alegria - Alegria.

O teatro do Rio Grande do Norte ficou mais triste. Hoje despediu-se do grandioso espetaculo da vida,  um de seus representantes maís importantes. O querido ator e diretor Grimário Farias, fundador da companhia teatral Alegria Alegria. Ele tinha 78 anos de idade e partiu para uma nova jornada em outro plano.

Grimario foi um grande nome da arte de rua, sendo um dos mais antigos membros da Cia Teatral Alegria-Alegria. Ele foi um mestre, sempre disposto a ensinar, despontava sua força artistica, em meio aos palcos do teatro popularesco. A Rua era seu tablado, seu piso, sua ribalta. As cortinas sempre se abriam em qualquer praça na qual o Alegria-Alegria chegara com algum texto que interagia emoção e felicidade cenica.

A conta oficial do Alegria, Alegria publicou uma homenagem ao fundador do grupo:

“Grimário partiu para a sua nova e velha morada; que seu caminho seja iluminado por todos os feitos bondosos aqui na terra. Nossa senhora seja luz e guia nesse momento onde já não há mais dor”, diz o texto.

A atriz Fafá Fialho se emociona ao falar sobre o parceiro:

“Grimário foi meu maior parceiro no teatro. Eu comecei a sentir saudades quando ele adoeceu. Após o AVC já não dava muito para conversar, a memória falhava. Tínhamos muita afinidade, estou me sentindo meio desamparada dessa parceria. A vida é cruel”, lamentou.

Assim que a notícia da morte de Grimário foi divulgada, vários artistas homenagearam o ator e diretor potiguar. A atriz Quitéria Kelly, radicada no Rio de Janeiro, escreveu que 2026 não vem sendo um ano fácil para o teatro potiguar, uma referência também às mortes da atriz Titina Medeiros e do ator, produtor e jornalista Marcílio Amorim.

O corpo de Grimário Farias foi velado no salão nobre da Fundação José Augusto (FJA) e sepultado no cemitério de Emaús. Familiares, amigos e colegas do ator e diretor participaram da despedida. Ele deixa o companheiro Lourenço Evangelista e uma legião de admiradores. Nos últimos dias de vida, foi acompanhado por Lourenço e Ivonete Albano, amiga inseparável, também atriz e diretora teatral.

Natural do município Coronel Ezequiel (RN), Grimário é um dos grandes nomes da cena teatral do Rio Grande do Norte, em especial do teatro de rua. Ele era formado em Direito, mas nunca exerceu o ofício. Servidor público, chegou a dirigir o teatro Sandoval Wanderley, além de ocupar outros cargos na gestão do ex-secretário de Cultura de Natal, Dácio Galvão. 

Hoje se foi um grande mestre, ator, diretor e amigo. Tive o privilegio de dividir cena com Grimario. Agora, resta apenas o legado, a memoria e a semente, que fora plantada com muito amor por esse grande artista potiguar.

Salve Grimario Farias! 

Ensino de Arte na BNCC: As 6 Dimensões do Conhecimento

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento fundamental que orienta a educação básica no Brasil, estabelecendo diretrizes para o ensino em diversas áreas, incluindo a arte. O ensino de arte na BNCC é estruturado em torno de seis dimensões do conhecimento: Criação, Crítica, Estética, História, Produção e Reflexão. Neste artigo, exploraremos cada uma dessas dimensões e como elas podem ser aplicadas na prática pedagógica.

1. Dimensão da Criação

A dimensão da criação refere-se ao processo de produção artística, onde os alunos são incentivados a expressar suas ideias e sentimentos por meio de diferentes linguagens artísticas. Essa dimensão promove a criatividade e a originalidade, permitindo que os estudantes explorem suas habilidades e desenvolvam um olhar crítico sobre suas próprias produções.

Atividades sugeridas:

Oficinas de pintura e desenho.

Criação de peças teatrais.

Produção de vídeos e curtas-metragens.


2. Dimensão da Crítica

A crítica é essencial para o desenvolvimento do pensamento analítico dos alunos. Nessa dimensão, os estudantes aprendem a avaliar obras de arte, tanto as suas quanto as de outros artistas. Isso envolve a análise de elementos como técnica, estilo, contexto histórico e cultural, promovendo um debate enriquecedor sobre a arte.

