terça-feira, 20 de novembro de 2012

Calle 13 - Latinoamérica


Aqui posto uma canção latina que vale a pena e gosto de se ouvir. Falo de Calle 13, um grupo musical porto-riquenho. Calle 13 (português: Rua 13)  uma dupla de ReggaetonRap alternativo e Pop Latinode Porto Rico. É composta por: René Pérez conhecido por Residente e Eduardo Cabra conhecido por Visitante. Seus apelidos provêm da identificação que tinham que dar ao segurança para entrar no setor El Conquistador de Trujillo Alto, Porto Rico onde ficava suas casas. René é o cantor e compositor, e Eduardo faz backing vocal, também é compositor e pianista. Sua irmã, Ileana Cabra chamada PG-13 (uma classificação usada nos Estados Unidos para um filme não recomendado a menores de 13 anos; Ileana era uma adolescente ao iniciar seu trabalho com seu irmão) contribui em algumas músicas como a voz feminina de Calle 13. A mãe de René e Ileana, Flor Joglar de Gracia, contribuía ocasionalmente com a dupla. O nome Calle 13 provem do nome darua do setor onde cresceram, em Trujillo Alto.




Latinoamérica
Soy... soy lo que dejaron
Soy toda la sobra de lo que se robaron
Un pueblo escondido en la cima
Mi piel es de cuero, por eso aguanta cualquier clima
Soy una fábrica de humo
Mano de obra campesina para tu consumo
frente de frío en el medio del verano
El amor en los tiempos del cólera, mi hermano!
Soy el sol que nace y el día que muere
Con los mejores atardeceres
Soy el desarrollo en carne viva
Un discurso político sin saliva
Las caras más bonitas que he conocido
Soy la fotografía de un desaparecido
La sangre dentro de tus venas
Soy un pedazo de tierra que vale la pena
Una canasta con frijoles, soy Maradona contra Inglaterra
Anotándote dos goles
Soy lo que sostiene mi bandera
La espina dorsal del planeta, es mi cordillera
Soy lo que me enseñó mi padre
El que no quiere a su patría, no quiere a su madre
Soy américa Latina, un pueblo sin piernas, pero que camina
Oye!
Coro
Totó La Momposina:
Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor
María Rita:
Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores
Totó La Momposina:
Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor
Susana Bacca:
Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Calle 13
Tengo los lagos, tengo los ríos
Tengo mis dientes pa' cuando me sonrio
La nieve que maquilla mis montañas
Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña
Un desierto embriagado con peyote
Un trago de pulque para cantar con los coyotes
Todo lo que necesito, tengo a mis pulmones respirando azul clarito
la altura que sofoca,
Soy las muelas de mi boca, mascando coca
El otoño con sus hojas desmayadas
Los versos escritos bajo la noches estrellada
Una viña repleta de uvas
Un cañaveral bajo el sol en Cuba
Soy el mar Caribe que vigila las casitas
Haciendo rituales de agua bendita
El viento que peina mi cabellos
Soy, todos los santos que cuelgan de mi cuello
El jugo de mi lucha no es artificial
Porque el abono de mi tierra es natural
Coro
Totó La Momposina:
Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor
Susana Bacca:
Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores
María Rita:
não se pode comprar o vento
não se pode comprar o sol
não se pode comprar a chuva
não se pode comprar o calor
não se pode comprar as nuvens
não se pode comprar as cores
não se pode comprar minha'legria
não se pode comprar minhas dores

No puedes comprar el sol...
No puedes comprar la lluvia
vamos caminando, vamos dibujando x2

Calle 13
Trabajo bruto, pero con orgullo
Aquí se comparte, lo mío es tuyo
Este pueblo no se ahoga con marullo
Y se derrumba yo lo reconstruyo
tampoco pestañeo cuando te miro
para que te recuerde de mi apellido
La operación Condor invadiendo mi nido
Perdono pero nunca olvido
Oye!
Vamos caminando
Aquí se respira lucha
Vamos caminando
Yo canto porque se escucha
Vamos caminando
Aquí estamos de pie
Que viva la américa!
No puedes comprar mi vida...




