sexta-feira, 11 de setembro de 2026

AS FAMILIAS FABULARES - (Peça Teatral infantil - texto na integra)

Peça infantil em um ato escrita e desenvolvida pelo teatrólogo Fábio Fernandes. O texto origina-se em 2015 em meio a uma pesquisa acerca dos recursos hidricos, com um coletivo de crianças da escola Eloy de Souza. O texto atualizado se encontra na integra para quem se interessar em montar na escola ou em grupos de teatro voltados para o publico infanto-juvenil.

 Ilustração IA

SINOPSE: Baseada na fábula A cigarra e a Formiga, “As Famílias Fabulares” conta uma divertida história entre as famílias Cigarra e a Formiga, que discutem à relação de consumo consciente da água.

 

PERSONAGENS

SR. CIGARRÃO - (Músico, que só vive tocando seu violão)

MÃE CIGARRA - ( Esposa der Cigarrão )

CIGARRETE  - (Filha de Cigarrão)

CIGARRINHA - (Filha de Cigarrão)

SR. FORMIGONNE - (Chefe da família, vive do trabalho e de juntar alimentos.)

FORMIGÃO – (Primo de Formigonne)

DONA FORMIGA – (Dona da casa dos Formiga)

FORMIGUINHA – (Filha estudiosa dos Formiga)

FORMIGA FOFA – (Filha gulosa dos Formiga)

NARRADOR – (Contador da historia)

 

ATO UNICO 

 

NARRADOR – Vou contar para vocês uma história interessante, que fala de uma família de grandeza importante.

 

É a luta pela vida do trabalho e do lazer, é a mistura com risadas da labuta e do prazer.

 

Certa vez seu Formigonne pela estrada caminhava tão cansado do trabalho, “foi num foi” ele parava.

 

SR. FORMIGONNE

Ai, ai, ai... Que vida essa?

Só sei trabalhar e juntar alimento.

Já passei por tanto canto.

Tenho bom conhecimento.

 

Minha vida é o trabalho,

Da fartura a privação,

Se não saio pra comer

Fico sem comer na mão.

 

NARRADOR

Certo dia pela mata,

Um encontro aconteceu,

Formigonne caminhava,

Ele então reconheceu.

Um músico bem esperto

Metido a boêmio cantador.

Era o Senhor Cigarrão

Tocando seu violão,

Com jeito de aboiador.

 

TODOS – (CANTANDO) Nessa longa estrada da Vida, Vou correndo e não posso paraaaaaaar...

 

SR. CIGARRÃO

Olha só seu Formigonne,

Que só vive pro trabalho,

Não sabe o que é cultura,

Troca alho por bugalho.

 

SR. FORMIGONNE

É você seu Cigarrão,

Um tremendo fanfarrão,

Vive pra cima e pra baixo

Tocando seu violão.

 

SR. CIGARRÃO

Pois é seu Formigonne,

Não me custa te falar.

Vivo de cantarolar

sem ter com que me preocupar.

 

SR. FORMIGONNE

Muito bem seu fanfarrão.

Pois estamos na fartura.

Se avexe a juntar comida

Antes dessa noite escura,

Pois você tem que saber

Que a vida é colorida,

Mas nem sempre é assim

Que essa banda vai tocar,

Com fome tu vai ficar

Se comida te faltar.

 

SR. CIGARRÃO – (cantarolando)

Pois não “tô” nem preocupado.

Quero mesmo é ser artista,

Pra ser capa de jornais

E de famosas revistas.

 

NARRADOR

Cigarrão foi logo embora,

E deixou o seu recado,

Não queria trabalhar,

Já havia anunciado.

De repente Formigão

Foi ao seu primo encontrar,

Disse que era preciso

Àgua economizar.

 

FORMIGÃO

Oh primo meu, Formigonne,

Que prazer te encontrar!

Eu preciso urgentemente

Poder te comunicar.

 

Que os Cigarras não entendem

Que estão danificando

Uma parte do planeta,

Com a água se acabando.

 

SR. FORMIGONNE

Como então posso falar

Pra essa família maluca,

Pra água economizar

E meter na sua cuca?

Pois um bando de teimoso

É que eles todos são,

Desperdiçam a comida

De toda população.

 

FORMIGÃO

Formigonne primo meu,

Quero muito te falar

Que a água do planeta

Já está perto de faltar,

Temos que urgentemente

Nosso planeta salvar.

 

NARRADOR

Formiguinha estudiosa

Entra chamando atenção,

E concorda com o primo

Cheio de educação.

 

FORMIGUINHA

É verdade primo meu,

Temos logo que alertar

Para essa cigarreada

Que a água vai se acabar.

E se eles não entendem

Nada podemos fazer,

Mas vamos de qualquer modo

Tentar compreender,

Pois família tão maluca

Não se tem como aprender.

 

NARRADOR

Dona Formiga orgulhosa

Entra chamando atenção.

Encantada com a filha

Que aprendeu bem a lição.