Atividades sugeridas:

Discussões em grupo sobre obras de arte.

Elaboração de resenhas críticas.

Visitas a museus e galerias, seguidas de debates.


3. Dimensão da Estética

A estética aborda a percepção e a apreciação da beleza nas artes. Essa dimensão permite que os alunos desenvolvam um senso estético, aprendendo a identificar e valorizar diferentes formas de expressão artística. A estética também envolve a reflexão sobre o que é considerado belo em diferentes culturas e épocas.

Atividades sugeridas:

Criação de exposições de arte.

Debates sobre o conceito de beleza em diferentes culturas.

Estudos sobre movimentos artísticos e suas influências estéticas.


4. Dimensão da História

A história da arte é fundamental para contextualizar as produções artísticas. Nessa dimensão, os alunos aprendem sobre os principais movimentos artísticos, artistas e obras que marcaram a história da arte. Essa compreensão histórica enriquece a apreciação e a produção artística dos estudantes.

Atividades sugeridas:

Pesquisas sobre artistas e movimentos artísticos.

Elaboração de cronogramas históricos da arte.

Apresentações sobre a evolução da arte em diferentes períodos.


5. Dimensão da Produção

A produção artística envolve não apenas a criação, mas também o processo de materialização das ideias. Os alunos devem aprender sobre os diferentes materiais e técnicas disponíveis, bem como sobre o planejamento e a execução de projetos artísticos. Essa dimensão é crucial para que os estudantes se tornem proficientes em suas habilidades artísticas.

Atividades sugeridas:

Experimentos com diferentes técnicas de pintura e escultura.

Desenvolvimento de projetos artísticos em grupo.

Participação em feiras de arte e exposições.


6. Dimensão da Reflexão

A reflexão é uma parte importante do processo de aprendizagem. Nessa dimensão, os alunos são incentivados a pensar criticamente sobre suas experiências artísticas, tanto na criação quanto na apreciação. A reflexão ajuda os estudantes a desenvolverem uma postura crítica e a se tornarem mais conscientes de suas escolhas artísticas.

Atividades sugeridas:

Diários de bordo sobre o processo criativo.

Reflexões escritas sobre obras de arte estudadas.

Debates sobre o impacto da arte na sociedade.


O ensino de arte na BNCC é uma oportunidade valiosa para desenvolver habilidades essenciais nos alunos, como criatividade, pensamento crítico e apreciação estética. Ao explorar as seis dimensões do conhecimento, os educadores podem criar um ambiente de aprendizagem rico e diversificado, que valoriza a expressão artística e promove o desenvolvimento integral dos estudantes. Ao implementar essas dimensões em suas práticas pedagógicas, os professores podem contribuir significativamente para a formação de cidadãos mais críticos e criativos.


Perguntas Frequentes


1. O que é a BNCC?

A BNCC é a Base Nacional Comum Curricular, um documento que orienta o ensino nas escolas brasileiras, estabelecendo diretrizes e conteúdos essenciais para a educação básica.


2. Quais são as dimensões do conhecimento no ensino de arte?

As dimensões são: Criação, Crítica, Estética, História, Produção e Reflexão.


3. Como posso aplicar essas dimensões na sala de aula?

Você pode desenvolver atividades práticas, debates, pesquisas e reflexões que envolvam os alunos em cada uma das dimensões do conhecimento.


4. A arte é importante na educação básica?

Sim, a arte é fundamental para o desenvolvimento da criatividade, do pensamento crítico e da apreciação estética dos alunos.


5. Quais atividades posso realizar para estimular a criação artística?

Oficinas de pintura, produção de peças teatrais e criação de vídeos são algumas sugestões que podem estimular a criação artística.


6. Como a história da arte pode ser ensinada?

A história da arte pode ser ensinada por meio de pesquisas, apresentações e visitas a museus, promovendo um entendimento contextualizado das obras e movimentos artísticos.


Texto original disponivel em:


terça-feira, 29 de setembro de 2026

A ARTE DO DESENHO: Como essa linguagem artistica comunica-se com as culturas no passar do tempo.