Fonte:
http://letras.mus.br/calle-13/latinoamerica/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Calle_13


Penso em você... (Lid Galvão)


Na sua respiração me tocando,

Obedecendo ao pulsar de seus

Nervos; na sua boca deslizando

Em meu rosto enquanto seu

Gemido agarra cada vez mais

Forte o suor que escorre em

Meu corpo... Penso no ardor

Ofegante de seu seio nu avisando

Para as minhas mãos que seu

Coração está perto, batendo

Acelerado como se (ele mesmo)

Quisesse me beijar... Eu que

Também o desejo notadamente,

Perdida no sugar de seus poros

Tentando trazê-lo até mim...

Então beijo mais e mais sua boca,

Talvez agora ele saiba que o

Espero trémula, com aquele frio

Na barriga, enquanto você me

Arranca o resto de roupa que

Ainda me sobra... E me aperta

Como quem tem medo de altura,

Me abraça com os olhos; estes

Fixos e concentrados no incessante

Acariciar de sua pela na minha,

Excitando minhas fantasias;

Massageando meu colo, me dando

Seus devaneios intermináveis...


Disponivel em:
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/3984870

Quadrinhos: Garota Tubarão, nova membro dos X-Men é uma brasileira do Recife



Na edição mais recente de Wolverine and the X-Men publicada em 14/11, a Marvel apresentou a nova personagem dos X-Men: é Iara dos Santos, conhecida como Garota Tubarão (Shark-Girl, na versão em inglês). A personagem é apresentada como moradora da praia da Boa Viagem, no Recife, e se alimenta de peixes crus.
A história apresenta os dilemas da personagem ao se descobrir uma mutante e se passa no porto da capital pernambucana. Ela apresenta vontade descomunal de comer peixes. Descoberta comendo peixes crus num barco de pesca em alto-mar, ela se revolta ao saber que os pescadores são caçadores de barbatanas de tubarão.
O mutante Anjo acaba por encontrar a garota e a leva para a Mansão X, onde os X-Men "do bem" são treinados. Em outro momento de fúria, devido às transformações corporais e comportamentais, a Shark Girl mergulha no mar e se transforma, pela primeira vez na história, na Garota-Tubarão.
Em sites especializados, houve repercussão do lançamento da nova HQ dos X-Men. O site Marvel 616 informou que haveria um novo personagem, vindo do Brasil. Mas não se sabia qual a região brasileira, nem as suas habilidades. 

Fonte:
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/garota-tubar%C3%A3o-nova-membro-dos-x-men-%C3%A9-211428280.html
http://www.advivo.com.br/blog/urariano-mota/a-garota-tubarao-do-recife

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Grifo meu #2


"Acredito que a praia-mar é uma obra de arte que a mãe natureza fez o favor de caprichar durante o seu delicado processo criativo"

 
Fábio Fernandes
20/11/12

RE-Postagem : O que o pastor não vê (Crônica)

Dessa vez a re-postagem que trago é uma crônica que escrevi há dois anos atrás. Creio que é um texto que ainda está bem atual em sua temática. Revisei a ortografia e com carinho re-posto O que o pastor não vê.

Por Fábio Fernandes



Encontro-me assim, sem saída, engaiolado como um passarinho, que acaba de perder sua liberdade. Pergunto-me o que foi que fiz de mais? Questiono-me todos os momentos... Duvidas não param de vir a minha cabeça...Só porque senti fome? Será que é proibido sentir vontade de comer? Bem que queria que isso fosse verdade... Assim com certeza não me encontraria aqui enjaulado, como um leão de circo, imobilizado, sem força e nem espaço pra caçar... Esperando que venham me dar comida quando bem entenderem. 

Juro que não queria fazer isso, não é do meu agrado desonrar ninguém. Mas se peço , ninguém me dar, se procuro uma ocupação, nada encontro . O que fazer se nada tenho ? Se moro na rua? 

As vezes penso em me matar, mas o pastor falou que só Deus dar a vida e somente ele tem o direito de tomar. Mas o pastor não está com fome... e sinto que Deus num ta mais nem ai pra mim. Já vi tanta gente vivendo em paz, já vi tanta coisa boa, mas por que logo comigo a vida tinha que ser assim? Minha mãe morreu, meu pai sumiu; família - só escuto falar o que é. 

Mas o pastor continua a dizer que Deus está comigo. Então porque que me sinto só? Só queria matar a fome, não queria pegar no que não é meu. Não queria viver erradamente. Sabe quando você chega num lugar e vai comprar qualquer coisa e o rapaz pergunta se é fiado e que você paga a vista? Essa era minha vontade, mas a prefeitura me proibiu de pastorear carros na rua, alegando que a gente poluía o ambiente e que flanelinha era coisa ilegal.

