terça-feira, 9 de outubro de 2012

A piada está sem graça



Paulo Sacaldassypor Paulo Sacaldassy  




Sem querer entrar na polêmica sobre fulano ou sicrano, pois cada um deve ser responsável pelo que fala, o que me interessa aqui neste artigo é debater sobre até aonde vai o limite de uma piada. Acho que o limite de uma piada vai até o limite do senso comum. E qual é este senso comum? É aquele em que cada um pode se colocar no lugar do outro e rir do ridículo da situação. 
No momento em que, para fazer graça, ataca-se a deficiência ou ofende-se a honra de uma pessoa, a piada deixa de ser engraçada. O humor deve se deter apenas á uma situação constrangedora em que uma pessoa é posta e não jogado ao léu como gracejos provocativos buscando tirar o riso de alguém. Isso não passa de uma piada sem graça e hoje, é o que mais se vê na televisão.
Com tanta coisa grosseira e de mau gosto classificada como humor no ar, me passa a impressão de que o humor de hoje em dia é outra coisa. A inocência das brincadeiras de outrora, feitas com malícia e picardia, ficaram rasas e ofensivas e perderam a essência do ser engraçado e que nos fazia rir. A falta de educação agora virou sinônimo de humor.

É claro que a vida anda carrancuda e o estresse tem deixado ás pessoas no fio do limite da paciência, mas usar o desrespeito, a intolerância, ou atacar o outro com grosseria, não é, nunca foi e jamais será humor e não tem nenhuma graça. A piada ficou sem graça e os humoristas ficaram sem noção. O palhaço nos faz rir até hoje e não faz do ataque ao outro uma tentativa de fazer rir.
O humor pode sim, aliás, tem o dever de, denunciar, contestar, ridicularizar, desnudar os atos do ser humano dentro das situações engraçadas que ele se envolve, e dentro desse universo, tanto faz se ele hétero, homo, gordo, magro, negro, se é corno, se é mané, o contexto da piada é o que vai fazer rir. Portanto, para saber se isso ou aquilo tem graça, se coloque do outro lado e tente rir do que você acha engraçado.
O engraçado mesmo é que hoje em dia as pessoas estão tão sem graça, que ás vezes da vontade de rir do ridículo em que eles se colocam. Isso sim é uma verdadeira piada. Estão todos no limite do ridículo que a piada até já parece pronta, mas a graça, cadê? Humor igual àqueles de outrora, que nos fazia rir sem que fosse necessário nem mesmo abrir a boca para contar alguma coisa, faz tempo que não se vê.
Ainda tenho esperança que se encontre o limite da graça, onde a piada seja de fato um artifício do humor para nos fazer rir e não para nos indignar, ou ensejar discussões, bate-bocas e ofensas. Mas, lembremo-nos: rir é o melhor remédio, só que a piada tem de ser, acima de tudo, engraçada.



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