Imagem de desenhos rupestres - Daniel Flesher 

Compreendemos que o desenho é uma das formas mais antigas e imediatas de comunicação humana, pois servem como uma das linguagens visuais que transcendem barreiras verbais e antecedendo a própria escrita, como forma de diálogo sobre quasquer ideia pré-concebida.

Não é de hoje que o desenho se mostra presente na sociedade como um meio de comunicar ideias. Isso ocorre desde a antiguidade, pois essa linguagem artistica sempre foi utilizada como forma de expressão pelo homem que deixava suas marcas e registros de sua história . Estando o desenho sempre presente na vida dos povos, tornando assim uma técnica muito utilizada em diversos grupos sociais, durante toda a linha cronológica da humanidade. 

É importante entender que essa comunicação através desses grafismos são comuns desde a pré historia, uma vez que a humanidade já sentia a necessidade de buscar meios de expressão, o que foi essencial para a construção do conhecimento obtido para a nossa atualidade.


Os grafismos indígenas são sistemas complexos de comunicação visual, expressão cultural e identidade étnica utilizados pelos povos originários. Longe de serem meros elementos decorativos, esses padrões geométricos e simétricos funcionam como uma "escrita viva" que transmite a cosmologia, a história, o status social e a relação de cada povo com a natureza e o sagrado.

Desde então o desenho assumiu diferentes papéis. No Egito, por exemplo, essa linguagem era frequentemente utilizada como meio de expressão, pois o desenho era comumente encontrado em túmulos e nos templos construídos na região. Para essa estética, a Lei da Frontalidade se convencionava, destacando as partes do corpo, representadas pelo seu ângulo anatomicamente mais característico e fácil de reconhecer. 

O desenho no  Egito antigo seguia o principio regido pela Lei da Frontalidade, que era  a regra estética mais marcante dessa sociedade, determinando que a figura humana não deve ser desenhada imitando o realismo tridimensional, mas sim combinando múltiplos pontos de vista em uma mesma imagem. 

Mapa criado por desenhos simples.

O desenho também foi utilizado na confecção de mapas com a finalidade de facilitar atividades comerciais entra os povos da Mesopotâmia do oriente e ocidente. Desse modo surge então a cartografia, técnica criada para representar graficamente a superfície terrestre por meio de mapas, cartas, plantas e globos. Funcionando como uma ferramenta essencial da geografia para traduzir informações espaciais complexas em produtos práticos e visuais, permitindo a localização, orientação e gestão do território.

Mesmo que não haja um consenso entre pesquisadores, é possível apontar fortes candidatos ao título. O principal deles é uma pequena tabuleta de argila datada de cerca de 2.500 a.C. e encontrada no território onde hoje fica o Iraque, na antiga região da Mesopotamia — o berço das primeiras civilizações humanas. Conhecida como Mapa de Ga-Sur, a peça foi encontrada nas ruínas da cidade suméria de Nuzi, próxima à moderna Kirkuk. Hoje, está preservada no Museu do Antigo Oriente, em Istambul, na Turquia.

O desenho por sí ja se mostra nos primeiros estagios da comunicação humana, é ainda na infancia que surgem as garatujas. Nesse momento a criança se expressa por meio de rabiscos sem um ordenamento dos mesmos. Um desenvolvimento gradativo vai sendo alcançado pela criança e aos poucos, ela vai organizando e controlando os traços que produz. Isso tudo se revela través da arte do desenho.
Garatuja criada por criança


Desse modo, é nítido compreender que na trajetoria da vida, o homem sempre desenhou. Expressou-se  através dos registros gráficos, provas e vivencias de sua existência. O desenho, por sua vez, é uma linguagem antiga que sempre foi permanente,  estando presente desde as primeira culturas da terra. O desenho atravessou as fronteiras espaciais e temporais, e, devido a sua simplicidade, acessibilidade e possibilidades de expressar ideias, a arte do desnho, expande-se além da estética, pois formula uma comunicção estabelecida entre as sociedades e maior que isso, liberta o artista para expressar sua força criativa e liberdade de opinião sobre o que deseja falar.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

EUGENIO KUSNET: O maior discipulo do metodo de Stanislávski nos palcos brasileiros.