 Mas o pastor falou que Deus vai me dar muitas coisas, até uma tal “proeza” que não tenho a mínima ideia de quem seja. É triste querer morrer e não conseguir... Querer vencer, mas não ter forças pra alcançar a vitoria sozinho. Queria ser como o pastor, cheio de confiança, fé na vida e sair aconselhando as pessoas com fome a não se matarem. 

O pastor falou que somos todos iguais perante Deus, e que ele nos ama sem distinção... Mas por que o pastor é rico e eu sou um miserável? Sabe, acho que o pastor se enganou... Ele quando me viu com fome me mandou ter paciência, esperar no senhor e disse também que nem só de pão vive o homem,mas de toda a palavra... Já estou sem aguentar tanta palavra...Mas o pastor come. Eu só queria ser o pastor por um dia.


Texto original [Natal 2010-04-22]
Texto revisado [Natal 2012-11-19]

Postagem original:
http://maricalman.blogspot.com.br/2010/04/o-que-o-pastor-nao-ver.html

OPINIÃO - O outro lado da poesia de Renato Caldas

 Por Fábio Fernandes
Como todos que acompanham esse blog sabem, sempre divulgo com louvor o trabalho desse mestre da poesia assuense (Assu-RN), seja postando poesias, comentando sobre sua vida e obra e também na preocupação com a memória de nossos poetas tão importantes para o meio cultural. Isso me torna feliz e realizado por ter feito a "minha parte" no preparo do bolo.  

Renato escreve muito sobre o sertão, a vida rural, as pessoas e todo o seu proselitismo acerca da vida regionalista. Em Assu, por exemplo, o poeta discorre lindamente o universo urbano e seu cotidiano exaltando o trabalho da cidade:

Assú de chapeu de palha!


Que luta... vive e trabalha



Somente para comer.



Assú que vive sofrendo

A própria dor escondendo

A angústia do seu viver!

O poeta logo se mostra um amante do lugar onde viveu, este é muito saudosista, tem uma visão otimista em relação a continuidade e ao valor da poesia no local :



Heróis, poetas, escritores



Boêmios e trovadores



Ilustraram tradições!

Que não serão sepultadas

Para serem proclamadas

Pelas novas gerações.

Logo se vê  quão sonhador era nosso poeta. No mesmo poema a cultura popular também é exaltada:


Dança dos Congos, Lapinha,



Folguedos da argolinha,



Bumba meu boi! Pastoril

Eram brincos engraçados,

Hoje porém divulgados

De norte a sul do Brasil.

Bem, percebe-se de imediato que Renato era um homem muito sábio, ele usa o termo "eram" do verbo "Ser", este pretérito (mais que perfeito) condiz com a realidade cultural da cidade - não se tem conhecimento de lapinha, folguedo de argolinha algum, bumba meu boi e vagamente se sabe de pastoril por lá. Mas não é dessa desvalorização com os fenômenos culturais que quero falar, minha excitação em escrever esse artigo, é de evidenciar a visão machista e preconceituosa proveniente da geração de Renato Caldas.
 Sabe-se que Renato nasceu no inicio do século xx, num período muito difícil com relação a economia do país, o quadro politico era de grande retrocesso para o homem do campo, não tínhamos politicas voltadas às ditas minorias, movimentos sociais fortes e nem ao menos "facebook" pra compartilhar raríssimas coisas importantes.
Do livro "Fulô do Mato", um clássico da poesia potiguar na minha singela opinião, me pego lendo o poema "Home":

Home que larga a muié,

Pra vivê c'uma sujeita;

Ou esse cabra num presta, 

Ou entonce é coisa feita.


Home que vévi se rindo,

E diz que nunca chorô;

Ou esse cão ta mentindo,

Ou por ôta nunca amô.


Home que deixa a muié,

In casa-e vai passiá...

O fim dele tem que sê:

No sumitéro ou hospitá.

Até aqui tudo bem,percebe-se que o ideal-tipo de homem daquela sociedade de inicio do século era um "homem perfeito" voltado único e exclusivamente para a família, um sujeito sem pecado e   politicamente correto ao extremo. Esse pensamento sugere uma sociedade utópica, visto que não existe se quer ser tão puritano a tal ponto. Ainda no mesmo texto o poeta escreve:

Home que anda inlordado,

Sem tê uma ocupação...