 

DONA FORMIGA

Muito bem minha querida

Isso que é educação,

Uma formiga consciente

Da ecologia de montão,

Todos temos que saber

Qual a nossa obrigação.

 

NARRADOR

A família orgulhosa

Pela sua consciência,

Desperta logo uma intriga

Numa grande penitencia.

É a filha Formiga Fofa

Ciumenta e gulosa,

Acha que toda a família

A despreza e esnoba.

 

FORMIGA FOFA – (furiosa)

Como pode uma coisa dessas,

Encher a bola de Formiguinha?

Só porque eu sou gulosa

Sou sempre a coitadinha,

Qualquer dia vou sair

De vez desse formigueiro

Pra pegar o “mêi” do mundo

E ganhar muito dinheiro.

 

DONA FORMIGA

Ô Fofinha minha querida

Não precisa se afobar,

Estamos falando muito

Da água que vai faltar,

E dizer para as Cigarras

Que elas vão mendigar.

 

FORMIGA FOFA

Nada disso minha mãe,

Eu ouvi bem a história,

Vi vocês elogiando

Minha irmã estudiosa,

Só porque eu sou gordinha

E um pouco preguiçosa.

 

SR. FORMIGONNE

Nada disso minha filha,

Mas foi bom você falar,

Eu já vi de muitas vezes

Água você derramar,

Pra lavar o seu cabelo

Sem nem economizar.

 

FORMIGUINHA

Isso mesmo papaizinho,

O senhor que tem razão,

Essa gasta a água toda,

Sabonete e sabão.

A passar o dia todo

Vendo a televisão.

 

NARRADOR

Dessa vez aconteceu

Um babado diferente,

Criou uma confusão

Nenhum pouco inteligente,

As formigas começaram

A brigar intensamente.

Nisso, a Mãe Cigarra apareceu,

Ignorou aquela cena,

Já ligou numa torneira

E começou um dilema.

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando)

Lavar roupa todo dia, que agonia... (2x)

 

CIGARRETE

Já chega minha mãe,

Essa música é de abusar,

Vira o dia com a noite

Somente a cantarolar.

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando) Lavar roupa todo dia, que agonia... (2x)

 

CIGARRETE – (irritado)

Já chega pelo amor de deus!

Não tem uma canção mais chata

Pra senhora aqui cantar?

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando)

Como criança em seus braços,

Eu me sinto um rei de sangue azul
Gosto quando encosta em meu nariz e faz: Bilu bilu bilu bilu.

 

CIGARRETE

Ta bom mãe,

Se é pra brincar,

Vamos brincar direito,

A senhora já canta ruim,

Ainda mais “sofrencia”,

Isso ninguém aguenta.

O que pode ser pior que isso?

 

FORMIGAS – (cantando) A muriçoca, çoca, çoca, çoca, çoca,çoca... (2X)

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

NARRADOR

Nessa hora tão sublime

Cigarrão apareceu,

E pra amenizar a barra

Ele então compreendeu,

Que pra tudo ficar bem

Tinha que desabafar,

E falou do bom conselho

Que Formigonne foi lhe dar.

 

SR. CIGARRÃO

Atenção família linda,

Hoje venho vos contar,

Que os Formigas bem certinhos

Vieram me aconselhar,

Para procurar comida

E pra deixar de cantar.

 

CIGARRETE

Ah papai, mas também dera,

Ter que ouvir mamãe cantar,

Só dentro de uma caverna.

Ela abusa todo mundo,

Nem é bom se comentar,

Repete mais de mil vezes,

Desafina sem parar.

 

SR. CIGARRÃO

Filha minha não seja chata,

Deixe sua mãe cantar,

Não tire o seu prazer

Pra ela não se incomodar,

Ficar triste com remorso

Sem poder se expressar.

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

MÃE CIGARRA – (cantarolando) Como pode um peixe vivo viver fora d’água fria?

Como pode um peixe vivo viver fora d’água fria?

 

FORMIGAS- (cantando) Como poderei viver? Como poderei viver?

Com as cigarras, com as cigarras, com as cigarras gastando águia? (2x)

 

CIGARRETE

Ai meus ouvidos!

Assim não pode ser,

Vou lavar a minha moto

Para eu poder viver,

Pilotando o ano inteiro

Sem ter que ouvir mamãe,

Cantando e desafinando

Destruindo o alvorecer.

 

NARRADOR – Nisso, Cigarrão falou:

 

SR CIGARRÃO

Não ligue pra ela meu amor,

Ela não sabe o que diz,

Quando souber

O valor de uma mãe

Ela vai ser mais feliz.

 

CIGARRINHA

Canta mãezinha,

Canta mãezinha.

O show não pode parar.

Te ouvir me faz tão bem,

Me faz bem o seu cantar.

 

NARRADOR

Na casa de Formigonne

Todo mundo se acalmava,

Fizeram todas as pazes,

Pois o amor se encontrava.

E ali logo do lado

Os Cigarras continuavam

com a sua melodia

e a desperdiçar água.