 


Ator de formação stanislavskiana, criador de papéis memoráveis e professor de toda uma geração de artistas entre os anos 1950 e 1970. Eugênio Kusnet tambem foi diretor e professor de interpretação de origem russa que se consagrou como o principal propagador e sistematizador das ideias de Konstantin Stanislávski no teatro brasileiro. Vale ressaltar que Stanislavski é mundialmente conhecido pelo seu "sistema" de atuação para atores e atrizes, onde reflete sobre as melhores técnicas de treinamento, preparação e sobre os procedimentos de ensaios. Embora pensadas para o teatro, suas proposituras cênicas são largamente utilizadas por artistas de cinema e televisão.

Kusnet estreia nos palcos brasileiros em 1951, no espetáculo Paiol Velho, de Abílio Pereira de Almeida, com direção de Ziembinski. Em seguida, integrou o elenco do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), participando de peças históricas como Seis Personagens à Procura de um Autor e O Canto da Cotovia. No Teatro de Arena por exemplo, que hoje leva seu nome, Kusnet se destacou em montagens como Eles Não Usam Black-Tie e A Alma Boa de Setsuan. 
Eugenio com Lélia Abramo no Teatro de Arena em 1958

Posteriormente, no Teatro Oficina, tornou-se referência como ator e professor, orientando artistas que se consagraram no palco e na televisão. Sua carreira vem então a se consolidar ao integrar a Fundação das Artes, Kusnet consolidou sua vocação como mestre e formador de atores. Como professor e coordenador do curso de teatro da instituição, desenvolveu um trabalho inovador, pautado pela improvisação e pelo cotidiano do ator, formando gerações que levaram seus ensinamentos para a cena brasileira.

A FASCS foi também o último espaço em que Kusnet deu aulas. Em julho de 1975, pouco antes de sua morte, reuniu sua turma e despediu-se temporariamente dizendo que “logo, logo, estaria de volta”. Seu caderno de anotações, interrompido em 24 de julho daquele ano, guarda o registro do último exercício acompanhado na escola — páginas que permaneceram em branco, mas que simbolizam a continuidade de seu legado. Faleceu em 29 de agosto daquele mesmo ano, em São Paulo.

O trabalho de Kusnet tinha como base uma pedagogia centrada na Ação Física e no desenvolvimento consciente da criatividade do ator. Pedagogia esta, que se moldava por exemplo no "Método da Ação Inconsciente", que tinha por objetivo: o foco em traduzir os sentimentos e os estados psicológicos do personagem por meio de ações físicas concretas e intencionais em cena, evitando o falso melodrama ou o excesso de pieguice intelectual.

Além do estudo acerca do "tempo-ritmo", o metodo tambem visava utilizar a atuação do ator pela "Imaginação Ativa", este sistema visava o estímulo constante à capacidade de criar realidades sensoriais e vivências verossímeis no palco a partir de estímulos internos e externos.

Seguindo essa trajetoria teatral, é importante salientar que: A relação de Kusnet com o sistema de Stanislavski  foi a de um discípulo fiel e difusor profundo. Por ter vivenciado a cultura russa e dominado os conceitos de Stanislávski em sua raiz, Kusnet traduziu, adaptou e ensinou esses preceitos de forma pragmática para o contexto brasileiro. Seus livros — como Iniciação à Arte Dramática e Introdução ao Método da Ação Inconsciente — serviram de guia prático para que o teatro brasileiro superasse a declamação antiga e adotasse uma interpretação mais orgânica, verdadeira e consciente.


Disponivel em:
https://abcdoabc.com.br/fascs-celebra-o-legado-de-eugenio-kusnet-para-o-teatro-brasileiro/

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/21600-eugenio-kusnet

https://cartaodevisita.r7.com/conteudo/5362/eterna-memoria-eugenio-kusnet

https://outraspalavras.net/poeticas/eugenio-kusnet-retrato-de-um-artifice/

https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3692963/fundacao-das-artes-celebra-o-legado-de-eugenio-kusnet-para-o-teatro-brasileiro/