No mundo só pode sê:

Ou vagabundo ou ladrão.

A principio aprendo uma palavra "nova" (inlordado) -provavelmente uma gíria da época- acredito que seja alguém que não trabalha e só vive de "vida boa"- isso nos dias de hoje se configura na figura dos "playboyzinhos e/ou filhinhos de papai". Mas quando o homem não tem ocupação é tido como ladrão ou vagabundo: vale salientar que uma pessoa de ocupação para o homem rural seria alguém que vivia trabalhando no campo com uma pá e inchada na mão. Então o que dizer de mim que optei por estudar? Sempre levei o nome de vagabundo por ter deixado a inchada e optar pelos livros - o que dizer a respeito desses que pensavam assim? (Risos).

O grupo GLBT não iria gostar nada de ler o ultimo trecho do poema, sem a menor sombra de dúvida. Assim o texto revela:

O freguês da fala fina,

Que num gosta de muié!

Vamo atraz, que essa peste,

Tem um defeito quarqué. 

Falar que esse raciocínio é preconceituoso e homofóbico seria o minimo pra o texto, nota-se que o ideal-tipo do homem assuense tinha de ter a fala grossa. Exame de prostata nem pensar, seria preferível um câncer do que sujar a honra com uma dedada no reto. A orientação sexual é tida aqui como uma anomalia, a visão machista e cristã da época reflete valores que martirizam a figura do gay, pois o fato de ser homossexual é tido como um defeito - Silas Malafaia e Jair Bolsonaro sem dúvida iriam amar o desfecho desse poema.

Enfim, é lamentável ver que num texto tão saudosista,a principio inteligente e sem dúvida lindo de  ver e  ler em vóz alta tenha um teor desagradável em sua interpretação critica. Não coloquemos a culpa no Renato Caldas, este é apenas mais um cidadão que não teve  acesso as outras formas de pensar os assuntos vigentes e constituintes de uma sociedade. Temos é que tirar desse exemplo, a imagem negativa que nossa sociedade possuía  para que desta forma possamos ensinar realmente através do respeito mutuo ao outro que a possibilidade de diversidade de opinião e gênero deve ser a priori o caminho que nossos filhos devem andar.




Saiba mais sobre Renato Caldas:

http://maricalman.blogspot.com.br/2012/08/re-postagem-um-pouco-sobre-o-poeta.html

Arte Urbana -Praia de Ponta Negra- Natal - RN

Ao andar pela beira-mar de Ponta Negra, aqui em Natal, vi um pouco de suas manifestações artisticas, obviamente que resolvi registrar. Vale salientar que nem só  arte e belas imagens compõem o cenário dessa praia (descaso da gestão pública atual) seja o calçadão desmoronando, a poluição e outros problemas mais "pesados". Nosso blog, no entanto tem o intuito de revelar aspectos artístico-culturais que permeiam nossos mais diversificados espaços. Pensando dessa forma registro aqui alguma imagens "legais".







Essa seria a arte marginal?
Apreciar a arte, eleva o pensar ao subjetivismo
Quadros com evidencia forte nas pinturas sobre a temática indigena




 "Acredito que a praia-mar é uma obra de arte que a mãe natureza fez o favor de caprichar durante o seu delicado processo criativo"

 (Grifos meus)

Estudos Culturais do Teatro (UFRN)

Na disciplina Estudos Culturais do Teatro, ministrada pelo Profº Me. Makarios Maia Barbosa (UFRN) pude vivenciar experiencias maravilhosas, tanto nas discussões teóricas acerca do vasto campo da cultura como um todo até a investigação dos fenômenos culturais em seu cerne. A exatamente uma semana atrás, estivemos em campo pesquisando o boi de reis do Município de Vera Cruz-RN, esta experiencia só veio a somar na construção do conhecimento a respeito das manifestações populares.
Estas foram algumas imagens dessa riquíssima construção do conhecimento:
Tive que tirar uma foto tendo o grupo como paisagem

O Prof Me. Makarios Maia (UFRN) conversa com o mestre Jovelino


Os galantes do boi

O atual "Mateus" do Boi fala sobre suas experiencias no folguedo.

Nêgo Mateus brinca 

Mestre Jovelino fala sobre a importância do fenômeno cultural para a história da região.