Formigão se enfureceu:

 

FORMIGÃO

Companheiro cigarreiro,

Não se incomode eu falar,

Mas a água que tu gastas

Amanhã pode faltar.

 

SR CIGARRÃO

Companheiro Formigão

Não seja inconveniente,

Se importe com sua vida

Seja um pouco inteligente,

A água quem paga sou eu

Não seja tão penitente.

 

FORMIGA FOFA

Ah primo Formigão

Larga a mão de ser chato,

Deixe os vizinhos livres

Pra pagarem o seu pato,

Se a água lá faltar

A gente vai ajudar.

 

FORMIGUINHA

Nada disso irmã Fofa,

Eles lá que se previnam.

Desperdiçam toda hora

Nem se quer se justificam,

Vão ficar no prejuízo sem água

Pra beber, tomar banho, lavar a casa...

E sua louça nem é bom ninguém falar.

Aí então eu quero ver

A razão do seu cantar.

 

FORMIGA FOFA

Minha irmã não sei por que

Tanto ódio no coração,

E não sei porque mamãe

Tem orgulho de você;

Chata, insolente e besta

Não posso compreender...

 

DONA FORMIGA

Nisso você tem razão,

Não entendo como tens

Ódio nesse coração,

Vamos economizar,

É a nossa obrigação.

 

NARRADOR

O tempo logo passou

E a crise apareceu,

Lá na casa dos Cigarras

Todo mundo lá sofreu.

 

SR. CIGARRÃO

Ai que dó no coração!

Não tem água pra beber

Nem pra outra obrigação.

 

CIGARRETE

Ai que tédio

Não tem água na mangueira

Acabou antes de ontem

E vai até sexta feira.

Minha moto fica suja

E não tem como lavar,

Como vou sair no mundo

Sem ter água pra tomar?

 

CIGARRINHA

Ai família que chatice,

Não tem água no chuveiro,

Como lavar os cabelos,

Se tá seco o poço inteiro?

 

SR. CIGARRÃO –

Meu amor, minha querida,

Me responda de uma vez.

O que vamos fazer

Sem água por aqui?

 

MÃE CIGARRA e CIGARRAS(cantarolando)

AH EU JÁ NÃO SEI O QUE FAZER...

A ÁGUA ACABOU, VAMOS FAZER O QUE? (2x)

AGORA É FALAR COM AS FORMIGAS

SERÁ QUE ELES VÃO AJUDAR?

ELES TENTARAM NOS AVISAR...

E O QUE A GENTE FEZ? SÓ IGNORAR.

AQUI NÃO TEM ÁGUA

AQUI NÃO TEM ÁGUA

AGORA FICOU TODO MUNDO SEM ÁGUA... POR ISSO:

VAM, VAM, VAM, VAM...

VAMOS FALAR COM AS FORMIGAS.

 

CIGARRAS – Toc,Toc,Toc

 

FORMIGAS – Quem é? Quem é?

 

CIGARRAS – Toc,Toc,Toc

 

FORMIGAS – Quem é? Quem é?

 

CIGARRAS

Abra a porta logo

Que a gente quer entrar,

Aqui são os cigarras,

Queremos água tomar.

 

FORMIGAS

A gente não vai ajudar,

quem mandou água gastar?

 

FORMIGA FOFA

Paaaaara tudo!

Como pode uma coisa dessas,

o que custa ajudar nossos vizinhos?

 

FORMIGUINHA

Tudo que eles querem

É beber de nossa água,

Mas a gente avisou

Que eles iriam ficar sem nada

Se não economizassem.

 

FORMIGONNE

Isso mesmo,

Pra que serviu tanta cantoria?

Agora quero saber

Como vão cantar

Fedendo a gambá?!

 

CIGARRÃO

Pois é seu Formigonne,

bem que vocês avisaram,

agora estamos sujos

e sem água pra beber.

Só queremos um pouquinho

pra gente sobreviver.

 

FORMIGAS – Na-na-ni-na-não!

 

FORMIGA FOFA

Paaaaara tudo!

Como pode uma coisa dessas?

Vamos ser menos egoístas,

Hoje são eles que precisam da gente, Amanhã pode ser a gente que precise deles.

 

FORMIGUINHA

Tudo bem, você nos convenceu irmã fofa, Nós vamos ajudar a cigarreada,

Mas com uma condição.

Nunca mais perturbem nosso juízo

Com essa cantoria desafinada.

 

FORMIGONNE

Isso mesmo,

A gente agradece.

 

NARRADOR

E assim tudo acabou,

E a paz enfim chegou.

As famílias se uniram

Numa grande mansidão,

Conviveram muito bem

Com amor e união.

Os cigarras nunca mais

Perturbaram seus vizinhos formigueiros. E viveram em harmonia

Todo dia o ano inteiro.

 

TODOS

E como em toda fábula

É preciso aprender,

A lição de cada dia

Pra melhor sobreviver.

Essa água que tu bebes

Um dia irá faltar...

Como todo boa formiga:

TEMOS QUE ECONOMIZAR!


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