Registros - essenciais
Anciãos do pequeno sitio de Santa Cruz em Vera Cruz -RN
"Crianças dão continuidade ao folguedo"

O meste "Jove" ainda nos contando mais sobre o boi

Não deixe meu boi morrer


Esse boi tem de viver muito!




Viva o Boi !




sábado, 17 de novembro de 2012

Dica de Leitura - Preconceito Linguístico - Marcos Bagno

Hoje venho apresentar uma dica de leitura que acredito ser essencial para nossa bagagem de vida, apresento o titulo Preconceito Linguístico , escrito por Marcos Bagno. O motivo pra indicar essa obra parte do efeito que sua leitura está  me proporcionando, e também por acreditar que é de inteira necessidade respeitar os menos favorecidos que não tiveram a oportunidade de fazer parte de um sistema educacional digno, e também reiterar a questão da força linguística que nosso idioma nos proporciona. 


Neste livro, incorporando as discussões e propostas das ciências da linguagem e da educação, Marcos Bagno reitera seu discurso em favor de uma educação linguística voltada para a inclusão social e pelo reconhecimento e valorização da diversidade cultural brasileira.


sobre o autor:
www.marcosbagno.com.br

Carta surda (Lid- Galvão)


 Por Lid Galvão

Sabe quando você sente a necessidade de permanecer calada(o), sendo que seu silêncio já perdura tanto que agora não consegue sequer convencer a si mesmo? Sempre fui meio equivocada, mas talvez não exista distinção entre a minha torre e a de Rapunzel. A não ser quando ela atrai alguém para salvá-la. Aí com o resto da picaretagem vocês estão acostumados. O certo é que não é difícil entrar em acordo com um beco sem saída. Conversando a gente se entende, é o que dizem. Agora se você vai ceder mais, ou menos, que a outra metade interessada, eu só tenho a dizer uma coisa: Todo mundo, alguma vez, já acordou como se tivesse morrido. Mas isso não impede você de ser um idiota bom(a) moço(a) por não querer revidar. Não estou dizendo pra ser um(a) mau perdedor(a), só acho que a justiça também pode ser injusta.


Faz dias, e sempre me parece que foi noite passada, não sei quem é Joana, mas ela estava no meu sonho dando uma de profetisa. Ela usava um vestido branco como que pra combinar com alguns fios de cabelo. Ela acertava todas, e na minha vez de fazer perguntas, optei primeiro por respostas que satisfizessem os ouvidos de gente alheia que estava prensente. Eu tinha uma nova pergunta, dessa vez pra mim. E Joana tinha os olhos azuis e soberanos rindo o tempo todo, humildemente, da minha subjetividade angustiada. Compreensiva e terna, como a jarra de suco que minha vó sempre guardava pra mim, Joana dizia que não tinha que ser o que eu achava realmente que tinha.

Francamente Joana, você fala como se eu não tivesse o que responder. Eu que às vezes não sei se rio porque tenho algo que me faz única, ou se me ponho a gastar meu orgulho em função de um desfarçado e desacreditado entusiasmo; Eu que sei que estou fazendo alguma coisa de errado comigo, mas que me falta descobrir o que é. Aliás, me falta uma resposta. Por que alguém se ocuparia em trazer alguém pra perto se não queria que ficasse?
Sabe o que me parece? Que Joana se sente incomodada com a pergunta. Provavelmente, anda formulando seus argumentos. Se bem que se ela for mesmo profetisa, vai saber que espero um reencontro. Talvez seja o mesmo que pedi para a àgua não correr sobre a terra, e o mesmo que dizer "não" duas vezes sem saber a tradução certa.  Lealdade, pra mim, nunca esteve no real sentido de sua etimologia. Se a leadade quisesse ser leal consigo mesma, adotaria como sobrenome - no mínimo - as palavras "imbecil" e "acovadada". Não é o mal que me frustra o crescer das unhas, ou esse bando de sílabas recalcadas; e sim o bem. Aquele que tende a imbuir-se orgulhosamente de branco. Cada pessoa tem um modo particular de invocar o sono, quando necessário. Algumas crianças precisam de luzes acesas. Eu, com poucas distinções, dessa aliança supersticiosa...



BLANCHETT, Lidiane. 24 de março de 2011.


Disponivel em:
http://www.recantodasletras.com.br/cartas/3885573